De Olhos Fechados

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“I’ll wrap my hands around your neck

So tight with love”

Gabrielle chegou tarde em casa. Estava encharcada da chuva que caíra de repente, contrariando o boletim meteorológico e seus pés latejavam graças aos sapatos novos. “Se não machucam, não deixam você bonita“, costumava dizer sua mãe, para quem a aparência era primordial.

Sem cerimônia, os chutou para longe e soltou um suspiro de alívio quando seus pés entraram em contato com o chão frio. Só precisava de uma massagem e sua vida estaria completa.

— Rafael? — chamou pelo marido, mas não obteve resposta.

Foi até o quarto dos dois, deixando pegadas por todo o chão. A luz do quarto estava apagada, mas pode ver o volume na cama por debaixo das cobertas. Rafael vinha trabalhando dobrado para pagar a casa nova. Só depois de uma promoção decidiram dizer “sim” na frente do padre.

Mas valera a pena. A casa era perfeita e estava abaixo do preço de mercado. O corretor dissera que os antigos moradores tiveram que se mudar às pressas para outro país. “Nem se preocuparam em levar a mobília antiga”, dissera ele. Foi surpreendente, já que os dois não teriam dinheiro para comprar tudo o que era preciso nos primeiros meses.

Na ponta dos pés, andou até o armário e pegou sua camisola. Precisava de um banho quente para dissipar o desconforto do dia corrido. Seu chefe até distribuiu elogios por seu árduo trabalho. “Quem sabe, consiga uma promoção“.

Gabrielle tirou suas roupas e as jogou no cesto. Estranhou o fato dele estar vazio quando, na verdade, deveria estar com o uniforme de Rafael.

— Dormiu todo sujo de novo — murmurou, chateada.

Quando ligou o chuveiro e a água morna tocou sua pele, soltou um longo suspiro. Sentia que suas pernas iriam ceder de tão relaxadas que estavam.

Ela pegou o frasco de shampoo e colocou um pouco do produto sobre a palma da mão, inspirando o perfume delicioso da camomila. Gabrielle começou a massagear os cabelos, mantendo seus olhos fechados para não cair o produto.

Foi então que ouviu o som da porta do box sendo aberta.

— Desculpa, Rafa, não queria ter te acordado — disse, logo após sentindo uma carícia em suas costas

Ele leu a minha mente“, pensou ela, enquanto as mãos massageavam os seus ombros. A sensação era tão boa que Gabrielle parou de lavar os cabelos, mantendo seus olhos fechados para apreciar a sensação deliciosa do toque cálido.

— Você é o melhor — murmurou ela pouco antes de sentir um beijo gélido em seu pescoço.

Um arrepio percorreu a sua espinha graças ao choque de temperaturas, mas ela não se importou.

Foi então que ouviu.

Uma voz conhecida vinda da porta de entrada da casa. Seu coração acelerou e o grito ficou preso em sua garganta. Seu corpo estava paralisado, em choque.

— Gabi, cheguei! — avisou Rafael.

Mas se aquele era seu marido, quem massageava suas costas? Não houve tempo para resposta, pois antes que abrisse sua boca para gritar por socorro, mãos enregeladas como a morte se fecharam em seu pescoço.

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