Coven das Rosas (Pt. 1) – Recomeço

 

coven das rosas - recomeço

Coven das Rosas

Recomeço (Pt. 1)

Escrito por: Lua Morgana

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Haviam se passado anos que eu não voltava aquele lugar. Estava praticamente igual, não fosse a sujeira e móveis tumultuados com panos em cima. Não podia deixar aquilo morrer, era um projeto bom, um ótimo lar para meninas desesperadas sem saber o que fazer com seus poderes. Depois de toda aquela caça que tivemos, fomos obrigadas a nos separar e viver uma distante das outras por causa dos caçadores, eles não poderiam saber que ainda restavam 13 de nós.

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Passaram-se longos anos, vivi minha vida como se fosse relativamente normal, não poderia deixar ninguém descobrir meus dons. Trancafiei todas minhas coisas em um baú e o deixei no porão, dava sempre a desculpa de que eram bonecas velhas e coisas de infância, para dissipar a curiosidade que passava no rosto de meu marido e filhos.

Tive 3 filhos homens, nenhum herdou meus poderes, fiquei feliz com isso, pois não passaria aquela carga de incertezas para eles. Porém, fiquei grávida de surpresa aos meus 40 anos, foi difícil, mas consegui dar à luz a uma menina linda, chamada Liz.

Aos 18 anos completos dela, Liz começou a dar sinais de que havia herdado meus dons, diferente de mim, conseguia fazer outras coisas que eu jamais pensei em fazer.

Ela pensava que não, mas eu a observava sozinha no nosso jardim praticando magia, sem nem ao menos saber da nossa origem. Não poderia esperar mais, tinha que falar para ela. Nós tínhamos que voltar àquele lugar.

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No começo ela adorou a ideia, parecia com os filmes que ela assistia na tv, ela se sentia superpoderosa. Mas depois que contei tudo o que realmente acontecia com bruxas, ela recuou. Não queria mais me ajudar a recomeçar, tentar trazer minhas amigas e irmãs de volta para o Coven.

– Mãe, isso é loucura! Voltaríamos a ser alvo dos caçadores de novo, vamos ficar aqui em casa quietas, praticando sem ninguém perceber, não quero perder você! – Disse Liz, tristonha.

– Minha filha, nós somos LIVRES. Independente de sermos bruxas ou não, temos o direito de cultuar nossos deuses em nosso próprio templo. E existem um monte de bruxas espalhadas por aí que não sabem o que são e não tem para onde ir! – Fiz uma pausa leve – Precisamos reabrir o Coven das Rosas!

– Dona Judith, a senhora está na idade de costurar casaquinhos de lã para seus netos! – Disse-me uma voz que no fundo eu conhecia… Mas mesmo assim fiquei irada, eu não estava velha!

– COMO OUSAS?- Virei-me para trás e dei de cara com Natálie. – Sua bruxa velha! Que saudade irmã!

Corri e dei um abraço longo em Natálie, faziam anos, muitos anos que não nos víamos. Depois daquela tragédia toda, finalmente pude rever minha melhor amiga!

– Ju, que saudade minha amiga! Estava cansada de lhe mandar correspondências e e-mails, queria dar uma olhada nessa sua cara enrugada de perto!

O humor ácido de Natálie me fazia muita falta, a gente ria muito quando éramos jovens bruxas. Hoje, o peso da idade e das responsabilidades me tiravam um pouco essa vontade de sorrir alegremente, como uma jovem sem medo do futuro, com apenas a certeza de viver plenamente um dia de cada vez.

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Tomamos uma bela xícara de chá, conversamos durante horas, Liz prestava atenção em cada história que Natálie contava sobre nós, durante a época do Coven e morria de rir. Parecia que aquele dia era infinito, riamos sem parar, esquecemos todas as histórias ruins, pensamos somente no presente. Até o futuro ficou um pouco de lado, bem, só um pouco… deveria pedir a opinião de Natálie sobre o meu projeto. Contei-lhe tudo o que estava passando na minha cabeça e ela simplesmente virou-se para mim e disse, em alto e bom tom:

—Reabriremos o Coven das Rosas! – Disse Natálie com uma alegria ímpar.

—Você tem certeza tia Nat? – Indagou Liz – elas estavam tão íntimas que já se chamavam por apelidos!

—Com toda certeza, minha cara Liz. – Abriu um sorriso largo.

Eu e Natálie nos abraçamos, conversamos durante toda a madrugada sobre o novo projeto, iríamos reabrir o Coven, iríamos recrutar novas bruxas para fazer parte da nossa história. Nossa raça não chegou ao fim, não iríamos mais abaixar a cabeça para os caçadores, iríamos bater de frente! Com força total!

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Juntamos todo o dinheiro que tínhamos para resolver os problemas do Coven e da gente. O Coven felizmente ainda estava em no nome de uma de nós, mais especificamente, em meu nome. Como tivemos que fugir da cidade, adotamos novos nomes, eu usava esse nome (Judith) faziam anos! Já estava acostumada com ele. Porém, não era meu nome verdadeiro. Meu verdadeiro nome é Alanna. Liz ficou assustada quando soube que eu não me chamava Judith, era como se ela tivesse me conhecendo de novo. Ela parecia uma adolescente assistindo uma série de TV, a cada descoberta sobre nossa vida, ficava tão surpresa, que seus olhos azuis-escuros pareciam que iam saltar das órbitas! Depois de uns minutos estava tudo bem de novo…

Como resolvemos declarar quem éramos, sem máscaras, Natálie resolveu usar seu nome original também, que era Wendy!

Enfim conseguimos colocar tudo em ordem de novo. Cuidamos de todo o processo jurídico da casa, dos nomes, tudo. Estava tudo praticamente resolvido e fomos para nosso novo lar, nosso Coven!

Arrumamos tudo fisicamente, limpamos, colocamos os móveis e tudo no lugar. Cheirava à felicidade! Liz estava super animada de ter novas irmãs. Depois que seus irmãos cresceram e foram morar em suas casas, com suas esposas, Liz ficava maior parte do tempo sozinha. Não era muito de fazer amigas, preferia ficar sozinha lendo a ir em uma casa noturna, como faziam as meninas da cidade, na sua idade. Acho que ela havia saído minha cópia, se não fosse por Wendy, ficaria trancada em meu quarto durante boa parte da minha adolescência lendo.

Minha paixão por leitura e conhecimento me fez herdar este Coven. Sempre amei aprender, conhecer a fundo sobre cada coisa que fazia parte do Coven. Carmem, a Bruxa Líder, havia me concedido a honra de ser a líder do Coven caso um dia voltasse a ativa. Deixou-me todos os papéis legais para eu ter posse da casa onde fica o Coven. Wendy era ótima bruxa, porém, ela mesma se declarava irresponsável. Não queria pra si a responsabilidade de administrar uma casa com jovens bruxas cheias de energia.

Aceitei de bom grado toda aquela responsabilidade. Sempre amei liderar. Ser líder, não uma chefe mandona. Isso que eu queria ser!

Espalhamos por toda a internet sobre o Coven. Em uma semana muitas meninas apareceram em nossa porta buscando ajuda. Algumas não eram bruxas, eram apenas curiosas. Para nossa surpresa, poucas foram consideradas bruxas de fato. 10 meninas, para ser mais exata.

—10 meninas, Wendy! Você acredita? – Disse para Wendy sacudindo a pilha de papéis sobre as nossas futuras bruxas.

—Na nossa época havia mais que o dobro disso, Lanna. – Disse Wendy, pesarosa. – Aquelas bruxas velhas nem para nos ajudar!

—Wendy, elas têm todo o direito de permanecer no anonimato. Nós demos nossa cara a tapa para preservar nossa raça, para não sermos extintas. Elas não querem, simplesmente, acham isso um fardo. – Sentei-me, cansada.

—Lanna, você sabia que seria assim, é difícil. Muitas meninas têm medo de dizer que são bruxas, principalmente para suas famílias, 10 é um bom número. – Wendy falou firme, com toda razão.

—10 é um bom número. – Disse para mim mesma como se fosse um mantra.

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Organizamos as meninas nos seus devidos aposentos, todas estavam um pouco assustadas, mas eram adolescentes. Um misto de surpresa, animação e medo. Era tudo novo para aquelas meninas. Nós estávamos dizendo para a sociedade que existíamos! Não fomos extintas. Aquilo era desesperador para as antigas. Mas para as novas, era um suspiro de alívio misturado com uma pitada de liberdade.

Dividimos 2 por quarto, para que não dormissem sozinhas e se ajudassem, caso algo acontecesse. Logo elas já estavam enturmadas, pareciam velhas amigas em uma viagem de férias. Adolescentes são assim, encaram o desconhecido com a maior naturalidade, são ótimos em lidar com o novo.

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Cada uma de nós, adultas, ficamos com algumas aulas para introduzir as jovens ao mundo mágico. Eu lhes daria aulas de magia natural, ervas e cristais (tal como fazer poções e encantamentos).

Wendy ficaria com as aulas de bruxaria tradicional, feitiços básicos e sabbaths e esbaths. Minha filha, Liz, como era fantástica com história, resolveu ficar com as aulas de mitologias (deuses e seres mitológicos) e história da bruxaria.

Por enquanto estava tudo bem dividido e as meninas aprenderiam de tudo um pouco – ou muito, assim esperava. Estava saindo tudo como imaginávamos! Por mais difícil que fosse recomeçar algo do zero, estávamos felizes e realizadas. As meninas aprendendo e evoluindo… Parecíamos nós alguns anos atrás!

Passaram-se alguns dias, estava tudo o mais normal possível. Porém, Liz, chegou ao meu escritório super assustada. Passava-se das 22hrs da noite, eu estava organizando algumas coisas para a festa de Samhain. Liz estava pálida…

—Mãe, recebemos uma carta, leia rápido! – Disse Liz, totalmente assustada.

—O que houve Liz? Você parece que viu um fantasma! – Dei um pulo da cadeira onde estava sentada.

Leia! – Apontou para o papel.

Peguei meus óculos de leitura e comecei a ler:

Suas vadiazinhas! Pensam que podem entrar em nossa comunidade de novo como se nada tivesse acontecido? Nem em seus melhores sonhos! Vocês vão pagar caro por tentarem reaparecer! Vão virar cinzas de novo! Hahahahahaha”

Meu coração acelerou e cai para trás sentada. Não poderia botar as meninas em risco, não enquanto ainda estavam aprendendo a lidar com seus poderes mágicos! Isso era muito injusto!

Liz ficou ali parada me olhando, sem dizer uma palavra, estávamos sem saber o que dizer uma pra outra. Apenas nos entreolhamos, assustadas.

O silêncio foi quebrado por um BUUUUM tão alto, que parecia algo explodindo. Corremos para a sala, todas estavam lá, todas estávamos assustadas. Estava acontecendo de novo!

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Continua

 

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