Férias Macabras (Pt. 4) [+18]

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Por Mille Meiffield e Lillithy Orleander

AJ

Natasha estava jogada no corredor, perto da porta do quarto da Naia. Seu rosto parecia estar molhado, uma garrafa de tequila estava a seu lado.

– Fazendo o que aí, “cabelinho”*?

– Se a Naia não queria nada comigo, não precisava sumir, bastava dizer a verdade e pronto. Não sou idiota!

– Ei Romanoff calma! Para de palhaçada, a Nai gosta de você. – É, eu sei que gosta, mas não sei o quanto.

Abeixei e me sentei a seu lado. Fiquei ali quieto, esperando ela terminar de chorar. Eu não tinha paciência para mulheres chorando, mas alguma coisa me manteve ali.

Naiane

O quê? Como assim você não sabe o que eu sinto por você. Nat, eu sou apaixonada por você. Porque você não pode me ouvir?

– Ela está preocupada Naia, no fundo ela sabe do seu sentimento. – disse Mille – A Quel e o Dan ainda estão meio amedrontados pela forma como foram mortos. Eles precisam de nos duas. Saul está com eles. Muita coisa ruim estava acontecendo. E infelizmente eu sabia que em breve, Nat também se juntaria a nós.

Gabi

As trovoadas lá fora não paravam. Ouvi um grito que aprecia vir do andar de baixo, mas todos já estavam dormindo. Até o amigo do Saul que foi instalado no quarto ao lado. Fiquei pensando no AJ…sei que não deveria. O término com Dudu foi tão recente, mas uma chama pequenininha se acendeu no meu peito. Sempre haveria Dudu. Sou muito tranquila em relação a sexo, isso não me fazia falta. Dudu me fazia falta. Eu tinha que tirar ele da cabeça, afinal vim aqui para me divertir com meus amigos. Eu ia tentar me fazer de morta em relação ao AJ.

Zuleika

Porque a Ângela não quis sair comigo? Droga! Deve ser aquela “talzinha”! que está dando em cima dela. As lágrimas não paravam de escorrer pelo meu rosto. Mas o que eu estou falando? Ela jamais me trairia. Mais que droga! Vou procurar a Daia, preciso muito conversar com alguém senão vou enlouquecer. Fui até a sala e encontrei Lucas e Clay conversando com Daia e Luke.

– Oie, Daia, posso falar com você? – Fica aqui com a gente Zuzu. – disse Lucas. – Eu preciso mesmo conversar um pouco com a Daia. – Então vai lá e depois volta. – disse Clay. – Ainda não terminamos essas garrafas de vinho.

Natasha

O beijo do AJ me deixou trêmula. Não queria ceder ao desejo, mas meu corpo não correspondeu ao que minha mente queria. Nos levantamos e os beijos ficaram mais intensos, mais ardentes, mais prazerosos. AJ me levou para seu quarto, me jogou na cama e antes que eu me refizesse do susto ele já havia arrancado minha roupa e pulado em cima de mim, me cobrindo de beijos quentes. Minha pele fervia por onde suas mãos passavam. Ele me possuiu me fazendo arfar. AJ não fazia amor, ele fodia, com força. Isso me deixou muito, mas muito excitada. A cada investida dele, uma forte onda de prazer tomava meu corpo. Esse não era o AJ que eu conhecia. Não que eu não estivesse gostando. Eu estava, era maravilhoso, mas não era a imagem do AJ que eu conhecia. Aquela sensação maravilhosa do orgasmo se formando tomou conta do meu corpo. AJ começou a se movimentar mais rápido. Cedi à pressão do meu corpo e entrei em estado de êxtase. Pequenas convulsões tomaram conta do meu corpo, enquanto ele me abraçava forte. Depois que nossos corpos relaxaram, ele continuou me beijando. Parecia que procurava em meu corpo, alguma coisa, ou alguém que não fosse eu.

– Eu queria poder ficar nesse quarto até o fim dessas férias. – ele disse. – Desculpa AJ, foi maravilhoso mesmo, mas eu preciso ir.

 

Zuleika

Daia sempre foi boa em ouvir todos, sempre arrumava um jeitinho, um tempinho, sempre tinha um conselho, ninguém nunca ficava mal contando algo para ela, seja lá o que fosse, podia ser como fosse, ela sempre tinha algo há dizer.

– Zuzy, eu vou dar um pulinho lá fora, ver a Lua quer vir? Vai ser melhor pra gente, sabe? – ela sorriu e eu a acompanhei.

Angela estava distante e aquilo por mais que as vezes parecesse que não me incomodava, me irritava profundamente e vinha me fazendo chorar. Eu precisava desabafar. Lucas e Cley pareceram não se importar de nos ver sair, acenderam a lareira e continuaram com suas taças de vinho rindo de alguma coisa que não prestei a mínima atenção.

Daia puxou uma manta para um balanço que havia ali perto e bateu na madeira para que eu me sentasse ao seu lado, deixou sua taça num cantinho e foi direto ao assunto.

– O que aconteceu Zu? Você parece estar aqui forçada, como se até nossa presença te incomodasse. – ela tinha aquela ar de cumplicidade que nos fazia contar tudo á ela, e foi isso o que aconteceu. Contei o que estava me deixando aflita, do ciúmes, das suspeitas, do trabalho e de nossa vida á duas que andava meio balançada, como era fácil falar com ela.

Como era esperado ela cuidou de mim, me ouviu, não me interrompeu quando falei, me deixou chorar em seu colo e me mostrou como algumas coisas eram somente “fantasmas” na minha vida e na minha cabeça. Eu estava mais leve e mais sossegada, ficamos ali ainda conversando banalidades até que me senti melhor para entrar.

Daia pegou a taça de vinho ainda pela metade e me deu o braço.

– Estamos prontas?

– Estamos sim. – eu sorri em resposta.

– Vamos colocar um pouquinho de música nessa casa, nem parece que viemos aqui nos divertir, parece que estamos num velório.

Entramos em casa e ela já tirou o celular do bolso, jogou a sapatilha em algum lugar, ligou o rádio, puxou um cabo USB e plugou em seu aparelho. Uma banda que cantava um inglês canhestro e gostosinho cantava um acústico de Foo Fighters com Gotye e ela já saiu dançando pelo meio da sala fazendo os presentes rirem e se animarem também.

O volume do som foi aumentado e as preocupações sumiram, eu iria aproveitar as férias. Eram minha família mais nova, tínhamos acabado de nos conhecer pessoalmente, mas pareciam anos…

 

Gabi

Eles haviam ligado o rádio agora e meu raciocínio fugiu tão rápido, que perdi o foco naquilo em que estava escrevendo, peguei o notebook, estava meio irritada e preocupada e decidi sair pela casa em busca de um lugar silencioso onde eu pudesse ficar em paz. Ainda estava com a mente muito cheia e não conseguirá esquecer os últimos fatos, passei tão quieta que nenhum deles me viu passar na sala,

Lua dançava alegre junto com Daia e ambas riam muito, enquanto Lucas inventava uma dança maluca. Cley, Zuzu e o tal do Luke, estavam sentados com suas taças na mão. Ela parecia mais calma, deve ter conversado. Quel e Danilo deviam ter ser recolhido, AJ e Natasha eu não via já tinha algum tempo.

Fui em direção a cozinha e tomei um copo de suco, sai para varanda, mas a noite estava fria, voltar para o quarto não dava, não queria ficar na sala. Queria um pouco de solidão e me lembrei da adega na parte baixa da casa, me dirigi pra lá.

Coloquei a mão na maçaneta e me lembrei que vez por outra alguém poderia vir buscar mais bebida e perguntar porque eu estava ali, não gostei da idéia e decidi ir para o porão, lá com certeza não haveria ninguém.

Ouvi passos atrás de mim e tive a sensação de sentir o perfume de Naia ao meu lado, me virei de supetão e a luz pareceu piscar algumas vezes.

– Nossa que susto que você me deu.

– Desculpa não foi minha intenção. O que você está fazendo aqui em baixo todos estão se divertindo lá em cima poxa, viemos pra cá pra se sentir bem Gabi.

Tinha algo errado ali, eu sentia, um comichão absurdo como se devesse correr, mas era estranho, minha mente devia estar me pregando peças.

– Só quero ficar um pouco sozinha.

– Dudu ainda? – perguntou – me com as mãos no bolso.

– Eu só preciso ficar um pouco sozinha.- respondi meio ríspida, não era minha intenção.

– Desculpa, eu vou subir qualquer coisa, se você quiser conversar é só me chamar.

Ouvi os passos se afastarem de mim e abri a porta do pequeno cubículo, a dor em meu pescoço foi aguda, acima de minha cabeça eu escutava a versão macabra de Sweet Dreams do Marilyn Manson, lembrei – me do filme A Casa da Colina, e soltei o notebook no chão, o som estava tão alto que eu tinha certeza que ninguém iria ouvir se eu gritasse.

– Bons sonhos… – foi a última coisa que ouvi, minha cabeça rodou e caí por cima de algumas caixas, mãos frias me arrastavam mais para dentro, na escuridão.

 

Saul

Naia chorava de soluçar, nos dava desespero ver. Ela era muito próxima a Gabi, sempre forâ e isso ajudou com que ela se aproximasse e tentasse avisar á ela o que estava acontecendo, mas parecia que algo ou alguém nos impedia de alcançar todos dentro da casa.

Raquel tentava consola – lá, Mille gritava com o assassino enquanto assistíamos ele despir Gabi, sem o menor pudor e com a maior frieza.

O líquido branco correu dentro da seringa e com uma fúria de dar medo, nosso assassino acertava o peito de Gabi com ferocidade, vimos ela abrir os olhos e o ar lhe faltar aos pulmões, ela não podia respirar, se debatia desesperada, mas então ele começou a sufoca – lá.

 

Gabi

O cheiro da luva cirúrgica invadia minha narina, eu me perguntava o que eu havia feito para merecer aquilo. Eu não tinha domínio de meus movimentos e aquilo me causava ainda mais pavor, fiquei ali entre a sonolência e o torpor, eu só queria que tudo acabasse rápido, dentro de mim eu já sabia que não iria sobreviver.

Outra injeção com um líquido amarelo me fez perder minhas forças, eu já não conseguia levantar um dedo, estava nua e sem poder reagir, sem poder clamar por socorro, as lágrimas me banhavam o rosto, eu não poderia se quer me despedir das pessoas que eu amava.

A mesinha á meu lado possuía vários tipos de faca, algumas curvas, outras maiores e velhas, algumas pequenas e muito bem polidas, parecia o arsenal de um açougueiro.

Ele olhou em meus olhos e colou minha boca com Super Bonder, a primeira faca passou por minha perna, fazendo um risco perfeito, a segunda se enfiava por baixo de minha pele.

Eu quis gritar, mas não podia. Não havia mais som acima de mim, ninguém ia me ouvir se eu gritasse.

Meus pulsos foram cortados e meu sangue corria em bacias de alumínio enquanto, minha pele era arrancada como a de um animal.

– Você fez por merecer isso, sabe? Você não podia ter feito isso comigo, nossa amizade era tão bonita, tão importante. Eu não preciso pedir perdão á você. Lamento pelo os outros, mas por você não, você foi a única culpada disso tudo. Eu tive que tomar medidas drásticas. Mas eu preciso lembrar que a causa é maior que tudo isso, que todos vocês.

Eu arregalei meus olhos com meu último esforço, não era possível, ele mataria nós TODOS, mas por que? O que eu tinha feito pra merecer aquilo?

Meus olhos se fecharam e então veio o golpe, facadas incensantes eram cravadas  no meu corpo, a parte debaixo do meu corpo já não possuía mais pele, ele a arrancará.

Eu morria de um modo cruel, macabro e nem sabia o motivo disso. Éramos uma família não? Se nos amávamos por que aquilo aconteceu? Eu não entendo…

 

Danilo

Vimos o corpo dela ser escapelado e depois assistimos o banho de ácido na face, os olhos arrancados e jogados num vidro que parecia conter formol, ele colou uma etiqueta amarela e escondeu atrás de umas caixas empoeiradas. Os restos do corpo ficaram ali, jogados na mesa e ele fugiu pelo o que parecia ser uma portinhola que dava para  a varanda. O som de vozes se aproximou e parou de repente. Era voz de mulher, mas não consegui definir de quem era, logo se afastaram da porta.

Raquel ajudou Gabi a se recompor, estávamos sem entender os motivos daquelas atrocidades, mas o estopim era a raiva, por quem ou pelo o que não sabíamos, mas agora tínhamos certeza de que todos iriam morrer se não conseguíssemos avisa – los.

 

Lucas

Daia buscou outra garrafa de vinho com Zuzy na adega a hora já se fazia alta, então decidimos abaixar o rádio. Luke levantou – se e disse que ia se deitar. Daia ia mostrar – lhe o quarto, quando ele esbarrou na garrafa de vinho e a estilhaçou em mil pedaços pela sala.

– Mas que droga! – disse ele

Zuzy e Cley riram desesperados e Nat com uma cara estranha apareceu para saber o que estava acontecendo, logo em seguida chegou Assis, com uma cara mais estranha ainda.

Luke correu para pegar a vassoura e começar a limpar, os outros foram atrás de panos e um balde com água.

– Amor, vou descer pra pegar outro vinho, você vem, não gosto daquela adega.  – Cley as vezes era dependente, mas eu o entendia, a casa não era nossa.

Descemos as escadas apressados, a luz do corredor estava fraca demais, e o chão estava empoçado de água vindo do porão

Cley parou e me olhou nos olhos.

– Que cheiro estranho.

– Casa muito velha Cley, deixa de besteira.

A luz piscou e meu corpo entrou em estado de alerta, caminhei até a porta acompanhado por Cley, a maçaneta parecia emperrada, forcei – a e empurrei, a porta se abriu.

O cheiro forte, me lembrava a escola, nas aulas de Química.

– Ácido sulfúrico? – perguntei mais para mim.

Acendemos o interruptor, Cley tropeçou e caiu em algo.

– Lucas isso não é água, é sangue.

Antes que ele pudesse se levantar, eu me virei para frente e a cena mais horrível e aterrorizante já vista em minha vida ganhou foco.

O corpo pendia sem pele, somente nervos e ossos á mostra, duas bacias com sangue recebiam o que parecia ser as ultimas gotas do líquido, que já transbordava e formava um caminho até onde Cley tinha caído. Eu gritei, eu gritei como nunca havia gritado em minha vida. O que era aquilo?

 

CONTINUA…

 

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