Coven das Rosas – Consequências (Pt. 4)

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Coven das Rosas

 Consequências (Pt. 4)

Escrito por: Lua Morgana

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Liz

Já se passava da meia-noite quando ouvi o barulho alto vindo da porta, logo após o nosso belo ritual, nos assustamos, pois pensamos que eram os garotos querendo mais confusão de novo. Mas para nossa sorte – ou azar, não sei – era o pai de Filipe.

Ao abrir a porta, ele me olhou de cima a baixo com olhar reprovador. Logo tratou de falar:

Onde está meu filho e o que vocês, bruxas, fizeram com ele? Um sacrifício? – Disse, com a voz alterada, estava bastante nervoso.

Ele está aqui! – Disse minha mãe, segura, trazendo Filipe com ela.

Pai, não fale assim com elas! Elas me ajudaram…

Venha aqui, garoto! Não quero você perto dessa gente, elas são bruxas! – O pai de Filipe apontou para a cara da minha mãe com uma cara feia e virou as costas – Se eu o vir de novo com essas bruxas vadias, você vai ver! Vou te pôr no colégio militar! E queimo todas essas desgraçadas! – Ele disparou uma cusparada no chão da nossa varanda e chutou umas abóboras lanternas que colocamos lá.

Minha mãe ficou furiosa, tia Wendy mais ainda! Logo ela o fez tropeçar, só com o olhar, caindo de cara numa das tantas abóboras espalhadas pela frente da nossa casa. O homem levantou furioso e gritou:

Vocês me pagam, suas vadias! Vocês vão queimar no fogo do inferno! – Gritou.

Ele saiu em disparada arrastando Filipe com ele, empurrou o menino pra dentro do carro. O olhar de Filipe era direcionado para mim, como se ele pedisse desculpas. Mas estava evidente que seu pai era um dos caçadores e isso justificava o ódio que ele tinha por nós. Ainda mais por ver seu filho junto conosco.

Isso me corroeu de tal maneira… Eu estava tão feliz aquele dia, pensei que tinha encontrado um cara que gostasse de mim, imaginei tanta coisa… Para enfim, descobrir que ele era filho de um caçador de bruxas! Era desesperador. Só consegui sentar e chorar. Minhas amigas me rodearam e disseram que ia ficar tudo bem… Mas eu tinha certeza, não só eu, mas elas também tinham, que o pior ainda estava para acontecer.

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Aquele homem invadiu nosso território para nos insultar, ele sabia que faríamos alguma coisa que provaria a ele que éramos, de fato, bruxas. Wendy não conseguiu segurar sua fúria, se ela não o fizesse, eu faria. Até porque eu estava cansada de ficar na defensiva sempre. Éramos insultadas, mortas, desde sempre e nunca reagimos, ficávamos na posição de vítimas e nunca colocamos a cara a tapa de verdade, ou lutamos pelo nosso lugar no mundo. Estávamos cansadas disso! Seja o que for que ele tenha dito, se ele viesse de novo nos incomodar, teria sua resposta imediata. Até porque, não tenho sangue de barata, não mais!

Coloquei as meninas para dentro de casa, depois daquele show de horror, e elas foram para seus devidos aposentos descansar. Fora um dia longo… Apesar dos pesares, todo aquele ritual havia valido a pena. Aquele homem não acabaria com nossa alegria depois de uma noite maravilhosa.

Liz, principalmente, estava arrasada por causa do menino Filipe, por quem ela estava apaixonada. Me deu um aperto no peito de imaginar que minha filha estava sofrendo… E o menino era filho daquele homem horrível, meu sangue ferveu.

Fui para meus aposentos descansar também, meu dia fora bem cansativo, precisava de uma noite de sono bem longa e revigorante. Peguei um livro, folheei e caí no sono.

Acordei abruptamente com um barulho estrondoso na minha janela, parecia vidro contra parede.

Corri e fui olhar… Tinha um grupo de homens em cima de uma Pick up com foices e tochas, coisa do século passado, que eu nunca pensei ver mais. Isso me remetia a anos atrás, quando o coven fora fechado pela primeira vez.

Aquele homem que havia estado aqui em casa mais cedo, estava lá também, óbvio que estaria. Ele pegou uma garrafa com um fogo aceso, era coquetel molotov, dava para ver, e jogou contra a parede. Fez um estrondo tão grande e começou a pegar fogo. Eles riam e gritavam: “Queimem as bruxas! Queimem as bruxas!”

Eu estava desesperada, as meninas correram para o lado de trás da casa enquanto eles cercavam a frente da casa e gritavam… Nós não sabíamos o que fazer. Até Liz se pronunciar:

Não podemos deixar mais estes homens nos amedrontar! Não estamos fazendo mal a ninguém, só existimos! – disse ela, firme.

O que você sugere que façamos, Liz? – Wendy a olhou, já sabia a resposta.

Todas nós demos as mãos e fomos para a frente da casa. Enfrentamos.

Os homens correram em nossa direção com armas e palavras de baixo calão, correram para nos matar. Mas nós não tínhamos mais medo. Era nossa noite, era noite das Bruxas!

Um homem fora na direção de Liz com uma foice, para cortar-lhe, ela só o olhou e o jogou longe, ficando com a foice presa em uma árvore e sua mão junto. Ele gritava de dor… Mas Liz se manteve forte.

O pai de Filipe correu em minha direção armado com suas próprias mãos, querendo socar-me o rosto. Desenhei um círculo no ar com a minha mão, e o soco voltou contra ele mesmo, fazendo-o cair de lado.

Outras meninas usavam de seus poderes mágicos, impulsionados pela noite das bruxas e pela lua cheia, contra seus agressores. Assim que acabaram os homens para nos violentar, olhamos em volta, e todos estavam no chão – havia um no telhado da casa vizinha, acredite – nos demos conta que havíamos vencido! Lutamos contra nossos agressores, usando apenas da nossa magia, e os derrotamos!

Assim que corremos umas até as outras, notei que o pai de Filipe não estava mais ali no chão, ele foi até seu carro e pegou uma arma. Ele atirou em Liz. Caí no chão ao lado do corpo de Liz desesperada, gritando.

Olhei para aquele homem com fúria, fiz com que ele pegasse sua própria arma e atirasse contra si.

Enquanto a ambulância chegava, fiz de tudo para manter Liz acordada. Kassandra estava ao seu lado o tempo inteiro conversando com ela também. Ela havia levado um tiro na perna, era perigoso demais…

Ouvimos o barulho da ambulância chegando, assim como Filipe… Ele correu para Liz, e segurou sua mão.

Desculpa Liz! – Ele começou a chorar…

Você não tem culpa do seu pai ser assim, Filipe. – Disse Liz, com a voz fraca.

Vai ficar tudo bem, eu prometo! – Ele deu um beijo em sua testa.

Naquele momento, pude notar, que realmente ficaria tudo bem. As ambulâncias chegaram junto com carros de polícia. Logo correram para socorrer Liz e o pai de Filipe, junto com os outros caras estranhamente caídos no quintal da casa. O pai de Filipe havia levado um tiro de raspão na cabeça, perto do ouvido, o deixando meio surdo.

Os policiais constataram vários tipos de garrafas de bebidas e drogas dentro do carro. Não acreditaram em história nenhuma de bruxaria e poderes mágicos que aqueles homens falavam, apenas consideraram que eles estavam drogados demais e que queriam fazer maldades com pobres mulheres indefesas. Graças a todos os deuses, todos eles foram presos em flagrante, o pai de Filipe também, por tentativa de homicídio contra Liz.

Fui com Liz na ambulância até o hospital, ela estava cada vez mais pálida, perdia muito sangue, eu estava com muito medo de perder minha filha.

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Liz

Durante toda aquela confusão, só senti uma batida forte na minha perna e uma queimação… Só notei que havia levado um tiro, quando vi minha mãe correndo em minha direção e apontando para o pai de Filipe. Ele tentou me matar!

Nós, em nenhum momento, tentamos matá-los, só estávamos nos defendendo. Mas ele tentou realmente me matar!

Aquela dor era lancinante, queimava muito. Eu tentei com todas as minhas forças ficar acordada, as meninas conversavam comigo, principalmente Kass e minha mãe. Seguravam minha mão, afagavam meu rosto. Mas eu estava quase desmaiando… Até que Filipe apareceu e falou comigo, me pediu desculpas. Mas ele não tinha culpa por ter um pai daqueles! Ele me deu um beijo na testa e disse que ia ficar tudo bem, apesar de tudo que havia acontecido, eu senti uma vontade enorme de ficar acordada, me deu até mais ânimo, apesar de toda aquela dor terrível!

Os paramédicos chegaram e me levaram para a ambulância, Filipe prometeu que ia me visitar. E assim o fez. Ele estava no hospital quando eu dei entrada. Todos os dias em que fiquei internada para me curar, ele estava lá no horário das visitas. Sempre me trazia uma rosa por dia, cada dia de uma cor. Eu estava radiante, apesar daquelas dores horríveis.

Todas esperávamos um futuro melhor, sem aqueles caçadores atrás de nós, queríamos a liberdade de ir e vir, praticar nossa arte sem fazer mal algum – pelo menos não faríamos nada a quem não nos incomodasse.

Depois de toda aquela confusão, percebemos que juntas éramos mais fortes! E que nada e nem ninguém iria nos silenciar mais.

Voltar para casa 2 semanas depois de tudo aquilo foi bem estranho, principalmente pelo que vi, assim que cheguei…

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Continua

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