Paixão Obscura (Pt. 10): A Batalha Final

Por Saul Guterres e Morgana Ownl

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Decidida a se passar por Alícia, Eileen limpou toda a bagunça que havia feito naquela casa algumas horas atrás. Com algumas poções e rituais macabros ela deu um fim nos corpos de Carlos e Dalva, sem deixar sequer algum rastro. Quando os vizinhos que habitualmente frequentavam a casa deles vieram visitá-los ela logo avisou que eles estavam de viagem ao Rio Grande do Sul e como todos sabiam que Carlos possuía uma de suas principais empresas por lá ninguém desconfiou de nada. E tudo ficou por isso mesmo. Na semana seguinte ela resolveu ir à escola para começar seus planos.

Olhou no guarda roupa de Alícia e não encontrou nada do que queria. “A fedelha era como sua mãe”, uma sonsa pensou ela. Então Eileen vestiu o que achou melhor e saiu pelas ruas. Ela precisava conhecer aquele novo mundo e os hábitos de todos, antes de ir para o colégio. Percebeu que chamava a atenção de muitos homens. “Esse dom eu nunca perderei” riu ela em pensamento e seguiu. Com o dinheiro que havia pego do quarto de Carlos e Dalva ela fez algumas compras. Ela reparava em algumas mulheres mais ousadas e conseguia ouvir os pensamentos de todos. Eileen sabia quem poderia lhe ajudar e quem só atrapalharia, sendo assim conseguiu comprar roupas mais descoladas e sensuais e inclusive alguns materiais para seus futuros rituais. Quando retornou para casa já estava quase próximo do meio dia e ela precisava se arrumar para causar em seu primeiro dia de aula. Olhando novamente pelo espelho ela notou que o corpo de Alícia muito se parecia com o seu quando tinha a mesma idade. Por isso logo usou um vestido preto simples, mas que deixava um leve decote e suas pernas bem torneadas a mostra, causando uma sensualidade incrível, e assim ela partiu para a escola.

O sinal já iria tocar, Wilton e Anastácia estavam sentados em frente a escada abraçados. Aqueles últimos acontecimentos haviam os deixados mais próximos. Wilton com medo de perder sua fama agarrou-se a Anastácia que por fim nutria de verdade um grande sentimento por ele. Ela ultimamente andava estranha, sentia dores na barriga, tinha náuseas e sonhava sempre com uma mulher linda que lhe dava conselhos, mas ela sequer comentava isso com alguém, pensava que se contasse a chamariam de louca. O sinal tocou e todos estavam indo para suas salas, quando de repente um alvoroço entre palmas e assobios assustou quem estava longe. Era Eileen que estava estranhamente sensual, entrava provocando a euforia dos rapazes por onde passava. Vendo Wilton e Anastácia ela logo foi até eles.

– Boa tarde amigos! Como estão? Disse ela como uma voz provocante.

– Estamos bem! Respondeu Wilton com frieza!

– Será, mesmo meu querido? Eileen concentrou seu olhar no de Wilton e viu o quanto ele estava apavorado em vê-la parada diante dele.

– Acho que está assustado ao me ver? Posso sentir isso, deixa que eu resolvo essa tensão. Ela se aproximou dele e deu um beijo para lá de ousado. Anastácia que presenciava a cena não conseguiu ter reação alguma, aquela garota agora lhe causava medo, então ela apenas foi para trás de Wilton. Alguns alunos que estavam ali gritavam excitados:

– Deixa um pouco para mim!

– Beija eu sua linda!

– Vem que eu sei fazer melhor!

Então Eileen largou de Wilton e encarou Anastácia, tentando ler seus pensamentos, mas algum bloqueio a impedia de ler a mente de Anastácia. “O que está havendo? ” Pensou ela, mas não deu bola, apenas riu para Anastácia e saiu para sala acenando para os outros rapazes que olhavam para ela. Em aula Eileen começou a ficar entediada. Aquela vida de fato não era para ela, mas ela precisava enfrentar aquilo para estar próxima de Wilton e por tanto passou a frequentar as aulas toda aquela semana. E cada entrada dela era um tumulto perante os rapazes.

Na semana seguinte, dentro da escola não se falava em outra coisa: a volta de “Alícia” e a festa que o time de futebol faria no final de semana na casa do líder do time. Eileen recebeu o convite do próprio Natan que era o dono da festa. Ela agarrou o convite e sensualmente se aproximou dele dando um beijo de agradecimento no rosto. O rapaz por pouco não teve um orgasmo.

Eileen viu nessa festa a oportunidade perfeita para livrar-se do último da linhagem Arthur e conseguir de vez seus poderes e dons por completo. A festa seria no sábado e na sexta ela já estava preparando o ritual. Nesse feitiço, ao ter o coração de Wilton ela encerraria por total a sua origem e com isso poderia para sempre andar pelos dois mundos e comandar seus espíritos para sempre. Ela estava confiante que nada daria errado e sentiu o gosto da vitória em seus lábios.

Na manhã seguinte Anastácia estava deitada chorando, por alguma razão ela se sentia muito sentimental, as dores não passavam e seus enjoos também não. Ela estava com medo. Na noite passada sonhou muito com aquela mulher, ela a alertava do perigo da festa de hoje e que Alícia causaria um grande mal, e que ela deveria se afastar. Porém Wilton algumas horas havia passado em sua casa para combinar o horário que iriam juntos à festa, embora ela estivesse ruim, não deixaria Wilton sozinho por lá. Preferiu ignorar os sonhos e ir à festa de qualquer jeito.

À noite chegou e Wilton estava se arrumando com capricho, ele havia combinado de buscar Anastácia às 23:00. Seu pai que estava sentindo alguns calafrios entrou em seu quarto e ficou admirado do bom gosto de seu filho, de certa forma ele lembrava muito o avô.

– Boa noite meu filho! Disse ele com carinho para Wilton.

– Boa noite pai! Como estou? Disse Wilton sorrindo.

– Está um galã meu filho, como sempre está! Wilton sorriu abraçou seu pai, e nesse momento sentiu uma onda de medo. Parecia que esse seria seu último abraço a seu pai. E intimamente seu pai sentiu o mesmo.

– Gostaria muito que ficasse em casa hoje meu filho, mas sei que na sua idade isso é impossível. Só peço que tenha cuidado está bem?

– Sim pai, vou me cuidar direitinho! Wilton saiu e foi pegar seu carro que estava na rua. Ele olhou para casa de Alícia, uma escuridão parecia dominar a casa, entrou no carro e por um momento pensou ter visto Alícia entre a escuridão, mas olhou novamente e não viu nada. Deu partida em seu carro e levou outro susto ao ver Alícia sentada pelo retrovisor, pensou ter ouvido uma risada, virou-se para trás e viu que estava sozinho. “Só posso estar doido pensou ele” Respirou fundo e partiu.

Em sua casa Eileen se arrumava para seu triunfo, suas primeiras vítimas seriam os pais de Wilton. Após a saída dele e do susto que deu em Wilton, ela dirigiu-se a casa deles. Tudo estava escuro e ela entrou sem ser vista. Havia uma energia diferente no ar e ela logo notou. Quando entrou na sala. Ela se deparou com pai de Wilton sentado à sua espera.

– Eu sabia que você viria! Disse ele! E vim lhe pedir que deixe meu filho em paz, leve a mim! Eu possuo o mesmo sangue e você poderá terminar seu ritual comigo! Por favor Eileen! Um brilho passou pelos olhos dela. Eileen adorava que lhe implorassem e logo deu sua risada fatal:

– hahahahahahahahaha realmente achou que eu cairia nessa? Sei muito bem do ritual de Sarah! Enquanto existir um de vocês eu jamais poderei ter meu total poder. Portanto terminar com isso de uma vez será minha única meta!

– Eu irei impedir você! Uma voz feminina entrou na sala!

– Ora ora! Vejo que as fadinhas resolveram dar as caras por aqui! Disse Eileen em tom de deboche!

– Você não irá machucar meu filho nem meu marido sua louca.

– Tarde demais querida! Eileen levantou as mãos e logo em seguida chamas se espelharam por toda a casa. Ela saiu a tempo de ouvir a explosão. Deu outra risada e saiu em direção a festa, e na casa de Wilton ninguém sobreviveu.

Wilton chegou a casa de Anastácia no horário combinado. Ela estava linda em um vestido roxo, e ele se sentiu orgulhoso de ter ela somente para ele. Chegaram na festa abraçados e tudo corria muito bem. A música estava boa, a comida, a bebida, todos estavam alegres. E quando foi meia noite e meia, todas as luzes se apagaram. Todos presentes estavam tranquilos, achando que deveria ser algum problema elétrico na casa. Mas a risada de Eileen e um raio forte no céu, fez Anastácia ter certeza que não era isso. Quando a luz voltou ela estava parada na porta, vestida como uma deusa. Sua pele parecia veludo e seu perfume parecia embebedar. Todos por onde ela passava pareciam enfeitiçados, Wilton tentou resistir, mas também se sentiu atraído por aquele cheiro. A única pessoa que parecia não surtir efeito era Anastácia. A música voltou, Eileen começou a dançar no meio do salão e ela sabia dançar como ninguém. Todos pareciam hipnotizados por aquela dança e quando a música acabou uma menina que estava com seu namorado, pegou uma faca e cortou a garganta dele, ouviu-se gritos, alguns estavam atirando-se das sacadas. Mais gritos. Outros arrancavam pedaços dos outros com os dentes ou com facas e objetos que achavam pela casa. Parecia que todos haviam enlouquecido. Enquanto Eileen ria sem parar.

Anastácia apavorada assistia tudo aos prantos, seu amado Wilton estava indo direto para os braços de Alicia, ela tentou ir atrás, mas a mulher de seus sonhos apareceu a sua frente mostrando a saída. E dessa vez ela resolveu obedecer.

Todos que estavam na festa acabaram mortos, exceto Wilton, esse Eileen mataria pessoalmente. Ela olhou para ele, como era parecido com Arthur também, então o levou até sua casa e ordenou que se despisse. Ela atirou-se sobre ele e em uma transa quase que animal. Depois atirou ele no chão e o deixou ali como um boneco. Eileen resolveu mostrar a Wilton tudo o que sua família lhe havia causado. As imagens passavam pela sua cabeça como um filme, ele viu seu tataravô Arthur, a paixão dele por Brigith, a guerra entre as famílias e a maldição dos sacerdotes brancos. Wilton estava tonto e sem entender nada caiu. Seu último pensamento foi em Anastácia e na última coisa que ele viu na visão que estaria por acontecer.

Aproveitando que ele havia desmaiado, ela foi para o porão. Pegou seu punhal e disse algumas palavras. Subiu novamente ao quarto e aproximou-se dele lentamente, arrancou o coração dele com uma brutalidade incrível. Depois pegou seu sangue e levou até seu altar, novamente ela cantarolou algumas palavras, os céus pareciam temer a sua ira, raios e trovões fortes ecoavam pela cidade.  Anastácia assustada chorava e não conseguia dormir, porém uma força a fez se acalmar e ela logo adormeceu.

Eileen pode sentir seu poder total, e saiu para comemorar pela noite. Tudo que ela mais queria era ser livre e agora ela havia conseguido.

No outro dia a chacina na casa dos Mercury chocou a cidade, a polícia atribuiu aquilo a alguma droga utilizada pelos adolescentes. Ninguém soube o que de fato aconteceu, apenas Anastácia, mas ela jamais ousaria tocar no nome de Alicia.

Na noite seguinte Eileen estava se preparando para seu último ritual que consistia em aprisionar as almas daqueles que a haviam feito sofrer. A lua estava cheia, tudo estava correndo perfeitamente bem, porém ao terminar suas palavras nada aconteceu. Ela sentiu-se mais fraca, então uma visão a fez perder o equilíbrio. Ela jogou tudo no chão e gritava feito uma louca.

-Impossível, eu vou achar você!! Eu juro, eu mato você, eu mato voceeê….

 

 

 

 

Epílogo

Do outro lado do plano espiritual Sarah e Carlos lamentavam aquele ocorrido. Eles sabiam que em parte as consequências de tudo isso foi atribuído a eles por nunca terem revelado a Alícia sobre o livro e a maldição que ela carregava. Mas os deuses haviam dado uma nova oportunidade para eles consertarem aquele erro e salvar Alícia da prisão de Eileen. Sarah sabia que somente um outro amor verdadeiro atribuído ao último herdeiro de Arthur poderia salvar Alícia. Por isso ela passou a cuidar de Anastácia. Embora no começo ela não gostasse de Wilton, Sarah sabia que o que ela precisava era viver uma grande emoção. E como o esperado com o tempo ela aprendeu a gostar dele de verdade. Carlos ajudava sempre que podia, estava sempre criando barreiras que protegiam Anastácia das invasões psíquicas de Eileen, enquanto Sarah aparecia em seus sonhos como uma guia espiritual.

Todos estavam em alerta para festa que aconteceria naquela noite. Sarah sabia que Eileen atacaria naquela festa. Por isso insistiu nos sonhos de Anastácia para que ela não fosse, mais fora em vão. Então com permissão dos deuses, durante o ataque de Eileen ela apareceu para ela, implorando para que saísse dali. E enfim ela obedeceu. Quando chegou a casa estava muito nervosa e em prantos. Sarah e Carlos imantaram sobre ela energias de amor e logo ela se acalmou e adormeceu.

– Conseguimos Carlos! Logo ela saberá a verdade. Disse Sarah aliviada.

– Sim, logo ela que não gostava de Alícia será sua salvadora. Coisas da vida né? Disse Carlos sorrindo e ambos desapareceram no ar.

Na semana seguinte Anastácia estava muito doente e se viu obrigada a ir ao médico. Naquele mesmo dia ela foi com sua mãe ao consultório. Após o término da consulta ela saiu de lá aos prantos, pediu para sua mãe para ficar sozinha um tempo e ela consentiu. Anastácia foi para a beira do lago. Na verdade não sabia muito o que estava sentindo, apenas sabia que seria muito feliz. Nesse momento Sarah apareceu para ela.

– Sim você será muito feliz, e eu estarei sempre cuidando de você durante sua gravidez! Wilton antes de morrer soube dessa criança e fez uma prece para você! Não tenha medo por ele, agora ele está bem e pede que você ame essa criança como amou a ele. Sarah deu um beijo na face de Anastácia e sumiu nas flores.

Anastácia estava muito feliz, ela amaria sim aquela criança com todo seu coração e com ajuda de Sarah essa criança seria também muito feliz.

Longe dali Eileen se encontrava em uma cabana muito enfraquecida, ela necessitava quase que todos os dias sacrificar animais para poder ainda ficar sobre o corpo de Alícia. Ela viu que um herdeiro de Arthur estaria para nascer anulando por completo seu ritual. E libertando os sacerdotes brancos. Mas ela ainda tinha o livro de Sarah. Sabia que essa batalha seria difícil, mas ela nunca esteve tão próxima de sua vitória e não iria desistir.  Logo acharia um jeito de chegar até essa criança. Custe o que custar! A esse pensamento ela cortou a cabeça de um bode, bebeu todo o sangue e sentiu-se melhor. Ela voltaria… Disso até Sarah tinha certeza!

 

 

 

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