Dark Horse [Parte 2] – Katy

Escrito por Gabi Waleska.

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Katy ria em seu quarto, olhando para o espelho enquanto penteava seus cabelos com mechas vermelhas recém tingidas. Uma pequena oferenda. Assim como a vela vermelha, e como as rosas vermelhas. Ah, ele ia desejá-la. Ele rastejaria e imploraria por tê-la novamente.

Estava tudo planejado. Jane já estava enfeitiçada – coisinha simples, apenas uma poção de cheiro feita por Katy, borrifada sobre aquele buquê – outra risada surgiu em seus lábios cor de carmim. Vermelho, ha, a cor da paixão, da luxúria, do amor, da Deusa do amor. Mas também a cor do ódio, da violência, do perigoso. Agora ela gargalhava.

– Cuidado querida, vai acabar perdendo o controle.

– Assim você me assusta, mamãe. – Falou destacando a palavra. – Acho que o motivo de tudo é você. Você o assustou! – bufou a garota, cruzando os braços.

– Katy, ele só serve para rastejar. Você merece mais! Veja só o que teria acontecido se eu não tivesse ofertado seu pai! Você não teria poder algum! E agora olha isso. No caminho de perder tudo.

– Eu não vou perder nada, só terei o meu… Servo.

– Os Cavalos Negros cobram caro, você precisa fazer tudo que eles pedem!

– Eu farei. – Katy conjecturou.

Ambas riram e ela saiu para a escola.

Encontrou Jeff conversando com Jane. Que ao vê-la se encolheu. A pobre moça não sabia porque, mas Katy parecia emanar poder. Jeff trancou a cara e isso inflamou seu ódio. Mas não podia agir na frente de todos. Aguardaria.

No almoço, Jeff estava sozinho, entrando no banheiro. Katy entrou atrás, ninguém percebeu, estavam todos na cantina. Trancou a porta atrás de si.

– Mas que mer…

– Shiu! – Falou Katy, pondo o indicador com um anel que envolvia todo o seu dedo, como uma garra de metal, que Jeff não percebera antes, sobre os lábios. – Você vai me desejar. Se não desejar agora, aí vai ser seu fim!

– Sai de perto de mim sua louca! – ele esquivou-se em direção a porta – Eu agora namoro a Jane!

– Jane não vai namorar ninguém nunca mais se você insistir nisso! – retrucou ela, se virando. Aproximou-se vagarosamente, com uma das mãos no bolso.

Jeff estava encurralado. Com medo. Os olhos dela pareciam paralisá-lo, como os da sua mãe. Tirou a mão do bolso e soprou um pó brilhante em seu rosto que o fez tossir e recuou.

Jeff ficou tonto, mal conseguia equilibrar-se. Katy o empurrou para o chão, sorrindo, e abriu sua camisa de botão. Com a ponta da garra traçou uma linha da garganta ao coração de Jeff. Ele sentiu uma sensação gelada, sabia que estava sendo cortado. Logo depois uma dor quente o tomou, latejante, o cobrindo de calafrios. Ele sangrava. Seu peito estava aberto.

Ela passou o dedo sobre o sangue espesso e ao redor dos dois desenhou os símbolos dos Cavalos Negros. Tinha que ser rápida. Invocou os seres que a ajudariam. Jeff tinha pouca consciência, mas sabia que não estava só ali com ela. Era escuro. Perigoso.

Mal se movia, não conseguia gritar. Katy dançava ao seu redor, e realmente era como se tambores tocassem. Ele via formas a sua volta, e sorriam em êxtase ao que estava acontecendo. Seria ele um… engoliu em seco – sacrifício?

Ela deitou-se sobre ele novamente, afastando a pele do peito, expondo suas costelas. Lambeu seu coração pulsante, deliciando-se com seu sangue. A boca tingida de vermelho. Como uma vampira que provoca sua vítima. Com a mesma garra que o feriu, abriu um corte em seu próprio pulso e o pôs sobre a boca de Jeff, o fazendo sentir o gosto salgado e enferrujado do sangue dela.

Faça! – Ele ouviu uma voz que não era nem feminina, nem masculina, horripilante.

– Em nome de tudo. Em nome do mundo. Em nome do amor. Dos Cavalos Negros, que me guiam. Em nome da Magia. Eu ordeno que Jeffrey Tenner, que aqui está presente, seja meu. E a mim esteja presente em qualquer momento, em qualquer lugar. Que me sirva e me adore, como punição pela humilhação que me fez passar. Seu sangue aqui jorra, como oferenda. Que comece e que se faça! – Ela recitou e Jeff parou de respirar por alguns segundos, revirando os olhos, perdendo o controle.

Katy voltou a dançar, seu rosto era novamente uma caveira, os seres ao redor gargalhavam, entoavam um canto intenso, medonho. Jeff se debatia e sabia que seu sangue ainda escorria, o corte fora profundo. Mas Katy sabia que a cicatriz ficaria interna. Um pequeno truque que os Cavalos Negros a haviam ensinado.

Tudo ficou turvo, e abafado. As luzes do banheiro sobrepujadas pelas sombras, o som foi sumindo, se tornando um zumbido persistente. Ele estaria morrendo? Estaria ainda respirando? Não se movia, não via nada, apenas o rosto da caveira que um dia fora Katy. E ela ria para ele, através das órbitas brilhantes ele viu o fim…

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Acordou com a sineta informando o fim do almoço. Estava sentado no canto do banheiro. Não havia sangue, seres ou Katy ao seu redor. Deveria ter sonhado. Que pesadelo! Como fora parar ali? Teria sentado e adormecido? Teria desmaiado? Caído e batido com a cabeça? Não sabia. Apenas tinha a sensação estranha daquele sonho.

Lavou o rosto e foi para a aula. Encontrou Jane no meio do caminho, disse para ela que não iria mais vê-la. O dia anterior fora bizarro e não queria passar por aquilo novamente. Jane o olhou como se não soubesse do que ele estava falando. Dando de ombros, ela se distanciou e ele entrou na sala de aula, lá havia um bilhete em sua carteira.

Eu avisei, você viria a mim. E virá.

Não tinha assinatura e de alguma parte do fundo de sua mente achava que deveria se preocupar com isso, mas apenas jogou o bilhete na lixeira. Ao sair da aula não estava mais certo do que acontecera no sonho. Mas avistou Katy no portão de saída e precisava falar com ela. Precisava sentir seu perfume.

Não havia percebido como estava com saudades dela.  O seu estômago parecia uma montanha russa. Ela estava tão linda, tão gata! Ao mesmo tempo, com aquelas mechas novas, parecia ferina! Mas uma fera tão sexy… Droga! Que sensação estranha, era como se estivesse drogado. Precisava dela como um viciado.

– Olá Jeff… – ela disse – você parece tão estranho. – Sua voz, ah, que voz doce… O fazia sentir como um pássaro em liberdade. Algo estava errado, mas ele não sabia o que era. Só queria aquela garota. Só queria segui-la. E seguiria.

Alarmes soavam dentro de seu cérebro, mas ele não tinha tempo para isso. Estava em frente a sua musa. Por isso segurou na mão de Katy…

E a seguiu.

Fim.

‘Cause I’m coming at you like a dark horse.

 

 

 

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