Um Estranho no Espelho…

 

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#Desafio Sonho

Por Lillithy Orleander

“Os meus dias eram sempre iguais, a mesma rotina matutina.

O celular despertava longe da cama, Alexander Flemming invadia meu quarto com sua execução de Nuvole Bianche em quanto eu me jogava “aos pedaços” no chão para levantar cedo como era o costume.”

Mas estranho dessa vez foi acordar no meio da noite, chovia muito e eu podia ver os clarões invadirem o quarto. Quarto esse que não era meu.

Eu vestia uma camiseta preta de uma banda antiga, dos anos 80 acho, calçava meias brancas e o cabelo desgrenhado, braços fortes envolviam meu corpo na cama que agora eu notava não ser a minha.

Levantei – me sem olhar pra trás e fui até a janela, pelo caminho vi minhas roupas jogadas em uma cadeira antiga ao que parecia, minha xícara de chá ainda estava na mesinha de cabeceira ao lado do abajur, pela metade, como era meu costume e o livro fechado ao seu lado, era – me familiar o hábito mas não a mobília.

O movimento foi rápido, imperceptível eu diria, mas me deixou em estado de alerta.

De costas pra janela, senti quando mãos quentes me envolveram por trás, o balançar de um lado a outro como quem colocasse uma criança para dormir, o roçar da barba por fazer em minha nuca, o beijo suave no pescoço e o relâmpago clareando o quarto.

Ele puxou – me com delicadeza pela mão até cama, que ainda estava quente e deitou – se, enquanto eu me sentava na beirada estática tentando me lembrar quando aquilo havia acontecido.

Ele beijou – me o ombro  e me aconchegou em seu abraço, ele entrelaçou sua perna a minha e repousou sua cabeça em meu cabelo, o quarto em penumbra não me deixava ver seu rosto, mas ele estava tão presente e sabia cada coisinha que me fazia bem, coisas que nem mesmo aquele que um dia chamei de “marido” sabia que tentei  me esforçar para lembrar quem era, mas não obtive resultado.

Eu se quer conseguia pregar os olhos, ele me deixava apreensiva, tentei me levantar novamente, mas a mão dele prendeu – se a minha, unindo as palmas e me fazendo sentir o frio anel em meu dedo, entrei em pânico.

Ele levantou a mão e pegou o celular, minha canção de despertar soou tranquila pelo quarto, seus lábios encostaram em meu ouvido e com um doce “eu te amo” ele me pediu que voltasse a dormir, meus olhos pesaram e pela primeira vez na vida, eu me senti segura..

 

Janeiro 2014

Nuvole Bianche já não me acorda mais quando o dia amanhece, eu acordei desse sonho e anotei cada detalhe mínimo, o que ainda acontece, anoto cada experiência durante o sonho, e cada doce caricia que nele vivi como se de fato as tivesse vivido aqui, na realidade. Na manhã seguinte á esse sonho, eu me olhei no espelho após escovar os dentes e lá estava ele, me olhando sorridente, me esperando em algum lugar que desconheço…

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