A Dama de Fogo (Final) – Dama da Meia-noite

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A Dama de Fogo – Capítulo 8 (Final)

Dama da Meia-noite

Escrito por: Morgana Owl.

Brigith fora obrigada a passar mais tempo do que desejara longe da sua vida. Afastara-se de tudo e todos, ficara vivendo apenas das coisas que a floresta lhe cedia. Vez ou outra o padre Dom lhe trazia mantimentos e uma palavra amiga. Ele não poderia fazer nada além disso, não poderia levantar suspeitas. Sempre que ia visitar Brigith na floresta, ele dizia aos seus superiores que precisava ir a um vilarejo próximo, ajudar uma família carente.

A cada visita do padre, Brigith agia de maneira meio animalesca em busca dos alimentos que ele lhe trazia. Na floresta os alimentos eram escassos, itens de higiene pessoal eram raros, ela economizava ao máximo cada coisa para durar muito. Era sempre um alívio quando ouvia o assobio longínquo do padre.

Sua mãe lhe dissera em seu último sonho que o dia do “juízo final” estaria chegando, faltava pouco para ela se libertar daquela sentença que lhe foi dada por Eileen. Depois de longos cinco anos, ela mal podia conter os pensamentos ansiosos que tinha, desejara de todo o coração, todas as noites, poder olhar seu filho Edward mais uma vez, ver como ele cresceu… abraçar seu amado Arthur, sentir-se amada… tantos devaneios em meio aquele caos, parecia mentira que tudo iria acabar em breve.

 

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Em um entardecer, o padre Dom aparecera na caverna de Brigith, surpreendendo-a, ela estava terminando de cortar uma carne de caça para pôr na fogueira e alimentar-se durante a noite. O padre dissera a ela que havia visto sua mãe, não dormindo, mas acordado. Ela o procurou para dizer que era chegada a hora, que ele deveria vir aqui e prepara-la para o confronto final. Trouxera-lhe alimentos para que se fortalecesse, seria uma longa noite…

– Padre, o senhor pode me explicar por que será uma longa noite? – Brigith ansiava por uma libertação.

– Na hora você irá saber, sua mãe apenas pediu para você manter-se forte. As pessoas no vilarejo não comentam mais sobre o ocorrido na casa dos seus tios. Depois do novo Rei assumir, ficou proibido julgar pessoas por prática de magia negra. Ele não aceita mais nenhum tipo de “prova” de que praticam tal coisa. Nosso novo rei é cético quanto a isso. Ou seja, todas as pessoas, especialmente mulheres, que foram condenadas e presos por prática de bruxaria, já foram soltas e encaminhadas para outros vilarejos para recomeçar a vida. Algumas pessoas ainda cismam em acreditar em bruxaria e todo esse blablabla acerca de mulheres que vivem da natureza, fazem remédios e etc – Fizera uma breve pausa – O fato é, minha cara, você está livre. A Lua cheia será o seu sinal! Aguarde! Não posso passar muito tempo aqui, estou muitíssimo ocupado com um casamento… fiz o que pude para te avisar, de agora em diante, é com você! – O padre dera um beijo na testa de Brigith e abençoara-a.

Brigith ficara ali sentada, feito uma estátua, pensando em tudo o que ouvira e todas as oportunidades que apareceriam em sua vida agora. Ela finalmente estava livre de todo aquele martírio, solidão, que sua “irmã” a fizera passar durante longos anos. Nada na vida poderia ser pior que passar anos longe de seu filho sem ao menos dizer adeus, volto logo, nada. Ao imaginar que agora tudo seria diferente, que veria finalmente seu filho, poderia cria-lo a sua maneira, fizera com que Brigith tivesse um choque de realidade e chorara bastante, com todo a tristeza de sua alma. Ela queria pôr para fora toda sua tristeza e melancolia acumulada, a partir daquela noite, ela seria uma pessoa diferente, ela não estaria mais sozinha.

 

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Arthur estava sentado na varanda apreciando o pôr do sol. Cada dia que passava, ele imaginava Brigith correndo para seus braços, abrindo aquele portão da fazenda… durante todos esses anos, não passara um dia em que ele não pensasse em Brigith e odiasse o fato de ter que se deitar com Eileen para fingir que a amava. Ele nunca a amou, nunca a amaria.

Ele sempre contava para o pequeno Edward, agora com 5 anos, que sua mãe viria de encontro a ele algum dia, que Eileen não era sua verdadeira mãe, era apenas sua tia. O pequeno Edward amava as histórias que Arthur contava para ele sobre sua mãe, de como ela era uma heroína. Não uma bruxa como Eileen falava sempre para o pequeno. Às vezes quando ela estava em crise, xingava o menino e xingava sua mãe, logo o pequeno Ed já retrucava dizendo que sua mãe era uma heroína e não uma mulher má, que a única pessoa má ali era Eileen. Ela ficava furiosa. Tivera um dia que ela tentara desferir um tapa na face do pequeno e fora segurada por Arthur, que a avisara: Se você encostar um dedo no meu filho, mato-a. As palavras de Arthur eram como ordens no ouvido de Eileen. Ela ainda continuava com o gênio forte, xingando a torto e a direito, porém, nunca mais ameaçou bater no menino.

 

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A vida de Eileen não mudara quase nada esses anos, continuava a mesma menina egocêntrica de anos atrás. Vaidosa que só ela, deixava de fazer qualquer coisa para ficar horas e horas em um novo salão de beleza que abrira no vilarejo. Dando assim, mais tempo para Arthur respirar longe daquela mulher vazia de sentimentos.

Finalmente havia anoitecido, ele sentira que era uma noite diferente, não soubera explicar porquê. Havia se preparado para deitar e ouvira a carruagem de Eileen chegar a casa. Tinham dias que ela chegava tarde em casa, ficava horas naquele salão arrumando qualquer coisa de si. O pequeno Ed já estava deitado dormindo.

Eileen adentrara ao quarto, toda escandalosa, esbanjando seu novo corte de cabelo, falara mil coisas que Arthur preferira não entender, apenas concordar. Olhara para fora e vira aquela linda lua cheia no topo do céu, refletindo no lago… sentiu um arrepio e percebera que Eileen também sentira. Ela correra e fechara a janela:

– Argh, que sentimento péssimo, meu dia foi ótimo. Não quero ver essa lua melancólica para estraga-lo. – Eileen falara e fechara as janelas e cortinas ao mesmo tempo.

– Você que sabe. – Dissera Arthur e virara-se para o lado, fechando os olhos

– Amor! Não durma agora. Quero você! – Eileen sentara-se ao lado de Arthur na cama e dera-lhe um beijo.

– Desculpa, Eileen, mas hoje não dá. Acordarei muito cedo e preciso de forças para fazer as tarefas de amanhã que são pesadas, deixa para depois. – Arthur virara-se para o outro lado, negando qualquer investida de Eileen, que ficara furiosa e saíra batendo a porta.

Eileen correra furiosa para a varanda de baixo, em quantos anos Arthur deixaria de amar Brigith e pararia de negá-la? Depois de todos esses anos ela não voltaria, Eileen poderia jurar. Ledo engano. Ela avistou no topo da colina, em baixo da Lua cheia, uma figura animal que parecia saudar a Lua. Logo em seguida soltara um uivo que estremecera Eileen por inteira. Logo ela correra para dentro e trancara a porta, e ao olhar pela janela, o lobo já estava na varanda, encarando-a. Eileen dera um pulo para trás, como esse animal poderia ser tão abusado? – pensou.

O lobo ficou estático durante alguns segundos, parecera que estava pensando em algo, logo, o estrondo aterrorizante na porta. O lobo havia entrado, quebrou toda a porta da frente e um pouco da parede, tamanha sua força.

Eileen tentara correr para a escada, mas o lobo fora muito mais rápido que ela e a empurrara para o lado, ela caíra no chão e batera com a cabeça em um móvel, ficando desacordada. Não se sabe por quanto tempo ela ficara desmaiada, mas ao acordar, percebera que o lobo estava sentado em sua frente, encarando-a.

– Sai daqui seu pulguento! – Esbravejara Eileen.

– Não vou a lugar nenhum, querida irmã. – O lobo tomara forma humana, aos poucos, transformara-se em Brigith.

Eileen boquiaberta, não sabia nem o que pensar e muito menos o que dizer:

– Mas, mas, você estava morta! Ninguém a achou em nenhum lugar!

– Enganaram-se! E você irá me pagar tudo o que deve! – Dissera Brigith, enraivecida.

– Você é só uma mulher patética metida a valente, Brigith, sinto muito, mas tudo o que era seu, agora é meu! – Gritara Eileen, e correra para atacar Brigith. Sua mão fora impedida por Arthur, com o pequeno Ed em seus braços.

– Eileen, sua vadia mimada! Acabou! Entregue-se! – Arthur dissera firmemente enquanto tentara olhar para Brigith de soslaio.

– NUNCA! – Gritara Eileen e correra para o andar de cima.

– Vá para um lugar bem longe com o Ed, encontro vocês depois. – Brigith dera um beijo rápido nos seus dois amores e correra para cima atrás de Eileen, transformando-se em lobo mais uma vez.

Eileen estava em seu quarto, armada com um punhal, quando a porta abrira violentamente, sendo arrancada do lugar.

– Acabou, Eileen! – Dissera o Amigo Oculto sentado na cama.

– Não! Nunca! – Eileen Gritara e correra para atacar o lobo, que com uma única mordida, desarmara Eileen e fizera um corte em seu braço. Ela tentara estancar o sangue com um pedaço do seu vestido… – Sua maldita, você nunca será capaz de me matar, você não possui coragem o suficiente…

Eileen enganara-se novamente.

Brigith aprendera durante todos esses anos vivendo na floresta, entre os animais, principalmente em forma de lobo, que, venciam os mais fortes, usando de violência ou não. Com isso, partira para cima de sua rival, mordera com toda sua força, toda sua raiva, toda sua magoa, cada pedaço de sua irmã, ouvira-a gritar, e não se abalara por isso, pelo contrário, sentira uma satisfação enorme por estar acabando com uma pessoa tão ruim e tão egoísta, que fora capaz de estragar sua vida apenas por dinheiro e prazer.

O amigo oculto de Eileen rira enquanto vira a cena de sua morte. Brigith terminara de destruir sua inimiga e sentara-se no chão cansada, voltando a sua forma original.

– Então… acabou, por fim… – Dissera a entidade olhando para Brigith com atenção.

– Acho que sim… – Brigith encarava-o enquanto limpava o sangue da inimiga de seu rosto com as costas da mão.

– Você deveria sair daqui agora, tenho uma dívida a acertar. Fez um bom trabalho para uma amadora. – Ele rira e fizera um sinal para Brigith sair da casa.

Brigith correra para fora, e quando já estava do lado de fora, perto da colina onde estava Arthur e Ed esperando-a, ouviram uma explosão.

A coisa explodiu a casa, apagando qualquer evidência de crime e da existência de Eileen. As chamas lamberam cada centímetro daquele lugar… durante o fogaréu, puderam escutar uns gritos de terror emanando das chamas, provavelmente Eileen pagara o que prometera.

 

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Brigith, por fim, pôde abraçar seu filho depois de muitos anos. O abraço parecera durar horas, o menino reconhecera cada detalhe de sua mãe e ficara ainda mais maravilhado quando vira Brigith em forma de lobo, ela era sim, uma verdadeira heroína.

Depois de um tempo, Brigith retomara os negócios da família e vendera aquela fazenda, que não lhes traziam boas memórias. Compraram uma casa na cidade e puderam enfim, viver como uma família de verdade.

FIM

***

P.s.: Desculpem a demora para concluir o conto, entre indas e vindas, pensei em diversas formas para terminar esta história, mas a que mais me fez feliz foi ver Brigith destruindo quem tentou destruí-la. Sempre gostei de personagens principais forte, e essa é minha favorita. Obrigada a todos que leram e acompanharam a nossa Dama de Fogo e nossa Dama da meia-noite, vocês são demais! ❤

6 comentários em “A Dama de Fogo (Final) – Dama da Meia-noite

  1. E assim terminou nossa aventura…
    Eileen teve o fim que mereceu, mas merecia bem mais, ainda vou esperar uma continuação recheada de atrocidades sofridas por ela no pós-morte rsrs.
    Brigith que mulher, que guerreira, que mãe, que esposa… Linda, poderosa e abrilhantou nossa viagem.
    Arthur, corajoso e bravo esse moço, fingir durante tanto tempo e jamais deixar de amar a mulher, e jamais duvidar dela.
    Morgana, são dois anos e cada novo capitulo, a cada novo conto eu só te vejo crescer menina. Parabéns, te desejo um vasto mundo e que ele se encante com esse teu dom e essa linda magia que tua escrita promove em nós. Gratidão<3

    Curtido por 1 pessoa

    1. O Amigo Oculto dela se encarregará do sofrimento eterno… ahhahaha
      Obrigada Daia, pelo feedback. ❤

      Lembro da primeira vez que te mandei o capítulo 1 para vc ver o que achava e hoje te mandei o último… Mts emoções! :')

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