Tons de Vermelho (Pt. 2) – O Passado Sempre volta [+18]

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Por Mille Meiffield

Eu tinha acabado de sair do banho quando a campainha tocou. Mas será que ele era maluco? Eu pensei que ele não fosse levar aquilo a sério. Transar com ele era ótimo, mas ele era meu chefe.

Deixei a campainha tocar mais uma vez. Gritei que já estava indo, mas ele insistiu na campainha. Me enrolei na toalha e fui atender a porta assim mesmo. Quando a abri fiquei paralisada e sem ar. Não era Hayden, era Alex, um ex-namorado violento que me agrediu há alguns anos antes de eu me mudar para Ohio. Na época eu era uma menina assustada, mas depois que me tornei detetive da inteligência, nada mais podia me amedrontar.

– Alex, o que esta fazendo aqui?

– Chloe eu preciso apenas de um favor seu, e depois eu sumo de vez da sua vida.

– E por que eu o ajudaria?

– Porque eu sei o quanto você me quer longe

– O que você quer?

– Preciso de dois mil dólares para ir para o Texas. Tem uns traficantes na minha cola e eu preciso ir para Dallas o mais rápido possível.

– Como é? – indaguei indignada. – Primeiro você diz que me ama depois me agride e quando finalmente eu penso que estou livre, você aparece aqui me pedindo dinheiro?

– Na verdade eu não estou pedindo. – Ele levantou uma parte da blusa para que eu pudesse ver parte de uma pistola prateada que ele estava portando. – Eu não quero te machucar Chloe, eu só preciso disso e sumo da sua vida.

– Eu não sou mais aquela garota Alex, eu não tenho mais medo de você.

– Pois deveria ter. – ele sacou a arma e apontou para a minha cabeça. – Me da os dois mil agora.

– Pode atirar Alex, eu já passei por tudo o que tinha que passar. – fechei os olhos, o ouvi engatilhar a arma e ouvi o disparo. – O tiro não me atingiu. Abri os olhos e vi Hayden com uma arma de choque nas mãos e Alex caído perto dos meus pés.

– Você enlouqueceu? – Hayden tinha seus olhos tomados por uma fúria que eu ainda não tinha visto. Dei de ombros e o encarei. Ele me encarou de volta por um tempo e logo estava ao celular falando com alguém. – Uma viatura está vindo apreender esse cretino. Quem é ele ?

– Alex Gringer, um ex-namorado de muitos anos. Eu não sei como ele descobriu meu endereço.

– E o que ele queria?

– Eu estou sendo interrogada sargento Wrigth?

– Chloe para com isso, eu preciso saber o motivo dele ter vindo ate aqui para poder te proteger.

– Ele queria dois mil dólares e eu não dei o dinheiro porque não sustento vagabundo. E eu não preciso de proteção. Sei me cuidar muito bem sozinha. – não fazia ideia do porque de estar sendo tão grossa com ele, mas não conseguia controlar. Ele não falou nada.

A viatura apareceu e levou Alex preso. Um dos policiais entregou ao sargento um documento que ele logo me entregou. Não acreditei no que estava lendo. Alex pegaria prisão perpétua porque havia assassinado quatro caras e baleado dois policiais na Virgínia dois dias antes. Eu nunca mais o veria e isso me deixou aliviada. Assim que Hayden e eu ficamos a sós, ele sentou ao meu lado no sofá e segurou minha mão a acariciando com o polegar

– Acho que está na minha hora. – ele disse.

– Pode ficar mais um pouco?

– Acho que não precisa da minha companhia, afinal, sabe se defender sozinha.

– Será que da para parar de ser tão cretino?

– Vou relevar suas palavras visto que quase morreu agora há pouco.

– Sabe de uma coisa. – levantei do sofá com raiva. – É melhor mesmo você ir embora, não preciso de ninguém, nunca precisei, nem mesmo quando estava entre a vida e a morte no hospital. Pode ir sargento Wrigth, eu vou ficar bem.

Ele levantou sem dizer nenhuma palavra, se aproximou de mim e colou seus lábios aos meus por apenas um instante.

– Seus lábios são tão doces, não entendo o porquê de todo esse orgulho.

– Não é orgulho, minha mãe me colocou para fora de casa aos 16 anos, foi quando eu conheci Alex e fui morar com ele. Ele me agredia dia sim outro também. Conheci uma detetive da Vitimas Especiais e foi a força dela que me ajudou a ser o que eu sou hoje. – Eu disse deixando apenas uma lágrima rolar pelo meu rosto. – Nunca ninguém se importou comigo a não ser os meus amigos da delegacia. E eu não estou disposta a perder tudo o que conquistei com muito esforço por uma paixãozinha.

– É isso que acha que esta acontecendo aqui? Uma paixãozinha?

– Eu não sei. E não estou disposta a perder tudo o que eu tenho..

– Então acho que a partir de agora, entre nós só haverá o lado profissional.

– Mas que droga, eu não estou com cabeça para resolver nada agora. Não percebeu ainda que eu só preciso gritar? Eu quase levei um tiro na cabeça. Meus miolos poderiam estar no chão agora.

Hayden me abraçou forte e eu tentei furiosamente engolir o choro que estava preso em minha garganta. Alex ainda me apavorava, mesmo que eu tentasse esconder isso de mim mesma. Era difícil admitir isso para mim.

– Eu não vou a lugar nenhum enquanto você não estiver melhor.

Hayden me conduziu ate a cozinha onde já havia levado a comida que trouxera e eu nem havia percebido. Abriu a embalagem e colocou metade da comida no meu prato. Abriu o vinho e encheu as taças que já havia disposto na mesa. Eu o observava a cada movimento.

– O que foi? – perguntou com um sorriso malicioso nos lábios.

– Não posso te olhar?

– Pode, mas você está me olhando como se quisesse me devorar, sabe, eu não sou adepto do canibalismo. – ele riu.

– Não era bem comer você que eu tinha em mente.

– Não me de ideias menina, você precisa se alimentar e relaxar um pouco, depois vemos como a noite vai acabar. Até porque estou bastante tentado a relevar tudo o que você gritou comigo se eu puder tirar essa toalha.

Foi a minha vez de rir. Ele tinha um poder especial de me fazer esquecer as coisas ruins. Comemos e fomos para o sofá ver um filme. Zapeando pelos canais da televisão deixei em um canal onde o filme Outono em Nova York estava passando. Era um dos meus filmes favoritos. Hayden estava perto demais e eu estava ansiosa para deixar tudo de lado e ir para a cama com ele, mas parecia que ele só queria ficar ao meu lado essa noite.

O filme estava na metade e eu não conseguia mais me conter. Me virei, puxei a boca de Hayden para a minha. Ele não fez nenhuma objeção. Se levantou do sofá, me pegou no colo e ainda me beijando me levou para o quarto. Ele me deitou na cama e para minha surpresa não foi aquele “devorador de corpos” como de costume. O nós dos dedos acariciaram meu rosto. Ele brincou com uma mecha do meu cabelo que cobria parcialmente meus olhos. A borda de seus dedos alisou a ponta do meu nariz e foi descendo ate desenhar meus lábios. Ele me beijou, mas não foi aquele beijo urgente, foi calmo, profundo. Ele tirou minha toalha deixando meu corpo nu à mostra, me virou de costas e massageou minhas costas suavemente. Eu estava me sentindo relaxada. Respirei fundo e soltei o ar vagarosamente.

– Hayden, porque esta sendo tão cavalheiro?

– Porque você merece isso. – ele beijou demoradamente minha testa. – Chloe, antes de você voltar ao trabalho eu havia lido minuciosamente sua ficha, mas não havia nenhuma foto sua nela.

– Entao vc conhece meu passado, e sabe por que não tem nenhuma foto.

– Por quanto tempo ficou no programa de proteção à testemunha?

– Três anos. Saí de lá direto para a academia da polícia.

– Então Alissa realmente existiu?

– Alissa Cragen, sim.

– Por que queria deixar aquele verme te matar?

– Eu já estava cansada de viver fugindo. Fiz uma família aqui. Não queria ir embora de novo e deixar tudo para trás.

– Posso dizer que todos sempre falaram muito bem sobre você.

– Não entendo o motivo dessas perguntas.

– Ir para a cama com você como nas outras vezes foi maravilhoso, mas eu queria que soubesse que o que eu quero entre nós  não se baseia apenas em sexo.

– Hayden, você e meu sargento, meu superior.

– Eu fiquei horas vendo você encher a cara no bar aquele dia Chloe, alguma coisa em você me atraiu.

– Por favor, não fala mais nada. Só vamos continuar o que começamos aqui. Não quero ter que processar nada depois do que aconteceu hoje.

Hayden me olhou por alguns instantes, acho que tentou entender porque eu não queria sentimentalismo. Não queria me magoar novamente.

Sua boca logo se apoderou da minha enquanto suas mãos apertavam meus seios com uma pressão delicada. Ele me penetrou suavemente, me fazendo sentir toda a extensão de seu membro preenchendo o vazio entre minhas pernas. Movimentos suaves de seu quadril contra o meu o fizeram chegar ao clímax. Dessa vez eu fiquei para trás. Não conseguia me concentrar em nada mais do que a arma de Alex na minha cabeça.

– Foi ruim? – Hayden parecia preocupado.

– Não, me desculpe, eu…. – minha voz se perdeu.

– Não se desculpe. Eu só quero que saiba que eu não vim aqui atrás de sexo. Eu queria apenas passar algum tempo com você. Te conhecer melhor.

-Não tem muito para conhecer. Sou apenas uma pessoa comum. – eu disse me aninhando a seu corpo. – Posso pedir um favor? – ele assentiu. – Não vá embora, fica. Dorme comigo essa noite.

– Não vou a lugar nenhum “Mi hermosa”.

Acordei cedo demais, mas estava sozinha. Olhei ao redor do quarto e as roupas de Hayden haviam sumido. Como da primeira vez. Um barulho vindo da cozinha me deixou preocupada. Me enrolei no lençol, peguei a arma na mesinha de cabeceira e fui verificar. O barulho de uma panela caindo no chão me assustou e fez andar o mais silenciosamente possível. Quando cheguei à cozinha, explodi em risos quando vi do que se tratava. Hayden tentava fazer o café da manhã, mas estava quase destruindo minha cozinha.

– O que está fazendo? – falei entre risos.

– Eu que pergunto o que está fazendo em pé uma hora dessa. – disse Hayden com cara de bravo. – Ainda é muito cedo.

– Pelo barulho que você estava fazendo, pensei que haviam invadido minha casa.

Ele veio ate mim e me beijou calorosamente.

– Eu queria levar um café na cama para você “mi bela”.

– Deixa eu te ajudar.

Terminei de fazer o café enquanto Hayden limpava o que havia sujado. Comemos e limpamos o restante. Faltava pouco tempo para ir trabalhar, mas não queria que ninguém nos visse juntos. Tomamos banho juntos e se eu não tivesse ligado a ducha fria meu sargento não me deixaria sair dali tão cedo.

– Hayden, já estou pronta. Deixa a chave debaixo do capacho quando sair, por favor.

– Um dia poderemos sair do seu prédio juntos?

– Um dia sim.

 

***

 

-Sargento Wrigth. – chamou detetive Miller. – Anton Malav traficante de drogas da gang seven flour foi visto ontem à noite na boate kingston Sak. Segundo Jessie Hartie nossa informante, ele está esperando um grande carregamento para amanhã à noite perto de Lakewood.

– Hill – chamou Wrigth. – Quero você e Addams juntos nessa operação. Miller, você vai com Doughert. Em uma hora um novo membro da equipe se apresentará a vocês. Ele será nosso subsargento. Sei que todos esperavam que a detetive Addams ou o detetive Hill fossem promovidos, mas o Tenente Shaw me pediu especialmente que integrasse essa pessoa ao nosso quadro e junto com ele mais dois detetives.

 

***

Ninguém estava satisfeito com essa história de novatos em nosso escritório. Mas eles já haviam chegado e estavam em reunião com o Sargento Wrigth em sua sala.

 

– Bom pessoal, a reunião acabou.  – disse o sargento. – Esse é o subsargento Collins e os detetives Lewis e Allen. Eles vieram da extinta arquivos mortos.

– Sargento, os parceiros continuarão os mesmos? – perguntou Doughert.

– À principio sim.  – disse o sargento. – Bom, vamos encerrar o expediente por hoje, porque amanhã não terão hora para saírem.

 

Peguei minha bolsa e fui ao banheiro para repassar o batom e ajeitar o cabelo. Abbi estava na entrada da delegacia me esperando.

 

– Você vai beber com a gente?

– Claro. – respondi com um largo sorriso. Estar na ativa de novo era muito bom. – O bar de sempre?

– O de sempre. Os rapazes já estão lá nos esperando.

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