Férias Macabras (Pt. 3) [+18]

pt 4

Por Mille Meiffield e Lillithy Orleander 

 

GABI

Daia estava cismada que alguma coisa ruim estava acontecendo, mas eu não queria saber de nada. Estava livre, leve e solta. Feliz pela primeira vez. Percebi certos olhares do AJ, mas não quero ninguém por um bom tempo. Já sofri o suficiente para querer me curtir um pouco e botar meus contos em dia no blog.

Abri meu notebook e deixei meus dedos dedilharem o teclado até que as palavras soltas formassem uma história. Terminei alguns capítulos e o sono me venceu. Coloquei o notebook de lado, puxei o edredom e fechei os olhos…

RAQUEL

Eu sabia que alguma coisa anormal estava acontecendo, mas estávamos entre amigos, não tinha nenhum estranho entre nós. Somos uma família. Eu devo estar imaginando coisas. Danilo ainda estava dormindo então decidi levantar. Saí do quarto e fui para o primeiro andar. Tudo estava muito quieto. Eram apenas cinco e trinta da manhã, todos ainda dormiam, mas minha mente não parava de dar voltas e voltas. Tomei uma taça de vinho e comi meio pão com um pedaço de queijo. O vinho me deixava mais relaxada. Embora essa parte do estado fosse fria, hoje o dia amanheceu incomumente quente, então resolvi nadar um pouco. Eu estava preocupada com algumas coisas.

 

AJ

A Mille era uma chata, bancava a mãezona o tempo todo que chegava a irritar. Eu gostava dela,mas não tinha paciência.

Saul era louco e parceiro, não ia nos deixar sozinhos e perder a farra.

E Naia? Será que havia dormido com a Romanoff*, afinal de contas todos perceberam o clima que ficou entre as duas e o romantismo pairando no ar.

Faziam apenas dois dias que estávamos aqui, mas muita coisa estranha já havia acontecido e ninguém parecia ligar muito, havia os rumores de preocupação, mas nada além disso, estávamos sumindo aos poucos, sem deixar vestígios e eu não estava gostando nada disso. Agora que sei que todos já foram dormir, eu posso dormir sossegado sem que nada aconteça.

 

RAQUEL

A água estava agradável. O lago não era muito grande, nem muito fundo, mas era perfeito. Nadei de um lado ao outro algumas vezes, aproveitando ao máximo a energia das águas. O barulho do motor de um carro se aproximando chamou minha atenção. Acho que já passava das nove horas da manhã e eu não imaginava quem pudesse aparecer por ali. Um rapaz de vinte e poucos anos dirigia o veículo. Ele saiu do carro e veio andando em minha direção. Saí da água, me enrolei na toalha e o encarei.

– Bom dia, eu gostaria de falar com o Saul, ele se encontra? – perguntou – me ele sem tirar as mãos da jaqueta.

– Ele deve estar no quarto, você é?

– Ah, desculpe, sou Luke. – disse ele estendendo a mão para mim. – Fui o amigo que emprestou jipe à ele.

– Ah, sim. Sem problemas, eu sou a Raquel. – eu estava desconfiada, mas realmente o nome do amigo do Saul batia com o dono do jipe.

– Saul deve estar no quarto dele. Nós não o vemos desde ontem à noite.

– Como assim não o vêem? – indagou confuso. – Ele estava louco para que vocês viessem.

– Ele, Mille e uma outra amiga nossa desapareceram. E um dos carros também. – disse preocupada

– Com certeza devem estar aprontando alguma. – disse Luke rindo. – conheço o Saul muito bem.

E nisso ele tinha razão, meu coração nesse instante dissolveu meus medos. De todos nós Saul sempre foi o mais festeiro ao que Mille não ficava atrás e Naia, adorava ir á barzinhos com a mãe, de fato fazia sentido o que o rapaz acabará de dizer.

– Você quer entrar e esperar por ele? – perguntei.

– Pode ser. – respondeu ele me acompanhando…

 

MILLE

– Mas que bela fama essa nossa. – disse a Saul que em meio a tudo conseguiu soltar uma risada.- Eu lá tenho culpa se vivi a vida e usufrui do melhor.

– E agora, nós já tinhamos deixado a Quel incomodada, como vamos alertar o restante da casa? – perguntei para os dois

– Mille nós vamos achar um jeito. – respondeu Naia que ainda não acreditava que tinha passado por todo aquele pesadelo.

– Eu não sei como ele pode fazer isso comigo… – ainda me lembro do desespero de Naia ao acordar do lado de cá…

 

LUKE 

Era estranho a casa cheia e Saul sumido, ele era baladeiro, mas não justificava sumir com mais duas pessoas sem deixar pistas.

A moça de cabelo rosa me convidou á entrar e sentei – me na sala, esperando que ela retornasse com o namorado que ela disse ainda estar dormindo.

O silêncio me incomodava e eu senti o arrepio me subindo pela espinha, me sacudi.

– Buuu! – riu a moça atrás de mim

– CACETE! – respondi.

– Hey relaxa, estava só brincando pra descontrair. Meu nome é Natasha, Nat. E você veio pra ficar na casa do medo também?

Olhei pra ela pensativo e fiquei me perguntando ao que ela estava se referindo, mas pelo cheiro do vinho ela ainda não devia estar bem.

Ela se levantou e foi para cozinha, eu me levantei e fui pra varanda. Um livro jogado no chão, parecia um romance adolescente e talvez até fosse, O Anjo Mecânico, peguei a contra capa para olhar e…

– É um bom livro, maçante no começo mas um bom livro. – disse outra moça apoiada na madeira próxima a cadeira de balanço.

– Eu não… – eu queria me desculpar, mas ela continuou.

– Daiana e você? – disse ela estendendo a mão.

– Luke.

– Prazer, você é amigo de quem?

– Do Saul, emprestei o carro pra ele.

– Entendo.

O silêncio se instaurou ali, até que a moça do cabelo rosa voltasse e dissesse que não conseguirá falar com nenhum dos três no celular, me levantei e decidi ir embora, afinal minha conversa era com Saul, me dirigi para a saída e quando cheguei até a porta do carro notei que o pneu do carro estava murcho.

Danilo, acho que era esse o nome do rapaz, me ajudou a trocar mas, para minha surpresa, os de mais e os do carro deles também estava.

Agora sim eu fiquei preocupado.

– Vou ligar para o guincho.

– Eles não vem até aqui, disse uma moça que parecia feita de porcelana e com um longo cabelo negro.

– Lua você acordou? – perguntou a outra.

– Sim. Onde estão todos? – perguntou ela com olhos de curiosidade em minha direção. – Nat me disse que tínhamos visita.

– Esse o Luke, Lua, amigo do Saul.

– Ah sim, veio pra ficar também? – perguntou ela estreitando os olhos.

– Que isso Lua, vai intimidar o rapaz. – disse Danilo brincando. – Não liga não Luke, são todas assim, aqui. Mille consegue ser ainda pior.

A tarde passou animada, conheci mais integrantes das férias de “amigos de blog” do Saul, gente legal e bem extrovertida, soubemos que os três estavam bem por uma mensagem de texto para Natasha, segundo ela mesma, eles iam passar na casa dos pais de Saul para pegar algumas coisas e logo voltariam.

O tempo começou a fechar e o fim da tarde se aproximará o jeito era ficar na casa como me disse Raquel e esperar que a chuva passasse.

Daia já tinha virado minha irmã ali naquele meio, eramos só risada e bons vinhos, aquele pessoal sabia se divertir e eu nem me importava, afinal era só uma noite o que poderia acontecer?

 

RAQUEL

O rapaz parecia legal e a chuva lá fora era torrencial. Trovões e relâmpagos, aquilo estava me incomodando.

O sumiço dos meninos, os pneus desse Luke furado, a mensagem para Nat… Anotava tudo no caderninho sentada na bancada da cozinha, Dan tinha ido deitar e eu ficará ali com um milhão de idéias na cabeça.

O barulho foi tão alto que dei um pulo assustada, as luzes que ainda estavam acesas se apagaram, mas parece que só eu continuava acordada, até que…

– Sozinha?

– Por Sekhmet, você enlouqueceu ou quer me matar do coração? – levei a mão ao peito nervosa e ri, o arrepio me subiu a espinha e senti medo, sem saber por que.

– Vou voltar para o quarto, você vem? – disse – me ele.

– Vou sim. – peguei minhas coisas e saímos tateando no escuro.

As paredes ásperas de textura tinha imperfeições, o caminho do corredor era muito escuro, a última coisa que vi ali foi clarão.

Acordei com uma dor terrível na cabeça e tentei colocar a mão onde doía, foi então que entrei em pânico, tinha que ser um sonho ruim.

Meu quarto estava iluminado por muitas velas e eu estava deitada no chão amarrada dos pés á cabeça, tentei gritar e a mordaça cortou o canto da minha boca.

Dan estava sentado em uma cadeira chorando, seu rosto tinha riscos laterais e sangrava muito, ele tentava se soltar, mas nada.

– Você acordou? – eu vi o sorriso de um maníaco ali e temi por minha vida. – Eu prometo que vai ser rápido. Sabe Quel, eu sempre te admirei muito. Você é bonita, inteligente, alto – astral e tem o Dan, mas eu preciso focar nas minhas prioridades, estou ficando sem opções e você tem observado coisa demais, está sabendo demais.

A Mille, o Saul e Nai, não vão voltar e talvez agora você encontre eles, leve um recado meu pra eles, não é culpa deles, mas eu precisava fazer aquilo, e eu espero que você também entenda que isso tudo é em prol de algo maior para mim. Não que eu não os ame, é só que… Bom já falei demais, vamos ao que interessa.

Foi nesse momento que vi que sobre o corpo de Dan havia uma manta, que no escuro parecia molhada com algo escuro. O cheiro…

Arregalei os olhos. Sangue.

Ele puxou a manta e vi, Dan perfurados com vários pregos e agulhas espalhadas pelo corpo. Ele estava amarrado e seu sangue jorrava em profusão de alguns lugares. Foi então que vi a marreta nas mãos dele.

Dan seria torturado diante de mim. O primeiro golpe nos joelhos fez com que Dan fizesse menção de gritar, eu me remexia no chão chorando junto á ele, enquanto sentia as cordas cortarem meu pulso, que agora estava dormente.

Em seguida o outro joelho, ele jogou a cabeça pra frente e os pregos entraram mais em seu corpo, fazendo com que sangrasse mais, o líquido transparente foi jogado sobre ele e senti o cheiro enxofre no quarto, a pele de Dan se soltava das pernas, deixando os músculos á mostra, era muita crueldade, nosso captor fincava pequenas navalhas na carne viva. Dan não ia aguentar. O golpe de misericórdia surgiu da marreta zunindo no quarto. A cabeça de Dan balançou de um lado á outro. Meu Dan estava morto. O sangue chegava até mim, e eu já sabia meu fim quando o vi puxar um gancho.

Por instinto tentei me desvencilhar, mas ele enfiou o gancho em meu calcanhar e me arrastou para perto de Dan.

Meu rosto se sujou com o sangue dele e eu chorei de dor, ele pisou sobre mim para buscar mais alguma coisa e voltou, o alicate era velho e com ele unha por unha minha era arrancada, meus dedos eram queimados com maçarico e eu sentia o cheiro ruim de minha carne queimando, não era possível que ninguém sentisse ou ouvisse o que estava acontecendo.

– Sem impressões digitais. – disse – me ele. – Não se preocupa, estão todos dopados, cortesia minha, isso vai me garantir mais tempo pra lidar com essa bagunça.

Ele furava meu corpo com o maçarico, enquanto puxava as coisas dentro do meu corpo, meu sangue se misturava ao de Dan, a marreta foi usada novamente em mim, massacrando meus pés, eu me encolhi de dor, mas ele puxou minhas pernas novamente, a fumaça de minha pele queimando aumentou e com ela a dor se tornou insuportável e eu desmaiei.

Estava frio e eu continuava amarrada, ele me arrastava pela lama, embaixo da chuva em direção ao lago, meu corpo doía e eu estava a ponto de enlouquecer. Um saco preto envolveu meu rosto e eu ainda o ouvi chorar, conversando consigo mesmo.

O lago estava gélido, me debati o quanto pude, mas meu corpo descia, mais e mais, o ar acabava, meus pulmões iam estourar. Era o fim…

 

SAUL

Nós assistimos a tudo sem poder mover um dedo. Mille correu para receber Raquel que ainda se debatia com a sensação do frio. Danilo ainda estava atônito em estado de choque, não nos sobrava muito o que fazer…

 

 

 

 

  •  CONTINUA…

NA: Romanoff* – apelido carinhoso dado á Natasha Morgan

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