Death Calls You

Death calls you capa

Death Calls You

Escrito por: Lua Morgana

Aquele dia foi diferente para Yasmin, ela estava verdadeiramente irritada. Não gostara nem um pouco do que vira e não conseguia raciocinar direito, até que de repente, andando pelo parque do seu bairro à pensar sobre o ocorrido, deparou-se com uma caixa bem bonita de madeira encostada no troco de uma árvore antiga, porém a mais bonita do parque. Ficou super tentada a ir até a caixa, mas Victor a chamou:

– Ei, Yasmin! Não fica brava comigo, amor. Juro que nunca houve nada entre a Julia e eu. – Victor puxou Yasmin pelo braço devagar, para que ela virasse para ele.

Yasmin se soltou bruscamente.

– Eu já disse que não quero falar com você até eu digerir tudo isso, por que você veio atrás de mim? – Indagou Yasmin, irritada e com os olhos lacrimejando.

– Eu te amo, cara, porque você tá fazendo isso comigo? Aquilo que você viu não significou nada pra mim, foi apenas idiotice da Julia. – Disse Victor, aparentemente comovido com a situação.

– Victor, por favor, me deixa por hoje. Preciso ficar sozinha. Vou pra casa, e não venha atrás de mim. – Yasmin virou-se e foi em direção à Avenida que levava a sua casa.

Victor sentou-se em um banco perto da tal árvore e nem notou a tal caixa. Ficou ali observando a sua namorada (ou ex) descendo a rua. Sem saber o que fazer.

Tudo começou quando Yasmin saiu mais cedo de casa e passou na casa de Victor para irem juntos para o colégio. Victor ainda estava no banho. A mãe de Victor, dona Ana, deixou que Yasmin entrasse em seu quarto para espera-lo e não avisou. Pois ela já estava acostumada com a presença da jovem, já namoravam a 2 anos e eram amigos antes disso. O celular de Victor estava conectado ao carregador, perto da cama, em uma mesinha de cabeceira. Yasmin estava sentada perto dele, mexendo no seu próprio celular. Mas notou que o celular de seu namorado não parava de receber mensagem, toda hora. Insatisfeita com aquele barulho infernal todo segundo, foi olhar para ver o que era. “Deve ser mensagem de operadora” – pensou. Mas não era. Era de Julia, uma garota que ela odiava de sua classe. “Não acredito, o que será que essa vadia quer com o Victor? E como ela tem o número de Victor?” – Yasmin bufou de raiva. Ao abrir as mensagens seu coração acelerou, quase saiu pela boca. Suas pernas tremiam de nervosismo. Foi quando Victor entrou no quarto, e notou que Yasmin estava pálida:

– Amor? Não sabia que você estava aqui… O que houve? Você está com uma cara estranha. – Disse Victor aflito, ao perceber que Yasmin estava com seu celular nas mãos.

– O que significa isso Victor? – disse Yasmin chorando quase esfregando o celular no rosto de Victor – Fotos da Julia! Só de roupas intimas! Dizendo que tá com saudade. – Yasmin estava furiosa.

– Eu não sei! Deixa eu ver o que é isso! Não é possível… – Victor surpreendeu-se, pois não tinha visto.

– Ah ainda quer ver! Seu safado! Te odeio! Meu deus, como pude… – disse Yasmin passando pela porta, e indo direto pra porta de saída. Dera sorte que não se encontrara com a dona Ana, para dar satisfações.

– Yasmin, volta aqui. Não sei o que está acontecendo mais do que você! – Disse Victor tentando chamar a namorada de volta, porém notou que ainda estava sem as roupas, só com a toalha… Voltou para seu quarto para se arrumar e encontrar com Yasmin. E soube que ela estaria naquele parque, como sempre. Sempre ia para lá quando estava com raiva.

Ele foi atrás dela, porém não teve sucesso. Yasmin realmente acreditou naquele papinho sujo da garota mais suja do colégio. Não teve outra alternativa a não ser falar com Julia.

Ao chegar no colégio ficou na porta esperando a hora da saída. Esperando por Julia. Naquele dia ele não assistiu as aulas, nem teve como. Estava totalmente sem rumo, ele realmente amava Yasmin.

Julia saiu da sala de aula direto para o pátio toda risonha como sempre. Estava muito maquiada, com cabelos perfeitamente penteados, parecia que saiu de um salão de beleza. Victor odiava isso, pois preferia sua namorada totalmente natural, como sempre fora. Yasmin é uma morena de cabelos cacheados bem volumosos, com olhos cor de mel. Uma menina linda e com uma beleza exuberante, sem precisar de tanto produto de beleza. Já Julia é totalmente artificial, tiveram boatos de que ela fez cirurgia plástica no nariz. Além de tudo, é super antipática. Imagina se Victor ia trocar sua morena por uma mulher dessas… Jamais. Ele estava indignado com tamanha falsidade e rede de mentiras que tinha sido envolvido. Ele precisava resolver tudo logo.

– Julia! Preciso falar com você, pode ser? – disse Victor um pouco ríspido.

– O que você quer, lindo? Gostou das fotinhas? Adoro aquele meu ângulo… – Julia disse sorrindo, um sorriso muito forçado.

– Que história é essa de você ficar me mandando fotos? Quem te deu meu número? Não tenho nada com você e nunca tive, e muito menos quero ter. – Victor estava com muita raiva.

– Ah, se toca garoto, até parece que um ser como você não desejaria passar uns minutos olhando e tocando no meu corpo perfeito! Com aquela sua namoradinha ridícula, você precisa de uma mulher como eu. – Disse Julia passando as mãos pelo rosto de Victor.

Yasmin chegou na hora.

– Eu sabia Victor! Como você pôde? – Yasmin saiu correndo.

– Yasmin espera, não é nada disso que você tá pensando! – Victor tentou correr, mas foi impedido por Julia.

– Garoto, não adianta você tentar convencer sua queridinha agora, ela vai terminar com você se for atrás… Fica quieto ai. – Julia segurou Victor, que por longos minutos ficou sem ação e sem nem saber o que diria para Yasmin.

Ele apenas voltou para casa, tentando botar as ideias no lugar. Tentando pensar no que falaria para Yasmin no dia seguinte.

Yasmin correu para bem longe daquele lugar horrível. Ela odiava ainda mais Julia e, principalmente, odiava o Victor. Como ele pôde fazer aquilo com ela? Logo depois de tudo que passaram juntos. Quando ela se entregou para ele… Ela não sabia o que tinha feito de errado, o que dera errado naquele relacionamento que muitos diziam ser perfeito.

Ela voltou para o parque, já estava anoitecendo… o dia parecia que nunca ia terminar… Mas ela sentia que precisava voltar ao parque. Ao chegar lá, dirigiu-se para sua parte favorita, onde ficava a árvore mais bonita e um banquinho, onde ela passou horas e horas da sua vida. Chegando perto, notou que algo brilhava perto da árvore… Um brilho muito chamativo e intenso. Era aquela caixa, ainda. Ninguém havia pego, ninguém notou a existência daquele objeto, apenas Yasmin. Ela deixou sua curiosidade tomar conta de si, chegou perto da caixa, observou ao redor e não tinha ninguém, somente ela. Enxugou o rosto com as costas das mãos e pegou a caixa.

A caixa parou de brilhar. Mas dava para ver o quão bonita era. Era de madeira escura, com um nome talhado nela com perfeição. Yasmin não conseguiu ler, pois era alguma linguagem antiga. Ela sentou-se naquele banco, apenas olhando a caixa… Não teve coragem de abrir por alguns minutos. Mas a sua curiosidade falou mais alto… ela abriu e se decepcionou, de certa forma. Pensou que tinha algo valioso ou macabro. Porém, tinha apenas um jogo de baralho cigano. “Grande coisa!” – pensou. “E agora, o que faço com isso?”

Após mexer nas cartas, notou que tinha um bilhete dentro da caixa:

Duas chances para duas perguntas, mudará sua vida. Use com sabedoria. As respostas são imediatas.”

Yasmin sentiu um frio na espinha… Parecia que algo a observava. Então resolveu ir para casa depressa. E levou o baralho consigo.

Seus pais não estavam em casa aquele dia, deixaram um bilhete na geladeira dizendo que levariam seu irmão caçula para assistir um filme no cinema, que não demorariam. “Ótimo!”. Ela esquentou sua comida no micro-ondas e foi direto para seu quarto. Ficou observando aquele baralho enquanto dava cada garfada… Enfim resolveu mexer. “Não tenho nada a perder mesmo, grande coisa.”

Pegou o baralho, embaralhou… Fez exatamente como vira uma cartomante fazer uma vez em um festival Hippie no parque. Embaralhou umas quatro vezes, estava bem concentrada. Deu uma pausa… segurou firme as cartas e fez sua pergunta:

“Por que a Julia é tão ridícula? Por que pessoas assim respiram?”

Ela embaralhou mais uma vez… e tirou uma carta: A morte.

– Nossa. Isso foi realmente bizarro… – Yasmin pegou a caixa e guardou o baralho. Escondeu em baixo da cama. – Não mexo mais nesse troço!

Levou o prato para a cozinha, escovou os dentes e foi dormir. Pois no dia seguinte precisaria tomar uma decisão… e pior, ainda tinha prova de química.

Seus pais logo chegaram e notaram que a filha já estava dormindo, e foram dormir também.

No dia seguinte Yasmin foi acordada às pressas pela sua mãe:

– Filha! Filha! Acorda! – disse Ynês desesperada.

– O que houve mãe? O relógio ainda não despertou! – Disse Yasmin tentando se esconder entre as cobertas.

– Não filha, houve uma tragédia… Julia foi encontrada morta afogada na própria casa! – Ynês estava com um olhar assustado.

– Hãn?! Como assim? – Yasmin deu um pulo da cama e logo pensou no seu baralho.

– Sim, minha filha. Os pais a encontraram afogada na piscina, com roupas de dormir, logo pela manhã. Parece que foi suicídio. Ninguém soube explicar. – Ynês falou tristemente, tentando conter as lágrimas. – Pobrezinha, tão nova…

Yasmin ficou pensando naquilo o dia inteiro, foi para o colégio e todos estavam bem tristes. As amigas de Julia choravam desesperadamente, se perguntando porque ela faria aquilo, ela nunca estava triste ao ponto de tirar a própria vida. Yasmin sabia, no fundo.

Ela não lamentou. Não mesmo. Julia teve o que merecia, sempre tentou fazer maldades com Yasmin, às vezes até conseguiu – tipo tentar separá-la de Victor. E o castigo veio, ela mereceu.

Victor notou que Yasmin estava com a expressão dura e distante o dia inteiro, sem sequer olhar para ele. Ele resolveu tentar conversar, puxar assunto… Ela respondeu como se nada tivesse acontecido no dia anterior, estava fria. Algo aconteceu com a doce Yasmin. Ele não sabia explicar, mas sua energia estava totalmente diferente da de sempre, pensou que tivesse sido pela morte de Julia. Porém, quando ele tocou no assunto, ela só disse “que pena.” O que foi muito estranho, porque Yasmin, apesar de tudo, sentia compaixão por qualquer ser vivo.

Victor resolveu deixá-la na dela, ela não estava afim de falar com ele… Só respondia às perguntas de modo frio. Ele foi para casa. Yasmin também foi embora, com seu pai de carro.

Os dias foram passando e Yasmin parecia cada vez mais distante e fria com todos. Não queria mais sair de casa, como sempre fizera todo final de semana, ficava apenas em casa assistindo tv ou mexendo no celular. Victor tentava se aproximar, mandava mensagem. Mas na maioria das vezes ela visualizava e não respondia. Se respondia, era bem breve e grossa.

Ele preferiu se afastar.

Passaram-se alguns meses depois de toda aquela tragédia com Julia. Victor e Yasmin haviam terminado. Yasmin disse a ele que não aguentava mais ficar com ele e que não queria mais ve-lo. Apesar de tudo que viveram juntos, Yasmin disse que não significou nada para ela. Foi muito estranho para Victor, mas ele entendeu que tudo aquilo fora por causa das fotos e ela realmente acreditara em tamanha mentira. Enfim, ele decidiu aceitar o fim do relacionamento e seguiu em frente.

Yasmin trocara até de estilo. Agora usava roupas escura, maquiagem escura nos olhos e estava andando com um pessoal barra pesada do colégio. Alguma coisa muito estranha acontecera naquela semana, e Victor não conseguia entender. “Como uma pessoa pode mudar da água pro vinho”. Apesar de Yasmin não querer mais falar com Victor, ele ainda se importava com ela e queria entender o que estava acontecendo.

Por isso, um dia ele resolveu ir até a casa de Yasmin de surpresa, sem avisar. Ele precisava saber o que estava acontecendo, mesmo que eles não voltassem a ficar juntos, ele queria entender o que se passava com Yasmin, para faze-la mudar tanto de personalidade.

Chegando lá, notou que os pais dela não estavam em casa (o carro sempre ficava parado em frente a porta quando estavam), e estava rolando uma música muito alta, um metal bem pesado. Ele tocou a campainha, ninguém atendeu. Percebeu que a porta estava aberta… entrou.

Deu de cara com uma cena muito bizarra: Yasmin e seus “novos amigos” estavam bebendo (o que ela nunca fazia), e ela estava no centro de um círculo com velas jogando um estranho jogo de cartas. Ao perceberam que Victor entrou na sala, abaixaram a música.

– O que você quer aqui, Victor ?- Disse Yasmin, enquanto guardava suas cartas rapidamente. – Já disse que não quero mais falar com você. Me esquece, garoto.

– Queria saber como você tava. Nunca mais falou comigo… Nem quando te chamo no Whats. E agora me deparo com você bebendo com esse monte de gente estranha e fazendo essas macumbas aí… O que tá acontecendo com você?- Disse Victor assustado.

– “Macumbas” – riram os amigos de Yasmin.

– Garoto, eu mudei. Não percebeu? Me deixa em paz. Quero ser livre pra fazer o que eu quiser… Não bastasse meus pais…

– Falando nisso, cadê eles? Duvido que eles aceitariam uma filha desse jeito. Você já foi melhor, garota. – Disse Victor decepcionado. – Vou ligar para eles, eles precisam saber o que você tá fazendo com a sua vida.

– HAHAHAHAHA- Yasmin deu uma risada alta. – Tenta. Só tenta.

Victor já estava de saída, quando a porta bateu bruscamente. Ele olhou pra trás assustado, e viu Yasmin com os olhos vermelhos e os cabelos voando. Victor esfregou os olhos, e percebeu que os amigos de Yasmin pareciam mortos vivos, todos correram na direção dele.

Ele não teve como escapar. Os mortos-vivos comeram cada parte de seu corpo enquanto ele gritava… Ninguém lá fora parecia ouvir. Yasmin tomada por uma fúria, olhou nos olhos de Victor, antes que ele perdesse a consciência e disse: – Você destruiu minha vida. Agora eu destruí a sua. Seu verme! Quando acabou de dizer, ela arrancou o coração de Victor com as unhas e comeu. Dando uma enorme risada maligna, enquanto o sangue escorria pela sua boca.

Seu último desejo fora realizado, ela conseguiu destruir aquele que a destruiu. Primeiro Julia, depois Victor. O demônio escondido na caixa de tarot voltou. Queimou toda a casa e levou a alma de Yasmin junto com ele. Os pais de Yasmin quando voltaram não conseguiam acreditar no que aconteceu. Só encontraram o corpo de Victor, o de Yasmin sumira. Ela estava “desaparecida” para as autoridades. Ninguém conseguia acreditar em tamanha tragédia. Dois jovens, duas vidas… Foi manchete em todos os jornais do país. Acreditavam que fora um crime passional.

Única coisa que encontraram na cena do crime fora uma carta de tarot: A morte. Que os pais de Yasmin acreditaram que puseram lá de propósito, pois ela não mexia com aquilo. Mas alguns dias depois de encontrarem a carta, ela havia desaparecido. Nunca mais a viram, igual Yasmin.

Alguns meses depois a mesma caixa, apareceu no mesmo lugar. Uma menina que havia brigado com o namorado a encontrou…

FIM

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