Um estranho á espera…

Por Lillithy Orleander

persefone

#Desafio de Deuses Mitológicos

“Eu não caminharia entre mortais, mas os receberia de braços abertos.”

Acredito que ele sempre esteve lá me observando, sorvendo cada passo meu e aquilo era irônico se não fosse metódico.

Nos balanços de minha infância, nos portões de minha adolescência…

Eu me formaria naquele ano e me despedia de todos que cresceram ao meu lado, sentia – me uma tola, parecia que todos iriam morrer.

Afastei o pensamento de minha cabeça e foquei no vestido que agora eu experimentava, era minha formatura, uma transição muito importante, eu me via no espelho e me sentia divina.

Optei por um vestido preto, com corpete rendado e o saiote cravejado de pequenos cristais, a vendedora me deu as luvas para colocar, mas lhe disse que não queria.

O vestido era perfeito, e contrastava com minha pele clara e meus cabelos loiros, eu ficaria linda.

Eu olhava para o espelho como uma criança admirada com aquele tão sonhado presente de Natal, rodopiando sobre a plataforma redonda, feliz eu estava.

Eu o vi pela janela com as mãos no bolso de um paletó antigo me observando a sorrir, é coisa da minha cabeça disse eu, como mamãe sempre disserá:

“Core, minha querida são coisas de sua cabeça. Sua imaginação é muito fértil deveria escrever…” – e saia de meu quarto a sorrir, cresci e parei de falar que vez ou outra lá ele estava.

Voltei – me novamente para o espelho e dessa vez sorri, ele não havia envelhecido um ano sequer, sempre fora um belo homem.

O grande dia chegou…

Harvey estava deslumbrante e colocou delicadamente o arranjo em minha mão, a limousine branca nos esperava, não havia como sair nada errado.

Ele abriu a porta do carro para mim e antes que eu pudesse entrar lá estava ele, nos observando, de longe, mais bonito do que o normal.

Em trajes de gala, como um verdadeiro cavalheiro, o vi acenar com a cabeça e sair caminhando.

-Core? – perguntou Harvey que agora olhava na mesma direção que eu.- aconteceu algo?

-Não, me desculpe. – balancei a cabeça e sorri.

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Ela era linda…

E eu havia acompanhado cada passo de minha bela flor primaveril, eu a amava. Desde sempre, do primeiro sorriso até a última lágrima, eu poderia ser quem era, da forma que era e “governar” o que governava, mas eu a faria feliz e ela me faria feliz…

Era o baile de formatura dela, era a ultima vez que este mundo veria a luz dos olhos dela, mas a veria tão bela e resplandecente como jamais vira.

“A mim foi dado o submundo, um reino de muitas moradas.

Á mim foi dado a pureza e a paz dos guerreiros amados.

Em sua alma está cravada sua hora,

e nas noites fria minha canção lhe embala os momentos de tua existência.

Sou o inicio de uma nova vida, esquecida, redimida…

A morte entorpecida de amantes apaixonados.

Te esperarei durante eras e de bom grado lhe darei os Elíseos.

Sede pois doce lembrança, no sorriso alheio que a ti se devota.

Caminhais por terra adorada, e do Tártato te afastais,

para que da água do Lete de tua memória se livrai…”

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A noite correu gloriosa, alegre, entre brilhos e sorrisos, bons e velhos amigos, que eu sabia, em alguns casos eu demoraria a ver novamente.

Harvey cansou de dançar e assim como os outros garotos se sentaram em um canto  para falar de futebol. Em meu grupo de amigas, falávamos do futuro, havia as queriam se casar, outras viajar e tinha aquelas, que assim como eu, queriam conhecer o mundo.

Não vi quando ele entrou, só percebi sua presença, quando ele estendeu – me a mão com um sorriso alvo.

Eu nem se quer perguntei seu nome e me levantei. Dançamos sem nada dizer, e ao redor parecia não existir ninguém.

-Você está linda. – disse – me ele sorrindo. Seus olhos eram verdes e tinham um ar de mistério sutil que me encantava.

A noite agora nos pertencia e nada mais importava, o tempo parou e nós fazíamos parte de um sonho enevoado de conto de fadas, ele era perfeito e pela primeira vez em minha vida senti como se nada mais faltasse.

Não havia dor, não havia tristeza, não havia culpa e nem mesmo o que estava ficando para trás. A música agora soava longe, uma mistura de alegria e melancolia bailava no ar, fluindo da doce harpa…

-Hades, minha senhora. Seu escravo pela eternidade, amada minha.

-Dê – me um nome doce senhor e de ti farei parte e serei consorte em teu doce abraço…

A névoa subia lenta e envolvia o casal apaixonado, deixando no ar o perfume de lírios e damas – da – noite, a música estava a tocar, e como uma visão, os enamorados sumiram, como se jamais houvessem existido.

“Minha doce e amada Core, donzela encantada pelos raios de Sol,

Senhora de cantos imaculados e de sonhos adocicados.

             [ -Vinde á mim, pobre deus e escolha – me por amante.]

Provais de tão saborosas romãs e dos campos Elíseos sede rainha

Rainha minha e de um mundo vasto.

Sede pois o balsamo dos que aqui choram, 

E alegria dos que aqui renascem.

Sede mãe, sede deusa honrosa, no nascer do Sol e da Lua nossa.

Que no submundo ordenas, Pérsefone deusa negra,

E nas paragens onde bailam doces açucenas,

Venha Core, minha deusa ingênua…”

FIM.

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