A Garota com a Alma do Diabo [Parte 4]-Ludwing Thorvaldsen [+18]

Escrito por: Natasha Morgan

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Cherry já ouvira histórias sobre Ludwing Thorvaldsen ou o Austríaco, como gostava de ser chamado. No entanto, nunca o tinha conhecido pessoalmente. Quando era uma jovem adolescente brutalizada, recém-chegada á Mansão Von Kern, ouvira histórias antigas sobre as glórias da Família e dentre essas histórias de prestígio constava o nome de Ludwing.

Ele era um bom negociador, amante de vinho, apreciador de pedras preciosas e um colecionador apaixonado. Um sujeito excêntrico e solitário que sempre limpou a barra da Família quando necessário. E isso incluía fuzilar os inimigos no meio de uma partida amistosa de pôquer.

Pelo que ela tinha ouvido falar, mesmo com toda a glória das conquistas de Ludwing, seu nome se perdeu no tempo e ele se exilou num país inimigo, responsável por guardar as histórias da Família como os nobres faziam antigamente naquelas terras. O motivo por trás do ostracismo ninguém sabia e o assunto não era comentado desde que o antigo patriarca da Família ainda era vivo.

Ao fazer a curva íngreme para pegar a ainda mais solitária estrada gelada que a levaria diretamente para a residência do Austríaco, Cherry entendeu o que queriam dizer com exílio. Aqueles lados de Rombersky era completamente isolado da civilização. A estrada era de difícil acesso devido à floresta densa e sombria que a cercava, as árvores eram amontoadas uma ao lado da outra, inclinadas em direção ao asfalto.

Aqueles galhos secos levemente cobertos de neve eram como esqueletos do que, no verão, costumavam ser lindas e verdes árvores, cheias de folhas e vida. E agora mais pareciam garras esticadas para apanhar o carro solitário que deslizava pela estrada silenciosa.

Mais alguns metros à frente e a estrada íngreme se abriu numa campina congelada onde um portão de cobre ladeado de arame farpado se estendia em volta de uma construção milenar.

Cherry parou o carro a alguns metros e encarou o que parecia ser um antigo monastério. Os muros altos eram feitos de pedra cinzenta e ostentavam uma ou duas janelas visíveis. O arco era longo e elegante, lembrando o estilo gótico, o vidro perfeitamente destacado coberto por dentro, talvez por cortinas de veludo. Havia uma cruz celta no topo da construção, provavelmente entalhada na época em que aquele lugar fora construído.

Por todos os lados só se via a neve e árvores secas.

Cherry se apertou na manta de zibelina e desceu do carro. O vento uivante açoitou seu rosto com hostilidade, deixando claro que não era bem vinda naquele lugar. E a aura sombria que emanou conforme ela foi se aproximando dos portões só confirmou tal fato.

Seus olhos de caçadora examinavam cada pedacinho do lugar, desconfiados. E ela não pode deixar de se perguntar o que levaria uma pessoa a querer viver ali. De fato, aquele era mesmo um exílio. Sombrio e solitário.

Suas botas afundaram na neve e ela teve que chapinar até as pedras que ladrilhavam o caminho para o portão. É claro que não havia uma campainha. Para que se incomodar em mudar para um lugar como aquele se pretendia receber visitas nos fins de semana?

Ela percebeu a câmera instalada discretamente numa das grades de cobre e encarou a lente por alguns segundos, deixando-a vasculhar seu rosto impassível.

Um click elegante se fez ouvir e os portões se abriram numa lentidão sombria.

Cherry hesitou por alguns segundos antes de adentrar o pátio brumoso. Por um momento, o único som audível era o de seus passos na neve e a lufada pesada de sua respiração enquanto seguia até a construção maciça.

Ela se aproximou da porta de madeira pesada, olhando desconfiada para o batente em formato de puma com a bocarra aberta.

Ela bateu duas vezes e esperou pacientemente, ouvindo os portões se fecharem ao longe.

A porta pesada se abriu num movimento suave, soprando o calor e o aroma de conhaque para fora. Um senhor de cabelos e barbas brancas a encarava com um olhar aguçado. A cicatriz em seu rosto partia do olho esquerdo e descia disforme até o queixo reto. Ele era forte sob os trajes sofisticados e trazia entre os dedos um charuto cubano. Seus olhos tinham o tom mais profundo de azul.

Cherry o encarou com atenção e recebeu a mesma avaliação meticulosa.

– Procuro por Ludwing Thorvaldsen. – disse ela.

– É você a assassina que Klaus mandou? – o olhar do velho se demorou sobre ela.

Cherry sentiu seus lábios se repuxarem num sorriso cruel.

– Eu sou a assassina da Família.

– Você é Mona Von Kern. – aquilo não foi uma pergunta, mas ele parecia esperar uma confirmação.

– Mona Von Kern está morta.

– Uma pena. Ouvi dizer que o sorriso daquela garota era o mais encantador de toda Escandinava. – a expressão fria no rosto do homem se suavizou.

Ele deu um passo para o lado, indicando para que ela entrasse.

Cherry subiu o degrau de pedra e foi abraçada pelo calor lá dentro. Seus olhos curiosos e desconfiados fitaram o interior do monastério, admirando a preservação da antiguidade.

As paredes tinham aquele aspecto rustico como do lado de fora, o assoalho era coberto por tapetes de pele de animais e a decoração dos móveis era baseada no século XV. Havia uma grande lareira na sala, de onde provinha aquele calor gostoso.

Ludwing indicou para que se sentasse numa das poltronas elegantes enquanto ele lhe servia um copo de conhaque.

– Eu estava esperando por sua visita. – disse ele enquanto despejava o líquido ardente num copo de cristal.

– Engraçado, achei que esperasse outro tipo de visita. – o comentário ácido de Cherry o fez sorrir.

– Quando se passou cinco minutos de atraso, eu soube que Fridda estava em apuros.

Ludwing entregou o conhaque à garota, sentando-se numa poltrona de frente a dela.

– Sua Bestemor não é dada a atrasos.

– Então sabia que eu viria.

– Eu sabia que a Família mandaria alguém para investigar. Este é um país inimigo. Não é sábio andar se esgueirando sozinho por essas ruas e estradas nebulosas.

– No entanto, aqui está você. Vivendo num lugar isolado, no seio do inimigo.

– Irônico, não? – Ludwing sorriu, bebericando sua bebida favorita.

– Ouvi histórias sobre você, O Austríaco. – Cherry o observou. – A Família tem dívidas de sangue para com você.

– Nenhuma lenda que tenha ouvido, minha cara, tem importância para sua família nos dias de hoje. O que eu fui um dia, morreu nos jardins selvagens de nossa amada terra congelante.

Cherry notou a amargura tingindo a voz dele.

– Você foi exilado num país inimigo por motivos que não constam nas histórias da Família. No entanto, Bestemor e Klaus confiam em você. Confiam a ponto de Bestemor vir para Moscou no meio da madrugada no intento de se encontrar com você. Que assuntos tinha com ela?

– Sua Bestemor e eu somos amigos desde muito antes de ela se casar e dar prosseguimento a linhagem da família. Mesmo depois de meu exílio, nossa amizade permaneceu. Ainda atuo nos negócios da Família, ajudando da forma como posso e encobrindo seus rastros.

– E que tipo de assuntou urgente a traria a Moscou no meio da madrugada?

Ludwing fez silêncio, terminando seu conhaque numa expressão séria.

– Sua Bestemor estava preocupada com algumas falhas de seu passado.

Cherry se mexeu na poltrona, os olhos franzidos.

– Que tipo de falhas?

– Quando se é matriarca de uma família prestigiada e poderosa, o cargo que se carrega nos ombros pode ser pesado demais. Fridda tem sombras em seu passado como todos os membros da família. No entanto, as sombras que a atormentam tendem a ser densas demais.

– A que sombras você se refere?

– O passado de um Von Kern só a ele pertence. – Ludwing deu um sorriso isento de humor.

– Bestemor não tem segredos para a família.

– Todos nós temos segredos, minha cara.

– E você conhece os segredos dela? – as sobrancelhas da assassina se ergueram.

– Por anos fui seu eterno confidente.

– Está me dizendo que Bestemor veio para um país inimigo devido a algum segredo do passado?

Ludwing se permitiu assentir uma vez.

– Que tipo de segredo?

– Isso eu não posso lhe dizer. Sinto muito.

Cherry puxou a Glock do coldre e apontou diretamente para seu anfitrião.

Ludwing não pareceu surpreso.

– Devo lembra-la de que está em minha casa?

– Por que Bestemor Fridda veio te ver?

– Eu devo acreditar que Klaus não lhe ensinou como se portar diante de um anfitrião?

Cherry desfocou sua mira alguns centímetros do peito de Ludwing e puxou o gatilho. O tiro passou de raspão pelo ombro dele, estourou um vaso de porcelana e se encrostou na parede rochosa.

Os olhos do Austríaco focaram a bagunça espalhada em sua sala e se voltaram para a garota sentada inabalavelmente em uma de suas poltronas. A raiva cresceu dentro dele e num movimento suave que nem mesmo a assassina percebeu, ele avançou para junto dela e lhe deu um tapa rude com as costas da mão.

Pega desprevenida, Cherry recuou com a bochecha vermelha.

– Isso deve lhe ensinar boas maneiras. – o velho disse. – E trate de abaixar essa pistola. Você está dentro da minha casa.

– Você, de fato, não sabe com quem está lidando, Velho.

Ludwing a fitou com as sobrancelhas erguidas.

– Você me chamou de velho? Você, uma criança ousada, mal saída das fraldas? Nunca presenciei tanta falta de respeito numa Von Kern!

– Eu não sou uma Von Kern. Meu nome é Cherry Vicious e eu quero saber o que está escondendo de mim!

– O que os mais velhos escondem não lhe compete saber, garota impertinente. Fridda confiou seus segredos para mim por uma boa razão. E não é porque você é membro da família, uma assassina, que vou expor tais segredos tão bem guardados.

– Klaus me mandou. Ele disse que você pode saber algo sobre quem a levou. Se é um membro tão leal aos Von Kern assim por que não diz o que sabe?

– Porque o peso de tal segredo não é tão simples de ser absorvido.

– Não há gosto amargo que eu já não tenha experimentado.

Ludwing caminhou a passos largos até a lareira, sentindo o olhar da assassina em sua nuca e o peso da mira da Glock. Apanhou um envelope escuro que repousava perto do fogo e voltou-se para a garota.

– Sua Bestemor desapareceu na estrada 52, próxima a Rombersky, às 3h: 15 da madrugada. Foi atingida por um Ranger Rover preto e arrastada brutalmente pela neve até o carro do inimigo. A neve encobriu os rastros na estrada, mas o Ranger Rover seguiu rumo a uma das vilas mais distantes em direção à Mongólia, acredito eu.

Ele entregou o envelope para Cherry.

– Peguei as filmagens da câmera de segurança. Sabemos que essas estradas são pouco vigiadas por serem tão ermas e distantes da cidade. Mas, acredite, havia câmeras e duas testemunhas. Os inocentes foram silenciados e os vídeos apagados. Não queremos chamar a atenção.

Ludwing a fitou nos olhos.

– Isso é tudo que posso fazer por você. Estava disposto a continuar com a investigação, mas acredito que queira se ocupar disso.

– Há algo nesses vídeos que levem ao sequestrador?

– Uma única pista: Foi uma mulher.

– Claro que foi uma mulher. – Cherry praticamente rosnou. – Ela disse “A vadia me emboscou”.

– Se Fridda contatou você é porque sabe que é a única capaz de achá-la.

– E ainda assim você prefere esconder evidencias de mim.

– Não posso ajudá-la, Cherry Vicious.

Cherry se aproximou dele, ainda com a pistola erguida.

– Tem alguma ideia de quem pode tê-la levado? Como pode saber se não é essa sombra do passado de Bestemor que voltou para assombrá-la?

– Eu tenho certeza de que você pode encontrá-la. É a única que pode.

– Você não respondeu minha pergunta.

– Dentre todos os inimigos que sua Bestemor conquistou, poucos são mulheres. Aqui na Rússia há uma infinidade de inimigos, mas duvido muito que ousassem tanto. Quem quer que tenha sido é alguém de fora.

– Ainda assim sabiam que ela estaria aqui e onde ela estaria. Isso quer lhe dizer alguma coisa?

– Pouco posso lhe dizer.

– Mas que inferno! Eu deveria arrancar a verdade de dentro de suas entranhas! – Cherry se aproximou ainda mais dele, encostando o cano frio da Glock em sua testa.

Ludwing se manteve impassível, os olhos azuis profundos fixos nos da assassina.

– Seria extremamente deselegante balear seu anfitrião no meio da sala, além de sujar minhas obras de arte favoritas, senhorita Vicious. No entanto, se for incapaz de conter sua selvageria, vá em frente.

– Você gosta de despertar a fúria dos outros, não gosta? – perguntou ela, contornando a cicatriz no rosto dele com o cano da Glock.

– Isso, minha cara, foi um presente não solicitado de um antigo parente. O que eu não tolerarei novamente. – ele a desarmou num gingar elegante, afastando-a com um empurrão.

Cherry caiu no chão com um baque.

– Agora, você pode escolher se portar com elegância como o momento exige… Ah-ah-ah. – ele balançou o dedo ao menor movimento dela. – Por favor, não seja deselegante. Não queremos mais bagunça por aqui.

Cherry congelou ao ter a pistola apontada para ela.

– Assim está melhor. – Ludwing a ajudou a se levantar, a Glock sob sua posse apontada para a assassina. – Eu sei que você é uma assassina bem treinada e está frenética pelo sangue dos inimigos. Mas não me confunda com um deles, menina. Não lhe recebi em minha casa para ameaçá-la ou esconder coisas de você. Apenas há confissões que devem se manter nas sombras. Agora você pode escolher se portar de forma civilizada e aceitar a ajuda de um velho sábio ou insistir nesse comportamento selvagem e acabar sendo chutada para fora da minha casa. O que vai ser?

Cherry o fitou com aquele olhar petulante.

– Sabe que eu posso chutar o seu traseiro também, não sabe? E destruir sua casa no processo.

– Eu me lembro de Fridda comentar sobre o seu humor instável e impertinente.

– Então sabe que não é bom bater de frente comigo.

Ludwing esboçou um sorriso igualmente cruel que distorceu ainda mais sua cicatriz.

– Diga-me, criança, o que foi que ouviu sobre o Austríaco?

Cherry o avaliou, a leoa se agitando dentro dela, sedenta por um combate.

Sim, ela já tinha ouvido muito sobre o Austríaco. E em todas aquelas histórias se enfatizava que ele era um leão solitário e perigoso. Mas como ela queria enfiar as garras naquele esnobe arrogante e arrancar aquela pompa toda.

– Admito que esperava mais da impiedosa Cherry Vicious. – Ludwing provocou, o desdém evidente em sua voz.

Foi o bastante para irritar a assassina.

Cherry apanhou o primeiro objeto que viu pela frente, uma estátua cretense de Vênus, e jogou em cima dele.

Ludwing foi atingido na testa e deu uma leve cambaleada. Ela se aproveitou disso para se jogar contra o velho e tentar desarmá-lo, mas ele foi mais ágil e habilidoso, afastou-a com outro empurrão.

No entanto, Cherry não caiu como antes, ela se segurou numa das mesinhas de ferro, deixando que a louça de porcelana se espatifasse em cacos pelo tapete sueco. Sua bota pesada terminou de esmagar os cacos e profanar o tapete caro – o que rendeu um olhar irritadiço de seu oponente.

Ela se aproveitou disso, empurrando a estrutura de ferro da mesinha contra o Austríaco. Quando ele cambaleou novamente, ela pulou a mesinha e se jogou contra o velho, desta vez, grudando no pescoço dele com as mãos fechadas em garras.

Eles foram para o chão, Ludwing se esperneando e a assassina pronta para sugar sua alma. Os olhos cinzentos eram frios como a neve que caia lá fora, perturbadores em sua raiva.

Ludwing apanhou um dos resquícios de sua querida louça destruída e aproximou o caco do pescoço da assassina, rasgando a carne num alerta.

Cherry pulou, sobressaltada, e levou uma das mãos ao pescoço ferido.

Ludwing a jogou no chão com um movimento dos quadris, saindo debaixo dela.

– Isso é para lhe ensinar mais uma lição de boas maneiras.

Ele avançou contra ela e lhe deu mais um tapa no rosto. Seus dedos se envolveram nos cabelos curtos e sedosos e ele a levantou do chão, ouvindo-a gritar de dor. Jogou-a sem nenhuma consideração na poltrona que antes ela ocupava.

– Agora vamos lhe ensinar os benefícios da disciplina já que Klaus falhou em tal tarefa. Quer brigar? Que seja com honra!

Ludwing apanhou uma das espadas antigas que se equilibrava num suporte próximo a sua adega ao lado da lareira.

– Sabe usar uma dessas?  – ele cortou o ar com a lâmina reluzente.

Cherry o encarou com raiva.

– Quer bancar o paternalista comigo?

– Você me atacou dentro de minha casa, destruiu relíquias queridas e despeja impertinência. Em minha época isso era considerado uma ofensa grave.

– Foi por isso que você foi exilado?

– Eu fui exilado por ensinar boas maneiras a garotas insolentes como você. – Ludwing pousou a lâmina fria na garganta dela. – Agora cale-se ou vai ganhar outro corte.

– Já ganhei cicatrizes demais, Velho.

– Sim. Isso é verdade. Pode escolher puxar a arma que ainda tem no coldre e atirar em mim, como sei que está pensando. Mas se for honrada o bastante vai se levantar dessa poltrona, apanhar a outra espada e me enfrentar como se deve.

– Deveria saber que não sou honrada. Eu sou uma assassina. Além do mais, eu detesto espadas e toda essa porcaria medieval. – Cherry puxou a outra Glock, apontando-a para o velho.

Ludwing balançou a cabeça com exasperação.

– Jovens – murmurou, indignado. – E então? Devo crer que vai atirar em mim agora?

– Eu deveria mesmo arrancar um pouco de sangue. – ela tocou a ferida em seu pescoço. – Mas não tenho tempo para essa palhaçada paternalista. Preciso encontrar Fridda.

– Acha que não lhe diria se soubesse?

– Eu acho que você é esnobe e arrogante. E gosta de esfregar isso na cara dos outros. Se eu souber que você tem algo a ver com o desaparecimento de Bestemor…

– Eu sou um miserável exilado e apreciador do luxo e sofisticação e em todos esses anos não fiz uma única coisa senão proteger sua Bestemor! Como ousa supor algo assim?

– Eu não conheço você. Não sei nada sobre suas reais intenções. Tampouco o que o levou a se exilar num país inimigo. Tudo o que eu sei é que sabe alguma coisa sobre o passado de Bestemor e não quer me contar. Como espera que eu confie em você?

– É justo.

Ludwing baixou sua espada.

– Como prova de confiança eu lhe ofereço minha casa. É bem vinda como hóspede enquanto procura por Fridda. Tenho informantes por toda a cidade e sistemas que você pode precisar. Também possuo um arsenal no segundo andar. Posso trabalhar com você para encontra-la.

– Eu trabalho sozinha.

– É claro que sim. Mas aqui poderia ficar de olho em mim. E próxima do que eu sei.

Cherry ergueu as sobrancelhas.

– Ainda posso arrancar a verdade de você.

– E que tipo de confidente eu seria se deixasse escapar todos os segredos de minha melhor amiga?

Cherry baixou a Glock.

– Eu ficarei de olho em você, Velho.

– Péssimo habito esse de chamar as pessoas de velho.

Cherry deu um sorrisinho.

– Um dos muitos que eu tenho. Faça sua parte, continue procurando e juntando pistas. Se quer mesmo me ajudar a encontrar Fridda, faça sua parte.

– Não precisa se esconder num Hotel de fácil acesso como o Lote Moscow. Não quando eu lhe ofereço uma casa como essa, coberta de boa segurança e luxo.

Cherry não se deixou impressionar por ele saber exatamente onde estava hospedada. Homens como Ludwing estavam sempre alerta. E ele mesmo tinha dito que tinha vários contatos pela cidade.

– Agradeço a oferta. Mas sei me cuidar. Além do mais, achei que não gostasse de selvagens em sua presença.

– Posso me acostumar facilmente com você. E ensiná-la a se portar civilizadamente.

– Outros tentaram e falharam. Velho, eu poderia facilmente descontar a surra que me deu. No entanto, o tempo é curto. – ela apanhou a outra Glock próxima à lareira, ajeitando-a no coldre. – Eu vou lhe cobrar em forma de favores se eu precisar.

Ludwing tirou algo do bolso e arremessou para ela.

– Caso esteja encrencada, é bom saber meu número. Basta uma ligação e estarei lá. Posso ser um velho exilado, mas ainda estou em forma.

Cherry o encarou com atenção.

– Fridda confiava em você. O suficiente para se arriscar numa estrada erma num país inimigo. Vou lhe confiar o benefício da dúvida.

Ludwing fez uma mesura.

– Você tem alguma ideia de que tipo de vadia possa tê-la levado?

– Eu tenho minhas próprias desconfianças sombrias. Mas, Velho, reze para todos os deuses para que eu esteja errada.

Quando Cherry se foi, Ludwing rezou aos Deuses de sua infância. Mas rezou para que suas próprias desconfianças estivessem erradas
.

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Cherry adentrou seu quarto no hotel, evitando o tapete sobre o qual despejara as bolinhas explosivas. Trancou a porta com o cartão especial e foi até o frigobar, apanhando uma garrafinha de vodka. Bebeu tudo num só gole, sentindo o líquido queimar sua garganta.

Pegou o celular no bolso da calça e discou um dos números registrados na agenda.

O telefone tocou duas vezes antes que o outro lado atendesse.

– Willa, preciso que cheque uma coisa para mim.

 

Continua!

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