Fim da Linha

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Nova Iorque, 1943.

Sinto o cheiro pungente, metálico, do sangue. Levo meu lenço ao rosto, tentando aplacar o odor. Se bem que não sei se isso é o pior que há no quarto. Todo o lugar fede à depravação, medo e mofo. As paredes estavam descascando, os móveis há muito puídos pareciam prestes a desabar, as cortinas com rombos admiráveis permitiam que a luz da lua iluminasse a cena funesta.

Meus colegas de trabalho, por assim de dizer, olham com nojo para a pobre coitada na minha frente. Uma linha rubra delineia sua fronte, vinda de um buraco em sua testa, e seu olhar apavorado iria desassossegar meus sonhos por algum tempo. Os olhos dela, azuis, não foram tocados ainda pelo descorar da morte. Pobre coitada. Nem a pior prostituta merecia um final como esse. Tão jovem, tão bela… Tão morta.

Examino a cena com atenção e tudo o que vejo de diferente é o sangue sob suas unhas. Ela tentou lutar, arranhou o agressor, mas não foi o suficiente. Seguro minha caneta com demasiada força e a sinto machucar a palma de minha mão. Como eu queria um cigarro; só um para que pudesse aguentar aquilo.

Precisava de uma resposta ou cairia em desgraça.

— E então, detetive Barnett, encontrou algo? — Ignoro o modo como um dos malditos policiais fala o meu nome, cheio de escárnio.

Levanto-me e vou em direção à janela aberta. Sinto o vento invernal se chocar contra o meu rosto, cortando minha pele como lâmina. Levo a mão ao bolso e sinto o vazio antes ocupado pelo meu maço de cigarros. Uma péssima hora para decidir parar. Respiro fundo e observo o céu por um instante. Queria tanto acreditar em algum poder divino para ter um pouco mais de esperança.

Precisava resolver o caso ou minha carreira estaria na lama.

A jovem caída no chão não era uma prostituta ou uma indigente qualquer, como as outras que frequentavam aquele pardieiro. Aquela era Angeliza Gates, filha de um grande empresário que passara pela Grande Depressão sem perder um centavo sequer. Preferiria não pensar em como ele conseguiu isso, mas essa sua prosperidade pode ter sido um dos motivos para o corpo inerte atrás de mim.

Algum inimigo vingativo que descontara sua cólera na filha mais nova do magnata. Mas e se não fosse isso? E se… Algo prende a minha atenção. Algo fora do lugar. Algo que não deveria estar ali, no chão, perto da janela. Uma única pétala de rosa branca, maculada por uma única gota de sangue.

Entrego-a para um dos policiais; mais uma prova. Limpo a garganta num pigarro nojento e ajeito meu chapéu. Pelo menos a pose precisa ser mantida.

— Alguém já deu a notícia? — Os policiais se entreolham e minha resposta estava bem ali. Suspiro, sentindo toda a exaustão de um dia de cão. — Deem um jeito nisso, e espero o relatório na minha mesa o quanto antes. Não quero que ninguém saiba do sangue nas unhas dela e a pétala de rosa. Manteremos o sigilo quanto a isso.

Alguém detinha as marcas da luta de Angeliza e pretendia descobrir quem era. Estava prestes a sair da cena do crime quando uma comichão me toma e sinto que devo dar voz ao que me afligia:

— Algum de vocês têm um cigarro?

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Era a segunda vez que visitava a casa dos Gates no decorrer de duas semanas, e não tínhamos pistas concretas. Ainda não tinha me acostumado com a pompa da propriedade. Meu pobre carro era uma mancha enegrecida no meio de tanto esplendor… Como se eu me importasse. Bartolomeu Gates não merecia aquilo tudo. Não quando conseguira manter sua riqueza roubando dos outros.

Concentre-se, não está aqui para julgar esse ponto, e nem quer. Mas era tão difícil, pois parecíamos estar entrando em outro mundo. Um mundo de glamour que, em nada, fora afetado pelas desgraças da Depressão. Contudo, mesmo com eles tentando varrer a sujeira para o quintal, esta achou um jeito de adentrar em sua casa, infelizmente, de uma forma bem mais nefasta.

— E então, faremos o jogo do policial bom e do policial mau? — Christoph Murdock, meu parceiro, brinca enquanto coça seu queixo de maneira despreocupada.

— Que tal você fechar essa boca e parar com a brincadeira? — Ele ri de meu estresse, dando um longo bocejo despreocupado em seguida.

Estávamos fatigados daquele caso. Eu ainda mais. A pressão que Christoph sofria em nada se comparava à minha, por motivos óbvios para todos. Estaciono o carro em frente à entrada principal e descemos. O mordomo da família nos aguarda pacientemente com sua postura sóbria.

— Bom dia. Os Gates e o Sr. Cavenaugh os aguardam.

Assinto e o seguimos pela casa suntuosa. A única coisa que ouço é o som de nossas pisadas contra o chão de madeira envernizada, envolto pelo silêncio do luto. O cômodo para onde somos levados é bem iluminado e ricamente mobiliado; vasos de flores para todos os cantos. Rosas brancas.

A família Gates, sentada no sofá, parecia desolada, à exceção do patriarca. Bartolomeu permanecia sentado ao lado de sua esposa, o braço em volta de seus ombros, como se tentasse lhe passar conforto, e a típica expressão presunçosa no rosto apenas confirmava sua antipatia em relação à lei. Ele era um homem na casa dos sessenta anos, mas sua aparência não condizia com a idade. A maldita raposa ainda possuía o seu charme e sabia como usá-lo para conseguir o que desejava.

Sua esposa, Ophelia, segurava o retrato de sua filha nas mãos enquanto o olhava desolada. Assim como o marido, era uma mulher bonita e elegante, porém, naquele momento, era apenas uma mãe que perdera a filha, assim como tantas outras. Tive certeza de que ela então entendia que nem todo o dinheiro do mundo seria capaz de sanar a tristeza que sentia. Especialmente depois de identificar o corpo da filha sozinha, já que seu marido teve uma “reunião muito importante e inadiável”, logo, não pôde comparecer.

Ao seu lado estava a filha mais velha, Gail Gates, com seus olhos inchados e lacrimejantes. Era a imagem escarrada de seu pai, o que não significava uma coisa boa para sua aparência, já que era um pouco masculinizada. Segundo boatos, diferente da irmã mais nova, Gail era a filha racional que iria herdar o império de seu pai, embora dividisse a influência de seu nome de família com o de seu marido, David Cavenaugh. Um alpinista social que, um dia, teve um nome de respeito.

Este, diferente dos outros, estava perto da janela. Uma das mãos no bolso da calça enquanto a outra segurava um copo embebido com uísque. Seu olhar perdido e postura relaxada, ao invés de estar sentado ao lado de sua esposa, consolando-a.

— Sr. Gates, Sra. e Srta. Gates. — Toco a ponta de meu chapéu num breve cumprimento.

Bartolomeu se levanta e caminha na minha direção. Ergo a mão para cumprimentá-lo, mas ele passa direto — desviando — e aperta a mão de meu parceiro. Sinto a raiva fervilhando dentro de mim e tento, ao máximo, ignorar essa descortesia. Especialmente quando para na minha frente e me olha de cima a baixo, julgando-me como todos os outros.

Ele ergue a mão para mim, e estou prestes a cumprimentá-lo com um simples aperto, quando leva a minha até seus lábios e a beija, mantendo seus olhos nos meus em desafio; como se me instigasse a dizer algo contra seu ato “cavalheiresco”, mas não o faço. Encaro-o com a mesma intensidade.

— Srta. Barnett, é um prazer revê-la — diz ele com o sorriso mais descarado. Cão sarnento.

Não respeitava nem a morte da própria filha. Sua preocupação estava única e exclusivamente voltada para sua fortuna.

— É detetive Barnett, Sr. Gates, e obrigada por nos receber em sua casa mais uma vez.

Bartolomeu não é afetado pela minha frieza, apenas indica um lugar onde podemos sentar e volta para o lado da esposa. Só depois de acomodados, Cavenaugh sorve o líquido âmbar de seu copo de uma vez e caminha em direção ao sofá. Seus passos lentos me incomodam assim como sua expressão entediada. Segundo minhas fontes, ele e a cunhada não se davam muito bem.

— Então, detetives, algo de novo?

Deixo que Christoph fale enquanto observo as reações dos membros da família, ainda mais quando meu parceiro pergunta sobre os inimigos da linhagem Gates. Bartolomeu revira os olhos, mas cerra os punhos, enquanto sua esposa tenta conter as lágrimas e aperta a fotografia de sua filha contra o peito.

Gail expressa certo… Alívio? Talvez por achar que estávamos chegando perto, e aperta a mão de seu marido apenas por um momento antes que ele se solte dela, não parecendo tão complacente com a dor da esposa.

— Onde estava às 2h do dia 13, Sr. Cavenaugh? — corto qualquer que fosse o assunto entre Christoph e Bartolomeu, e David me olha como se notando minha presença pela primeira vez naquela manhã.

— Essa pergunta é séria? — Há certa diversão em seus olhos enquanto me encara com um sorriso.

— Não estou rindo. — Ele arqueia a sobrancelha, surpreso, e seu sorriso aumenta. Presunçoso.

Era um homem bonito, no auge de seus quarenta anos. Não duvidava nem um pouco de que se casara por interesse.

— Meu sogro estava dando uma festa, detetive, e eu estava presente.

— E há alguém que ateste sua presença nessa festa, nesse horário?

Seu sorriso se esvai, e Gail o observa esperando por uma resposta. Pelo visto, nem a esposa sabia de seu paradeiro naquele horário.

— Quando virei um suspeito?

— E quem disse que o senhor era um? Foi uma pergunta simples para uma resposta de mesmo nível.

Então subitamente Gail se levanta e caminha em direção à janela, parando no mesmo lugar onde David estava no início. Ela passa as mãos pelos cabelos e se volta na direção dele, cruzando os braços.

— Por que não diz logo onde estava, David? Não é mais segredo para ninguém nessa casa.

— Não sei do que você está falando. — Ele se levanta e vai atrás de mais uma dose de uísque no bar.

Enquanto deposita o líquido no copo, suas mãos tremem.

— Estava com mais uma das suas amantes, admita! — Gail estava nervosa, sem dúvida, mas havia certa superficialidade em seus gestos.

Não suportava ver brigas familiares, mas aquela poderia ser interessante para o caso. Nos momentos de desespero as pessoas sempre soltam o que não devem.

— Está certo. — David virou o copo e o bateu com força sobre a bancada. — Qual parte você deseja saber, Detetive? Quer com detalhes desde o momento em que uma vadia qualquer abriu o meu zíper, ou só o nome dela para que possa confirmar o horário em que eu a estava fod…

— Cale a boca! — Gail partiu na direção do marido, mas o pai a segurou.

Olho para Christoph, que dá um breve sorriso torto. A inconsistência dessa família é notável, camuflada por uma imagem suntuosa.

— Bem — digo, levantando-me —, acredito que isso seja o suficiente… Por hoje. Com licença.

Ninguém diz nada em resposta. O mordomo nos acompanha em direção à saída, e só no carro meu parceiro decide abrir a boca.

— Veredicto? — pergunta ele, batucando os dedos na perna.

— Esse Cavenaugh está envolvido, com certeza. Pode não a ter matado, mas sabe de algo.

Passamos o resto do dia ponderando tudo o que temos; todas as provas, todas as evidências. Nosso chefe não está nada feliz. Um assassinato como esse, que sai nas páginas principais de todos os jornais, precisava de uma conclusão rápida e majestosa, e tudo o que tínhamos — até o momento — era um corpo.

De noite, volto para o meu pequeno apartamento com pilhas de papéis e fotografias da cena do crime. Ser a única detetive mulher num departamento de polícia e, ainda por cima, receber um caso que muitos matariam para conseguir era inadmissível para muitos, senão todos.

Largo meu sobretudo e chapéu de lado, deixando os arquivos sobre a mesa, e me jogo no sofá. Necessitava de um banho, mas só depois de relaxar um pouco, embora acreditasse que “relaxar” havia se tornado algo inexistente em minha vida.

Minha cabeça pende para o lado e observo o vaso de flores repleto de rosas em cima da mesa de jantar. Pelo menos uma bela visão naquele dia tortuoso e cinzento. Adormeço por alguns minutos e desperto com o som de batidas em minha porta. Levanto-me e, a passos trôpegos, chego em frente ao olho mágico. Do outro lado uma pessoa que não esperava. Toco o coldre e sinto o frio metálico da arma.

Quando abro a porta, David Cavenaugh se apruma e dá um sorriso sem graça.

— Boa noite, detetive. — Seu hálito alcoolizado chega até mim tão forte quanto um perfume barato.

— O que deseja, Sr. Cavenaugh?

— Conversar.

— Se é sobre o caso de Angeliza Gates, aconselho-o a me procurar na delegacia.

— E o que a imprensa falaria, detetive? — Como se eu me importasse — Não, o que tenho a dizer é muito pessoal e pode ajudá-la em sua investigação.

Pondero sobre o que poderia perder caso o deixasse ir embora e, ignorando meus princípios éticos, deixo que ele entre. O sorriso em seu rosto não desperta muito confiança, mas necessito saber o que tem a dizer.

Seus olhos esquadrinham o lugar, parando por um momento nos arquivos em cima da mesa de centro; cambaleia em direção a eles, mas entro na sua frente. Nos encaramos por um momento que parece uma eternidade, provocando um calafrio em minha espinha.

— O que tem a dizer, Sr. Cavenaugh? — Afasto-me, pegando os arquivos e os colocando longe dos olhos curiosos.

— Bem — Ele senta no sofá como se estivesse na própria casa —, acho que preciso de um pouco d’água. Poderia pegar um pouco para mim?

— Não.

Minha resposta seca o faz suspirar, fingindo cansaço, e ele joga a cabeça para trás, descansando-a no encosto.

— Eu a amava, detetive. — Cruzo os braços e espero que continue. — Angeliza. Minha Angie. Ela era tudo para mim.

— Alguém mais sabia disso?

— Ophelia foi a primeira a descobrir. Ficou abismada, mas achou melhor ficar quieta e não contar para a filha mais velha. Prometemos que não nos veríamos mais. Depois Bartolomeu, mas este não se importa com ninguém a não ser ele mesmo.

— Por último…

— Gail, sim. Ela não encarou a situação muito bem. Sempre foi… Possessiva, ciumenta. — E com razão. Por pouco as palavras não saíram. — Quando descobriu sobre nós, foi um verdadeiro caos.

— O que a Angeliza estava fazendo naquele quarto de hotel?

— Não sei. — David deu de ombros. — Pode ter sido uma armação de Gail. Eu não sei. Aquilo é um fonógrafo? — De súbito, muda de assunto e se levanta, indo até uma das poucas lembranças que restaram do meu falecido pai: seu fonógrafo.

Sem minha permissão ele começa a mexer e coloca uma música para tocar.

— Robert Johnson. — David estala os dedos ao ritmo de “Sweet Home Chicago”. — Sabia que ele foi assassinado pelo marido de uma das suas amantes? — Voltando-se na minha direção, vejo uma expressão fechada em seu rosto. — Envenenado.

— Ele morreu de pneumonia, não do envenenamento. — Ele sorri, colocando as mãos nos bolsos da calça.

— Porque estava fraco do envenenamento. — Seus passos na minha direção já não parecem mais tão trôpegos. — Amor é sinônimo de insanidade, detetive. Veja o que minha esposa fez. Nem sabia que ela conseguia manusear uma arma, e… — Os olhos dele encontram o meu vaso de flores. — Rosas brancas. Ela adorava ganhar rosas brancas.

Meu sangue congela e tento não deixar transparecer meu choque, nem permito que minha mão chegue até a arma. Mantenha a calma. Espere. Em minha mente a imagem de Angeliza morta no quarto de hotel; a pétala de rosa branca ensanguentada…

— Obsessão é sinônimo de insanidade. — David me estuda por um momento, e ri.

Ele ri como se eu tivesse acabado de contar a anedota mais engraçada que já ouvira. Esfregou os olhos e o rosto com força, como se tentasse limpar uma sujeira invisível.

— Sabe, detetive, Angie era uma boneca. Não muito inteligente, mas compensava com bom humor. O problema foi quando ela começou a se envolver com um pobretão qualquer. Sabe, acho que estava verdadeiramente apaixonada por ele. — David suspira e passa as mãos pelo cabelo. — Não queria mais saber de mim e ameaçou contar tudo para a irmã, caso não a deixasse em paz. Então eu disse que tudo bem, e que queria apenas mais uma noite com ela, como despedida. Sendo muito boazinha, aceitou. — Ele se aproxima do vaso e brinca com a uma das pétalas de rosa. — Foi rápido.

Aproveito o momento para alcançar minha arma, contudo, antes de apontá-la na sua direção, David arremessa o vaso de flores em mim e consigo desviar apenas o suficiente para não acertar meu rosto. Como reação, ergo o braço para me defender e acabo sendo atingida na mão que empunhava a arma e esta cai no chão. De dentro da calça, antes escondida pelo paletó, ele saca a sua e atira na minha direção. Jogo-me no chão, rolando para trás do sofá.

— Sabe, eu só queria continuar com a minha vida. Angie que complicou tudo! Ela devia ser minha e de mais ninguém.

Ouço seus passos dando a volta no sofá e me preparo. Assim que David aparece, invisto contra ele, agarrando-o pela cintura e o jogando no chão, fazendo sua arma cair numa distância segura. Meu punho atinge seu rosto uma, duas, três vezes. Quando penso que ele está atordoado, levanto-me, pronta para correr em direção à minha arma.

Ele me puxa pelo tornozelo e volto a cair. Tento me desvencilhar e chuto o seu rosto. Seu urro de dor se junta à voz de Robert Johnson e a fúria lhe dá a energia que precisava. Mesmo com dificuldade, David se levanta e agarra meu cabelo, puxando-me para ele. Suas mãos seguram o colarinho de minha camisa antes de me arremessar contra a parede. O ar foge por um instante de meus pulmões, mas meus olhos captam o brilho prateado da minha arma ao meu alcance.

Projeto-me para o lado e só então ele nota o que eu tinha acabado de pegar. David corre na minha direção e puxo o gatilho cessando sua trajetória. Puxo o gatilho mais uma vez e ele cai de joelhos. O sangue mancha a sua blusa, enquanto me olha em choque antes de cair de cara no chão.

Fico parada, respirando fundo na tentativa falha de me acalmar. Seria questão de tempo até que a polícia chegasse. Queria sentir alívio, mas minha garganta está obstruída por um bolo que só poderia ser dissipado através de lágrimas. Engatinho na sua direção e checo sua pulsação. Nada. Solto as abotoaduras de seu paletó e o puxo para cima. As marcas de unha já estavam quase sarando, mas estavam lá.

Levanto-me apenas para usar a parede como escora enquanto observo-o. Mais um corpo inerte numa noite fria, mas não o de um inocente. Para o culpado, apenas, o fim da linha.

“Sweet Home Chicago”, do Robert Johnson

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