Férias Macabras (introdução)

Por Mille Meiffield

homem sombra

Mille

O verão em pleno inverno assolava o Rio de Janeiro. Eu não queria mais trabalhar num local quente e que não tinha futuro. Aproveitei uma pequena reserva que havia guardado na poupança e resolvi aceitar o convite dos meus amigos. Todos eles se reuniriam na casa de campo do Saul que mora no Rio Grande do Sul. Lá é frio e aconchegante, e meus amigos dariam um jeito de levantar meu ânimo.

Liguei para a Raquel e perguntei como faríamos. Ela disse que todos se encontrariam em Guarulhos, na casa do Lucas e do Clayton e de lá pegaríamos um avião até uma cidade vizinha e lá alugaríamos dois carros para seguirmos viajem até a relaxante casa de campo do nosso amigo.

Arrumei as malas, entrei no ônibus e parti para São Paulo. Em breve veria meus amigos. É a primeira vez que todos estarão juntos. Nossa primeira viagem juntos. Muitos dos meus amigos deixariam coisas importantes para traz. Um mês juntos. Eles só não faziam ideia de que esse seria o ultimo mês de vida deles.

Eu estou contando essa história, porque fui a primeira a morrer.

Assisti a morte de quase todos os meus amigos sem poder fazer nada.

E pensar que uma das pessoas que eu mais amava, era a assassina.

***

Depois de todo o tumulto na casa dos meninos, finalmente chegamos ao aeroporto de Guarulhos. Estávamos alvoroçados, loucos para ver AJ e Saul.

O Voo durou pouco mais de duas horas  e a chegada ao Sul foi tranquila. Os meninos nos aguardavam no saguão principal. Depois dos abraços e dos “ E aí como foi o voo?”, fomos para os carros alugados. Pensei que seriam apenas dois, mas os meninos decidiram que três carros seria mais confortável e um amigo deles veio dirigindo o terceiro, mas ele já havia ido embora.

Depois de mais de oito horas de viagem e algumas paradas pelas estradas, enfim chegamos.  Eu estava exausta. A “velha” da turma.

A casa era linda. Era enorme. Devia ter uns quinze quartos mais ou menos. Saul havia dito que todos eram suítes. Já passava das onze da noite. Meus amigos queriam jogar, mas tudo o que eu queria era poder descansar.

Tomei um longo banho. Deixei meus amigos bagunceiros jogando videogame no primeiro andar e fui para o quarto que o Saul designou como meu. Era uma suíte incrível e com uma maravilhosa vista para o lago.

Já estava quase dormindo quando a Lua me chamou batendo na porta do quarto.

– Mille? – chamou. – Ainda está acordada?

– Sim Lua, pode entrar.

– A Quel pediu para eu ver como você estava. Ela disse que você parecia meio abatida. Eu também fiquei preocupada, você quase não falou a viagem inteira.

– Eu sou quieta assim mesmo Lua, mas estou bem. Só um pouco cansada. Amanhã quero levantar cedo e arrumar o café antes de vocês acordarem.

– Para com isso né Mille, somos bem crescidinhos, não precisamos de uma mãe aqui. – disse sorrindo.

– Não quero ser mãe de vocês, só quero fazer um café.

– Ai tá bom Mille. Então vai dormir porque pelo visto o jogo lá embaixo só está começando.

A noite passou rápido. Levantei às oito. A cozinha estava uma zona. Limpei tudo, lavei toda a louça suja da noite anterior(Nossa! Que amigos bagunceiros, “risos”), coloquei a mesa do café e aproveitei para acordar o povo de um jeito “maravilhoso”. Fui até o som que ficava na sala, liguei no ultimo volume e deixei tocar “under pressure” do Queen.

Alguns palavrões soaram sobre o alto som da música e eu corri para abaixar o volume.

– Já são quase meio dia. – informei-lhes chateada. – Se eu não colocasse o som no ultimo volume vocês dormiriam o dia todo.

– Que disposição toda é essa de manhã? – reclamou Clayton.

– Preparei o café de vocês.

– Café? Já tem café pronto? – perguntou Lucas com os olhos brilhando.

– Café , leite, chocolate, suco, cereal, bolo, pão, etc… – respondi. – Tem comida para um batalhão, então caiam dentro.

O desjejum foi alegre e caloroso. O sol brilhava intensamente do lado de fora da casa. O lago parecia convidativo. Deixei o pessoal terminando o café da manhã e fui para o lago. Precisava mergulhar um pouco para relaxar. A água estava muito gelada. Embora fizesse sol, ainda estávamos no inverno. Mas a água gelada renovou minhas energias. Era o que eu precisava para relaxar e aproveitar esses dias maravilhosos ao lado dos meus grandes amigos.

LUANA

Fizemos um caldo verde bem recheado e bem quentinho para o almoço, mas a Mille como sempre preferiu miojo com presunto. Ela devia se alimentar melhor. Mas do que eu estou falando, amo pizza!

Mille havia desaparecido. Não estava em lugar nenhum. Quel e Dan disseram que ela sempre gostou de ficar sozinha para pensar. É um habito estranho, ainda mais para férias com amigos, mas tudo bem. Cada louco com suas manias.

– Ei povo! – gritei. – Pena que a Mille não está aqui. Eu queria que o Ricardo fosse o primeiro a saber, mas meu marido não quis vir, então vamos lá. Tenho uma notícia maravilhosa. Fiquei sabendo há pouco.  – tentei enrolar um pouco para causar suspense, mas o AJ começou a perturbar.

– Fala logo Lua!!!!! – gritou aos risos.

– Estou grávida!

– O quê? – disseram Daia e Gabi juntas.

– Você tem certeza? – indagou Zuzy.

– Sim tenho. Meu marido não quis vir, então só vai saber quando voltarmos.

– Está super certa Lua. – disse Clay.

Começamos a jogar “cassino shot”, um jogo onde se usa uma roleta e dependendo dos números que sair a pessoa tem que beber “virando” algumas doses de qualquer bebida alcoólica (ou não. Depende da vontade do grupo que está jogando).

Natasha e Naiane ficaram tão bêbadas que começaram a se beijar no meio de todo mundo. Danilo e Raquel ficavam trocando pequenas declarações de amor (Eca! Que coisa melosa!) Lucas e Clayton ficavam com essa palhaçada de “amorrrrrr” para lá e para cá. Ai que saco! Não sei como a Mille aguenta isso quando vai para São Paulo.

Falando em Mille, ela sumiu o dia todo. Deixei os “casaizinhos”  nas “melações” e fui procurá-la. Encontrei Zuzy e Saul conversando com AJ na cozinha. Falei com eles e eles também não haviam visto Mille o dia inteiro.

Fui até o jardim lateral da casa e encontrei Gabi e Daiana conversando.

– Lua, o que você está fazendo aqui? – perguntou Daiana.

– Vim procurar a Mille, ontem ela parecia meio depressiva e depois do café hoje de manhã eu não a vi mais.

– Já procurou no quarto dela? – indagou Gabi. – Eu falei com Lucas mais cedo e ele disse que ela gosta de ficar sozinha.

– É, ela havia me dito isso, mas estou preocupada com ela.

– Só vou terminar um assunto com a Gabi e já ajudo você a procurá-la.

– Obrigada Daia. – agradeci. – Vou ver se ela está no quarto.

Daia e Gabi estavam estranhas. Pareciam estar tramando alguma coisa.

Voltei para o andar de cima e procurei em todos os quartos, mas Mille não estava em parte alguma.

Ouvi um barulho de porta de carro e corri para o andar de baixo.

Entrei na sala, esbaforida, e um grito de SURPRESAAAA, ecoou por meus ouvidos.

Eu não queria comemorar meu aniversário, mas já suspeitava que meus amigos não deixariam esse dia passar em branco.

Mille havia saído para comprar bolo e salgadinho para comemorarmos. Ela havia pegado um dos carros, e eu nem havia percebido.

Todos estavam me evitando para eu achar que eles haviam esquecido. Meus amigos são incríveis.

MILLE

– Lua, a Daia me disse que você estava me procurando feito louca mais cedo, o que houve?

– Estou preocupada com o lance da depressão. Você não deveria ficar muito tempo sozinha, embora esse lugar seja maravilhoso para isso. Somos seus amigos e não quero que se sinto só aqui, entendeu?

– Fica tranquila Lua. Estou bem.

– Então tá.

Fui para meu quarto tentar relaxar um pouco. Estava exausta da ida até a cidade. Tomei um banho quente e me aconcheguei nas cobertas.

Estava quase dormindo quando ouvi o ranger da porta do meu quarto.

– O que você está fazendo aqui tão tarde? – indaguei preocupada. – Aconteceu alguma coisa?

– Não, mas vai acontecer.

Eu não fazia ideia do porque daquilo. Eu amava essa pessoa. Por que me matar? Por que aqui? Por que agora?

– Para! Está me machucando.

– Me perdoa Mi. – disse. – É a minha natureza.

Com uma torção forte, meu pescoço foi quebrado e aqui estou. Vivendo em um mundo paralelo. Tentando avisar a meus amigos que um de nós é um assassino.

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