Nascimento…

Laima

Por Lillithy Orleander

A bela moça tecia lentamente seus fios dourados em uma trama de bordado na enfermaria, quando fora chamada.

-Laima Preita. Laima Preita. Favor comparecer a sala de parto.

 Era a anestesista e estava sempre sorrindo, solicita e gentil com as mãezinhas que chegavam com com as dores de uma nova vida.

-Srta. Preita está tudo bem? – perguntou a outra enfermeira que esperava na saleta de descanso quando viu que o semblante belo, estava vincado de expressões magoadas e com o olhar distante.

-Nada de mais Layla. Mas vai ser duro esse parto. – disse ela deixando o borado de canto e prendendo o cabelo em coque com uma touca, na esperança de não deixar se quer um fio de cabelo solto dos lados. Olhou – se nos espelho e guardou a agulha no bolso de seu avental.

Laima adentrou o recinto e acenou para a Obstetra que colocava seus aparelhos dispostos na manta cirúrgica e recém – esterilizada.

A mãe estava nervosa e isso fazia com que as contrações aumentassem o ritmo de seu coração, fazendo com que todos os presentes temessem o pior, afinal a nova mãe era hipertensa.

-Boa noite, senhora? – disse Laima. – Esse é o primeiro ou primeira?

A moça respirou fundo no leito e abriu um sorriso, e por um breve momento em meio a dor seus olhos brilharam como duas estrelas, fazendo com que a anestesista sorrisse também por trás da máscara.

-Ainda não sei, ele ou ela não me deixou ver o sexo, mas sim será o primeiro e já é muito amado.

A anestesia foi aplicada e o parto demorou três horas, na sala de espera era possível ouvir os gritos de dor da mãe agoniada, que em momento algum xingou seu filho ou mandou que o tirassem a força por outro método que não fosse o parto normal, era assim que ela queria que fosse. Na sala de espera, o pai andava de um lado á outro junto á vó e uma tia.

O choro ecoou no corredor, deixando que lágrimas banhassem a face dos que estavam ali presentes, a euforia, a alegria e o alivio. O misto de emoções fazia com que todos se abraçassem.

-Nasceu! – disse Laima, saindo da sala de parto com um menino grande e robusto.

A moça passou a criança para os braços do pai que segurou desajeitado e o acalentou em seu peito.

– E minha esposa como está? – perguntou ele devolvendo a criança para os braços da moça e secando as lágrimas com a manga da camisa.

-Está ótima, irá para o quarto em breve. Sua esposa será uma ótima mãe e muito guerreira também…

Laima saiu cantarolando uma canção de ninar para o pequenino que fora imediatamente chamado de Roger. A criança foi pesada, passou por todos os procedimentos necessários e constatou- se sua saúde em perfeito estado.

Uma semana depois, por complicações da mãe, saíram do hospital, Laima acompanhou a família como sempre acompanhava., com a criança nos braços e da porta pra fora entregava aos pais e lhes deseja votos de felicidade.

As companheiras de serviço estranhavam, mas nada diziam pelo afeto que todos tinham pela moça dos bordados dourados, algumas vezes, elas tinham a impressão de ver a trama mudar de cor sozinha, do dourado ao prata, do prata ao bronze e do bronze ao negro, mas pensavam ser somente imaginação ou a vista cansada lhes pregando uma peça depois de mais um dia de serviço.

Roger cresceu, rapaz bom e honesto. Trabalhava em uma cafeteria e muitas vezes Laima passava ali na frente, parava por alguns instantes e esbarrava na moça que todos os dias se encontrava na cafeteria, seduzindo Roger…

” – Giltine. – chamou Roger e adentrou o beco escuro.

– Me beije. – pediu a moça.”

Laima tirou do ar a tesoura dourada  e assistia a cena como quem espera o momento certo, o bordado surgiu em sua mão agora com os fios enegrecidos, era chegado o momento.

Giltine levou a alma de Roger, e Laima finalmente cortou o fio da trama que bordava desde o nascimento do garoto. A moça saiu do beco e acenou para Laima, tocando uma a mão da outra levemente.

Um fio azul turquesa ligava uma á outra, Laima, o inicio da vida e Giltine, o termino da mesma…

NA: Assim como Uma Estranha em minha Morte, Nascimento vem trazer um pouquinho de duas deusas escandinavas que agem sobre a Vida e a Morte, mas nos dias de hoje. Espero que tenham gostado de mais uma adaptação. ❤

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