Galamadriel (Pt.17): As Armas

Por Lillithy Orleander

Paul

Lúcifer subia do Inferno com Claire e  Megara ao lado como se já houvesse ganhado a batalha e tudo já fizesse parte de seu domínio.

O cheiro de enxofre cobria cada parte do ar, enquanto do chão a névoa subia densa, com exceção dos demônios menores que agora não escolhiam mais em que corpo entrar, mostrando – se como eram e sabendo que nada nem ninguém poderia impedir sua natureza agora.os que havia tomado corpos agora chegavam de vários lugares unindo – se á comitiva e aumentando os urros e gritos.

Lúcifer olhava a tudo com desdem e tédio, como se não visse a hora de tudo acabar.

-Mande – os se calar,Belial. – disse ele massageando a têmpora.

Belial levantou a lança e o silêncio se fez presente. O assovio fraco então se fez presente e foi ganhando força como se um pêndulo cortasse o ar…

-Esse som é… – Lúcifer sorriu tomando a dianteira, olhando a figura de olhos dourados que agora caminhava em sua direção, trajando um terno elegante e sapatos reluzentes e muito bem engraxados. Os fios de cabelo anelados, dançavam ao sabor da brisa, caindo por sobre a fronte, enquanto a foice balançava de ponta cabeça, dissipando a névoa.

-Caronte, quanto desgosto em vê – lo. – disse ele mostrando os caninos no sorriso forçado, recordando o que o outro havia lhe dito.

-Não é uma honra vê – lo, não me agrada nem um pouco estar aqui, tanto quanto você, mas é necessário que se faça mais uma tentativa para parar essa  insanidade.

-Insanidade, você diz. Eu chamo de recomeço e se você fosse um pouco mais inteligente teria se unido á mim. – disse ele rangendo os dentes.

-Eu não escolho lados, você deveria saber disso…

A foice parou no ar e Caronte lançou – lhe um olhar frio e extremamente duro.

-Suponho que já decidiu o que fazer, não irmão? – perguntou Caronte virando a face, olhando de um lado á outro as ordas demoníacas que estavam diante dele.

-Não sou seu irmão, barqueiro, Você é um erro, criado apenas pra limpar a bagunça que eu e os outros imbecis fazemos. Você acha que tenho medo de você? – perguntou Lúcifer cuspindo as palavras.

-Não. Mas deveria. Lembre – se se todos morrerem o que sobra, cara irmão?

A foice brilhou na mão de Caronte, e este sorriu desaparecendo.

Lúcifer olhou de soslaio, preocupado, mas mandou que Belial continuasse a manchar para encontrar o irmão.

– Onde está Lilith? – perguntou ele de repente.

-Ao fundo meu senhor, trazida por seu séquito. – disse Belial.

-Mande -a vir até mim imediatamente. – disse entredentes.

Como ultima orda a sair dos portões do inferno, vinha Lilith, com a face tediosa, era trazida em um trono por demônios acorrentados e sem chifres, as partes intimas descobertas, mostravam o prazer que eles sentiam ao exercer o serviço doloroso de carrega – lá.

Mulheres semi nuas mostravam seios volumosos com volúpia instigando os demônios á sua volta, exalando prazeres pecaminosos ante á guerra, a estratégia, fazer anjos padecerem diante de súcubos, seduzindo – os e impondo – lhes desejos carnais…

-Minha senhora? – chamou um serviçal de Lúcifer.

-Sim, o que o déspota quer dessa vez?

– Deseja falar – lhe, mi Lady.

-Inferno, já não estou aqui para ver este circo novamente?

Ela levantou – se do trono e tomou a face demoníaca, alçando vôo, avançando sobre as ordas que iam á sua frente.

-Lilith. – ele estendeu a mão de modo cortês e fingido, pousando um beijo suave nas costas da mão da rainha infernal.

-Me poupe desse fingimento barato e me diga logo o que quer. – disse ela impaciente, tirando a mão da de Lúcifer.

-Tudo bem paremos com o fingimento, onde está Sardon?

-Morto. Nunca mande um demônio prepotente vigiar as minhas ocupações.

-Mas eu não mandei… – respondeu ele intrigado

-Mas Belial sim, cuidado com seus generais, no meio de uma guerra você não acha que tem algo errado em alguém tomar decisões por você?

Lúcifer olhou para Belial que ditava ordem para outros comandantes e só então percebeu que derá á ele plenos poderes para mandar e desmandar no Inferno, para sua surpresa também percebeu que com Dyell também foi assim. Traído, ele sentia traído. Quando descobriu que Dyell fingirá todos aqueles séculos ele se enfureceu, matou demônios serviçais que estavam próximos e torturou o portador da má noticia.

O que sobrará de família agora, no fundo Dyell era o que ele tinha. Lilith estava com ele por obrigação, odiará o Inferno desde o primeiro instante, odiava se deitar com ele, Claire era sem graça, e o  único que tinha em alta confiança á seu lado era Belial, agora parecia que nem isso era verdade.

Ele sentia – se rejeitado e ludibriado, ele era o mais belo e agora constatava que era o mais tolo. Tudo o que havia feito até aquele momento havia sido em vão e sem finalidade alguma, até as almas que conseguirá e os artifícios que usará para provocar o pai e os irmãos pareciam não fazer mais sentido e não ter mais graça.

O ódio fervilhava em suas veias e cada vez mais aquilo parecia domina – lo como nunca antes tiverá ocorrido.

-Prepare suas ordas, minha senhora, eles estão se aproximando e preciso resolver coisas pendentes com alguns… – ele parou de falar antes de terminar a frase.

Lúcifer tirou o tridente das costas e bateu no chão reverberando o estrondo sobre a terra e deixando seus soldados acesos. Sua face se transformou e sua pele ganhou um tom vermelho – arroxeado, o sorriso de lado á lado do rosto, mostra caninos gigantescos e com os chifres enormes ganhando a forma que esconderá por tanto tempo.

-Que venham… – e saiu na direção de Belial.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Como demônio que fora um dia, Paul ainda sentiu a vibração do tridente de Lúcifer e sabia exatamente para onde precisava ir para encontrar aquele que iniciará a sua desgraça.

-Paul. – Dyell o olhou encostada em uma janela saindo das sombras.

-Você é a última pessoa que eu desejo ver hoje e não é uma boa hora.

-Ele chamou e Miguel está á caminho.  Sonya ainda está na casa de Miguel.

Os dois calaram – se por um instante. Dyell lembrou – se de quando foi designada para cuidar de Paul e de como o conhecerá, isso a fez sorrir, em seu corpo ela sentia o fim se aproximar, via a garoa fina se tornar sangue em breve, talvez ela sobrevivesse, mas no fim ela sabia que seria o fim, não havia um modo de parar o Apocalipse.

Dyell balançou a cabeça afastando os pensamentos que lhe invadiam a mente, enquanto Paul olhava para cima, onde luzes multicoloridas corriam céu a fora. O cheiro de morte estava no ar, Paul preparou suas armas, armas estas que tinha roubado de uma loja de penhores, colocou a cinta de munição atravessando o peito, carregou as que estavam em sua mão e beijou cada uma delas.

-Hoje vou a forra… Não me interessa ficar vivo, hoje volto pro Inferno e levo Lúcifer junto á mim.

Dyell também arrumou as armas e a espada que carregava, com o sigilo de Miguel inscrito nela. Estava feliz por ter o pai tão próximo, mas odiava o momento em que isso acontecia.

-Só por essa noite, me permita te acompanhar. – disse ela olhando para Paul, o cabelo vermelho preso na trança, o mesmo cabelo do dia em que ela o levou para o tratado com o pai.

-Não faz diferença, vamos ao mesmo lugar para morrer. Não me importa.

Das sombras um rapaz belo saia na direção dos dois também armado, parecia destemido e humano, ao que Dyell e Paul engatilharam as próprias armas.

-Quem é você? – perguntou Dyell estreitando o olhar para tentar enxergar melhor.

Paul abaixou a arma de Dyell e caminhou na direção do não tão novo caminhante.

-Lori? Lori, é você? – perguntou ele surpreso.

-Olá Paul.

Lori estendeu a mão cumprimentando Paul e Dyell.

-Vocês se conhecem? – Dyell deu um passo atrás preparando – se para puxar o punhal que tinha escondido nas costas.

-Acredito que não mais. – disse Lori, tentando se justificar. – Conheci Paul quando era um infernal, ele foi designado para cá quando surgiu Galamadriel, mas não sabia que ele havia se tornado…

-Humano. – disse Paul com repulsa. – Mas você… Lilith?

-A senhora me libertou e mandou pra longe, mas não posso abandona – lá. Preciso retribuir um favor, uma divida recente que adquiri com minha eterna ama.

-Entendo. – disse Paul olhando para o vazio.

-Vamos ficar de conversa ou…

A primeira explosão tocou o chão e Dyell sabia que Miguel havia chegado.

-Nossa hora chegou. – eles entreolharam – se e correram para onde parecia ser o auge da guerra, o Empire State.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

O som estridente reverberou pelas paredes de cada prédio que estava ao redor, estilhaçando todos os vidros, e fazendo com que cada demônio tampasse os ouvidos, pelo menos os que tinham, por causa do som agudo que aquela queda emitia, os que foram mais vagarosos tiveram as cabeças explodidas por não suportarem ouvir aquilo.

Com a face fria e dura de sempre, quatro pares de asas multicoloridas ao ar se agitavam.

Vestido em uma armadura negra com filegramas dourados, transformados em sigilos, Miguel levantava – se da aterrissagem diante das ordas infernais, seguido por muitos outros anjos, enquanto alguns, saiam de seus hospedeiros, rasgando o véu e mostrando sua verdadeira glória.

Gabriel desceu em seguida,  de clava em punho, fazendo uma rachadura no solo, ele olhou para Lilith e algo em seu peito doeu, embaixo daquela criatura ainda estava o ser que jamais deixara de amar.

-Lilith. – disse Miguel de modo formal, tentando analisar o terreno. – Onde está seu senhor?

-Lúcifer, não é meu senhor. – disse ela com animosidade.

Quando Miguel olhou para o meio das ordas, avistou Rafael que estava desacordado, preso por correntes grossas de lava incandescente, cercado por quatro, demônios de cor escura, com chifres próximos a boca, e com uma estatura gigantesca.

Lúcifer o mantinha bem guardado, ele era a certeza de que a profecia se cumpriria.

-Gabriel. – chamou Miguel.

De imediato este estava ao lado do irmão.

-Sobrevoe com um grupo pequeno e vejo qual o tamanho do problema que vamos ter que enfrentar.

Gabriel assentiu com a cabeça calado, Lilith temeu o último olhar que lhe forá lançado, o mesmo olhar de quando ele virou – lhe as costas na queda dos anjos para o Inferno. Olhos frios e negros como o ônix, o arrepio subiu a nuca e naquele instante ela sentiu que não voltaria a estar nos braços de seu amado. Algo nela dizia isso.

-Onde está Lúcifer? – perguntou Miguel novamente.

O urro de dor ecoou no que agora havia se tornado um campo de batalha.

Aos pés do Empire State, Lúcifer atravessava Belial com seu tridente olhando dentro de seus olhos, que agora ganhavam um vermelho vivo, perguntando á seu amo por que.

-Traição. – sussurrou Lúcifer em seu ouvido. – traição, meu caro irmão infernal.

Lúcifer arregalou os olhos, enquanto abaixava o corpo de modo cauteloso no chão, a dor o corroía por dentro, e nessa fração de segundos ele notou que o último resquício de humanidade havia sumido e que agora estava sozinho.

-Agradeça – me depois. – disse Lilith aos sussurros próxima a Miguel, antes de lhe virar as costas e sair como se houvesse sido ofendida.

-Samael!!! – gritou Lúcifer.

A serpente que estava ao lado do corpo caído de Rafael esgueirou – se rapidamente pelo meio das ordas indo de encontro ao seu mestre, que agora estava enfurecido.

– Samael!!! – ele gritou novamente, retirando o tridente de Belial, que agora jazia morto de olhos abertos, aos pés do rei infernal.

A serpente levantou – se e passou a se metamorfosear de maneira rápida, tomando a forma de um homem franzino, com o corpo coberto com escamas, nu e com a cauda de serpente dançando no ar.

Esfregava as mãos e se aproximava cauteloso enquanto a língua saia e entrava insistentemente em sua boca, sentindo o ar e tudo ao seu redor. Os olhos duas gemas leitosas, pareciam cegos, mas giravam frenéticos nas órbitas, enquanto a pequena cabeça, desprovida de cabelo, balançava sinuosa de um lado á outro.

-Meu senhor. – a voz saiu rouca como um assovio, ele curvou – se diante de seu rei, com as mãos sobre a barriga protuberante, exibindo unhas pontiagudas.

-Leve Belial de volta ao Inferno e volte para ficar em seu lugar, seja rápido.

-Sim, meu senhor.

Samael saiu arrastando o outro e diante dele se abriu um buraco, o qual ele passou e sumiu.

Lúcifer ficou parado por alguns instantes e o silêncio parecia fazer morada de ambos os lados. Ele limpou o tridente, mas continuou parado.

“Ainda há traidores ?”, pensou consigo e olhou para Lilith, ele lembrou – se quando a convenceu a tomar posse da Terra, á não se dobrar aos humanos junto á ele.

Ela era bela e doce, ainda era. mesmo ostentando aquela aparência medonha.

“Ah Lilith, poderia ter sido diferente, quanto eu a desejei?”

Ele lembrava das promessas que fizera á ela e de como a consolará após a queda, ele sentiu o que Gabriel sentiu, o corpo quente, nos momentos em que a manipulará, como era amável e voluptuosa, mas ela não o amaria nunca. E descobriu isso com Micarhy, quando ela nasceu ele teve certeza, embora ela dissesse o contrário, que a filha era de seu irmão, era de Gabriel. Ele não sabia como, mas era.

“Gabriel.” – Era tudo culpa dele, foi por ele não ficar ao seu lado que Miguel, seu irmão mais velho havia conseguido vencê – lo.

“Gabriel.”  – Era por culpa dele que Caronte, chegará onde chegará.

“Gabriel, deve morrer.” –  E olhou para Lilith uma vez mais e  mesmo longe, ela olhava Gabriel sobrevoar suas ordas, com afeição.

O ódio invadiu – lhe á alma, ele girou e arremessou o tridente, seu alvo?

Gabriel.

O som do aço parecia cortar o ar, e serviu de aval para que anjos e demônios começassem a se enfrentar, fosse por terra ou por ar. Não tinha mais formação ou estratégia, na torre do Empire State, Caronte unido á seus ceifeiros e Mercadores assistiam á tudo calados.

-Começou… – foi tudo o que ele disse.

Iridish beijou a testa de Qüerinemer, e com os olhos marejados, ela vestida em armadura completa, lançou asas ao céu e foi atrás de defender sua ordem, era uma anjo, lutaria pelos seus.

-Nós vamos sobreviver á isso. – gritou Iridish, pulando do prédio de arma em punho enquanto outros Mercadores faziam o mesmo, uns escolheram anjos e outros demônios, eram irmãos contra irmãos, naquele momento fosse o ser que fosse, eles estavam dispostos á matar e morrer na mão de seus iguais.

Miguel se dirigiu até o irmão de espada em punho e esperou que ele fizesse o mesmo, mas Lúcifer apenas gargalhou.

-Essa luta não é minha, é para fracos e insignificantes. No final eu sobrarei e seu irmãozinho será o primeiro a morrer.

Miguel então olhou para o alto e viu em que direção ia  tridente.

-Gabriel!!! Não!!! – ele arregalou os olhos, ao mesmo tempo em que o outro percebeu a gravidade do que estava para acontecer, mas era tarde e o tridente havia achado um corpo para fincar – se.

Lúcifer abriu a boca assustado, piscando quase sem acreditar, quando o estampido de um tiro foi escutado. Seu rosto ficou desfigurado, Paul lhe derá um tiro, que atravessará – lhe a face, deixando o local onde antes era a bochecha, um enorme buraco ensanguentado.

-Você não vai a lugar algum. Tem contas pra acertar comigo…

 

CONTINUA…

 

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