Seven Sins – Ira

ira1

“Alimentai – vos pois da amargura gloriosa

proveniente de raro ódio.

E regozijai – vos pois da suave raiva.

A pureza de tão sublime pecado

Habita no belíssimo e estimado Fel…”

O terno de risca de giz preto, assentava – se perfeitamente no corpo esguio, os olhos amendoados e a barba por fazer, contrastavam furiosamente com os anéis de fogo sobre a cabeça.

Apoiando os braços cruzados sobre as pernas e batendo ritmadamente os pés no chão, ele esperava pacientemente, observando o distinto casal a sua frente

– Meu caro amigo. – disse a voz saindo da escuridão uma vez mais. – Vem chegando a hora… Respire, a noite será longa. – o sorriso macabro, perdeu – se na escuridão.

hj

A moça abriu os olhos de um azul profundo, sentindo um tanto sonolenta e um tanto confusa.

O vestido claro estava sujo de lama em algumas partes, um salto quebrado, a maquiagem borrada sobre a face que havia chorado e o cabelo cor de palha, desgrenhado.

Arranhões avermelhados se encontravam no pescoço e nos braços próximos aos pulsos e uma marca roxa, em tom escuro, em cada um deles.

Parecia tão jovem, mas os olhos vazios, mostravam apenas, o peso do mundo estampado em dor e medo em face das memórias arredias que bailavam na mente dela como um filme.

Ao lado, um homem de quase 40 anos olhava com ar de desespero sobre o óculos ao redor.

O cinto desafivelado e os joelhos da calça sujos de terra, a roupa amassada e a camisa com botões arrancados e as marcas de unhas desfigurando o lado esquerdo do rosto.

Ele tentava gritar, mas a mordaça o impedia, o rapaz levantou – se e começou sua caminhada lenta, com olhar vil em direção ao homem, aplaudindo – o.

As luzes se acendiam gradativamente, e agora era possível ver no galpão circular, espelhos com diversos defeitos, no melhor estilo casa de espelhos de parque de diversões,no local em que estavam, as palmas faziam eco no espaço vazio.

Poças d’água misturadas ao óleo queimado chapinhavam ao bel prazer de seus passos, as janelas altas, estavam abertas e deixavam o ar frio da noite percorrer o recinto, silenciosamente, levantando uma pequena e sobrenatural névoa do chão.

– Bem vindos! Bem vindos! Bem vindos!

Ele parou diante da moça e colocou uma das mãos na cintura, jogando uma mecha do cabelo para trás e sorrindo gentilmente, um sorriso convidativo e cheio de interesses implícitos.

– Eu passei dias procurando por você! Preciosa! Um diamante perfeito, no meio de tanta lama, vivendo num pântano tão podre quanto se pode ser.

O rapaz passou as costas da mão na face da moça que tremia e deixava escorrer a primeira lágrima, que havia marejado seus olhos, ela tentou se levantar.

– Não vou te machucar! – respondeu ele parecendo assustado ao olha – lá chorar. – Não se desespere, vim lhe trazer um presente de boa fé, eis a chave que lhe prende, mas terás que escutar minha proposta. Portanto, sugiro que relaxe…

Ele ajoelhou – se diante dela, como quem se curva á uma rainha, abriu o cadeado dos pés, enquanto ela olhava se sentindo sem forças.

– Não é a primeira vez que te vejo tentar sabe? – dizia ele delicadamente como quem fala com uma criança. – Faz quase seis anos que começou seu suplicio, não é mesmo?

Os olhos brilhantes não saiam da mente dela, pareciam ler cada parte obscura do que ela pensava e tentava esconder, a dor da lembrança e do que já sofrerá até ali. O rapaz soltou o último cadeado no chão e ajudou – a se levantar, acariciando – lhe os pulsos, marcados.

Ela parecia mais decidida, a face transfigurada em vazio e silêncio, não demonstravam mais sinal de dor. Ela esticou os braços e alongou – se.

– Lisandre, minha bela e doce Lisandre, hoje eu lhe dou por alimento sua amargura, uma chance de mudar sua história e suas maculas. – ele a pegou pelos ombros e a levou até um espelho. – Olhe – se minha cara, olhe para dentro de sua alma. Conte – me o que vê…

A voz dele era um sussurro e Lisandre começou a recordar, a voz gélida feito o aço ressoava pelo galpão, enquanto o homem amordaçado, entrava em pânico.

Ela escolheu ele e não á mim, ela dizia que era culpa minha, que eu o havia instigado. Ele matou meus sonhos quando me violou… Sim, faz seis anos que tentei correr para os braços da morte, eu fui internada como louca. Só assim tive paz, então me mandaram pra casa novamente.

Eu vivia dopada, ele aproveitava… As mãos subindo pelas minhas pernas, a boca no meu pescoço, o gosto nojento dele, as estocadas que me violentavam, a mão dele tampando minha boca. Eu só podia chorar, sentir a dor na alma e guardar meu ódio. Eu queria vingança, queria ver o sangue dele correr. Passei a fingir tomar o remédio, fugi na primeira oportunidade.

Reconstruí minha vida, Gerson era – me um balsamo, estávamos felizes e bem, eu iria me casar com um bom homem, que me amava e sabia por tudo que eu havia passado, até ele aparecer novamente. Me achou…

As chamas devoravam o corpo de Gerson, enquanto ele assistia a tudo rindo, quanto tempo ele ficou preso? Nada! Não havia provas de que fora ele…”

Os olhos da moça pareciam queimar quando ela olhou o homem amarrado a sua frente, os estalo do tapa se propagou no eco.

– Bravo, minha querida! – o sorriso de prazer fez morada de modo diabólico. – Divirta – se, Lisandre!

Ele a direcionou a uma prateleira com objetos cortantes, pontiagudos, coisas líquidas e um maçarico.

O olhar injetado de ódio e a mente reverberando as dores, alimentado a fúria, sorvendo em goles extensos o sabor do fel, o rapaz sentou – se e passou a assistir a cena macabra.

Lisandre tirou peça por peça de roupa sua, na frente do homem, que agora chorava virando o rosto, o canivete afiado traçava retas sobre os braços dele, cortando artérias e veias fazendo o sangue correr, enquanto ela jogava álcool sobre o mesmo, ele urrava, e ela sorria.

Nas mãos antes alvas, agora havia sangue, mas ela não estava satisfeita, enfiava agulhas embaixo da unhas do homem, e abriu – lhe a calça, olhando com desdém para aquilo que foi o motivo de suas cicatrizes, ela não iria corta – lo fora, não.

Seria rápido demais, ela queria vê – lo sofrer, segurou com firmeza e cuspiu no membro em sua mão, puxou a pele e de tesoura em punho começou a enfia – lá na pele, cortando – a, como quem corta um tecido barato com uma tesoura cega. Ácido, corroendo, não era o suficiente.

A mordaça foi tirada da boca do homem, que agora ofegava violentamente.

– Vaca! – foi o que ele gritou, antes da marreta acerta – lhe o rosto e quebrar a arcada dentária.

– Lisa… O que alimenta seu coração negro? – perguntou o rapaz excitado

– Meu ódio…

Ela voltou para o homem mutilado e jogou gasolina, sentou – se sobre ele e sorriu, enfiou um alicate na boca dele e puxou – lhe a língua.

– Você não vai mais fazer mal a ninguém. – pegou a tesoura que ainda estava no membro abaixo de si e enfiou no céu da boca do homem.

Levantou -se e olhou para ele, assistindo os últimos suspiros, pegou o maçarico e queimou a face, acendendo assim a gasolina.

Ainda podia se ver os espasmos involuntários dos corpo,  o último grito de socorro, enquanto a carne cedia as chamas…

– Quem é você? – perguntou ela ainda de costas.

– Eu?  – ele sorriu. – Sua Ira…

Ele colocou as mãos no bolso e saiu satisfeito… Lisandre assistiu o corpo de seu algoz queimar até o fim e partiu quando o sol começava a nascer.

Uma vida roubada, uma vida pedida em recompensa por tal…

hj

” O sangue corre diante de vossos olhos, lavando vossas ruas

Despejando a ferocidade de vossas línguas,

Esperando avidamente pela hora do acerto…

Eles caminham entre vós… eles caminham entre vós…”

CONTINUA…

 

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