Vendetta Pt.7 – Anjos e Demônios

 

Svalden

Por Lillithy Orleander

O baque oco ressoou no chão, fazendo com que Joseph voltasse desesperado, descendo os degraus da escada de dois em dois e voltando para o escritório do pai.

-Pai! – gritou ele empunhando a arma e mirando na porta do escritório como quem esperasse já pela saída do atirador.

A cena não poderia ser mais perturbadora.

A porta aberta e Olivier em pé com cara de abobado enquanto Sorento e Andrew seguravam o guarda costas do que antes era o negociador. Norah segurava a garruncha nas mãos ainda expelindo fumaça, parada  na porta pronta para atirar novamente.

-Eu disse que não confiava nas fuças dele. – disse ela em seguida, abaixando a garruncha e apoiando – se nela como se esta fosse uma bengala.

Andrew,  foi o primeiro a cair na risada, acompanhado por Olivier que atravessou a sala e abraçou a governanta, dando – lhe dois beijos na face.

– O que seria de minha vida sem você Norah… – disse Olivier agradecido.

Sorento ainda segurava o outro homem, dando – lhe uma gravata, enquanto Andrew tirava o paletó e levantava as mangas da camisa.

-Hora de conhecer o porão, meu caro.

Com a ajuda de Sorento, Andrew e Olivier arrastaram o homem para a escuridão, onde somente os gritos eram ouvidos.

-Joseph? – chamou Norah.

Joseph estava sentado nos degraus da escada perdido em seus próprios devaneios.

-Menino Joseph? – chamou ela novamente.

-Me desculpe Norah, só estou cansado disso tudo, é muita coisa pra assimilar em tão pouco tempo.

-Posso fazer alguma coisa por você?

-No momento não Norah. Eu preciso de um banho e, bom enquanto papai e And se “divertem”, vou voltar pra casa dos Svalden, preciso ver Charlie.

-Traga – a para casa Joseph.

-Trago sim, Norah.

Joseph beijou as mãos de Norah e subiu as escadas o mais rápido que podia…

 

MANSÃO SVALDEN

-Mike? – chamou Aleksander assim que voltou de usa corrida matinal.

-Sr. Aleksander. – disse solicito o mordomo careca, que mais parecia um lutador de boxe com todo seu tamanho.

-A srta. Maensen já se levantou? – disse ele tirando o tênis vermelho e largando – o no primeiro degrau da escada.

-A Sr. Svalden esteve com ela mais cedo e quando desceu pediu que eu levasse o café da manhã até ela, mas ela havia dormido novamente, acredito que seja efeito dos remédios ainda.

-Isso significa que meu quarto ainda está ocupado. Legal. Obrigado Mike.

Aleksander subiu a escada descalço, tirando a camisa e cantarolando alguma musica antiga que ele ainda se lembrava de ouvir sua mãe cantar quando ele era criança.

Ele parou diante da porta e pensou se deveria bater, mas de que adiantaria, ela ainda devia estar dormindo e como ele percebeu ela estava.

O perfume em seu quarto era diferente, era suave. Flores do Campo…

Aleksander caminhou até sua cama e ficou parado olhando para Charlotte, era estranho ter alguém ali que não fosse só por uma noite de transa qualquer, como ele costumava fazer. O cabelo cacheado banhava seu travesseiro, ele esticou a mão e sentiu a maciez dos mesmos, sorrindo para si e lembrando como ainda era recente a presença dela ali.

-Como pode uma mulher me dar tanta dor de cabeça em apenas 3 dias?

A pergunta pairou no ar e Aleksander decidiu pegar sua roupa e tomar um banho ali mesmo, ela dormia, não ia acontecer nada.

O barulho da água fez com que Charlotte voltasse a realidade. Olhou de um lado á outro e se levantou, caminhou até a porta do banheiro e abriu a maçaneta devagar.

Aleksander estava de costas para a porta e a faixa escura que havia no box impedia Charlotte de ver qualquer coisa mais além.

Ele tinha um lobo nas costas, solitário.

Charlotte se afastou e voltou a se deitar, ela tinha que admitir, ele era bonito. Fechou os olhos e fingiu adormecer.

Aleksander saiu o banheiro foi até o closet e pegou uma camisa preta. Colocou as mãos nos bolsos e olhou uma vez mais para Charlotte.

-Maensen…- e virou as costas para sair.

-Svalden. – a voz dela o deixou estático com a mão na maçaneta da porta. – Se me lembro bem, ainda temos um acordo pra tratar.

Aleksander sorriu e virou – se para olha – lá.

-Maensen, acordei você? – perguntou ele

Charlotte puxava o edredom que se cobria e colocou os pés no chão, prendendo o longo cabelo em um coque, que deixava alguns fios rebeldes, soltos como pequenas molas, o cigarro estava na mesinha de mogno ao lado da cama onde uma foto de um menininho e uma linda moça estavam.

-Ela é linda. – disse Charlotte acendendo o cigarro e se dirigindo para a janela.

-Jas… Tem muito tempo que não a vejo. – disse Aleksander se aproximando da mesinha e pegando o porta – retrato. – É minha irmã.

Charlotte estava de costas para ele, olhando para o jardim.

-Você me disse que queria um acordo, tem cinco minutos. Fale, não posso ficar mais tempo aqui. – ela foi direta e taxativa.

-Eu posso pedir pelo menos que te tragam alguma coisa pra comer ou…

Nhara estava a porta antes mesmo que ele terminasse de falar, trazendo frutas, café e torradas com geléia para a convidada.

-Charlotte? Eu te trouxe… Aleksander o que faz aqui? – perguntou ela já fechando a cara e deixando a bandeja em uma cadeira que estava desocupada.

-Só vim conversar mãe, eu juro. Não toquei em um fio de cabelo dela.

Charlotte sorriu e virou – se pra responder.

-É verdade Sra. Svalden, ele só veio me pedir pra conversar.

-Nhara, Charlotte. Cortemos essas formalidades, tudo bem? E como você está? Se sente bem?

-Me chame de Charlie, Nhara e poderemos cortar as formalidades.

As duas deram risada e sentaram – se na beirada da cama.

-Estou bem Nhara, mas preciso voltar pra casa creio que já abusei da hospitalidade e principalmente por ocupar o quarto de Aleksander.

-Não se preocupe, tenho certeza que ele não se importa, não é mesmo filho? – perguntou Nhara

-De forma alguma mamãe. – disse ele tentando entender o aparente carinho que a mãe demonstrava pela moça. Tudo bem que ela tinha negócios com os Maensen, mas isso era um pouquinho demais.

-Bem vou deixar vocês conversarem, acredito que alguém deva ter um pedido de desculpas. – disse Nhara olhando para o filho de soslaio enquanto saia do quarto e fechava a porta.

-Me desculpe por ela. Ela extrapola as vezes. – Aleksander levou a bandeja até a cama e sentou – se ao lado de Charlotte.

-Seu tempo está passando.

-Não vou enrolar, eu gosto de você o tanto que você gosta de mim, ou seja, nada. Mas nossos pais tem negócios e você sabe que alguns negócios precisam de alianças firmes, que não prejudiquem nenhum dos lados. Como você percebeu, minha mãe parece gostar de você, olha só que ironia. Então pensei em te propor uma trégua.

-Uma trégua? – ela pegou um morango na bandeja e mordeu.

-Sim, nós fingimos nos dar bem, saímos uma vez por semana, tomamos um café e pronto. Se tudo der certo você e minha mãe viram amiguinhas de shopping e nos livramos disso tudo. O que você me diz?

-Você só pode estar brincando.

Aleksander se jogou na cama e passou a mão no rosto, cobrindo os olhos, o perfume dela estava na cama e ele parou.

-Droga, me dá um mês, ok? Depois arrumamos um jeito de se livrar de tudo isso.

Charlotte levantou – se da cama e pegou a mala que guardava suas coisas, pegou um vestido rosa, um par de ankle boots e foi até o banheiro.

Vestiu – se e soltou o cabelo, maquiou – se para esconder a palidez, passou seu perfume e voltou para o quarto.

“Meu pai precisa de alianças, eu posso fazer isso por ele, é só um mês…” – pensou ela apoiada na pia do banheiro e olhando – se no espelho.

-Eu topo. – disse ela voltando ao quarto.

Aleksander que ainda estava deitado, virou – se para olha- lá e optou por apenas acenar com a cabeça. Charlotte pegou um chapéu na mala e o colocou, olhando o reflexo de si própria na janela.

-Mas agora preciso ir pra casa, Alek. Meu carro está aqui ou…

-Seu amigo, Orachi, o levou com seu irmão. Mas eu posso te levar se você não se importar é claro, Charlie.

-Isso não vai dar certo. – disse Charlotte retirando as luvas que usava para dirigir.

-É só um mês, nós somos bem grandinhos pra fingir aparências, Maensen, nossas famílias vivem de aparências. Um mês passa logo.

Aleksander pegou a mala de Charlotte e se dirigiu a porta.

-Está pronta?

-Não, mas família vem em primeiro lugar. – disse ela apoiando – se no braço dele…

-Nhara?

-Sim, mamãe?

-Você acha realmente que a menina Maensen vai conseguir segurar Aleksander ou mesmo que os dois venham a se dar bem algum dia? – perguntou Angeline de braços dados com a filha saindo da sala de visitas em direção a escada.

-Isso responde a sua pergunta mamãe.

Charlotte e Aleksander vinham dando risada de algo que ele havia dito e ela se apoiava nele pra descer, enquanto ele segurava sua cintura, como se fossem velhos amigos.

-Oras vivas, sem armas hoje, que pena. Confesso que foi muito interessante pra mim e para o jovem Andrew.

-Sra. Svalden… – começou Charlotte. – Nhara, me desculpe, acredito que me exaltei um pouco.

E estendeu a mão na direção dela.

-Preciso ir.

-Mas tão cedo.

-Prometo compensar em breve e apagar o mal entendido da noite passada. – disse Charlotte constrangida.

– Tome um chá comigo amanhã e podemos apagar essa má impressão. – disse Nhara sorrindo e dando leves tapinhas nas costas das mãos da garota.

-Obrigado pela hospitalidade, Nhara. Com certeza nos veremos amanhã.

-Hora de ir. – disse Aleksander parado à porta enquanto Mike lhe entregava as chaves do carro.

Nhara abraçou Charlotte e sentiu seu coração apertar ao olha – lá novamente nos olhos.

“Muito sofrimento.” – lembrou – se do que sentirá quando Jasmine partiu.

Aleksander pegou as malas de Charlotte e seguiu em direção ao carro, guardou – a e em seguida abriu a porta para a moça, cheio de floreios.

– Cuide bem dela. – disse Angeline apoiando – se na bengala

O caminho até a mansão Maensen seguiu tranquilo e o Sol que passava pela janela tocava a pele de Charlotte lhe dando a sensação de segurança, ela estava voltando para seu distorcido lar, que ela tanto amava.

– Doeu? – perguntou Aleksander mantendo os olhos na rodovia.

– O que?

– Fingir se dar bem comigo? – um leve sorriso perpassou por seu rosto, enquanto Charlotte abaixou a cabeça para pensar e sorriu em seguida.

-Não.

– Como você acha que seu pai irá reagir quando nos ver juntos?

– Vamos descobrir daqui a pouco.

O caminho seguiu com conversas triviais e negócios da família, ao fundo a música clássica fazia com que eles se distraíssem, enquanto o rapaz de jaqueta de couro observava os dois, sentado no banco de trás e sorrindo.

– Ele é mesmo o escolhido. – Éolo de braços cruzados, sumia aos poucos de dentro do carro…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

-Bom dia senhora. Eu sou amiga da Charlie e ela não apareceu na Faculdade hoje e me preocupei, estão dizendo que ela teve problemas na noite passada, eu posso entrar e vê – lá? – perguntou a moça de vestido preto e cabelos vermelhos,

– A menina Charlie, não está em casa. – respondeu Norah desconfiada.

– O que foi Norah? – perguntou Andrew que secava as mãos.

– A moça diz ser amiga de Charlotte.

– Sou Vyolette. Vyolette Mon’t Blanc. – disse ela adentrando a casa sorrateiramente e estendendo a mão para o irmão mais velho de Charlotte.

– Andrew Maensen, seu pai…

– Sim. – ela disse interrompendo.

– Norah, deixe – a na sala.Charlie chegará em breve.

– Mas Joseph não foi busca – lá e nem o senhor Olivier.

– Ela já vai chegar Norah. – Andrew sorriu malicioso para a velha senhora antes de sair e ficou a espreitar próximo a porta da cozinha.

“Ela pensa que não sei quem ela é? Vai ser bom pra essa aí ver com que Charlie vai chegar…”

Andrew sabia da rixa que a irmã e a moça sentada na sala possuíam, sempre soubera, mas nunca precisou interferir, Charlotte resolvia seus problemas sozinha, não seria ele o tolo que atravessaria seu caminho, ele sabia que a mancha roxa escondida sobre a maquiagem da outra fora feita por sua irmã.

– Pai. – chamou ele. – A senhora Svalden ligou.

Olivier subiu a escada, trôpego e piscando os olhos.

– Aconteceu algo? – perguntou ele preocupado.

– Não, é só pra avisar que o filho dela trará Charlie pra casa, só acho que alguém pode morrer no caminho. – disse ele rindo.

 

O som do carro tirou Norah de seus afazeres e á fez correr até a porta esquecendo – se da visitante inesperada que já se levantava com um sorriso triunfante.

Charlotte vinha dando gargalhadas enquanto Aleksander distraído tinha voltado a segura – lá pela cintura, e trazia sua mala.

– Menina Charlie. – disse Norah torcendo o avental, enquanto Vyolette assomava atrás dela.

O sorriso de Charlotte morreu nos lábios, mas ver a fúria da outra lhe deu um imenso prazer.

– Norah. Minha Norah, eu estou bem. – ela soltou Aleksander, que estava pálido e abraçou a governanta.

– A moça diz ser sua amiga, honestamente não gosto dela – disse Norah sussurrando enquanto abraçava a moça.

– Não se preocupa vou coloca – lá no lugar dela. – e piscou, soltando – a.

– Aleksander Svalden, não sabia que tirava a ralé da cadeia agora. – perguntou Vyolette com petulância.

– Vyolette Mon’t Blanc, pisando no meu solo sagrado, a que devo o desprazer.

– Vim te dar os parabéns pela encrenca em que se meteu. Aliás, o que você veio fazer aqui Aleksander, além de trazer a presidiária.

– Eu não fui presa, Mon’t Blanc. Para seu desprazer. – respondeu Charlotte revirando os olhos.

– Ela dormiu na minha casa. – ele respondeu sem cerimônia, deixando a mala de lado e voltando a segurar Charlotte pela cintura. – Charlie precisa descansar agora, eu converso com você outra hora Vyolette.

Vyolette  desceu os degraus com o ódio estampado na face e segurou o braço de Charlotte, que se desvencilhou de imediato.

– Na minha casa mando eu Mon’t Blanc. Se eu fosse você sairia sem estardalhaço, as coisas não ficariam somente entre nós como da outra vez…

– Você me paga Maensen…

– Com juros querida, na hora em que você quiser. – respondeu Charlotte.

Vyolette sentiu a face arder de ódio e buscava freneticamente as chaves do carro na bolsa.

“Eu vou mata – lá. Eu juro que vou mata – lá.”

 

– O que foi isso? – perguntou Aleksander, que sentia um frio lhe percorrer a espinha.

– Nunca junte uma Maensen e uma Mon’t Blanc no mesmo lugar. – respondeu Andrew.

– And! – a garota abraçou o irmão efusivamente.

– Hey cabeça dura, não bastava atirar não é mesmo? Tinha que ter o pacote de encrenca inteiro. Você é uma verdadeira Maensen, maninha. – disse Andrew sorrindo.

– Minha pequena princesa ao lar retorna. Aleksander, agradeça á sra. Svalden por mim e obrigado por trazer minha Charlie de volta.- disse Olivier que vinha acompanhado por Sorento, que apenas acenou com a cabeça em direção á garota, Charlotte limitou – se á sorrir para aquele que sempre estivera ao seu lado.

– Onde está Joseph?

– Tomando banho, ele iria busca – lá. – respondeu Olivier. – Aleksander, aceita tomar algo?

Ele olhou em direção á Charlotte e esta fez um muxoxo e fez sinal de afirmação.

– Mas é claro sr. Maensen.

Aleksander ajudou Charlotte e levar a mala para seu quarto, enquanto Olivier pedia a Norah que fizesse algo para comerem, afinal o dia havia começado agitado na mansão Maensen.

– Finalmente meu quarto. – disse Charlotte se jogando na cama e afundando no edredom.

Ele olhava tudo sem parecer entender o que era ali.

Nas paredes mescladas em tons rosáceos e escuros ele se perdia, Havia dois ou três retratos na parede, emoldurados com arabesco que remetiam ao ferro torcido e forjado no fogo, na penteadeira creme haviam pequenas caixas prateadas com pequenas flores rosas, azuis e verdes em madreperóla. O quarto tinha uma parede arredondada onde o papel de parede de flores parecia ganhar vida próximo a cama de dossel branca. Era um conto de fadas misturado á mistério.

– Seu quarto, não lembra em nada você. – foi tudo o que Aleksander disse, deixando a mala encostada a porta.

O que tirou Charlotte de seus devaneios e a trouxe de volta a sua realidade.

– Quem diria que você estaria aqui, no meu recanto depois de quase nos matarmos.

Ela sentou – se na cama , na posição de lótus e tirou o sapato, cobriu parte das pernas com uma almofada e bateu na cama.

– Sente – se.

Aleksander obedeceu e se sentou ao lado dela. O silêncio era inquebrável e nenhum deles ousava falar.

– Não vai dar certo. – disse Charlotte

– Pelas nossas família, nós precisamos fazer dar certo.

Eles se olharam nos olhos e cada um em seus pensamentos admiravam sem entender o rosto diante de si.

A voz dentro da cabeça de Charlotte ria desdenhosa, a fazendo ter calafrios e balançar a cabeça espantando a sensação ruim que parecia tomar seu corpo.

– Vamos, antes que meu pai invada o quarto.

Aleksander sorriu e se levantou dando o braço para ela, que girou a cabeça fazendo careta.

– Vai ser sempre assim? – perguntou ela

– Ora eu sou um cavalheiro, nós só naõ tivemos a honra de sermos apresentados corretamente, Charlie. Permita – me.

Ele soltou a mão dela de seu braço e estendeu – lhe a mão.

– Senhorita Mansen, prazer sou Aleksander Svalden. É uma honra saber que Deus ainda manda anjos visitarem -nos de vez em quando.  – ele pegou a mão dela e levou até seus lábios, depositando um beijo ali e olhando diretamente para os olhos dela. – A senhorita tem olhos lindos.

Charlotte sentiu a pele arder e soltou a mão rapidamente das mãos dele.

– Típico cafajeste. – ela sorriu

– Eu tento. – disse ele encabulado, e ajeitando uma mecha do cabelo dela que cairá sobre os olhos. – você fica linda quando sorri.

A mão dele parou no rosto dela e ali ficou, Charlotte a pegou com as duas mãos e soltou.

– Precisamos ir. – nem ela mesma teve reação.

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– Charlie? – chamou Joseph no corredor, ao que a irmã virou – se e correu para abraça – lo.

– Joe. – Charlotte o abraçou efusivamente.

– Companhia? – disse ele acenando com a cabeça na direção de Aleksander.

– Ele se ofereceu pra me trazer e pra acertarmos algumas coisas.

– Entendo. Espero que vocês não decidam se matar até o fim do dia. – disse ele sorrindo para irmã.

– Prometo que até o fim do dia não irei mata – lo.

A tarde seguiu animada e a conversa tranquila já havia deixado o ambiente calmo novamente.

– Charlie, vai ter uma festa a fantasia hoje próxima da aqui. – disse Andrew olhando a tela do celular e sorrindo malicioso.

– É sério isso, sua irmã acaba de chegar e você já quer arrasta – lá pro mundo de novo Andrew.- disse Olivier lhe dando um tapa na cabeça, ao que todos riram.

– Papai não se preocupe, eu tenho os melhores guardas – costas do mundo. – disse Charlotte piscando para Andrew.

– E você Aleksander, vem conosco? – perguntou Joseph

– Vou passar essa. – disse ele levantando – se e olhado no relógio. – minha mãe deve estar louca já me esperando e os últimos dias tem sido bem movimentados, mereço um descanso. Se vocês me derem licença, eu…

– Eu te acompanho. – disse Charlotte se levantando e indo esperar Aleksander na porta enquanto ele apertava mão dos outros.

Charlortte e Alesander deixram o recinto como se nada tivesse acontecido e caminharam até a porta, em silêncio.

– Muito obrigado por isso. – disse Aleksander e se aproximou de Charlotte, afastou a mecha de cabelo de sua bochecha e lhe deu um beijo.

– Estamos defendendo nossas famílias, Svalden eu cumpro o que prometo. – disse ela sussurrando no ouvido dele.

– Até mais Charlie.

– Até mais Alek.

A porta se fechou atrás do garoto enquanto Charlotte subia as escadas com pressa e celular em punho.

– Nef, temos uma festa á fantasia pra ir, vem pra cá agora.

– Garota onde você vai arrumar fantasia em cima da hora? – perguntou Nefertithy do outro lado.

– Me diz o que o dinheiro não pode comprar nessa cidade Nef?- a amiga riu do outro lado e desligou o telefone.

– Esse Svalden e sua irmã estão aprontando, quero que fiquem de olho, se ele fizer algum mal a sua irmã, matem – no. – disse Olivier que achava engraçado os dois se darem bem da noite para o dia.

Andrew gargalhou e saiu ao lado de Joseph.

– Vamos tentar arrumar alguma coisa pra vestir.

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A noite não demorou a chegar e Aleksander, rolava de um lado á outro da cama, a cabeça dava voltas e ele não achava algo melhor pra fazer, pegou o celular e viu a ligação perdida de Vyolette, mas ignorou.

A tela brilhou uma vez mais e ele decidiu atender.

– Leo, o que conta de novo? – perguntou ele já se levantando e sentando a beirada da cama.

– Festa, garoto. Tá por onde? – perguntou o outro animado já pelo efeito do alccol.

– Em casa, não estou a fim de sair hoje.

– Maensen, suponho? – Leopold riu. – ela causa esse efeito de orgulho ferido mesmo.

– Não tem nada a ver com aquela garota. – respondeu Aleksander furioso e passando a mão no cabelo. – Só quero ficar na droga da minha casa.

– Beleza, vou te deixar em paz, mas se mudar de ideia tô te enviando o endereço por mensagem, se mudar de ideia.

– Não vou. – e desligou o celular, enquanto fracas batidas na porta se ouviram.

– Entra.

– Aleksander, em casa hoje? – perguntou Nhara que já se sentava ao lado do filho, vestida em uma camisola de cetim laranja e apertando – lhe a mão.

– Ok, estou saindo, todo mundo já me fez essa pergunta hoje só por que eu decidi ficar em casa.

Ele sorriu para a mãe e se levantou da cama procurou uma roupa qualquer no guarda – roupa, enquanto Nhara observava como o filho havia crescido e como se parecia tanto com o pai.

– Você não precisa ir, Alek. – disse Nhara respirando fundo e vendo a foto na cabeceira da cama.

A lembrança da filha fez com que ela colocasse a mão sobre o coração e voltasse a olhar para Aleksander que já estava quase pronto. Pegou o celular na cabeceira da camar e a arma na gaveta, colocou – a o coldre e deu um beijo no alto da cabeça de Nhara.

– Não vou demorar…

ele desceu os degraus da escada apressado, bagunçou um pouco o cabelo e pegou o celular no bolso, olhou a mensagem e decorou o endereço, pegou a chave do carro.

“Vai ser bom.” – pensou ele

As luzes eram ofuscantes. Verdes, azuis, vermelhas… Malabaristas lançavam objetos ao ar, enquanto engolidores de fogo dançavam com suas labaredas e ciceroniavam as pessoas fantasiadas da noite.

– Droga, Leo. – ele bateu no volante do carro e pegou o celular pra ligar.

– Alek, meu garoto, e aí? – respondeu Leopold em meio a barulho de música alta

– Festa á fantasia? Tô voltando pra casa.

– Hey, onde você está eu dou um jeito.

– Tô no portão dentro  do meu carro.

Não demorou muito para que Leopold aparecesse com uma mascara dourada, um paletó preto de lantejoulas e um chapéu coco no estilo Charles Chaplin, o All Star preto ganhou manchas prateadas vinda de um spray e a calça jeans fora rasgada nos joelhos.

– Agora vamos curtir, por que a noite é uma criança.

A casa estava apinhada de gente, haviam anjas, bruxas, múmias, vampiros e fantasmas, tudo muito bem elaborado. Velas em locais estratégicos e cortinas pesadas de veludo preto e vermelho, bartenders tinham o rosto pintado de esqueleto e vestiam apenas uma calça preta segurada por suspensórios. Drinks fumaçantes voavam pelo ar partindo de mãos habilidosas.

Aleksander se serviu de uma cerveja e a viu, um anjo vestido de preto, com um vestido curto rendado, com tule e mais tule por baixo, dando a impressão de uma dançaria de balé alada. O cabelo preso em cachos com pequenas hastes de metal dourado, e uma mascara em forma de  Lua que deixava somente sua boca a mostra, lábios de um vermelho sangue o que deixaram hipnotizado. ela virou – se por um instante e a Fênix em suas costas parecia dançar embaixo das asas.

Ela se virou e sorriu, caminhando na direção dele.

– Quem é você? – perguntou ele rouco e totalmente sem ação

– Está noite? – Sussurrou ela bem próxima ao seu ouvido, fazendo – o fechar os olhos e deixando o arrepio quente correr por seu corpo. – Seu maior desejo e seu pior pecado.

Ela entrelaçou uma das mãos em seu cabelo, enquanto a outra fazia zigue – zague em suas costas.Os lábios se encontraram e para ambos a noite começava ali.

Ao lado do casal alguém sorria satisfeito e sumindo no ar como a fumaça dos drinks…

CONTINUA…

Com amor para Bella… ❤

 

 

 

2 comentários em “Vendetta Pt.7 – Anjos e Demônios

  1. Eu não acredito ! Estou surpresa ! ( quase voei da cadeira kkk)
    Agradeço muito pelo carinho e por dar continuidade nesse trabalho incrível, li cada linha com uma fome tremenda de saber mais e mais. Ansiosa e na expectativa de nutrir minha mente com seu dom. Um grande beijo e abraço.

    Curtido por 1 pessoa

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