Dark Horse [Pt.1] – Jeff

Esse conto foi baseado na letra da música Dark Horse, da cantora Katy Perry com Juicy J.

Escrito por Gabi Waleska.

conto

M.A.R High School, sala de aula do terceiro ano “B”.

Jeff chegou do almoço e encontrou o seguinte recado, em um bilhete de papel, na mesa.

Sou um pouco quieta, e você sabe muito bem que sempre olhei pra você. Mas meu coração é meu, e escolhi dar a você meus sentimentos, por isso preste bastante atenção no que faço e no que digo.
Ass. Katy, 09 de março de 2015.

Ficou indignado, “Katy era a garota mais esquisita da sala!” pensou, “Mas era bonita… Ninguém sabia qual era a dela, toda esquisitona, vestida de preto, ouvindo rock – não que nenhum de nós não curtimos nas festas -, mas junto ao estilo dela… Há quem a chame de bruxa!” Não sabia o que pensar, ou o que fazer…

No dia seguinte a convidou para almoçar juntos, ela parecia radiante, e até corada. Conversaram sobre as aulas, sobre os professores, mas toda pergunta feita sobre sua vida pessoal era esquivada, jamais revelando algo sobre sua vida. Ele estava frustrado, esperava descobrir se ela era mesmo louca ou bruxa neste almoço.
Porém, de perto, podia ver que a beleza dela era, de alguma forma natural, fora uma pintura preta ao redor dos olhos – lápis de olho, ele não sabia a diferença – e um batom escuro, sua pele era perfeita, sem base, ou pó, ou seja lá o que outras garotas utilizavam no rosto. O cabelo era tão brilhante e saudável, preto, sem pinturas. 

Não acredito que tem um avião desses escondido por trás de um estilo esquisito.“, pensou, quando ela levantou para ir buscar um suco, ele viu a silhueta de seu corpo, contornado pela calça.”Talvez esteja fazendo mistério para me conquistar.“, constatou. E quando Katy voltou para a mesa, Jeff já estava disposto a ficar com ela, primeiramente para aproveitar aquele corpinho e, quem sabe, descobrir algo sobre a vida dela.

E assim foi, almoçaram mais três dias juntos. Saíram para ver um filme no fim de semana, e Jeff aproveitou esse encontro para beijá-la. Incrivelmente ela não parecia inexperiente, beijava tão bem que ele ficava zonzo, não queria parar e começou a se assustar, acreditando que estava começando a ficar mesmo a fim dela.
No fim de semana seguinte ele a levou ao mirante, pensando em como ficaram juntos a semana inteira, os beijos cada vez mais quentes – suas calças literalmente ferviam quando davam amaços! – e já tinha planejado a noite toda.

Sua surpresa foi total quando ela correspondeu aos beijos e permitiu os avanços, na verdade agia com tanta tranquilidade que parecia já ter feito aquilo antes. Ofegante sim, mas nervosa, não. E foi.. mágico. Jeff não encontrou outra palavra para descrever o encontro de seu corpo com o dela. O perfume de sua pele era algo como canela, cravos e rosas, doce e embriagante, que o fazia querer mais.

Passou-se um mês de encontros fulgurosos, paixão e luxúria nutriam o que ele sentia por ela, ou ele dizia quem nutriam, para não admitir que houvesse um fascínio pelo mistério de quem ela era. E, por falar nisto, ainda não descobrira nada sobre a vida pessoal. Seus encontros sempre eram na casa dele ou no mirante, numa festa ou cinema. Nunca na casa dela.

Decidiu então dar outro passo. Em uma noite de sábado, no mirante, em meio ao sexo, disse que gostaria de oficializar o namoro, que iria falar com seu pai no dia seguinte. E assim o fez, finalmente chegou a sua casa, bem comum, primeiro andar, jardim na frente, cerca de madeira, pintura branca. Jeff achou bastante bonita a casa. Dentro havia certo luxo. Lareira, tapete felpudo, sala de jantar à esquerda, com uma mesa para 6. Primeira surpresa, apenas sua mãe o aguardava. Segunda, o pai dela havia falecido há alguns anos.

Terceira surpresa: de alguma forma a sua mãe parecia tanto com ela que poderiam ser irmãs. Era tão bonita quanto a filha e parecia ser bem jovem. Seu olhar era sinistro e a voz parecia que o ordenava a falar e concordar, e por mais que houvesse se arrependido do pedido, não conseguia recuar após ouvir a hipnotizante voz da Sra. Perry.

Após a concessão, subiram ao primeiro andar, para o quarto da Katy. Ele ainda suava frio com a sensação que aquela mulher lhe passou. Era como se os olhos azuis dela o vigiassem de cada parede. Ele precisava terminar isso e nunca mais voltar ali.

Seu quarto era escuro, cortinas pesadas o deixavam na penumbra. Um cheiro de incenso exalava de algum lugar do quarto. Havia também uma vela vermelha acesa sobre uma escrivaninha, num canto do quarto. Arrepios subiram por sua espinha quando olhou para aquele local. Mas naquele momento Katy o queria. Ele não a desejava agora, não naquela casa, não depois da conversa com sua mãe, mas como negar quando sentia o perfume dela embriagando o ar?

Desta vez foi diferente. Parecia que estava absorto em um torpor. Será que ela o drogara? Mas não haviam comido nada! Ela o usou, e não o contrário. Aproveitou de cada parte do corpo dele, com desejo e com ardor. Jeff não queria mais, mas ao mesmo tempo permitia que ela fizesse o que queria. E no meio do torpor, o rosto da garota sorridente, por um milésimo de segundo, parecia uma caveira.

Em casa, mais tarde, exausto e sem energia alguma, ele refletiu sobre o ocorrido e concluiu que tanto a garota, quanto a mãe eram bruxas. Eram mulheres perigosas e que usavam homens sob seu poder para de alguma forma fazer feitiçarias. Ele não a queria, sabia agora e quase foi longe demais.

Decidido a terminar tudo, no dia seguinte, sentou-se longe dela no almoço e quando ela tentou sentar perto dele, informou que precisava conversar com seus amigos naquele dia. Ela estagnou e continuou o encarando. Um arrepio subiu por sua coluna, e ele não se atreveu a olhar para ela.

– Pode me dar licença, Katy? Privacidade para discutir um assunto com meus amigos? – falou com grosseria.

– Não seja grosso comigo, Jeff! O que você teria para falar a eles, que não poderia me dizer? – Ela retrucou e isso foi a gota d’água.

– Quero contar para eles que não quero mais comer você, sua bruxa esquisita! Sua casa dá arrepios e seu quarto parece um túmulo! – cuspiu as palavras para ela, vendo-a encher os olhos de lágrimas e sair correndo enquanto metade da cantina começava a rir da humilhação passada.

Suspirou aliviado e sentou-se, recebendo tapinhas de parabéns de seus amigos, que adoraram ver a garota estranha levar um fora. Ele voltou para a sala aliviado, quando encontrou um papel dobrado sobre sua carteira.

Você tentou me ridicularizar! Que coisa feia… Acho que terei que te castigar. Rindo de mim na frente de todos, como se você não adorasse meu estilo! Estou avisando, que se você fizer novamente, não responderei por mim. Você não me quer como inimiga!

Jeff ignorou o bilhete, mesmo tendo ficado com medo. “O que ela poderia fazer?“, pensou. Ficou tenso o resto do dia, mas nada aconteceu. Passaram-se mais alguns dias e tudo permaneceu calmo. Ele começou a relaxar. Ela apenas olhava para ele de longe, mas era o mais silenciosa e discreta possível. Já fazia tempo, Jeff começou a sair com Jane, da sua mesma sala, e foi duas semanas depois, em uma sexta feira, que ele encontrou um buque de rosas vermelhas em seu armário.

Não havia recado, não havia nome, apenas aquele buquê vistoso e brilhante que Jeff não hesitou em dar a Jane, que ao cheirá-lo ficou inebriada com o perfume. Quando foram para a casa dela, ela estava louca para tê-lo e foram direto para o quarto. Jeff adorou esse momento ousado, porém, quando ambos estavam próximos do êxtase, algo aconteceu.

Jane começou a rir, um riso histérico, diferente, uma expressão estranha surgiu em seus olhos, como se estivesse louca, todos os dentes de fora, a entonação do seu riso descontrolado era medonho. Jeff tentou tirá-la de cima de si, mas Jane o prendia sob seu corpo com uma força incrível. Ele começou a ficar assustado, a doce garota de cedo havia perdido a sanidade!

Jane começou a se mover sobre ele, como se fizesse uma dança, falando um idioma estranho. Sua face se tornou um esqueleto, e sangue escorreu das órbitas negras. Esse sangue pingou sobre o peito de Jeff e quando olhou novamente para ela, era seu rosto novamente, mas chorava sangue.

Com um grito ele a empurrou de cima de si, ela caiu inconsciente no chão e bateu a cabeça com força. Jeff vestiu as calças e o casaco às pressas e saiu ainda descalço, abandonando o corpo inerte da namorada, sem se importar em verificar se ela estava bem.

No dia seguinte Jane estava com olheiras terríveis, disse não lembrar de nada, mas parecia mais pálida que o normal, silenciosa e de alguma forma misteriosa. E Katy passou por eles com um sorriso no canto dos lábios. O que o levou a crer que ela tinha algo com isso.

Jeff não sabia, mal imaginava a vingança que Katy tinha para ele.

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Continua…

 

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