Férias Macabras (Pt.5) -Trash

wine_58493884

Por Lillith Orleander e Mille Meiffield

LUCAS

Escutamos os gritos de Lucas e a correria que vinha do porão. Eu já estava meio alta e não consegui entender se era alguma brincadeira sem graça ou se eu de fato estava enxergando certo.

Cley estava sujo de sangue, enquanto Lucas era socorrido por AJ e Nat que estavam mais perto, o cheiro de ácido pairou no ar, me levantei devagar de onde estava e fui na direção dos meninos.

Cley parecia ter visto um fantasma. Estava em choque. Luca só chorava e gritava. AJ me olhou e pareceu preocupado, decidimos descer ao porão.


muito longe nós avistamos a poça de sangue ganhando caminho para fora, eu quase não respirava, ele continuava calado.

A luz fraca estava acesa, pedi aos deuses que não fosse nada grave, mas em meu peito eu sentia que tinha algo errado e cheirava a morte, eu pedia para estar errada, mas tudo apontava o contrario.

– Daia, não! – AJ disse com firmeza me barrando na porta.

– Que inferno, Assis, não vim até aqui pra ficar na porta. – passei por ele e só tive tempo de levar a mão na boca. Meus olhos se encheram de lágrimas.

Quem quer que fosse estava ali, diante de mim escalpelado da pior forma possível, irreconhecível. AJ tateava os bolsos, acho que estava procurando o celular quando escutamos passos atrás de nós.

– Lua, não! – tentei impedir, ela estava grávida, não podia ver aquilo e foi o suficiente para que ela empalidecesse e desmaiasse.

– Mas que droga, todas as mulheres dessa casa são teimosas cacete! – disse AJ irritado

Zu correu pegar o telefone e chamar a policia, eu não sei quanto aos outros, mas eu queria sumir daquele lugar.

O frio percorreu a minha coluna e senti como se houvesse um vulto próximo a bancada da cozinha. E se aquele não fosse o primeiro corpo? Saul… Mille… Nai…

Meus deuses tinha mesmo algo muito errado, mas pra quem eu podia contar, só estávamos nós ali no meio do nada e qualquer um podia ser suspeito.

 

AJ

Onde eu estava com a merda da cabeça quando decidi sair de casa? Cara, eu gostava de ficar em casa com meus jogos e meus livros, era minha zona de conforto.

“Você tem que ir”, me disse a Lua.

“Vai ser legal”, disse o Saul, o cara sumiu tem dias já e agora aquilo no porão, que merda é essa?

Lua ainda está em choque, Daia anda de um lado a outro da sala, sem aparentar nada, nem medo, nem desespero, nada. Garota estranha. Zu e Cleyton tentam fazer Luca parar de chorar. Zuzu parece nervosa e Nat torce as mãos continuamente, isso tá me dando nervoso. O delegado chegou com a forense mas até agora nada, a não ser o sumiço de Raquel e o namorado. Não tem vestígio de nada.

– Vocês vão ter que ficar para mais declarações, está tudo muito bagunçado essa história. Amiguinhos de internet, escrevendo historinhas, somente alguns aqui já se viram os quais pelo o que entendi estão sumidos. As famílias não tem noticia e vocês disseram que receberam mensagem de um deles dizendo que ia passar em casa de parentes, tem muita coisa se desencontrando.

Nesse caso ele tinha razão. Era um babaca, que achava ser bom de sarcasmo, mas nem chegava aos pés.

Nós éramos doze… Mas seis haviam sumido, sem deixar rastro e agora tinha um corpo no porão…

Será que sumiram mesmo ou estavam mortos? Acho que era nisso que quase todos nós estávamos pensando agora.

 

LUCAS

– Não fico mais um dia nessa cidade! Vocês não podem me obrigar a ficar encarcerado aqui! Eu vou chamar meu advogado! – Cley esbravejava nervoso depois que o delegado nos informou que não podíamos voltar pra casa. Era pela investigação que acha que todos nós queríamos saber o que estava acontecendo ali.

– Cley, fica calmo. Não vai adiantar fazer nada agora. – disse Nat que a cada minuto parecia mais pálida, o nervosismo dela deixava a todos apreensivos.

– Bom vocês tem onde ficar ou vão procurar algum lugar? – nos perguntou o delegado já fazendo cara de aborrecido.

– Na minha casa da pra ficar umas duas pessoas. – disse Assis se prontificando, mas eu sabia que o convite ia se estender a Nat, afinal de contas não sou cego né, tinha rolado algo.

-Os outros podem ficar na minha casa. – disse Luke. – Mas eu ainda acho que deveríamos ficar juntos. Meus pais só voltam em duas semanas. Até lá, temos oito quartos livres.

–Eu aceito. – responderam Zu e Nat.

– Daia? – disse Assis

– Obrigado, mas eu vou preferir ficar sozinha. – disse ela

– É uma péssima ideia moça. – disse o delegado.

– Nós ficamos no mesmo hotel, assim cada um tem sua individualidade, e continua junto. – disse eu, Lua já tinha dito que também iria para o hotel.

-Faço questão de que fiquem comigo. Saul era como um irmão para mim.

– Tudo bem, vocês serão escoltados até os respectivos lugares e em hipótese alguma sairão da cidade, nós iniciaremos as investigações o mais rápido possível e entraremos em contato para que todos prestem novos esclarecimentos, até lá vocês peguem o necessário e vamos sair da cena do crime.

Cada um de nós seguiu para seu quarto e se encontrou minutos depois nas portas da casa. O Sol estava para nascer, mas a névoa que estava sob o lago, dava àquele lugar um aparência sombria.

– Quem será o próximo? -perguntou Daia olhando para trás, com o olhar vago. Cley me olhou nos olhos e beijou minha testa, aquilo soava como mau agouro, meu coração bateu acelerado e ao longe, antes de entrar no carro avistei um vulto perto das arvores, dei um grito e apontei, mas ninguém viu nada.

– Lucas você deve estar muito nervoso.- disse Zu. – talvez seja só impressão.

Entramos no carro e saímos da propriedade, calados, enquanto o carro do IML carregava o corpo, no carro atrás de nós e a policia forense começava a descer seus materiais de analise.

 

NATASHA 

Ainda estava difícil acreditar que aquilo estava acontecendo conosco, eu não conseguia tirar nem férias sem que saísse algo errado.

Primeiro, Naia some. Aí acabo na cama com Assis e agora o corpo estendido no porão. Tem como isso ficar pior?

Ah tem. Claro que tem, morrer.

Eu e Assis não tocamos no assunto, não sei se ele ficou chateado ou algo do tipo, mas acho que na realidade nós dois estávamos fugindo de algo e aquele momento foi um lapso que não vai se repetir.

Fiquei pensando em Naia o tempo todo. Onde ela está? Será que aquele coro era o dela? Por que tanta atrocidade e crueldade?

Lucas, Cley, Daia e Lua seguiram caminhos opostos, eles preferiram ficar na casa do Luke

A casa de Assis era aconchegante e sua mãe nos recebeu muito bem, eu e Zu ficaríamos no quarto dele, então não seria tão estranho. Sempre que achava que ninguém estava olhando, AJ me olhava de esguela. Tinha certeza do que eu sentia pela Naia, mas meu corpo pedia para tocar o corpo do AJ.

A mãe de AJ fez o jantar.  Algo parecido com ensopado de frango e arroz com ervas. Ela nos serviu um pouco de vinho em copos de geléia e disse que o sabor ficava diferente. Realmente, tenho que concordar. Comemos e a ajudamos a arrumar a louça. AJ nos levou para seu quarto. Estávamos exaustos. Ele encheu um colchão de ar, forrou um lençol e nos deu dois travesseiros.

-Estou preocupada com os outros. – disse Zuzu.

-Eles vão ficar bem.- AJ a tranquilizou.

-Quero ir embora. – eu deveria ter pensado para mim mesma, mas as palavras saíram antes que eu percebesse.

 

DAIANA

 

Chegamos à casa do Luke. No caminho decidimos levar os colchões das camas para a sala e dormimos todos juntos. Eu estava apavorada, mas não podia demonstrar. Precisava segurar a onda por causa da Lua. Ela vomitou metade do caminho até aqui. Ela está pálida e fria, e isso me assusta. Luke também nã parecia muito legal. Ele parecia meio doente. Com bolsas embaixo dos olhos. Lucas e Cley reclamaram o caminho todo de dor de cabeça. Acho que só eu não estava me sentindo tão mal. Lógico que fiquei abalada, mas… Tinha que ser forte para sair viva dali.

-Daia, precisa de alguma coisa? – disse Luke prestativo.

-Não, obrigada. – eu estava meio distraída com meus pensamentos. – Na verdade, você teria vinho na cozinha? Preciso fiar um pouco só.

-Na terceira porta da direita do armário em cima da pia.

-Obrigada.

Não fui de imediato para a cozinha. Me deitei um pouco para tentar relaxar e acabei cochilando.

Poucos minutos depois acordei com um barulho parecido com um gotejar. Estava vindo da cozinha. Olhei a minha volta e vi meus amigos todos dormindo profundamente. Levantei e fui até lá. Espiei pela soleira da porta e percebi que o som vinha da pia da cozinha. A torneira não tinha sido fechada direito e estava pingando.

Assim que lembrei daquele corpo escalpelado senti um arrepio até os ossos. Minha boca estava salivando por um bom vinho para relaxar. Precisava tirar aquela imagem da cabeça. Abri a porta do armário que Luke havia falado e encontrei algumas garrafas de vinho. Peguei um Cabernet e enchi a taça que estava no balcão. Virei tudo de uma só vez e enchi a taça novamente. Foi quando vi um movimento perto de mim com o canto do olho. Me virei num súbito e quase gritei..

-Santa mãe! – exclamei. – Você me assustou. Da próxima vez fala alguma coisa.

-Eu só vim pegar alguma coisa para comer. Minha cabeça está doendo e meu estômago roncando.

-Andei xeretando a geladeira. Tem lasanha e pizza congelada.- eu disse.

-Acho melhor uma lasanha. – falou. – Come comigo?

-Como sim. – só agora percebi o quanto estava faminta. – Se eu continuar bebendo desse jeito sem comer nada vou ficar com uma baita ressaca.

A lasanha estava no forno, mas minha boca salivava mesmo é por mais e ais vinho.

-Vou pegar meu celular na sala. – disse. – Quero mandar uma mensagem para o AJ para saber se eles estão bem.

-Estarei aqui quando você voltar.

Minha mente ficou dando voltas e voltas naquela cena grotesca. De quem era aquele corpo? Será que era da Mi? Ela sumiu faz dias e ninguém nem procurou por ela porque todo mundo achava que ela queria ficar sozinha.Em meio aos meus pensamentos senti algo passar por minha cabeça e apertar minha garganta. Comecei a sufocar e tossir para tentar respirar. Mas o que aprecia ser uma corda, apertava cada vez mais meu pescoço até que fui perdendo as forças e tudo escureceu.

Tossi com força para tentar tirar o gosto metálico do sangue que estava em minha garganta. Mexi as pálpebras com dificuldade. Tudo estava rodando. Meu corpo estava molhado. Tentei me mexer e senti meu pescoço arder. Então foi aí que eu percebi que meu corpo estava molhado de sangue, o meu sangue. Haviam dois furos profundos um em cada lado de minha garganta.

-Oi Daia! – falou de forma cuidadosa, embora denotasse certa dor ao olhar pra mim. – De todos os que eu matei, jamais pensei em fazer isso com você e Mille, mas Mille não consegue deixar um assunto de lado sem investigar, e pelo visto você também não. Não queria ser cruel com você, como fui com os outros, a Mille foi a primeira a morrer, eu apenas a sufoquei, não foi nada demais. Só que…sabe o que acontece quando você tortura e mata pela primeira vez? – perguntou para si. – Você não consegue parar mais. É tentador demais. Glorioso demais.

-Você é doente. – eu não conseguia parar de chorar. Eu amava aquela pessoa. Como pode fazer isso comigo?

-Doente? Não! Sou racional até demais. Chega de conversa. Vamos ao que interessa. – Se virou e pegou uma machadinha. – Infelizmente vou ter que picar todo o seu corpo para que possa escondê-lo na mala grande que eu vi no quarto do Luke. – Se aproximou, beijou minha testa e colocou uma toalha em minha boca. – Adeus minha amiga. – E levantou a leve machadinha, fazendo-a cair firme e veloz sobre minha perna direita, e sem tempo para respirar me desferiu outra machadada na perna esquerda. O sangue jorrava por todos os lados e a pessoa sorria triunfante. Senti minha vida se esvaindo. Não achei que pudesse sentir mais dor mas outro golpe certeiro arrancou meu braço direito na altura do ombro. E com olhos mareados e tristes e lábios retorcidos em um sorriso assustador.

MILLE

Eu chorava porque não queria assistir. Chorava porque não queria que a vida de uma de minhas melhores amigas fosse ceifada de forma tão brutal e chorava mias ainda por ter confiado tanto e amado tanto essa pessoa que assassinava todos que chamava de amigos. Seria muito difícil ter que confortar a alma da Daia depois disso tudo. A Bi já está com a Quel e os outros.

Como fui a primeira a morrer, fiquei encarregada de ajudar todos os meus amigos que estavam chegando um após o outro sem entender o porque de estarem sendo assassinados.

Olhei para a cena horrível da morte da Daia. E vi quando veio o golpe de misericórdia e a cabeça de minha irmã de alma pender para a morte e com um grito segurei seu espirito nos braços, no momento em que chegou ao mundo do além.

 

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s