A Corte [Parte 7] – Vingadores Celestes

Escrito por: A.J. Perez

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Capítulo7 – “Vingadores Celestes”

Vou deixar uma coisa bem clara a todos vocês, — Seth se virou para a mesa do conselho — eu só acato ordens do Rei ou da Rainha da Corte, e apenas essa pessoa está acima de mim, não ligo pra suas políticas estúpidas ou seus joguetes de poder, ninguém aqui será julgado por erros passados, ninguém aqui se aproveitará do poder para fazer o que bem entender. O REI TEM A COROA, MAS O CAÇADOR É A LEI! E o único motivo de alguns de vocês ainda estarem respirando, — o olhar dele passou por todos os membros da cúpula — é meu respeito pela memória de Diana, que era além de uma rainha justa uma boa amiga. E aquele que ousar macular a memória dela, ou tentar governar essa corte com tirania eu juro pelo meu Deus… eu vou arrancar o seu coração. Essa reunião está acabada, e esse conselho dispensado.

Todos fizeram uma reverência a ele com a cabeça acatando a ordem e se levantando, calmamente ignorando Jared que gemia no chão.

Aghata prepare seu espelho, vamos usar o oráculo para rastrear cada criatura sobrenatural dessa cidade, quero ver se encontramos o tal, Marcus…

Tem mais uma coisa. — Sophie se aproximou de Seth com certo receio.

Ele pousou a mão gentilmente no braço desnudo dela, a pele dele era incrivelmente macia e quente, como se fogo fosse bombeado pelas veias e artérias, ele se quer notou que um sorriso gentil surgiu em seu rosto imediatamente.

Pode falar Sophie. Não tem o que temer de mim.

Ela realmente ficou aliviada em ouvir aquilo, mas já tinha escutado histórias demais sobre caçadores celestes para saber exatamente o que eles achavam exatamente dos sobrenaturais. Monstros, aberrações, bestas, e toda a sorte de coisas malignas que existiam sobre a terra.

Ele pode tocar em Amattha.

Os olhos de Seth se arregalaram em espanto, seu semblante se fechou mais uma vez, olhando dentro dos olhos negros dela.

Tem certeza disso?

Sim. Nós temos certeza disso, — afirmou Natalia — eu também vi. Todas as garotas viram.

Agatha vamos… — ele fez sinal para as garotas saírem.

Logo a sala estava vazia, apenas os moveis a lareira queimando, e Jared sozinho no chão… enquanto cuspia sangue e pequenos estalos podiam se ouvir de sua boca enquanto ela se reconstruia lenta e dolorosamente.

***

Os prédios imponentes de Toronto se projetavam como lanças de luz apontadas para o firmamento negro, como que prontas para perfurá-lo. Abaixo dele a noite transcorria de modo comum para as madrugadas da grande cidade em todos os aspectos.

Em um beco escuro atrás de uma boate, o som de algo se chocando contra o solo foi violento e abafado. Em seguida um homem na faixa dos 30 anos surgiu das sombras tateando os bolsos do longo casaco para encontrar o celular que havia começado a tocar. Após alguns segundos de Means to an End da banda Joy Division ele finalmente encontrou o aparelho perdido dentro de um dos bolsos internos do sobretudo.

A tela mostrava um número que ele não conhecia.

Alô, — iniciou ele ao atender, se virando para olhar para a parte escura do beco de onde ele havia saído — quem fala?

Mentor?— Indagou uma voz familiar e tão firme como a dele do outro lado da linha — Sou eu, Sethiel, seu antigo aluno.

Seth! Nossa que surpresa, o que você quer?

Estou atrapalhando algo? — perguntou-lhe o jovem com a voz chiada, notando a entonação que seu antigo mestre usara.

O homem olhou para os dois lados do beco vazios e de volta para a escuridão de onde havia saído, passando a mão pelos cabelos curtos e loiros muito bem penteados.

Na verdade você está, mas acredito que depois de todos os anos que passei te treinando você não gastaria uma noite ligando só para ver como eu estou. — ele olhou ao redor mais uma vez — O que aconteceu? Está tudo bem?

Sim, pelo menos por enquanto. Mas essa noite recebi um relato digamos, não usual de duas jovens que conheço.

Duas jovens? — havia sarcasmo na voz do homem.

São membros da corte Seelie local, uma bruxa e uma imortal. Elas viram algo diferente. Não podemos falar disso nessa linha, pode não ser seguro, todo o que posso lhe contar é que acho que você acharia incrivelmente interessante. E além do mais, você pediu para que eu o avisasse de qualquer coisa diferente que acontecesse em Santa Anna, e bem, isso é bem diferente.

Santa Anna… Nossa, faz uma eternidade que não ponho os pés nessa cidadezinha maldita. Isso vale mesmo a pena? — o mentor observou a escuridão atrás de si mais uma vez antes de se virar e ficar olhando pra ela.

Acredito que vale. O senhor está muito longe daqui?

Estou em Toronto… é como estar do outro lado do mundo. Essa merda de cidade é longe de tudo, mas se você acha que vale a pena eu irei.

Ótimo vou avisar o conselho de sua vinda e preparar a sua recepção.

O homem gargalhou fitando as sombras da rua.

Eles vão surtar quando descobrirem que eu estou indo ai.

Posso tentar filmar a cara dos membros do conselho, seria hilário.

Ambos riram por alguns instantes.

Vou me preparar para viajem, chegarei um dois ou três dias na cidade tenho assuntos para tratar aqui antes.

Está certo, mentor.

Inferno garoto, não sou mais seu professor, Seth. A porra do meu nome é

Alistair Crown, me chame de Alistair.

Tá certo, Alistair. Assim que chegar na cidade me ligue. Pode retornar para esse número mesmo, é meu telefone pessoal.

Okay, agora se você me der licença eu tenho um problema pra cuidar aqui. Até mais garoto.

Até… — a ligação foi cortada imediatamente por Crown.

Ele guardou o celular e deu alguns passos na direção do beco escuro.

Como você pode ouvir, meu amigo. — ele iniciou a frase gesticulando com os braços abertos — eu tenho que viajar, e não posso mais me demorar aqui com você.

Então vamos fazer um acordo. Você me diz o que eu quero ouvir e em troca eu prometo que você nunca mais vai ver minha cara de novo. Que tal assim?

Um corpo encolhido no beco tentava inutilmente rastejar para longe. Se estivesse em um ambiente claro seus múltiplos hematomas seriam visíveis, assim como os inúmeros cortes, rasos e profundos, mostrariam o seu sangue escorrendo por entre as camadas de pele e carne lacerada.

Por favor, — reiniciou o homem — eu não sei de nada…

Ahh Kalebi, — um clarão encheu o beco, quando uma espada de fogo flamejante surgiu na mão de Alistair — eu vou te dar mais uma chance… onde está o açougueiro, hein? O maldito sobrenatural que vem picando as pessoas pela cidade e pendurando as partes nos postes como um frigorífico ao céu aberto.

Eu juro que não sei! — choramingou o homem espancado.

Ok, Kalebi… então você não me deixa escolha.

Gritos de horror ganharam a noite se misturando ao som dos carros, som das boates, som de aviões e de festas, som de vida, som de morte, o som de carne sendo queimada e dilacerada, com o doce acompanhamento, de uma risada macabra.

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Continua…