Correntes e laços (+18)

 

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Escrito por Naiane Nara

 

Esse texto não é recomendado para menores de dezoito anos. Todos os fatos aqui descritos são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas e acontecimentos reais é mera coincidência.

 

Nami não podia explicar para si mesma o que estava fazendo. Pelo menos, não racionalmente. E racional era algo que ela havia aprendido a amar ser nos últimos dois anos.

Girava a chave do carro entre os dedos, nervosa. Não devia ter dirigido sozinha até o aeroporto. A ocasião era atípica demais para que ela acrescentasse o pavor que tinha de dirigir.

Mas agora era tarde. Já havia deixado sua mãe na casa de uma amiga e ela havia obrigado Nami a pegar o carro para buscar quem estava esperando. Ainda se lembrava da risada zombeteira da matriarca, ao dizer que não tinha mais idade para segurar vela.

Nami suspirou. Olhou mais uma vez para a tela de bloqueio do celular, onde estava a foto dele sorrindo despreocupado, a bagunça do quarto transparecendo por trás. Só aquele sorriso para fazê-la desejar percorrer aquela estrada desconhecida de novo.

Olhou para os lados, tentando parecer muito calma e concentrada. Mas dentro de si, mundos explodiam e universos eram recriados. Depois de toda a dor que havia passado, lá estava ela, a espera de uma pessoa que ao menos pessoalmente era um estranho.

Se conheceram na internet através de uma preciosa amiga em comum. Por meses apenas comentavam status um do outro, até que em um dia despreocupado ela puxou assunto.

Nunca mais pararam de se falar, trocar áudios, vídeos e conversas. E depois que outros meses correram, ele quis atravessar o país para se conhecerem.

Ela nunca admitiria, mas jamais teria essa coragem.

Percebeu que estava encarando as mãos fixamente, sem parar de girar as chaves do carro. Deu um sorrisinho amarelo, pensando em como as pessoas sentadas a sua volta a estariam julgando como louca.

Levantou o olhar para verificar no balcão da companhia aérea se o vôo ainda demoraria mais e então o viu sem querer, sem estar preparada para isso.

O mesmo sorriso encantador da tela do seu celular. Mais alto do que aparentava ser nas fotos. Pouca bagagem, andar despreocupado. As roupas fofas harmonizando com o estilo, mas certamente peças que ele não usaria dois minutos na sua cidade devido ao calor.  Sentiu o rosto arder e a parte covarde de si quis abaixar os olhos, mas não se permitiu isso. Após tanto tempo de espera, sua contraparte teimosa não a deixaria perder um segundo.

Enquanto ele se aproximava, ela se levantou da cadeira, ainda presa dos olhos dele, e esqueceu das suas coisas que estavam no colo. Então bolsa, óculos e livro escorregaram suavemente para o chão, e ela se assustou com o barulho que fez.

“Ótima primeira impressão.” Nami pensou, se agachando com cuidado para não escorregar e cair, completando ainda mais o circo.

Quando seus olhares se encontraram outra vez, estavam de frente para o outro e era aparente que ele segurava o riso. Ela ficou ainda mais vermelha e sentiu o coração acelerar, mas faria com que a voz soasse firme:

– Stefan, bem vindo.

Ele não disse nada, apenas a abraçou apertado e bagunçou seu cabelo, enquanto Nami revirava os olhos.

Caminhando até o estacionamento, ela perguntou qualquer coisa sobre o que ele estava achando da diferença climática e ele respondeu qualquer bobagem sobre fazer parte das estatísticas e desmaiar em breve.

Ambos gargalharam. Depois disso, a conversa fluiu aos borbotões, como em bate-papo virtual normalmente fluía. Enquanto Stefan se instalava no seu quarto, ela decidiu preparar algo pra comer e deixar o vinho gelando – sim, esquecera completamente disso, mas a cerveja estava perfeita se quisessem começar por ela.

Enquanto comiam, conversaram mais sobre as estrelas e as pessoas, rindo às vezes das coisas mais ridículas. Stefan se lembrou de agradecer por ela não ter colocado fogo na cozinha, ao que Nami provocou mostrando a língua:

– Eu não sou você.

Riram mais um pouco e depois de terminar, arrastaram os puffs da sala para a sacada. Stefan mostrou sua habilidade única de abrir garrafas com os dentes, enquanto a anfitriã se contorcia de rir até as bochechas doerem.

Então, sem mais nem menos, sem esperar ou planejar, Nami encostou a cabeça no peito dele e sussurrou:

– Agora me fale mais de você.

Ele emudeceu por um momento.

– Nada que você já não saiba. Sou um falso convencido. Um cientista romântico, um músico triste. Sonhador, acima de tudo.

– E todos não somos? – tornou ela, fazendo biquinho com os lábios.

Stefan suspirou, enquanto sua mão fazia menção de tocar o rosto dela:

– Você não é. Pelo menos não mais.

Nami recuou do toque por um momento, ao sentir aquelas palavras como açoite. Respirou e recompôs-se:

– Você sabe o que aconteceu.

– Eu sei, eu sei – tornou ele, irritado. – E vai continuar limpando as arestas do passado pra sempre.

O coração de Nami pareceu ficar menor. Stefan jamais saberia o quão importante havia se tornado para ela. Claro que estava muito feliz por finalmente vê-lo, mas era consciente da inexistência de futuro para eles. Ambos adoravam as cidades que viviam, a distância era enorme e isso colocava um fim em tudo antes de começar.

Ela disse sorrindo, tentando muito se mostrar despreocupada, como se isso não doesse:

– Já conversamos sobre isso. Logo você vai encontrar alguém pertinho e enlouquecer completamente. Vocês, românticos, existem para oferecer esperança para nós que fomos destruídos. Não se preocupe, eu vou sempre te apoiar e ainda vou estar no seu casamento, como prometi, lembra?

Stefan fechou os olhos e sua mão direita apertou a taça com força. Um momento de descuido e além de quebrar apertaria até o vidro entrar na pele. Aquela garota era impossível.

Abriu os olhos devagar, sentindo que ela havia se afastado de si. Estava balançando as pernas como se estivesse em um balanço de brincar e admirava as estrelas, sem o menor sinal de preocupação aparente. Mas ele era capaz de sentir, como se a sua energia tocasse a dela, o coração pedindo pra ser liberto daquela prisão onde fora encerrado.

– Nami, – e ele respirou com cuidado, se segurando para não tocá-la nos ombros e sacudir como se faz com uma criança birrenta – eu já disse que admiro realmente a maneira realista como encara a vida. Mas você não se permite sonhar um pouco? Mesmo que isso nunca aconteça, nem que fosse apenas para curtir o momento do sonho?

Ela não respondeu, pois se o fizesse, romperia em lágrimas. Aquelas palavras eram um novo açoite. A expressão física de que ela era apenas um passatempo enquanto ele não encontrasse ninguém interessante perto, será que Stefan tinha ciência disso ou falava apenas por falar?

Nami tão somente sussurrou:

– Vou levar minhas coisas para o quarto da minha mãe, assim você pode ficar a vontade, tá?

Ela se levantou e girou o corpo na direção da sala, mas Stefan não permitiu que ela saísse sem o abraço que pedia sem palavras.

Ficaram assim, unidos por um momento, as mãos dele no cabelo dela e os beijinhos no alto da cabeça, mas os olhos de Nami permaneciam secos. O coração dele se enterneceu, não era capaz de imaginar o processo que ela havia passado para se transformar naquele aço tão brilhante.

Seus braços permitiram que ela saísse enfim, e esperou pelo menos vinte minutos para também deixar a sacada. Arrastou os puffs de volta para o lugar, guardou as garrafas e deixou as taças na pia. Colocando a cabeça no corredor, viu que ela ainda estava no quarto então foi a banheiro para relaxar um pouco com um banho e trocar de roupa.

Quando saiu, a luz do quarto da mãe dela estava acesa então se dirigiu ao quarto de menina teimosa. Ficou tonto ao entrar. Aquele era o quarto em que ela dormia, onde acariciava seus gatos, de onde se falavam todas as noites. O guarda roupa estava entreaberto e o cheiro dela impregnava tudo. Stefan suspirou longamente:

– Eu ainda quero exorcizar os demônios do seu passado, se você deixar.

Sabia que ela estava ouvindo através da porta entreaberta do quarto ao lado.

Deitou na cama, estava cansado da viagem e do coração fechado da moça, e resolveu que pelo menos por hora, a melhor opção era dormir um pouco.

Alguns minutos depois a voz dela se fez ouvir na porta, muito tímida:

– Posso passar a noite com você?

Stefan abriu os olhos um pouco surpreso, ela era doida ou o quê?

– Pode ver que estou com roupas de vovozinha – Nami sorriu ao apontar a roupa de dormir grande que usava – e não vou te atacar, prometo.

– Ah, isso é realmente uma pena. – Ele respondeu. – Mas tudo bem, sou difícil no primeiro encontro.

Ela revirou os olhos e deitou no lado da cama que estava vazio.

Stefan pegou o celular por hábito, mas não conseguiu se concentrar nos posts de redes sociais. Estava deitado de lado, de costas para ela, que o abraçou como certamente faria a um ursinho de pelúcia para dormir.

Quando ela encaixou a cabeça na curva do seu pescoço ele sentiu o coração acelerar – ia ser bem difícil se controlar a partir de então.

– Espero não me mexer muito. – Ele realmente não sabia o que dizer.

– Meu sono é pesado – ela respondeu respirando fundo para captar o máximo possível o cheiro dele e o calor – de toda forma se mexer é só me encaixar em você de novo.

– Perfeito. – Só poderia articular uma palavra naquele momento.

Depois de alguns momentos a respiração dela se tornou regular, deveria ter adormecido. Stefan virou-se com cuidado para ficar de frente para onde ela estava, tentando não desencaixá-la do seu ombro, sem sucesso. Não resistiu e sua mão tocou a bochecha esquerda. Os olhos dela se abriram e os dedos dele percorreram os lábios, encostando a palma na bochecha e percorrendo o nariz com o polegar, suspirando ao sentir a respiração dela no seu rosto.

– Me dá sua outra mão. – Nami pediu, rouca.

Ele obedeceu e ela colocou a mão dele no em cima do coração.

– Está acelerado… – Stefan estava aliviado. Ela não era de pedra como queria transparecer.

As palavras: “É agora” não paravam de dançar na sua cabeça, e já havia segurado o impulso por muito tempo. Um momento de dúvida, e finalmente a beijou. Em seguida, alívio. Para ele, era como cair dois degraus de uma vez. Para ela, a sensação era justamente parar de cair e estar segura envolvida naquela maciez.

De forma doce e lenta, os dois suspiraram juntos. As mãos dela se entrançaram no cabelo dele, e as mãos dele abandonaram o rosto dela para também se entrançar nos longos cabelos e na nuca. Os dedos dele puxaram os fios de leve… E os dois sorriram, pois ela mordeu os lábios dele não tão delicadamente como retorno.

Stefan sussurra que machucou e a morde de volta, ainda mais levemente.

– Se for você, não me importo se quiser machucar. – Ela disse, com a boca semi presa na dele, e o duplo sentido da frase ficou no ar.

– Jamais pretenderia machucá-la. – Ele parou e a olhou muito sério.

– Então seja gentil e me beija. – Nami pediu, fazendo biquinho com os lábios.

– Não precisa pedir duas vezes.

Se beijaram de novo, ainda mais intensamente e com maior doçura, até que seus cheiros se confundissem em um e fosse inevitável que certas mãos procurassem a cintura e deslizassem por ela, em desejo, descendo pelas costas, apenas para ela se arrepiasse.

Nami suspirou de novo, e as mãos dele subiram a cintura dela, buscando a barriga, sentindo o calor do corpo dela junto ao seu, pedindo com a voz rouca permissão para subir um pouco mais.

A cabeça dela meneou um “sim” um pouco desajeitado, pois não queria libertar os lábios dele dos seus. Seu corpo respondeu por ela, movendo-se sinuosamente para se encaixar ao dele.

A mãos dele acariciaram a maciez dos seios por baixo da blusa e ela gemeu baixinho, enquanto as mãozinhas por baixo da camisa masculina arranhavam as costas, puxando Stefan para mais perto dela.

Um passo antes de perder o controle, ele a deitou suavemente, tirando a roupa de ambos. Ao terminar, beijou o pescoço dela lentamente, curtindo cada arrepio, cada suspiro, sentindo-se incendiar ainda mais…

Quando o quadril dela se moldou ao dele, não conseguiu pensar em mais nada. Suas mãos apertaram as coxas dela a um ponto que certamente deixariam marcas na pele sensível, e ela entreabriu as pernas em um convite.

No último ponto de insanidade, se encaixaram tão naturalmente como se fossem uma peça única, gemendo juntos com a sensação. Uma boca devorava a outra, como se a vida dependesse disso.

A respiração ficou mais rápida, os movimentos mais urgentes e profundos.

As pernas dela o enlaçaram, então Stefan aumentou o ritmo para que Nami gemesse mais alto nos seus lábios. Nunca para ambos antes houve aquela sensação de liberdade em um laço.

O prazer delicioso e indescritível aumentara, as peles de ambos queimavam com esse contato contínuo e a inevitabilidade de tornar as coisas mais lentas era o suficiente para despoletar o desejo.

As unhas dela se enterravam nas costas dele para puxá-lo para dentro de si mais intensamente, e as mãos de Stefan apertavam o quadril ainda mais ao sentir as coxas dela molhadas.

Os gemidos de ambos se confundiam, mais altos e urgentes. Ele queria realmente terminar só quando ela acabasse, mas não resistiria muito mais. Quase perdendo a razão, ela gemeu em seu ouvido:

– Vem comigo?

Então, com mais um movimento forte dos quadris dela, os dois terminaram juntos. Aquele momento rápido e eterno, profano e sagrado, os alcançou como uma onda e se abandonaram a ele, e ofegantes demais para falar, apenas se olharam.

Stefan se deitou no peito dela, que de barriga pra cima, não conseguia ainda ordenar os pensamentos direito. Ele também não, então ajeitou a cabeça, segurou um seio, e suspirou.

Nami fez com que seus dedos se entrançassem de novo nos cabelos dele, beijou o topo da cabeça e riu baixinho. O celular dela brilhou com alguma notificação e ambos puderam ver que já eram três horas da manhã.

– A hora em que os portais se abrem… – Stefan disse roucamente.

– Faz um pedido. – Ela não sabia de onde havia tirado aquilo, não tinha fundamento nenhum, apenas sentiu uma vontade muito forte de dizer.

– Por mais noites como essa se repetindo. – Ele respondeu.

Nami abriu a boca para repetir o que havia dito antes, sobre a distância e a impossibilidade das coisas, mas ele tocou seus lábios muito delicadamente com os dedos:

– Menina teimosa, não desiste da gente ainda.

Ela só pôde sorrir.

*****

Fim

Será?

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