Lithurielle – Mythos (+18)

Um Conto de Horror Cósmico, por A.J. Perez

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*ATENÇÃO: esse conto contem trechos de VIOLÊNCIA EXTREMA, se você for uma pessoa sensível ou facilmente impressionável não recomendamos que leia o texto a seguir. Lembramos que o Blog assim como o autor desse texto não compactuam com qualquer tipo de violência ou abuso. Essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com situações reais ou pessoas vivas ou mortas é uma infortuna coincidência.

“Para o mestre H.P. Lovecraft, obrigado por toda insanidade e horror.”

O som de tambores enchiam a noite junto aos gritos de prazer e luxuria exacerbada da orgia que se seguia nas ruínas de uma antiga casa de colonizadores, localizada em um dos pântanos de Carcosa. O odor fétido da água enchia as narinas da jovem amarrada a uma viga no centro da construção derribada, bem como os odores de suor e inúmeras outras secreções humanas que haviam sido despejadas no corpo dela.

Sombras demoníacas dançavam nas paredes projetadas pelo crepitar das sete fogueiras acesas ao seu redor, mas não havia ninguém dançando. As sombras não eram de ninguém.

Não importava o quanto fechasse os olhos para tentar não ver o horror ao seu redor, o horror retornava a ela. Ela os fechava e os espremia ao ponto de acreditar que poderia esmagá-los com tanta força, mas as imagens de todos aqueles homens violando-a de todas as formas possíveis, formas que ela se quer podia imaginar antes daquela noite, voltavam como um filme torturante em sua mente. Então ela os abria novamente em meio a lágrimas para ver os mesmos homens ainda ali, agora participando de uma orgia com inúmeras mulheres, as mesmas mulheres que riam dela, jogavam coisas e a espancavam enquanto ela era brutalizada.

A cacofonia seguia, a jovem lutava para manter o mínimo de sanidade em meio a toda a loucura e perversão daquele lugar. Já havia tentado se virar e olhar para trás de si, mas a posição de seu corpo não permitia isso. Ela estava sentada nua sobre a pedra fria e molhada com água podre, sangue, sêmen, fezes e urina. Só deus, se existisse algo assim, saberia o que mais tinha ali. Seus pés latejavam, eles haviam quebrado os tornozelos dela com marretadas assim que a trouxeram para que não escapasse, depois foi a vez de inutilizar os braços que estavam amarrados pra cima presos em um gancho na viga. As marretas nos ombros foram ainda piores, o som dos ossos se partindo dentro dela ainda estavam vividos, a dor era contínua, e cada vez que alguém abusava de seu corpo era com brutalidade indescritível, a dor se espalhava a cada estocada dentro dela, seus pés balançando quebrados lançando rajadas de desespero pelo corpo, os ombros que praticamente estava presos apenas pela carne eram a pior parte, os ossos quebrados raspavam em nervos enviando choques por todo seu corpo, e ela gritava a todo instante enquanto se serviam da carne dela. E eles riam se deleitando em seu sofrimento.

A luz de uma das fogueiras se escureceu quando um homem entrou na frente dela e parou em pé ao seu lado. A garota o olhou segurando o choro, foi ele quem havia quebrado seu corpo. De todos que a violaram ele era o mais brutal, o que mais a machucara. Todos ali usavam máscaras, algo meio tribal com uma mistura de culturas, mas no geral elas lhe lembravam a carranca de demônios. Não interessava quem usava a máscara, era isso que eles eram, não passavam de demônios mas a máscara dele chamava mais a atenção, era vermelha e possuía grandes chifres.

– Por favor, já chega. – sussurrou ela em meio a um choro comprimido.

– Ah, querida. Não fique assim, eu sei que você gostou dele, não gostou? – sentenciou o mascarado com sarcasmo enquanto tocava o membro rígido ao lado dela, observando seu corpo indefeso.

Ele se posicionou ele as pernas da jovem e levantou com violência no ar para em seguida penetrá-la com brutalidade a fazendo soltar um grito mais alto que qualquer outro som.

– Oh desculpe, amor. Buraco errado, mas já que estamos aqui…

Ele começou a violá-la com brutalidade até que os tambores pararam e alguém o puxou para trás liberando seu corpo do dela, ele soltou ela que caiu com um baque violento chão fazendo-a gritar de forma ensurdecedora novamente devido aos ombros e tornozelos quebrados.

– Já chega, irmão. Ela já sentiu o horror e o desespero suficientes. Agora vamos ao último passo de nosso sagrado ritual. Tragam o cordeiro! – gritou o homem que parecia ser o líder deles, sua máscara era feita com um crânio humano.

E foi nesse ponto que o mundo dela terminou. Quando trouxeram seu irmão Joshua para a frente dela.

– Ele é só uma criança seus malditos! – a fúria suprimiu o medo e a dor, ela queria matá-los, queria matar todos eles. Não havia mais espaço para culpa ou autopiedade, Joshua tinha apenas 9 anos, ele precisava ser salvo – Soltem ele, seus filhos da puta! Desgraçados! É só uma criança!

Ela movia seu corpo para frente o melhor que podia, ignorando a dor, ignorando qualquer coisa, ela estava furiosa, estava desesperada, ela precisava salvar seu irmão daqueles monstros.

– Observem meus amigos, o ódio… o nosso ingrediente final.

Todos riram em um coro depravado. A jovem continuava a se debater, lágrimas vertiam da face maculada dela, no fundo ela sabia que não podia impedir, ela tinha ciência do destino trágico que se aproximava para ambos, mas ela tinha de tentar lutar, mesmo sabendo que não conseguiria, ela devia isso a ele, devia isso a si mesma.

O líder ergueu um punhal aos céus, e recitou palavras obscuras e profanas que ela não entendeu, era uma oração estranha e perversa em um idioma áspero e arcaico, mais antigo que o nosso mundo. Os pulmões dele se encheram uma última vez ao término da palavras para gritar com toda a sua força.

– Venha até nós, oh rei oculto! Rei de Carcosa!

A lâmina desceu até a garganta do menino, o mundo pareceu ficar em suspensão para a garota ela gritou, gritou com toda a força que tinha, com toda a fúria, mas não conseguiu ouvir sua própria voz. Apenas esmoreceu quando o punhal abriu a garganta do irmão de um lado a outro. Aquele era o fim, não havia mais motivos pra lutar.

O homem da máscara vermelha aparou o sangue do menino em uma vasilha de madeira de modo sacro. Ninguém falou nada, a noite estava suspensa no ar, presa entre as dimensões, ninguém os interromperia agora. Nada podia pará-los.

– Tragam a oferenda. – sentenciou o líder.

Eles a soltaram e a arrastaram até ele, segurarão-a de joelhos diante do padre negro e apertaram suas narinas fazendo força para deixar a boca dela aberta, o homem da máscara vermelha riu de modo baixo a derramar o sangue da criança dentro da boca aberta da irmã.

Ela se afogou no quente líquido carmesim que a invadia bebendo-o em enormes goles. Eventualmente ela conseguia cuspir enquanto se debatia, as vezes expelindo o sangue pelo nariz quando se afogava.

– Soltem-na. – sentenciou o sacerdote se virando e adentrando as águas podres do pântano até os joelhos.

Ele fez outra prece profana mas dessa vez todos o acompanharam em uma solenidade macabra, eles a repetiram inúmeras vezes a exaustão.

Então as águas turvas se agitaram… formando um redemoinho, uma mítica e profana conjuração, tecendo espirais na realidade.

Em frente a ruína em um único ponto bolhas subiam a superfície de modo incessante. A temperatura ficou congelante, embora a água do pântano parecesse ferver. A garota nua se encolheu no chão como pode enquanto sua visão se turvava.

Das águas se ergueu uma figura humanoide pavorosa, tão horrenda que não caberia em palavras humanas. Todos caíram de joelhos diante do ser que solenemente saia das águas passando ao lado do sacerdote negro sem lhe dar atenção.

– Mestre! Senhor! Bem-vindo ao nosso mundo! –Gritou o padre negro se ajoelhando dentro da água ficando com essa na altura do pescoço.

O ser o olhou com desprezo, todos estavam atônitos de mais para verem quando tentáculos negros se enrolaram no crânio do líder o esmagando e levando para debaixo das águas pantanosas.

– Ah, sim… – a voz do ser ecoou pelo local – …essa servirá, eu sei exatamente o que fazer.

Todos observaram quando a entidade abraçou o corpo da jovem que desfalecia e beijou sua boca. Tentáculos invadiram a garganta dela a sufocando, ela já não tinha mais forças para lutar simplesmente se deixou esmorecer, se deixou levar para as sombras, ela só queria que aquilo terminasse.

As longas garras se enterraram na carne dela fazendo curvas adentro de seu corpo enquanto a criatura agarrava suas costelas diretamente nos ossos e a beijava de forma furiosa arrancando pedaços inteiros do rosto dela, enquanto tentáculos negros surgiam ao longo do corpo dele e mergulhavam no dela por todos os orifícios que encontravam.

Por fim o ser estremeceu e soltou um gemido baixo como se tivesse atingido seu êxtase profano ao violar o corpo da garota, os tentáculos a deixaram em paz e ele deitou o corpo dela de modo suave no solo. E finalmente sussurrou em seu ouvido, que sangrava depois de ser igualmente violado pela criatura e seus apêndices.

– Izuur.atakar.Bellur.ift.Gah.Sur.Nah.Ot.Fur.Lash.Mokur.Dinakss. Venha para mim… erga-se Lithurielle…

Os olhos da jovem se abriram e ela se sentou olhando ao redor.

Os cultistas embascados observavam o poder profano da criatura, os ferimentos da jovem lentamente se fechavam, e a carne voltava a sua face. Um tom pungente de vermelho inundou seus cabelos como se sangue invisível escorresse da raiz até as pontas dos fios. Estalos de ossos encheram a noite enquanto o corpo dela se regenerava primeiro um pé, depois o outro. E ela se levantou olhando ao redor. Os ruídos se seguiam conforme os ombros dela se moviam internamente reconstruindo cada ligamento e nervo rompido.

– Você. – o ser apontou para uma mulher dentre os cultistas – venha criança.

A mulher se aproximou e a jovem retirou dela sua máscara. Para em seguida a beijar de forma ardente, a mulher retribuiu.

– Tão macia, tão quente – a jovem lambeu o pescoço da mulher – tão saborosa…

Os dentes dela se enterraram na garganta da mulher que gritou por alguns segundos até que Lithurielle com uma força sobre humana arrancou sua cabeça fora a erguendo para derramar o sangue direto em sua boca e mordiscar a carne dela próxima ao osso da coluna.

A cabeça com uma expressão de horror caiu no chão em seguida rolando até os pés dos cultistas agora acuados em um canto completamente apavorados com a cena.

– O que? Não estão se divertindo agora? – os olhos dela estavam infusionados de loucura, de ódio e de alguma coisa mais que não poderia lhes explicar.

O ser ficou ao lado dela e pôs a mão em seu ombro.

– Bem-vinda de volta, e bem-vinda pela primeira vez.

A ruiva sorriu.

– Existem quantos deles?

– Bilhões…

Os olhos da garota estavam vidrados nos cultistas que agora estavam ajoelhados implorando alguma ajuda divina.

– Isso vai ser bom, sabe pai… eu estou faminta.

– Bom banquete. – a entidade se virou e retornou as águas.

– Bem, qual de vocês quer uma festa? – o fogo crepitou se se tornou fátuo, em um tom azul-marinho quando a sombra da jovem que havia sido abusada por toda a noite se transformou em outra coisa, algo inominável. Os gritos de desespero aumentavam a cada som de mordida, a cada membro arrancado, a cada cultista partido ao meio se afogando em sangue enquanto de abraçava aos intestinos que vazavam excrementos pelo chão enquanto a outra metade do corpo sofria espasmos a meio metro de distância. Unhas longas e bem cuidadas rasparam nas pedras e foram arrancadas quando a garota puxou outra mulher em direção as sombras para em seguida ser empalada por algo que penetrou seu anus com violência e saiu em sua garganta de forma tão rápida que ela ainda ficaria viva por algum tempo desse modo até morrer em agonia.

E então tudo ficou em silêncio.

Só haviam corpos mutilados e semi-devorados espalhados por todos os lados da ruína. E um choro baixo, um homem com uma máscara vermelha com longos chifres se urinava encolhido em um canto. Ele levantou o rosto e via a garota o encarando com um sorriso no rosto e um brilho infernal nos olhos.

– Então, você é bonitão sabe? – ela começou a se aproximar de forma lenta, passo por passo, saboreando o momento – Não quer me foder?

– Não! Fique longe! Deus, meu deus…

– Ahh, se cansou desse corpo? Ele não é bonito, não é sexy? Você não me acha sexy?

– Sim.. você é. É muito linda é muito Sexy, mas eu não quero…

– ah.. entendo. Bem é uma pena, mas sabe, cara, eu estou a festa toda te olhando, a noite toda, e eu disse pra mim mesma. Com esse cara, – ela apontou pra ele sorrindo – ahhh com esse eu vou foder.

Tentáculos negros surgiram da escuridão arrancando os braços e pernas dele derrubando-o sobre sangue urina excrementos que cobriam chão, e sabe deus o que mais, se existisse algo como um deus…

Lithurielle ergueu os braços dançando de forma sensual ao som de uma música que só ela parecia ouvir, dando lentos e ritmados passos na direção dele conforme requebrava com seu corpo perfeito. A cada passo o desespero do homem aumentava.

Ela se aproximou montando no homem que chorava.

– Não fique assim, eu sei que você gostou de mim… –

Ele conseguiu visualizar um único tentáculo negro solitário da grossura de um dos braços dela deslizou suavemente pelo peito até sumir de sua visão. E então ele urrou de dor, quando seu corpo começou a ser violado.

Ela segurou seu rosto e olhou dentro dos olhos dele para dizer com um sorriso no rosto.

– Ops, buraco errado.

Gritos de dor e desespero encheram a noite assim como gargalhadas as vezes humanas, as vezes de algo mais. E assim se seguiu por horas até próximo do dia amanhecer.

Antes que os primeiros raios de sol tocassem a terra, uma bela jovem ruiva desapareceu  cantarolando entre as árvores.