Alma em Sombras… [+18]

AES

Por Lillithy Orleander

 

Ela batia a cabeça na parede acolchoada, presa a camisa de força de maneira ritmada, como quem contasse as batidas do relógio. O sorriso macabro começava a ganhar forma, e os lábios manchados de sangue deixavam a vista o mal que estava prestes a ressurgir e se apoderar dela.

Ela pediu para morrer, mas ninguém deixou…

3

Era apenas mais um dia comum, a casa de veraneio acabara de ser comprada, como se fosse a realização de um sonho.

Os longos cabelos ruivos esvoaçavam ao sabor da brisa que soprava por entre as arvores, enquanto ela descia do carro e tirava o óculos para olhar melhor a residência.

Lilly tinha em mente o inicio de uma nova vida.

Fazia dias desde que a última visita ao médico ocorrerá e ela realmente achou ser somente alucinações como lhe disserá o mesmo, os remédios estavam fazendo efeito e novos ares a fariam esquecer melhor o seu passado.

Seu passado…

Era noite ela ainda se lembrava com clareza, assistia um filme qualquer que passava na televisão, mas sua cabeça estava no término do namoro, no fracasso com a faculdade e na cobrança dos pais. Sua vida era medíocre, se não um inferno em terra.

– Eu venderia minha alma… – disse ela sem pensar no teor de suas palavras.

As luzes piscaram e de seu quarto ouviu – se um barulho arrastado como se algo andasse por lá.

Lilly nem se importou, dormiu ali mesmo e durante a noite sonhou…

A floresta estava banhada em pequenas gotas de água que formavam uma cortina perfeita com as samambaias que ali faziam morada.

Ela caminhou pelo o que pareceu horas sem chegar a lugar algum, até avistar a pequena casa branca com janela de vidro liso.

Ela bateu a porta e esta se abriu suave, sem rangidos. Haviam potes e mais potes de vidro com algumas plantas dentro, algumas pareciam vivas, outras abandonadas a própria sorte.

– Vejo que você achou o caminho, moça. – disse o velho macerando ervas no pilão. – a que devo a honra de tal visita?

– Desculpe, mas onde estou? – perguntou ela, sentindo os pelos de seus braços se eriçarem.

– Ora Lilly, você disse o que faria, se achou o caminho é por que deseja realmente o que proferiu para si.

Ela não se recordava, ele aproximou – se dela e lhe estendeu o pilão. Um líquido avermelhado parecia ferver ali dentro.

Lilly olhava hipnotizada e colocou a ponta dos dedos no líquido, o sangue vermelho escorreu pela palma de sua mão e queimou – lhe parte do pulso, o que a fez gritar e sair correndo de perto do homem.

– Tarde demais, minha cara. Tarde demais. – disse ele desparecendo de sua vista, enquanto ela corria porta afora derrubando parte dos potes que encontrou em seu caminho.

Lilly acordou suada, ainda era madrugada, o medo apertou seu coração, olhou para o braço que queimará no sonho e viu três pequenos filetes de sangue no pulso e se apavorou ao ver o vulto parado na janela.

– Lilly, está feito minha querida. – o rapaz de cavanhaque  bem feito e terno preto alinhado á olhava com seus olhos vermelhos. – Eu logo mais virei buscar o que quero, aproveite a parte de seu trato.

E sumiu no ar feito fumaça.

– O que foi que eu fiz… – perguntou ela a si mesma.

3

O lugar era deserto. Não tinha vizinhos, nem animais, nem conhecidos. Apenas ela e o silêncio,por único companheiro, ela não precisava se esconder mais de nada, viveria em paz os anos que lhe restavam.

A noite escura se aproximava, não havia Lua no céu e Lilly ainda guardava algumas coisas em seus devidos lugares. O cabelo preso em um coque e a camisa xadrez lhe conferiam um ar de dona de casa simples do campo.

O frio que subiu em sua coluna fez com que ela se levantasse de repente, sentindo um mal presságio e fosse trancar a porta e as janelas, que ao seu toque começaram a tremer violentamente.

– Lilly! – cantou um sussurro com voz masculina.

– Não! Vai embora! Eu não quero! – gritava ela aterrorizada, abraçando o próprio corpo.

– Lilly! – a voz agora sussurrava em seu ouvido. – você prometeu.

O corpo dela ficou estático, enquanto mãos que saiam do canto escuro atrás dela a puxavam, marcando – lhe os braços.

– Eu quero você, Lilly! – ele beijou o pescoço dela e o mordeu. – Minha garota.

O sangue correu, manchando a roupa, enquanto as mãos dele percorriam seu corpo voluptuosamente, Lilly era agora uma marionete.

– Davon, por favor… – a voz dela morreu antes que ela desfalecesse e o ser se apoderasse de seu corpo.

– Trato é trato, Lilly…

O corpo saiu porta afora, em direção ao carro, que ganhou rapidamente velocidade, buscando avidamente as vítimas perfeitas.

Eles sorriam em um banco de praça, enquanto a moça suja de sangue gritava por socorro, ninguém se negou a ajudar, nem eles se negariam.

Lilly foi levada até a casa do casal, chorando lágrimas falsas, tomando um falso banho. Detentora de uma força descomunal, atacou a moça primeiro e seguiu em direção ao homem.

Lilly ouvia os gritos em sua cabeça. Suas mãos seguravam com força o homem alto e atlético, que ela esfarelava o crânio na parede, ele parecia um boneco, mas ela precisava de mais, ela sentia o veneno correndo em suas veias, e sua face mantinha vivo um sorriso de orelha á orelha, como se sentisse prazer.

A vítima seguinte, estava jogada no chão, com as pernas quebradas, entre lágrimas e gritos era uma moça, estrangulou – a e sorriu ao ver a cena como se fosse sua diversão favorita, Lilly tentava se controlar, mas não conseguia, ela via nitidamente suas mãos se apertarem mais ao redor daquele pescoço, que agora partia como um palito.

A cabeça arremessada na pia de mármore banhava o chão de sangue escuro.

Lilly procurou um martelo pacientemente por toda casa, quando voltou a cozinha da casa, arrastou os corpos e sentou – se na bancada.

Ela esmagava o restante das cabeças com o martelo, fazendo com que voasse vários pedacinhos do cérebro pelo espaço em que estava.

Os pedaços macios eram mastigados com prazer, enquanto em uma das mãos segurava um braço arrancado e pendurado.

Lilly acordou na manhã seguinte em meio ao banho de sangue, onde parecia que ela era a causa de tudo aquilo. Tentou fugir, mas sabia que não seria possível.

Afinal de contas não era a primeira vez que matava pessoas daquele jeito e se escondia fingindo que nada acontecerá…

3

 

– Você irá mata – los para mim. Eu tomarei seu corpo quando sentir fome e ninguém poderá mata – lá. – disse o rapaz. – Você assinou seu trato Lilly, agora cumpra – o devidamente.

– Por favor, não! Por favor! – disse ela em meio aos prantos depois de ver que em seu dia tudo havia dado certo, e ela conseguirá tudo o que sempre quis.

– Davon, meu nome é Davon…

Lilly fora presa e diagnosticada com múltiplas personalidade e algum distúrbio estranho que a fazia atacar e degustar as pessoas.

Com um mês internada em clínica psiquiátrica,  ela tentou suicídio, a noite sem Lua se aproximava e com ela o mal ressurgiria.

A cabeça dela ainda batia na parede acolchoada, esperando a noite cair para se libertar…

 

FIM?

.

 

2 comentários em “Alma em Sombras… [+18]

  1. Adoro quando você escreve coisas desse tipo… Já tinha lido antes e li de novo! Cenas fortes e interessantes de se ler ao mesmo tempo, pelo modo que vc conduz. Loucura, loucura, loucura! Amo!

    Curtido por 1 pessoa

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