Férias Macabras (Pt. 1) [+18]

Por Mille Meiffield e Lillithy Orleander

 

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DAIANA

Sei que estava de férias, mas o hábito de levantar as cinco da manhã às vezes me perseguia, hoje era um desses dias. Levantei faltando cinco minutos para as cinco. Mille também acordava cedo, mas acho que resolveu dormir um pouco mais hoje.

Liguei a cafeteira, lembrei que Luca é do tipo que não vive sem café e sem ele, ele fica de péssimo humor. Preparei um chocolate quente com canela, peguei uma xícara e fui ler na varanda dos fundos. Estava frio, mas como estava envolta em um edredom e com o chocolate  quente nas mãos, me mantive aquecida. O dia começava a clarear, o céu carregado de nuvens. Acordei assustada com o barulho da porta batendo. Cochilei enquanto lia. AJ e Clay saíram da casa e vieram sentar ao meu lado.

-Dia, Daia. – cumprimentou AJ

– Bom diaa. – Clay estava radiante.

– Dia meninos. – respondi

Coloquei o livro na mesinha ao lado do sofá e me virei para os meninos.

– Como esse povo dorme. Pensei que fôssemos almoçar todos juntos hoje.

– O Lucas acordou cedo e foi comprar algumas coisas na cidade. Quel e Dan estão tomando banho e dos outros não sei – Disse Clay.

– A Lua já acordou. Falei com ela agora a pouco, mas ela achou melhor ficar na cama por que está enjoada. Vou acordar os outros. Preciso ver com o Saul onde vamos fazer o churrasco já que está tão frio.

Os meninos ficaram na varanda tomando café e eu fui até o corredor dos quartos no segundo andar. Bati de porta em porta acordando quem ainda estava dormindo, afinal estávamos de férias. Passei pelo quarto da Mille e notei uma mancha vermelha na maçaneta. Parecia sangue. Bati algumas vezes na porta e não houve resposta. Quel saiu do quarto bocejando e com os olhos “apertadinhos” de sono.

– O que houve Daia? – indagou e com a mão cobrindo outro bocejo. – Por que está quase arrombando porta do quarto da Mille?

– Ela não responde. Desde ontem não a vejo e tem sangue na maçaneta. Raquel chegou mais perto e arregalou os olhos assustada.

– Mille? – chamou batendo na porta. – Mille, você está aí? – Acho melhor chamarmos os meninos para ajudarem a arrombar a porta.

 

 

MILLE

Acordei sufocada no meio da floresta. A relva úmida fez algumas folhas secas grudarem em minha pele.

Eu estava morta. Sabia disso. Lembrava exatamente de tudo que ele me disse, e da maneira calma e resoluta, como se não pudesse mudar aquilo.

. Minha visão parecia meio turva e não focava em um ponto fixo. Fechei os olhos por alguns segundos e finalmente consegui focar a visão, avistei a casa em que meus amigos estavam ao longe. O assassino também estava na casa.

E o pior de tudo era que todos o amavam, ele jamais pagaria pelo que fez comigo, mas não posso deixar de tentar avisar meus amigos. Eu posso não ter sido a primeira vítima desse maldito, mas com certeza também não seria a última. Ele estava a fim de matar. Seus olhos haviam me revelado isso, enquanto suas mãos me sufocavam. Reuni todas as minhas forças e voltei para a casa. Não podia partir ainda. Precisava avisar algum dos meus amigos. Todos estavam correndo perigo.

 

 

SAUL

A noite caiu fria. Pequenos flocos de neve começavam a formar uma fina camada de gelo no chão. Fui até um dos carros e notei que havia uma mancha de sangue próxima ao porta luvas. Manchas de lama estavam por todo o piso da frente do carro. Uma pequena mancha de sangue estava na lateral da porta do passageiro.

– Saul o que você está fazendo aqui fora com esse frio? – Me assustei ao ouvir a voz, pois não tinha escutado os passos, mas logo me tranquilizei.

– Já está tarde vamos entrar. O jantar já foi servido, só estão esperando você. Daia fez um caldo verde maravilhoso.

– Já vou, estou realmente com fome. – eu olhava intrigado para as manchas e agora me surgiam duvidas de por que elas estavam ali, eu lembrava dos carros limpos.  Mas estou ficando preocupado com a Mille. Ela sumiu o dia todo. Ninguém a viu. E olha só o que eu encontrei aqui na porta.

Me inclinei para mostrar o achado, e senti uma forte dor na cabeça, algo quente escorria por meu rosto e estendi a mão constatando que era sangue, a dor começou a se espalhar, o cabo do machado estava enterrado em meu crânio, meus olhos agora viam o vazio, enquanto escutava quase sem distinção um pedido de desculpas…

– Saul eu não queria que você visse isso, e talvez essa não fosse sua hora, mas você entende né, os fins justificam os meios. Seu eu te deixar partir, você contar para os outros e aí vou ter que interromper meus planos e isso está fora de questão, não tem mais volta… Saiba que eu o amo e que desejo realmente que você descanse em paz. Que os deuses te guardem.

Meus olhos pesaram e senti o leve beijo em minha mão se despedindo para em seguida sentir o solavanco de ser puxado em meio a lama fria.

Acordei no meio da floresta. Sozinho. Um vulto vestindo roupas escuras passou por mim. Ouvia ao longe meu nome sendo chamado.

 

MILLE

-Saul! – gritei. – Saul acorda. Preciso da sua ajuda.

-Mille? – ele ainda estava desnorteado.

– Sim Saul sou eu. – disse pegando sua mão. – Estou morta e você também está.

– Como estou morto? Eu estava vendo algumas coisas em um dos carros e…

– E alguém te matou. Um dos nossos amigos é o assassino e eu não lembro quem. Eu o vi Saul, mas não lembro quem ele é. Também não se lembrava de você, quer dizer, do seu nome, não até ver você aqui.

– Então um deles me matou? – perguntou Saul estarrecido.

– Eu estava morrendo de medo de ficar aqui sozinha, mas não queria que alguém morresse.

– Ei, Mille, está tudo bem. Você não matou ninguém então não tem com o que se preocupar. Vamos, não podemos deixar nossas mortes serem em vão.

A morte de Saul me deixou com medo, não por mim, já estava morta, mas por meus amigos, não queria que mais ninguém morresse. Saul e eu nos aproximamos da casa.

Eu ainda me lembrava do que ela tinha dito, embora de seu rosto eu não lembrasse. No fim ela faria parecer um suicídio, foi o que ela disse, mas por que? Por que alguém que nos amava tanto, nos queria mortos?

“ Mille você sabe o quanto eu a amo, sempre foi a minha melhor amiga entre todos, mas é mais forte do que eu e eu preciso concluir a minha missão. Espero que um dia você possa entender e assim me perdoar. Eles não vão desconfiar. – ela parecia conversar com alguém enquanto eu sentia que minhas forças e meu corpo não suportariam mais aquilo. – Vou fazer parecer suicídio, será um crime limpo e depois, todos ainda dormem…”

 

 

CONTINUA…

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