Coven das Rosas (Pt. 2) – Razão e Emoção

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Coven das Rosas

Razão e Emoção (Pt. 2)

Escrito por: Lua Morgana

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Alanna

Corremos todas para a sala, a porta da frente estava abaixo. Jogaram uma pedra gigante contra nossa porta, e nela estava colado outro bilhete:

Saiam daqui! Ou morrerão como suas ancestrais! QUEIMEM AS BRUXAS!”

Ficamos todas em choque. Fazia poucos dias que estávamos funcionando normalmente e já começaram a nos atacar… Não sabia o que dizer para as meninas, até que Liz me surpreendeu:

Não devemos abaixar a cabeça! Eles só querem nos amedrontar! – Disse Liz, com firmeza.

É verdade! Somos bruxas! Mostremos a eles o que somos e para que viemos! – Disse uma jovem bruxa, Kassandra.

Não abaixarei a cabeça para esses idiotas! – Disse outra bruxinha, Daiane.

E mais outra e mais outra. Até que as 10 disseram que não abaixariam a cabeça para os caçadores, iriam enfrentá-los. Aquilo me deu um orgulho enorme, mas eu sabia que isso poderia causar algo bem ruim. Eu tinha essa sede de guerra durante minha juventude e não levou a nada… Até que, uma súbita vontade de lutar tomou conta do meu ser, levantei a cabeça e disse:

Não nos deixaremos assustar por um bando de merdões! Que não tem coragem de mostrar a cara e só ficam nos mandando recado. – Disse, finalmente. – Não, chega! Temos direito de existir e praticarmos magia, assim como eles adoram o deus deles e praticam sua religião! – Terminei meu discurso de forma que me recordei de quando era jovem.

Liz correu para mim e me deu um abraço, seguida de todas as meninas. Um abraço grupal de consentimento. Não iriamos nos deixar abater, se querem guerra, vão ter guerra!

Chamamos o marceneiro e ele consertou a porta da frente. Wendy, que não era de levar desaforo para casa, escreveu uma placa e colou na nossa porta:

Aqui moram bruxas, cuidado! Senão te transformamos em um sapo!”

Todas morremos de rir ao ver aquela placa, tinha que ser Wendy.

Pedi para que Liz fosse ao mercado comprar suplementos para nosso Coven, dei a ela uma lista enorme e Kassandra foi junto para ajudar, as duas estavam se entendendo, pareciam amigas de anos. Lembrava Wendy e eu, quando éramos jovens bruxas.

Elas demoraram mais do que o previsível e, como estávamos sob ataque, logo tive uma crise de ansiedade, preocupada com as meninas. Assim que ia pegar o telefone para ligar, elas entraram pela porta, me dando um grande alívio.

Notei que Liz estava sorrindo bastante e Kassandra também, pareciam felizes. Não falei para elas sobre minha preocupação, não queria estragar a felicidade das meninas. Fui para meu escritório preparar algumas coisas para o festival de Samhain.

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Liz

Kassandra e eu fomos ao mercado comprar as coisas que estavamos precisando no Coven. Aproveitamos, porque quase nunca saiamos, ainda mais depois de todas as ameaças que sofremos. Era engraçada a forma como Kass e eu nos demos bem a primeira vista. Era a melhor amiga que sempre quis ter. Nunca fui de ter muitos amigos, me sentia como um patinho fora do lago, em meio a tanta gente nada a ver comigo. Até entender que sou bruxa e tenho irmãs bruxas! Foi irado receber essa notícia!

Com isso, ganhei amigas, principalmente Kass. Éramos como unha e carne, ela tinha quase a mesma idade que eu (tinha 17 anos), curtia as mesmas músicas, gostava de ver séries e filmes, resumindo: melhor amiga perfeita.

No mercado, ríamos enquanto pegávamos os itens da lista, até que meus olhos cruzaram com os de um rapaz que me observava. Corei. Ele sorriu pra mim, eu abaixei a cabeça, não sabia como reagir.

Kass notou e me cutucou, o tal carinha não parava de me olhar… Ele trabalhava no mercado, estava limpando as prateleiras. Kass, como era mais solta que eu, foi até ele e perguntou:

Oi cara, o que tanto você olha pra minha amiga? – Disse, sorrindo.

Eu queria enfiar minha cara dentro de um buraco e não sair mais.

Oi, é que eu curto aquela banda da camisa dela, é difícil achar gente aqui que curta – Ele sorriu meio sem graça e passou a mão em seus cabelos pretos.

Aproximei-me meio envergonhada… mas não poderia negar um amigo que gostasse de Slayer.

Ér, olá… – Disse finalmente, Kass quase me bateu, pois minha voz saiu meio estranha. – Você também curte Slayer?

Claro, minha banda favorita! – Disse o menino, sorrindo.

Não podia negar que ele era lindo e tinha bom gosto, quase me derreti. Ficamos ali conversando, ele não tinha muito o que fazer, o mercado tava vazio. O nome dele é Marcus. Trocamos números de telefone e ficamos de nos ver…

Kass parecia que tinha ganhado na loteria! Ficou me zoando durante toda nossa trajetória até em casa, ríamos sem parar, fazia tempos que eu não ficava a fim de um carinha, e era recíproco, pelo que parecia. Ficamos tanto tempo no mercado de conversa fiada, que perdemos a hora e esquecemos de tudo que estava acontecendo em nossas vidas. Ele não poderia saber que eu era bruxa, seria tenso!

Chegamos em casa e minha mãe parecia ter um treco, mas não falou nada, apenas sorriu para mim e se dirigiu para o escritório. Pensei que ia levar um baita esporro, mas não, melhor assim, não queria perder aquele sentimento bom de ser uma adolescente normal!

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Alanna

Ajeitei umas últimas coisas da lista para a tão esperada noite das bruxas e me recolhi para meu quarto. Dormi bem, só tive uns sonhos meio desconexos, acho que é porque voltei a mexer com bruxaria e meu sexto sentido ainda não está totalmente de volta.

As meninas estavam animadas com a noite que teríamos amanhã, finalmente comemoraríamos o dia das bruxas, o festival sanhaim juntas! Era meu sonho desde muito tempo retornar ao Coven e torná-lo visível de novo, para que bruxas, como nós, não ficassem sem lar, sem apoio, perdidas.

Separei as meninas em grupos e dei uma lista de tarefas para cada um:

Um grupo ficaria com as decorações, outro com as comidas e o último e não menos importante, ficaria com os preparativos do ritual. Deixei tudo por escrito como fazer cada coisa e onde comprar, assim como dei um pouco de dinheiro para cada.

Wendy  e eu, ficaríamos com o ritual e ajudaríamos como pudéssemos os outros grupos, para que nada se atrasasse.

Liz, Kass, Marjorie e Amanda ficaram com as comidas, elas eram especialmente boas na cozinha! Principalmente Amanda, de 21 anos, que é estudante de gastronomia! Uma bruxa chef, nós temos! Kass e Liz pegaram a lista de compras e partiram para o mercado, especialmente felizes com aquela tarefa, achei um pouco estranho, pois Liz não gostava particularmente de sair para fazer compras. Enfim, deixei as meninas fazerem tudo que pedi e fui para minhas compras do ritual, numa loja esotérica que eu a-m-o, tem exatamente tudo – e mais um pouco – que precisaremos!

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Liz

Kass, Amanda, Marj e eu ficamos com a parte mais legal das tarefas para a noite das bruxas: cozinhar! Eu particularmente adoro fazer quitutes deliciosos e com a ajuda de uma cozinheira de mão cheia – futura chef – Amanda, conseguiríamos fazer tudo bem rápido e tranquilamente. Kass não era tão boa assim, mas era uma boa assistente e faria a gente rir enquanto trabalhássemos.

Marj era um pouco na dela, mas era uma ótima menina e tinha um dom para fazer sobremesas.

Kass e eu teríamos que ir ao mercado para comprar o que faltava, só algumas coisas para a sobremesa, que acabamos esquecendo ontem… Amanda pediu para que fossemos rápido, para não atrapalhar o horário de Marj, pois sobremesas demoram um pouco para ficarem prontas.

Chegando ao mercado, o menino estava lá e, eu, propositalmente, fui com outra camiseta de banda para mostrar que sou true. Ele sorriu para mim e fez um joinha para aprovar a minha camiseta, fiquei bem vermelha e com um sorriso de orelha a orelha.

Kass foi pegar as coisas que estavam na lista e deixou eu ali conversando com o menino, cujo nome era Filipe. Ela demorou propositalmente, para me deixar a sós com ele. Conversamos um pouco de tudo, sobre os hobbies, as bandas, os jogos, livros, séries… Era incrível como ele gostava das mesmas coisas que eu! E era incrível como eu gostava de um carinha que conheci ontem, era bem estranho, mas eu tenho que confessar… eu… tava apaixonada. Assim, rápido.

Filipe me convidou para ir a uma festa de halloween amanhã, exatamente na hora que era nosso sabbath. Eu não poderia recusar um convite do carinha que eu gostava e também não deveria faltar a um sabbath tão importante – e primeiro – do nosso Coven! Não sabia o que fazer… acabei dizendo para Filipe que iria com ele sim, afinal, sou bruxa, daria um jeitinho.

Ele me deu um papel com o endereço da festa, era bem perto da nossa casa (ele não sabe onde moro, se souber, descobrirá que sou bruxa), agradeci e fui embora, ele me deu um beijo na mão… Alguém me segura! Quase morri de tanta vergonha. Kass chegou quando eu tava lá fora e ficou rindo da minha cara, como de costume, diz ela que tinha visto tudo. Tudo.

Fomos embora do mercado e chegamos em casa, Amanda faltou me matar pela demora. Começamos a ajudá-las, já estava um pouco adiantado todo o serviço. Elas eram realmente boas, e nós, só riamos sem parar de toda a situação de uns minutos atrás. Kass, como não era boa em guardar segredos, contou tudo as meninas, e elas estavam atônitas pra saber o que eu faria… Nem eu sabia o que faria! Acho que atitude certa a tomar seria conversar com minha mãe, pois talvez, ela deixasse eu ir à festa só um pouco e voltar a tempo do ritual! Quem sabe?

Com o serviço quase no final, pedi para as meninas deixarem eu ir conversar com ela, lógico que elas me liberaram, estavam doidas para que eu fosse a tal festa, mais do que eu até. Elas estavam realmente empolgadas!

Minha mãe estava em seu escritório conversando com a tia Wendy, pedi licença e entrei.

Mãe, posso conversar com você um minuto? – Disse, um pouco envergonhada.

Sim, Liz, o que houve? – Ela me olhou através dos óculos, como se visse minha alma, notou logo minha vergonha. Tia Wendy fez questão de me olhar também, pois era uma curiosa nata.

É… que… – Tentei.

Fala logo, Liz! Que agonia – Disse Wendy.

Um menino me convidou para uma festa de halloween amanhã. Eu posso ir? Juro que volto antes do ritual! Por favor! – Olhei para ela, vermelha, mas confiante.

Uauuu! – Disse Wendy, surpresa. – Nunca imaginei que você fosse de namorar.

Ele não é meu namorado! É só um carinha que conheci e parece ser bacana… – Sorri.

Liz, você quase nunca me pede pra sair e quando pede, é bem numa data importante como essa? – Disse minha mãe, surpresa também.

Desculpa, mãe! Mas é importante pra mim também… E conhecer novos amigos também! Poxa! – Olhei para ela com cara de cachorro pidão.

Ah não seja dessas mães caretas, Lanna. Pelo amor dos deuses! Ela é só uma adolescente querendo se divertir na noite das bruxas! – Disse Wendy, me ajudando. – Se ela disse que chegará para o ritual, confie nela.

Ok, Liz! Só uma hora, por favor. Divirta-se, mas com muito cuidado. Não deixe que descubra onde você mora. Leve Kass com você.

Ebaaaaaaa! – Corri e abracei minha mãe e a tia Wendy.

Saí correndo para a cozinha e contei paras as meninas, que vibraram comigo, principalmente Kass, que iria junto. Terminei de ajudá-las na finalização das comidas e fomos ajudar as meninas na finalização das decorações. Eu estava muito feliz, parecia até mentira. Acabei esquecendo das ameaças…

Coisa que não era para eu esquecer, talvez eu me arrependa por isso, ou não.

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Alanna

Minha menina estava crescendo, começando a paquerar rapazes… Eu não deveria ter tanto medo assim, só estava preocupada por causa das ameaças que sofremos. Porém, ela deveria viver como uma menina normal da idade dela, descobrindo a vida e os amores que ela tem a nos oferecer.

Eu espero sinceramente não me arrepender de deixá-la sair com um rapaz que não conheço e nunca vi.

Minha razão diz para deixá-la viver, mas meu coração diz o contrário. Ser mãe às vezes é difícil. Principalmente ser mãe de uma jovem bruxa, cheia de esperança na humanidade, cheia de amor para distribuir. Uma pena que o mundo não é assim! Mas a deixarei se divertir, pelo menos espero que ela acate minha regra de 1 hora e que volte para o ritual. Não quero que minha filha perca este nosso recomeço – só para garantir lançarei um feitiço de proteção, afinal, sou bruxa.

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Continua

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