Férias Macabras (Pt. 2) [+18]

Escrito por Mille Meiffield e Lillithy Orleander

nai

NATASHA

O gosto do beijo da Naia era diferente, era doce, quente. A boca dela era diferente. Era diferente porque era ela. Eu sabia que não devia, mas acabei me apaixonando.

Estava começando a me preocupar, Mille havia ido embora sem falar com nenhum de nós e agora o Saul saiu e ainda não voltou. Ele já devia ter voltado para a sala.

A taça de vinho dele ainda estava cheia. Naia havia ido à cozinha pegar mais uma garrafa de vinho. Não sei o que eu vi nela, mas ela é especial…

– Atrapalho alguma coisa? – perguntou

– Claro que não, chega mais! – eu disse, já estava bem alegrinha por causa das bebidas.

– Onde está a Naia? – me perguntou ela, eu sinceramente nem ligava que ela estivesse ali tão tarde, era uma pessoa bacana e solicita e com certeza ficaria feliz por mim.

Foi na cozinha pegar mais vinho. Eu já estou meio zonza, mas quero comemorar.

– Comemorar? – ela fez cara de espanto.

– Eu a pedi em namoro e ela aceitou, não sei como vamos fazer morando em diferentes estados, mas…

– Eu resolvo isso para você…. Quer dizer, Naia pode ficar na minha casa quantas vezes e pelo tempo que quiser. – disse ela sorrindo.

– Obrigada! – Abracei – a com muita alegria, ela era muito especial e sempre resolvia tudo.

NAIANE

Peguei a garrafa de vinho e duas taças limpas. Eu não queria magoar a Nat mas…

Embora fosse legal ficar com ela, namorar não era a minha “praia” nesse momento.

Eu queria ficar sozinha, dar um tempo, esquecer aquele cretino safado que mentiu para mim. Mas a Nat era tão doce e carinhosa, eu não podia e nem queria magoá-la. Bebi mais da metade da garrafa de vinho sozinha e então abri outra. Não queria que a Nat pensasse que eu precisava ficar bêbada para ficar com ela. Voltei para a sala e vi que Nat estava acompanhada.

– Me trocou é? – indaguei sorrindo.

– Que nada, apenas conversando um pouco enquanto você não voltava.

– Não estava encontrando o saca rolhas.

– O Saul disse que sempre amarrava um na lateral da geladeira para não perder. – disse ela.

Me sentei no colo da Nat, o perfume daquele louco cabelo azul me deixava torpe. Eu sempre soube do que gostava, não sou lésbica. Mas a Natasha era diferente. Nos conhecemos como todo mundo aqui. No blog de contos que a Quel criou. Falando nisso…

– Nat, você já viu o novo conto que eu postei?

– Ainda não, amanhã sem falta eu leio. – respondeu ela um pouco vermelha por causa do vinho.

– Vou deixar vocês duas à sós, quero conversar com o AJ antes que ele durma. Quero ver se ele já baixou os jogos de guerra que ele havia me mostrado.

– Detesto esses jogos. – falei.

– A Quel queria falar com você sobre tarot, não lembro bem o que era mas acho que dá para esperar até amanhã. – disse Natasha.

Nosso amigo foi embora e logo a “coisa” esquentou. Montei no colo da Natasha e comecei a beijar seu pescoço, senti suas mãos acariciando minhas costas e descendo até encontrarem minhas pernas. Ela aproveitou nossa posição, afastou o decote da minha blusa e aproveitando que eu estava sem sutiã abocanhou meu seio me fazendo gemer.

– Nai, vamos para o quarto, alguém pode nos ver aqui.

Levantamos e fomos para o quarto cambaleantes. O vinho já fazia o seu efeito.

RAQUEL

Alguma coisa estranha estava acontecendo e minha intuição dizia para eu não abrir a boca para ninguém, nem para os amigos mais próximos. Dan estava roncando, então decidi levantar e dar uma caminhada em volta da casa. Mille não iria embora sem falar com ninguém e cadê Saul que deveria estar no quarto dormindo? Eu não acredito em acaso.

Preciso pensar. O que pode estar acontecendo?

Virei para os fundos da casa e vi Gabi e Daia conversando com Clay.

– O que vocês estão fazendo aqui fora nesse frio? – perguntei.

– Não estamos conseguindo dormir e estamos preocupados. – disse Daia.

– Saul e Mille? –

É. – disse Gabi.

– Eu não engoli essa história da Mille ter ido embora. Se ela fosse, ao menos com a Lua, ela teria falado.

– A Mille é meio complicada com os problemas dela. – disse Clay. – Acho que ela pensou que fosse incomodar. Ela é assim.

– Não sei não, estou com um pressentimento muito ruim…

NATASHA

O corpo de Naia convulsionou de prazer sob o meu. Eu sabia que ela não gostava muito de mulheres mas também sabia que ela gostava do que estava rolando. Ela estava muito bêbada e logo adormeceu. Resolvi deixa-la no quarto dela descansando e fui para o meu.

RAQUEL

– Quel, você acha que algo ruim aconteceu à Mille? – perguntou Gabi

– Tenho certeza Bi, ainda não sei o que é, mas tenho certeza. respondi tentando achar algo que me dissesse que eu estava errada, mas eu sabia que não estava.

– Temos que procurar Saul. Se ele também não aparecer vou começar a ficar muito preocupado. – disse Clay.

– Tem razão Clay.

Daia estava assustada mas tentava esconder ao máximo.

– Não podemos ficar sozinhos, daqui em diante vamos ficar sempre em duplas. – A Mille sempre gostou de ficar sozinha, pode ser por isso que ela foi a primeira a desaparecer.

NAIANE

Não sabia que horas eram nem por quanto tempo fiquei dormindo, Nat não estava aqui e ainda era de noite. Minha boca estava seca. Levantei e fui até a cozinha beber um pouco de água. Abria geladeira e procurei uma garrafa de agua bem gelada mas a maioria estava quente ainda, a Lua demorou até vir colocar a àgua na geladeira. Fui até o anexo da cozinha pegar uma garrafa de vinho gelada na adega, estranhei ao ver a porta entreaberta, ela estava lá, sozinha, parecia que estava chorando, isso nunca acontecia, pelo menos não que eu tenha notado.

– Naia? – indagou. – O que está fazendo aqui?

– Estou louca por uma bebida gelada. Minha boca está seca.

Ela pareceu secar o rosto com as costas da manga da blusa, eu não me lembrava de vê – lá lá fora, mas seu sapato estava sujo de barro, aquilo me fez olhar para o relógio, era muito tarde para qualquer um de nós ficar passeando pelo lado de fora, mas todos nós tinhamos hábitos tão estranhos que deixei passar.

-Pensei em tomar um vinho, um Sauvignon parece ser uma boa idéia. – disse eu

-Eu te acompanho, claro se você não se importar.

-De jeito nenhum. – o sorriso estampou – se em seu rosto e isso fez com que ela corresse para pegar uma garrafa.

A adega era fria e passei as mãos pelo braço tentando espantar, além dele uma sensação desconfortante, tinha algo errado, em mim alguma coisa gritava isso, mas preferi espantar esse pensamento, afinal, estavamos entre amigos, o que poderia acontecer de errado.

Voltei a cozinha e lavei as taças que eu havia usado com Nat, não queria deixar bagunça, enquanto esperava minha companhia voltar com o vinho, eu não sabia escolher muito bem, então era melhor deixar nas mãos de quem entendia.

-Nai? – ela chamou. – Você me deixou lá sozinho pra escolher, poxa queria que você desse sua opinião sobre a safra que você queria. – ela parecia se divertir com aquilo, fazendo cara de criança travessa.

-Achei melhor deixar com quem entende. Você sabe não sou muito boa com essas coisas.

-Se eu tentasse te envenenar você nem saberia… – ela riu e a ideia quando me passou pela cabeça, fez com que eu me arrepiasse.

Seria só mais uma taça, a minha cabeça estava me pregando peças e acho que era o efeito do álcool.

SAUL

-Por que ela não consegue nos ouvir, ela vai morrer. – disse Mille que agora olhava para nosso assassino com pesar e revolta.

Nós o amávamos, e nada explicava o que ele estava fazendo conosco. Pelo o que conseguimos entender, ele mataria um á um e não parecia sentir remorso quando anotava detalhes macabros de cada morte.

Eu o vi, queimar a ponta de meus dedos e meu rosto, era incrível e inescrupuloso o modo como ele possuía habilidade para fazer aquilo.

Ele esperou meu rosto ficar desconfigurado para arrancar minha arcada dentária. Se descobrissem meu corpo algum dia, eu seria nada mais que um indigente entre tantos.

-Mille você teve sucesso com a Quel? – perguntei desanimado.

-Ela está desconfiada, mas tenho medo de que ele descubra antes e a mate também.

-Precisamos agir rápido…

DANILO

Era estranho dois sumiços já e ninguém se importava, e do nada a Raquel resolve mudar da água pro vinho.

Está sempre andando pelos cantos agora, olhando todos com desconfiança, até a mim, e aquele caderno que ela anota tudo, não larga mais. Umas manias estranhas…

Tô começando a ficar preocupado

NAIANE

Colocamos o vinho nas taças e nos sentamos em silêncio no sofá, meu corpo passou a não me responder e sentia – me perdendo o controle sobre ele.

Ela não olhava nem para o lado, apenas olhava para o fogo que crepitava na lareira, pensativa. Meus dedos perdiam a força e soltaram a taça no chão. Eu tentei levantar mas não deu certo, entrei em pânico.

Queria gritar para pedir ajuda e tentar dizer á mim mesma que estava  bem, mas a voz não saiu.

Ela sorriu ao lado, jogou o vinho na planta ao lado do sofá e veio checar meu pulso.

-Não era bem assim que eu esperava, mas vou ter que dar um jeito nisso.

Meu corpo foi arrastado, escada abaixo, no porão. Estava escuro e eu escutava o guinchado de ratos era desesperador. Por que estava acontecendo aquilo.

As luzes foram acesas, enquanto eu rolava a escada, meus olhos ardiam em lágrimas, enquanto meu corpo tentava se retrair sem conseguir.

Ela descia as escadas com uma seringa na mão, perfurando o frasco leitoso entre os dedos.

-Sabe Nai, eu sempre gostei muito de você, e sempre te achei cheia de vida e garra, mas você me entende não é, tem coisas que são necessárias serem feitas, e eu não posso me arriscar e correr nenhum um risco aqui. É tudo em função de um bem maior. E vocês todos serão lembrados, serão famosos…

A mesa tinha alicates, brocas e o que parecia ser a ampolas minusculas com um liquido amarelo.

-Você não vai sentir nada, não se preocupe. A injeção foi aplicada em meu braço, queimava e eu nem consegui gritar, meu coração se acelerou. Enquanto ela colocava fones de ouvido no último volume.

A música de minha morte era Dust in the Wind na voz de Sarah Brigtman…

Meus dedos eram cortados, e em seguida minha cabeça raspada, o chiado de uma colher quente adentrou meu glóbulo ocular, eu senti o ardor, e vi um de meus olhos na palma de sua mão, enquanto meu rosto sentia a frieza do sangue que corria.

Gazes foram colocadas para estancar o sangue, eu não sentia mais minha pernas, nem meus braços, enquanto um liquido marrom de cheiro forte era passado por todo meu corpo.

Minhas roupas foram arrancadas e jogadas no aquecedor antigo da casa, que funcionava com carvão.

Ninguém aparecia e ninguém notou. Outra injeção e meu coração parou. O único olho que me restou parado no tempo, olhando para a bancada. Cianeto de Hidrogênio…

MILLE

– Nai! Nai! – eu gritava o nome dela nervosa, ela parecia presa em algum pesadelo. Um pesadelo real.

-Mille? Saul? Como é que?

-Estamos mortos. – respondeu Saul.

-Mas por que? – ela nos perguntou em lágrimas.

– Ainda não sabemos.

A coisa estava ficando pior, nosso assassino, agora aprimorava seus instintos de crueldade, e nós temíamos o que nossos amigos ainda vivos teriam que enfrentar…

CONTINUA…

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