Coven das Rosas (Pt. 3) – Noite das Bruxas

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Coven das Rosas

Noite das Bruxas (Pt. 3)

Escrito por: Lua Morgana

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Liz

Eu estava super animada pela festa logo mais tarde. Acabei de fazer tudo que precisava e corri para me deitar. Dividia o quarto com Kass, Amanda e Daiane… Era super divertido ter irmãs. Sempre fui criada no meio de homens, quando nasci meus irmãos já eram grandes e adultos, era difícil ser menina em meio a tanto homem junto.

Conversamos sobre as expectativas da festa até adormecer. Seria um dia longo… a primeira festa que eu ia, sem ser aquelas festas chatas de família, e logo mais tarde teríamos nosso primeiro – de muitos – Samhain. Seria um dia cansativo e ótimo, assim esperava.

Descansamos até umas 9hrs da manhã e acordamos dispostas, principalmente Kass. Eu estava meio nervosa por causa de tudo que estava prestes a acontecer, mas confiante. Terminamos de organizar tudo e deixar tudo decorado lá pelo meio da tarde, aí partimos para nos ajeitarmos para as festas: nos vestiríamos de bruxas, é claro! Assim que anoiteceu, já estávamos prontas para a festança. A minha ansiedade começou a fazer minhas mãos suarem demais, coloquei a luva e tentei não me focar nisso.

Falei com a minha mãe e deixei bem claro – fiz minha promessa do dedinho – que voltaria a tempo do ritual e não a decepcionaria.

Kass e eu saímos para ir a festa e encontrar com Filipe no mercado, estávamos animadas e ansiosas. Hoje tinha de tudo para ser um dia inesquecível.

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Alanna

Acordamos um pouco mais tarde para estarmos bem-dispostas para o grande dia: o Ano Novo das Bruxas! Estávamos todas animadas e ansiosas para esta celebração. Para muitas de nós, seria o primeiro ritual, para mim e Wendy, seria um novo começo e uma ótima forma de retornarmos à magia.

As meninas por outro lado, tinham mais um motivo para estarem ansiosas, como toda adolescente, participariam de uma festa de halloween com “pessoas normais”. Seria bom para elas, principalmente para Liz, que nunca havia participado de coisas casuais de adolescente e jovens adultos. Ela era bem diferente quando morávamos na outra cidade, muito mais fechada e antissocial. Agora, que conheceu as meninas, principalmente Kass, se tornaram melhores amigas muito rápido. Era bonito de se ver. Parecia Wendy e eu quando jovens.

Quando elas se aprontaram para a festa, tiramos uma fotografia todas juntas. O sorriso no rosto de Liz me deu mais ânimo para continuar o que estávamos fazendo.

Por outro lado, como toda mãe, me sentia um pouco preocupada – para não dizer muito – pois a gente não tem como saber o que se passa na cabeça das pessoas, principalmente depois de todas as ameças que recebemos. Será que o menino por quem Liz estava caindo de amores sabia da nossa magia? Que somos bruxas? Como ele reagiria se soubesse? Essas questões ficavam martelando na minha cabeça desde ontem… Talvez fosse preocupação normal de mãe. Ou minha intuição de bruxa.

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Chegamos ao mercado e encontramos com Filipe, que estava vestido de Drácula. Estava muito bonito (e cheiroso), isso me animou ainda mais. Conversamos bastante durante todo o caminho para a festa.

A festa era na casa de um amigo de Filipe, os pais liberaram a casa (que era enorme) para uma festa. Para minha surpresa, tinha muita gente legal naquele lugar. Eu com minha mania antissocial, logo imaginei que – apesar da minha animação – só teria gente sem graça e normal demais naquele lugar. Pelo contrário! Tinha muita gente que ouvia rock, tocou muito rock na festa, muitas pessoas que gostavam das mesmas séries que eu. Fiz alguns novos amigos e peguei bastante contato. Tinha umas meninas góticas lindas, Kass logo fez amizade com elas.

Dançamos, bebemos um pouco (não vou negar que era álcool), conversamos e rimos bastante. Até que meu celular tocou, era o aviso do meu despertador para não me atrasar para o ritual. Botei ele para tocar 20 minutos antes, para ter certeza que nós teríamos tempo de nos despedir e chegar em casa.

Chamei Filipe de canto para dizer que já estávamos indo embora, para minha surpresa, ele falou que também precisava falar comigo. Gelei.

Aconteceu alguma coisa? – Eu disse, super nervosa já.

Não, ainda… quero dizer… – Ele riu e passou a mão nos cabelos.

Como assim? – Falei, corada. Sem entender.

Liz, assim que te vi, te achei uma menina super diferente das que conheço. Você é fã das bandas que eu curto, é inteligente, engraçada e linda! – Ele ficou um pouco envergonhado. – Enfim… gostaria de te perguntar se você quer ficar comigo… – Ele me olhou profundamente nos olhos, parecia que me lia por dentro.

Cada centímetro do meu corpo queria dizer sim, gritar que sim. Eu sorri para ele, ele tomou a resposta como um sim e passou a mão pelos meus cabelos. Eu o abracei, como queria fazer isso tem um tempo. Então ele me beijou. O mundo parecia que havia parado e ficamos só os dois ali nos beijando. Os lábios dele eram macios e doces. Ele acariciava meu rosto enquanto dava leve mordidas em meus lábios. Levei minhas mãos aos cabelos dele e puxava levemente… Aquele beijo foi intenso e apaixonado. Até que levei um cutucão de Kass.

– Ér… Desculpa atrapalhar, mas sua mãe me deu uma ligada e temos dez minutos para chegarmos em casa. – Disse Kass um pouco envergonhada.

Filipe disse aos amigos dele que nos levaria até em casa, eu concordei. Queria passar mais um tempo com o carinha que eu tava gostando… acho que ele não saberia que nossa casa era um Coven, até porque todas as casas estavam enfeitadas para o halloween, então a nossa seria apenas mais uma.

Ele me deu a mão, como um casal de namorados, nunca conheci garoto mais fofo que ele, eu tava gritando por dentro e Kass tava louca para me zoar, mas se segurava porque estava na presença dele.

Ao virarmos a esquina para chegar até em casa, nos deparamos com um grupo estranho. Parecia que eles estavam nos esperando.

Era um grupo de garotos adolescentes também, porém, estavam muito enraivecidos. Em pleno halloween, onde todo mundo gostava de curtir. Apertei forte a mão de Filipe e a de Kass, nós não tínhamos saída, teríamos que passar por eles.

Assim que passamos ao lado deles, um deles deu um puxão em Kass. Eu a puxei de volta e Filipe se meteu:

Qual é, cara? Vai ficar puxando a garota? – Disse Filipe, nervoso.

Vou puxar sim, seu otário! Que você vai fazer? – Disse um cara alto e forte do grupo, parecia ser jogador de futebol americano.

Vou te dar uns socos se tu fizer isso de novo! Elas estão acompanhadas! E otário é você! – Filipe aumentou o tom de voz. Ele não era de todo fraco, mas pro tamanho do cara com quem ele tava falando, parecia que ele era bem pequeno.

Tu fica andando com essas bruxas vadias, que querem tornar nossa cidade um puteiro de bruxas e se acha né? Seu merda. – O cara preparou a mão pra dar um soco no rosto de Filipe, mas não sei o que me deu, que pensei naquilo com tanta raiva, não ia deixar ninguém machucá-lo, que ao pensar nisso com tanta força, a mão do menino parou no ar, como se algo a prendesse.

Filipe olhou para minha cara assustado. Eu já estava pensando que seria jogada na fogueira pelas mãos dele, até que ouvi:

Porra, que irado! – Ele olhava para mim com cara de orgulho e admiração.

Os outros caras apontaram para a gente e gritaram: QUEIMEM AS BRUXAS!

Correram atrás da gente, nós corremos até em casa. Kass deu meia parada e fez umas bolinhas caírem pelo chão, os caras escorregaram, alguns levantaram rápido, só deu tempo de entrarmos em casa. Filipe estava junto. Imagine a cara dele quando viu todo aquele preparativo dentro da nossa casa. Ele parecia maravilhado… nunca imaginei essa atitude dele. Sempre pensei que ele me condenaria, mas não! Eu estava cada vez mais apaixonada por ele.

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Alanna

Estávamos prestes a iniciar o ritual e as meninas entraram a todo vapor pela porta, trazendo um menino junto. Fiquei extremamente preocupada e perguntei o que havia acontecido. Elas me contaram que tinha um grupo de arruaceiros atrás delas e que Liz usou magia em público. Eu fiquei nervosa. Olhamos pela janela e o grupo estava lá fora esperando alguém aparecer, estavam todos enraivecidos. Para nossa sorte, era só um grupo de jovens e bêbados, quem acreditaria neles?

Esperamos durante algum tempo, cerca de 1 hora, até que eles cansados de esperar, foram embora. Antes de ir, atiraram pedras em nossa casa, por sorte, não quebrou nada. Se eles continuassem ali, eu tomaria as devidas medidas e chamaria a polícia.

O tal menino que entrou junto, era o tal do Filipe, o amigo de Liz, pelo qual ela estava tendo uma paixonite. Por sorte, ele parecia bem curioso com nossas práticas, mais curioso que com medo. Ele perguntou se poderia participar do rito. Disse que sim, afinal, não teria nada de mais para uma pessoa normal não participar.

Finalmente, depois de todo aquele tempo, depois de todo o estresse do dia com esses garotos arruaceiros, conseguimos ter paz para iniciar o ritual.

Fizemos tudo como manda o script, foi perfeito e emocionante! Mal pude segurar as lágrimas durante todo aquele processo. As jovens bruxas se olhavam com orgulho e o novo amigo do Coven, nos olhava com admiração, principalmente para Liz.

Encerramos a noite com um brinde de todos e nos abraçamos. Estava feito, éramos o Coven da Rosa de novo, estávamos vivas! Felizmente boas almas, livres de preconceitos, brindavam conosco.

Espero que toda aquela energia negativa daqueles caçadores fiquem bem longe do nosso Coven, de nossas bruxas!

Assim que todos nos sentamos para conversar e tomar um chá, para encerrar as festividades, ouvimos um barulho na porta, alguém estava batendo.

Liz correu para olhar quem era. Era o pai de Filipe. E ele não estava ali querendo amizade ou doces, estava com cara de poucos amigos… E muito, muito bravo.

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Continua

2 comentários em “Coven das Rosas (Pt. 3) – Noite das Bruxas

  1. Senti um arrepio tão gostoso quando li a parte do ritual. Realmente Morgana, você tem o dom de cativar as pessoas com a magia que irradia de dentro de você para as pontas dos dedos. Impossível não se apaixonar. Impossível não sentir gratidão por cada palavra que você escreve todas as vezes. Foi emocionante, muitíssimo obrigado!

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