Casa dos Espelhos…

bailarina2.png“Você seguraria minha mão por uma noite inteira para que eu não tivesse pesadelos?”

Aquilo ainda estava em minha cabeça.

Do sorriso jovial, a bochecha rosada e cheia de pequenas sardas, o cabelo cor de fogo crepitante e os lindos olhos verdes.

Era meu encanto vê – lá deslizar noite após noite como a assombração da Casa dos Espelhos.

A caixinha de música ainda tocava em algum local macabro daquele lugar, de onde nunca mais poderíamos sair.

A Casa dos Espelhos fechada e pedaços brilhantes, estilhaçavam – se por toda a extensão do chão, as risadas zombeteiras, os pedaços de tule rasgados, a maquiagem borrada e as lágrimas negras, manchando – lhe a face.

Minha eterna amada e rainha estava ferida, para sempre destruída, eu os mataria, eu a vingaria…

Montserat, minha doce Montserat…

Eles riam e zombavam dela, enquanto minha bela bailarina definhava todos os dias um pouco mais, chorando e encolhendo – se por tudo e por nada.

“Eles eram maus, Henri. Muito maus… Tomaram meu corpo em meio aos cacos, defloraram minha inocência, um por vez e todos juntos.

O corpo deles cheirava a álcool e fumo barato, o suor e o olhar vil, me assombram durante as noites feito tormenta em alto mar.

Os pedaços de minhas vestes presas em minha garganta para calar meus gritos, enquanto as mãos passeavam com liberdade sobre meu corpo já ferido pelos cacos dos espelhos. Eles vieram a noite, Henri.

Onde estava você para me guiar de volta e me ser companhia?

Quando eu me preparava para partir, era escuro e estava frio. Senti a Morte suspirar em meus ouvidos e me sorrir como antiga amiga. 

Ela agora me chama, doce Henri. Ela agora me chama…”

Montserat foi encontrada morta na manhã seguinte, em meio aos mesmos cacos onde foi violada, o sangue pingava carmim, manchando as sapatilhas de cetim, e pingando sucintamente no chão acarpetado.

Os saiotes de tule, os pulsos cortados, as cortinas amarradas como uma corda em seu pescoço, os olhos verdes sem vida.

Ali partia minha amada bailarina. Minha assombração noturna mais almejada. Eles pagariam… Eu me vingaria.

A oportunidade chegou, a Casa dos Espelhos reinaugurou, as sombras guardavam ali o mal.

As visitas comentavam com medo e assombro a formosa bailarina de cacos, de olhos profundos e pele rasgada. De lábios suaves e rosto manchado em tinta negra…

O sussurro a meia noite na ponte próximo a casa se ouvia, o coiote uivar para a noite sem luar. Um fim de Outubro silencioso e estranho.

Com os pêlos dos braços ouriçado, lá se iam três bêbados assustados, em seu encalço a noiva espelhada caminhava solene, sem murmurar ou chorar.

A bela forma lhe chamou a atenção e os fez voltar parte do caminho.

Na cidade ao longe eu ouvia, a vingança de minha doce Montserat concretizada, os pedaços dos corpo espalhados pela estrada, como espelhos estilhaços em um carpete vermelho, ensanguentado, presos em suas gargantas pedaços de tule rosáceo.

Lá se ia a noiva espelhada… Lá se ia Montserat, a bailarina assombrada…

FIM?

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