A Corte [Parte 6] – A Mansão Seelie

Escrito por: A.J. Perez

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Capítulo 6 – “A Mansão Seelie”

— O que diabos foi aquilo? — gritou Natalia ao sair do Pub.

— Calada, continue andando. — impôs Soph de modo austero, salientando sua preocupação com o rosto fechado.

Aquilo era anormal, até para os padrões da Corte. Quem era Marcus, o misterioso recém-chegado na cidade? Ele estava falando a verdade? Ele realmente não sabia o que ele era? Não sabia o que elas eram? Não sabia sobre as cortes? Com um pensamento rápido ela recapitulou com perfeição todos os momentos que se passaram instantes antes. Ele não havia tentado ver a natureza delas, ela teria visto as pupilas dele se contraindo, indiferente disso, teria sentido a “leitura” dele, não teria? Mesmo quando saíram do bar Soph o estava observando discretamente. Marcus se quer fez menção em olhar para elas, novamente. Uma mulher havia se aproximado dele e comentou algo. Mesmo com a audição levemente melhorada ela não pode distinguir a frase, imediatamente ela leu o ambiente com o foco da senhora que falava com ele. Cem por cento humana, sem nenhum traço de energia sobrenatural, mas ele… a leitura dele era… perturbadora.

— Certo. — iniciou Amattha — Agora alguma de vocês duas podem me dizer o que diabos ele é? — os olhos ela se movimentavam rapidamente alternando entre Sophie e Natalia repetidas vezes enquanto aguardava a resposta. As duas garotas apenas se olharam.

— Qualé! Que saco! Eu vi vocês duas lendo ele!

— Eu também quero saber o que ele é depois daquela despedida de vocês. — apressou-se Trinitty, enquanto enroscava o braço ao de Esther de forma amigável encarando Amattha com um sorriso gentil — Nunca, vi alguém capaz de fazer aquilo, como ele te tocou?

— Caladas! — ralhou Natalia — Sophie tem razão, ele pode estar ouvindo.

— Soph nem disse nada. — resmungou a jovem de cabelo chanel ainda contrariada por não lhe responderam o que ela queria saber.

— Ela não precisa falar para se fazer entender! Agora vamos logo sair daqui.

Natalia seguiu martelando o chão com suas botas até virar em uma rua vazia atrás do pub.

A noite estava gelada, grades de matal mal cuidado protegiam a frente das lojas ao longo da rua deserta e mal iluminada. O asfalto molhado reluzia enquanto uma suave fumaça saia dançado bruxuleantemente das bocas de lobo enquanto também escorria se espremendo por baixo das tampas de esgoto na rua. Do outro lado da via a luz de um poste piscava rapidamente, como a lâmpada estroboscópica de uma boate, juntado uma quantidade anormal de insetos ao redor dela que giravam em um turbilhão estranho, em uma espiral medonhamente matemática.

— Não vamos no cinema? — resmungou Esther em um lampejo de algo que poderia ser considerado o rascunho de um pingo de felicidade.

— Acredito que não… — era Trinitty — Só por que eu queria ver o filme novo do Orlando Bloom.

— Precisamos de um carro. — Natalia afirmou olhando para as garotas.

— Isso não é problema. — sentenciou Sophie, enquanto fechava os olhos.

O som do alarme de carro sendo desligado soou nos ouvidos delas quando luzes alaranjadas piscaram iluminando rapidamente a rua.

Um Honda preto de último modelo abriu as quatro porta na frente delas enquanto acendia os faróis no mesmo instante que ligou o motor suavemente.

— Uau… — soaram as garotas em coro.

— Você podia materializar o Orlando Bloom? — indagou Trinitty embasbacada com o carro que acabará de surgir diante delas.

Sophie permaneceu séria.

— Talvez outra hora, Trinitty. — Soph entrou no lado do carona, Natalia assumiu o volante enquanto a Ruiva e Esther se sentavam no banco traseiro uma em cada janela deixando um espaço vazio no meio. Todas bateram as portas do carro.

— É sério isso? Ninguém vai falar comigo? — gritou Amattha parada na calçada quando o carro arrancou rapidamente a deixando parada ali — Eu odeio elas.

O carro ganhava velocidade enquanto as quatro garotas dentro dele se olhavam nervosas.

— Vocês podem explicar por que estamos voltando pra Corte tão de pressa? — era Trinitty.

— O Cara no pub, o Marcus, ele era estranho… — começou Natalia com calma — não me parecia uma ameaça mas quando li ele.

— O que você viu? O que ele é? — gritou Amattha entre as duas garotas no banco de trás. Esther gritou antes de ver que era a amiga.

— Você quer matar a Esther do coração sua maluca? — Berrou Natalia com os olhos arregalados.

— Vocês me largaram na rua!

— Como se isso fosse importar algo pra você! — rebateu a garota furiosa.

— Calma você duas… — a ruiva apontou um dedo indicador para cada amiga.

— É por isso que eu nunca saio com pessoas… — resmungou Sophie para consigo mesma. Ela estava concentrada de mais no que havia acontecido, para se focar na discussão calorosa que se formava dentro do carro. Ela recapitulava mentalmente o encontro tentando não se deixar esquecer do carro onde elas estavam, ela também não podia perder ele do pensamento.

Controle as Sombras. Forje o seu destino. Quebre a maldição…”

As palavras retumbavam nas profundezas da mente dela tentando dragá-la para dentro de si. Ninguém notou além da própria Soph quando o carro oscilou no tecido da realidade.

Não perca o foco no carro” ela repetiu pra si mesma.

Mas a visão que havia tido voltava a todo instante querendo tomar a concentração dela, claramente o cara do pub também tinha visto o que ela viu, ele pareceu tão surpreso quanto, o que era aquilo? O que estava acontecendo? Eram flashes, vozes, cenas soltas de alguém, uma mulher, ela estava realmente triste, havia uma escuridão emanando dela, ódio, fúria, dor, paixão… fervendo como o magma de um vulcão durante uma explosão.

A conexão entre eles havia sido forte. Forte o suficiente para criar um link psíquico, apenas com um aperto de mão, mas o que mais a perturbava era não saber de quem havia sido a visão. Dele ou dela?

Aquilo era confuso, incoerente… quem era ele?

— Eu preciso de ar… — balbuciou ela enquanto as garotas se digladiavam verbalmente —não consigo respirar… — as vistas de Sophie escureciam e recobravam a sua luz, ela puxou o ar com força enquanto baixava o vidro do carro, mas isso não mudou a situação.

— Sophie? — a Voz de Trinitty veio baixo por de baixo do tumulto.

— Eu… — as mãos dela se contraíram espremendo o vestido ao lado das coxas— preciso… — ela trincou os dentes enquanto os olhos de infusionavam de sangue ficando complemente vermelhos — DE AR! — as palavras finais rugiram no ar estilhaçando os vidros do carro quando ele vibrou por completo, explodindo violentamente em sobras disformes, arremessando estilhaços em todas as direções.

O veículo se desmaterializou lançando longe as portas e rodas enquanto a carcaça dele girava se dissolvendo como uma onda de fumaça negra e turva quebrando na beira da praia, derramando a energia sobrenatural como um véu espectral de sombras que envolveu o corpo de todas as garotas no carro as pousado de modo rápido, mas ainda assim suave no asfalto molhado.

Sophie andou ainda com as mãos cerradas ao redor do vestido tencionando o tecido negro  contra as coxas incrivelmente brancas assim como toda a sua pele, mais pálida que do que o normal. Como se toda a cor tivesse se dissipado dela, e se convertido em sangue que enchia os olhos. Ao chegar a beira da estrada ela pousou as mãos trêmulas sobre os joelhos e respirou fundo dragando o ar para dentro de si, o quando pode. Quando abriu os olhos ela sabia o que ia encontrar. Um mundo cinza metálico seco e congelado. As garotas estavam suspensas no tempo saindo da torrente de energia negra que havia se tornado o carro. Espirais de energia rosa rodeavam Trinitty, dançando ao redor dela como desenhos tribais célticos. Uma energia verde pulsava como fogo ao redor de Natalia a deixando com um ar agressivo e poderoso. Esther era envolta em uma neblina tristonha e cinzenta que a ocultava quase que por completo lhe dando um ar fúnebre. Amattha reluzia translúcida em um tom de branco.

Ela puxou o ar, “fique calma” repetia a si mesma, “é só mais um estúpido ataque de pânico”. Controlando as respirações ela foi diminuindo a pulsação até que finalmente o mundo ganhou cor e movimento de novo.

— Sophie! — gritaram as garotas  ao correr na direção dela a amparando imediatamente.

— O que houve? — Natalia a observava com os olhos assustados.

— Ataque de Pânico. — respondeu Amattha abraçando o próprio corpo sem tocar na amiga.

— Não sabia que você tinha ataques de pânico. Desculpe não devia ter iniciado aquela discussão. Foi minha culpa. — a garota de cabelos tingidos de verde turquesa passava a mão nas costas de Soph como forma de consolo.

— A culpa foi minha. — anuiu Amattha — eu que comecei.

— Não importa quem começou, não foi a discussão de vocês, foi… — ela pensou bem no que iria falar, escolheu rapidamente cada palavra — foi o cara no pub.

Elas se entre olharam.

— Quando toquei nele eu tive um tipo de visão. Isso não acontecia a tempos.

— Odeio visões, — resmungou Natalia — você nunca, nunca está preparado para ver o que elas te mostram.

— Eu não vi sozinha. Marcus, ele também viu… — ele se endireitou olhando para a estrada a suas costas.

— Quando deram as mãos… não foi? — Perguntou a gótica já sabendo a resposta.

— Sim. Temos de voltar a Corte, e avisar o concelho sobre ele. Ele não parece mal, mas não podemos nos arriscar, não depois do que vimos na leitura dele, Natalia.

— Vamos logo… a garota gótica se pôs a andar, mas parou ao ver que a colega de Corte não a acompanhou.

Sophie olhou para as demais.

— Você queriam saber o que ele é, não é?

Houve um momento de hesitação.

— Quando lemos a aura que alguém isso nos dá a precisão do que ele de fato é, — Natalia explicava mais para si do que para as outras — é como sabemos com o que estamos lidando. Cada um de nós… cada criatura sobrenatural tem um tipo de aura e todos os outros seres, até mesmo os humanos.

— E é por isso que não falamos o que ele era… não queríamos assustar vocês…. — ela fez uma pausa olhando para Natalia e depois para o resto das garotas — Nós não sabemos o que ele é.

— Impossível… questionou Trinitty, — nossas espécies estudaram por centenas de anos, todas as auras estão catalogadas! Elas são nossa assinatura espiritual, como uma marca forjada em nossas almas, faz parte da essência do que somos, vocês assim como eu decoraram as auras no livro mestre, qual era o aspecto da aura dele.

Sophie ficou séria, e foi Natalia quem respondeu.

— Esse é o problema. Ele não tem aura.

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As garotas andaram o resto do caminho sem nada dizer ao chegarem a mansão Seelie entraram direto pela porta da frente, dois rapazes conversavam encostados em colunas, um deles deu um salto ao velas entrando e andou de encontro a elas.

— Agora não, Mikail — ralhou Sophie sem se quer olhar pra ele que parou onde estava. Elas adentraram o corredor da direita onde um homem negro com mais de dois metros de altura e muito bem vestido estava parada na frente de uma porta dupla.

— Precisamos falar com o conselho. — proferiu Soph suplicante a ele.

— Eles estão em reunião pequena. Não pode interromper.

— É um assunto urgente! — ralhou Nat — Abra logo a porta.

— Você pode ser de um linhagem pura e poderosa mas ainda não é uma sacerdotisa para me dar ordens garota.

As garotas puderam ver o semblante da amiga gótica se transfigurar, ela era puro ódio e fúria, quase como se fosse uma pessoa diferente da garota legal que elas conheciam.

— Natalia, eu cuido disso. — Soph tocou o ombro dela. Que para sua surpresa a olhou de modo tranquilo como se tudo estivesse completamente em ordem.

— Okay! — concordou ela sorrindo dando espaço para Soph dialogar.

— É importante, Zulbur. O conselho necessita ser avisado sobre um forasteiro que pode ser um problema. Se isso não for suficiente, eu conjuro o acordo de sangue.

— Mas que droga pequena… não devia ter dito isso. Sabe que tenho de informar eles não é? Garotinha não se meta em encrencas com eles. Aguardem aqui.

Ele entrou na porta e após alguns segundos que pareceram horas elas foram chamadas a sala.

— Cuidado com eles. — cochichou Zulbur uma última vez no ouvido dela antes de voltar a porta.

— Espero que você realmente tenha algo importante a tratar com o conselho, Sophie. — sentenciou Jared com o seu usual olhar arrogante — Todos sabemos do seu relacionamento próximo com Diana e agora que, infelizmente, ela já não está entre nós, o conselho decide como levar a Corte até que o novo rei…

— Ou rainha. — intrometeu-se Eleanor rispidamente.

— “Ou rainha”, — cuspiu Jared — tenha ascendido ao poder.

— Estou ciente disso, Jared. — assentiu a garota em um tom tão frio como os ventos do inverno.

— Asseguramos que é de suma importância, Jared. — Acrescentou Natalia.

Acima deles o castiçal de cristal descia majestoso no cerne do salão pendendo em grosas e muito bem trabalhadas correntes de prata, iluminando de forma uniforme a sala clássica de pé-direito alto no estilo vitoriano. Todos os membros do concelho Seelie estavam sentados ao longo da grande mesa de madeira escura e nobre, com entalhes de folhas nas bordas que se estendiam timidamente com ramos e seixos para o centro desta onde centenas, talvez milhares de minúsculas runas cravejavam a madeira formavam os mais variados tipos de sigilos mágicos, criando um complexo e intrincado texto. Um único troco havia sido usado para esculpir toda a peça central da sala há mais de 700 anos, o que lhe dava um ar austero e imponente no centro do salão-mor.

Jared, Eleonor, Agatha, Gabriel, Elizabeth, Rufus e Alan, os atuais membros do concelho estavam dispostos ocupando toda a extensão da mesa, que em sua cabeceira trazia uma única cadeira em forma de trono vazia. O trono que era de Diana.

— O momento é extremamente oportuno para lhe lembrarmos, Sophie — reiniciou Jared passando a mão pelos longos cabelos dourados — que diferente de sua falecida amiga, nós não teremos compaixão ou pena de você. Assegurarei-me pessoalmente que se você transgredir qualquer regra, isso seja tomado como ato de traição, o que acarretara imediatamente em sua expulsão dessa corte, para em seguida votarmos se você será ou não condenada ao exílio, que na sua atual condição, não seria nada bom. — um sorriso sarcástico saltou a boca dele, enquanto seus olhos azuis encaravam a escuridão dentro dos dela.

— Farei o máximo para não ir contra este concelho. — afirmou ela fazendo uma reverência perante a mesa.

— Assim espero. Você demonstrou atos intoleráveis de rebeldia no passado que foram ignorados por completo por Diana e…

— Cala a porra dessa sua boca Jared, ou eu vou ir até ai calar ela. — explodiu uma voz potente no outro lado do salão.

Os olhos de todos se arregalaram e olharam na direção da voz, embora alguns segundos depois de ouvi-la já soubessem de quem ela era.

Do outro lado do salão próximo a lareira, um jovem de não mais que 25 anos parecia absorto em um livro. Ele estava deitado em um divã, com seus coturnos militares muito bem lustrados, calça cargo negra assim como sua camiseta justa, que mesmo encoberta por uma jaqueta de couro mostrava com exatidão o desenho dos músculos perfeitamente esculpidos por debaixo dela. A mandíbula forte parecia ter sido entalhada em seu rosto, com uma barba rala — de alguns bons dias — a cobrindo. Os longos cabelos negros que até pouco abaixo da altura dos ombros dele se ondulavam levemente nas pontas. Ele fechou o livro e se sentou no divã de modo despojado observando a mesa. Um arrepio percorreu toda a extensão do corpo curvilíneo de Sophie quando ela olhou dentro dos olhos dele. Era como se ele olhasse ela dentro da alma. Olhos repletos de sabedoria antiga, de fúria, de poder, de raiva, ele tinha um olho verde e o outro azul. Aqueles eram os olhos de um Nephilim, os olhos de um Vingador Celeste.

— Boa noite, Seth. — iniciou Agatha — não havíamos visto você ai.

— Sinal de que ainda sou bom em meu trabalho. — replicou Seth instantaneamente, sem retirar seus olhos de Sophie — Você ia falar algo pra eles não é, agora que a baboseira acabou, pode falar de uma vez, quanto mais rápido isso terminar, mais rápido o silêncio retorna para que eu possa ler em paz.

— Essa noite, — iniciou ela — as garotas e eu fomos ao Pub Inn Meia-Noite para passar o tempo e conversar um pouco. Eu cheguei antes, com Amattha e então ela encontrou alguém no bar. E o trouxe até mim, ele disse que se chamava Marcus. A princípio imaginei que fosse algum Unseelie recém-chegado a cidade, uma vez que ninguém havia se apresentando a nossa corte, mas logo ficou claro que ele não era Unseelie, e que… — pausa — bem me parece que ele também não é Seelie.

— Um desgarrado? — perguntou Agatha interessada.

— Provavelmente um maldito Exilado — resmungou Jared.

— Não acredito que ele seja um Exilado, ele não entendeu nada quando falamos a respeito de cortes e outras coisas do gênero. Ele parecia sincero, acredito que ele cresceu longe de sobrenaturais. Possivelmente não sabe o que ele é.

— Já acolhemos desgarrados antes, — era Gabriel falando — é raro acontecer, mas não impossível. Tenho certeza que se lhe mostrarmos nosso mundo ele poderá ser um membro valioso dessa família.

Todos anuíram, silenciosamente.

Sophie e Natalia se olharam.

— Acontece que não é só isso… — Prosseguiu Natalia — nós logicamente ficamos curiosas em saber o que ele era e lemos a sua aura. — ela parou como se buscasse as palavras.

— Ele não tem aura. — sentenciou Sophie de modo firme.

Risadas abafadas eclodiram na mesa, quando Jared se levantou com os olhos faiscando na direção dela.

— Eu disse que isso seria perda de tempo, ela zomba de nós…

— Ela diz a verdade! — gritou Natalia dando um passo a frente — eu tentei ler a aura dele também, não havia nada… nenhum traço de energia era como se ele não existisse! Só havia Sombras….

— Era um sensação fria, como a própria morte. — complementou Sophie — era como se ele fosse…

— Vazio. — a voz de Seth retumbou perto dela. Só então ela percebeu que ele estava em pé ao seu lado. A quanto tempo ele estava parado ali?

— Isso. — afirmou Natalia — era como se não existisse vida dentro dele.

O Conselho observava Seth com interesse.

— Já ouviu falar de algo assim, Caçador? — interpelou Rufus coçando a volumosa barba.

— Não. Eu jamais ouvi falar de algo assim, mas a primeira coisa que me ensinaram na ordem foi identificar um mentiroso, e essas duas garotas não estão mentindo.

— Você não pode estar falando sério! — gritou Jared se levantando mais uma vez — essa história é ridícula! É impossível alguém não ter aura, isso não passa de um joguete dessa meretri…

Seth se moveu tão rápido quanto um piscar de olhos. Em um segundo ele estava em cima de Jared com a sua mão agarrando a mandíbula dele para que em seguida um estalo seco violento eclodisse na sala tão alto quanto os gritos de Jared, que caia por terra com a mandíbula destroçada.

— Eu disse pra você calar essa porra de boca, ou eu ia calar ela pra você. — sentenciou calmamente o jovem como se aquilo não tivesse significado nada para ele — A segunda coisa que me ensinaram na Ordem, — continuou ele indiferente ao fato de ter quase arrancado o maxilar de Jared fora — foi em nunca duvidar de nada, só por que você nunca ouviu falar de algo, não significa que esse algo não exista. — ele se virou para as garotas que estava logo atrás dele em pé — Vocês fizeram muito bem vindo ao conselho o mais rápido que puderam. Não há maior prova de lealdade e boa vontade do que essa. — e então ele sorriu. Não um sorriso sarcástico ou debochado como o Jared, aquele era um sorriso sincero, um sorriso amigo que acalentou o coração de Sophie. Ela definitivamente precisava de um amigo perto do conselho, ou ia se dar muito mal.

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Continua…

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