Conte até 10…

conte até dez

Por Lillithy Orleander

– Senhorita Schummer? – chamou o homem de cabelo semi grisalho e olhos acinzentados, que vestia um terno azull marinho com riscas de giz. De sorriso cortês e malicioso.

– Sim senhor Morthimer. – respondeu a moça…

– Venha até minha sala por favor.

Rose era uma garota do Texas, cheia de fibra, que sempre ia atrás de seus sonhos, mesmo que aparentasse um ar sonhador na maior parte do tempo. Decidiu então, como já estava há muito tempo em seus planos, deixar sua pequena cidade para trás. Pai, mãe, amigos e o namorado.

Sua meta: conseguir um bom emprego, em uma multinacional conhecida e provar para todos que não era mais a “menininha da mamãe”.

Estava em Nova Iorque tinha 3 meses  e por sorte á um mês e meio havia conseguido a vaga de secretária do vice-presidente, Johann Morthimer. As más línguas diziam que era o Christian Grey das secretárias, seu maior pesadelo. Ele sempre precisava de uma nova em questão de dois meses ou menos, quando já havia conseguido o que queria, levar uma delas para a cama, o que acontecia frequentemente já que elas nunca resistiam aos seus encantos e menos ainda á suas investidas.

Rose mantinha – se impecável, distante de tudo aquilo, afinal havia sido criada para ser honesta e descente como as mulheres do seculo passado, claro que teve seus namoradinhos e sua fantasias realizadas mas não se misturava com coisas desse tipo, não queria prejudicar seu trabalho e muito menos manchar sua integridade, sua vida pessoal não pertencia àquele lugar.

-Preciso que a senhorita, fique até mais tarde hoje, necessito fechar e averiguar alguns cadernos de notas, atas de reuniões e planilhas.

Rose se quer pestanejou, precisava do emprego, se preciso fosse faria sim “cerão”.

-Sem problemas, senhor Morthimer.

-Johann. – ele disse sorrindo, devorando – a de cima á baixo com o olhar.

-Como? – perguntou ela em um tom mais impessoal.

– Johann. – respondeu ele levantando – se de sua cadeira, para parar diante da mesa com os braços cruzados na altura do peito.

Seu olhar encontrou os de Rose e por um instante ela corou violentamente. Sentia – se despida diante dele, mas sustentou o olhar com frieza. Passou o dedo indicador no anelar, disfarçadamente, e sentiu o frio metal preso ali, firmou a postura e o respondeu:

-Senhor Morthimer, acredito que este seja nosso local de trabalho e que nestes termos, sendo assim prefiro seguir a hierarquia que nos é colocada. Gostaria de pedir por gentileza que não haja esse tipo de intimidade conosco, afinal o senhor é meu superior e eu espero que isso continue da forma que está.

Johann olhou – a com espanto para em seguida aderir uma postura formal.

-Entendo, desculpe – me se passei uma impressão errada, senhorita Schummer.

– Se me der licença. – falou ela e se retirou, sentindo um frio na espinha quando virou – lhe as costas, ela sabia que ele a fuzilava com os olhos.

Johann não entendeu como seu charme não havia funcionado, ela só pareceu incomodada com a investida, mas ele ainda teria a noite para tentar e com certeza ela não escaparia.

Rose saiu para almoçar sozinha como sempre fazia, e ouvia os comentários alheios e malicioso sob suas costas, aquilo fazia – a sentir – se mal.

Adentrou o banheiro e trancou – se em um dos cubículos tentando fugir dos olhares, mas parecia impossível.

– Hoje é o abate da nova secretária de Johann Morthimer. – disse uma faxineira. – Eu ouvi a investida dele quando passei limpando, mas ela resistiu hein, nunca havia visto quem rejeitasse aquele pedaço de mal caminho.

-É o fim do mês, época de fechar notas, ele vai dar um jeito. Ele sempre dá, pena que aquele deus grego não me dê bola.

Por um instante fez – se silêncio e então as duas funcionárias começaram a dar gargalhas altas, saindo do banheiro sem notar que Rose ali se encontrava e á tudo ouvia.

Sua cabeça doía, e seu estomago decidiu que nada do que ela havia comido ficasse lá. Rose ajoelhou – se no chão e vomitava desesperada.

A tarde passou vagarosa e sem muitos percalços o que lhe deu a oportunidade de correr ao almoxarifado e buscar o que lhe fora pedido, adiantou o que precisava e organizou mais algumas coisas que usariam após o expediente. Queria terminar o mais breve possível.

O fim da tarde chegou e os últimos raios de Sol sumiam no horizonte, as pessoas começavam a se despedir umas das outras, enquanto o escritório aos poucos ia ficando vazio.

Rose foi até a maquina de café e pegou um Cappuccino voltando em seguida para sua mesa, aguardando Johann que agora estava com um visitante, deveria ser algum assistente do chefe, pensava Rose, já que sempre encontrava o rapaz por ali, fosse em reuniões ou em conversas longas.

-Tenho que admitir Johann, ela é uma graça, delicada… Poderia deixar essa pelo menos pra mim. Afinal você vai deixar mais um coração partido e veja, isso também sei fazer. – disse Franz ao estreitar e olhar cobiçoso para a moça além do vidro.

-Essa é como um boi bravo, Franz. Não cai facil em um sorrisinho sacana. Vai ser difícil doma – lá. –  e deu uma sonora gargalhada.

Franz sentia algo estranho dentro de si, e Johann vendo que não conseguiria se livrar do rapaz, mandou Rose entrar.

Rose sentou – se em um pequeno sofá que havia ali e á seu lado estava Franz que solicito começou a ajuda – lo, Rose sentia – se agradecida pela presença de Franz, mas nada disse. Johann sentia – se incomodado, para logo após tornar – se irritadiço.

-Senhorita Schummer, termine de arrumar o resto das coisas. Terminamos amanhã. E Franz já que hoje decidiu ficar até o fim do fechamento, ajude a moça.

-Sem problemas. – sorriu Franz, dando – lhe uma piscadela.

Franz levantou – se enquanto Johann virava as costas e se direcionava para o elevador. Assim que e ele entrou e acenou com a cabeça, a porta se fechou e Rose respirou aliviada sem perceber que o rapaz a olhava hipnotizado.

-Senhorita Schummer, não é? – perguntou ele caminhando em direção á uma das gavetas trancadas com segredo para guardar algumas pastas.

-Isso. Rose Schummer.- e estendeu a mão para o rapaz.

-Muito prazer, sou Franz. Franz Morthimer. Sou o irmão caçula.

-Me desculpe senhor, eu não queria… Desculpe – me pela liberdade.

Quanto mais Rose se embaraçava diante de si, Franz sentia dentro dele algo nascer e desejar ainda mais aquela mulher. Ela e o que com ela, ele iria conquistar, afinal ela é uma moça do interior, não parece ser tão difícil assim, é só ter traquejo certo, pensava ele.

– Hey, não precisa se preocupar. Eu sou o cordeiro, o lobo acabou de sair. – disse Franz sorrindo.

Rose respirou fundo, mas preferiu se calar, não queria gracejos e nem rumores pelo escritório, não era isso que seus pais haviam lhe ensinado. Franz sentia – se atraído, e normalmente aquilo não seria normal.

Os dias passavam – se depressa e Johann se quedava pensativo por não entender os motivos que levavam Rose a se manter afastada dele. Ele era rico, era poderoso, era bonito, ela não podia rejeita – lo daquela forma. Seu irmão no entanto fazia o papel de bobo apaixonado diante de si, tentando disfarçar, mas ainda sim ela o tratava com mais gentileza. O que Franz tinha que ele não tinha?

– Franz, responda – me uma coisa. Essa sua cara de bobo apaixonado não me engana, você é como uma raposa astuta, está em nosso sangue. Então me diga, quais são os planos pra essa garota? Seja honesto.

-Os melhores possíveis, caro irmão. Os melhores possíveis. – os olhos de Franz brilharam de um modo estranho o que chamou a atenção de Johann.

“Eu sabia que tinha algo…” – pensou Johann para si, seu irmão estava tramando.

Os meses passavam depressa logo seria fim de ano e apesar do rompimento com o namorado, Rose estava radiante, havia lutado bastante e sua vida estava se estabilizando á olhos vistos. Comprou um pequeno apartamento, simples mas cabia em seu orçamento e iniciou um curso de Contabilidade para se especializar na área.

– É maninho, parece que dessa vez, mesmo sem o namorado no caminho essa você não conseguiu carregar. – disse Franz adentrando a sala do irmão e o tirando de seus devaneios.

– Digamos que me apareceu um concorrente á altura, mas pelo o que vejo, você também não conseguiu leva – lá para sequer almoçar. – Johann sorriu em tom de deboche. – Mas se está tão interessado por que não a leva para o 10°andar de vez? Pelo menos um de nós terá o prazer de experimentar a doçura por baixo daquela saia.

– Johann seu desdém te condena. Rose e eu não temos nada. Ela é somente uma funcionária competente, nada além disso.

Rose saiu para almoçar e em seguida Franz a seguiu entrando no mesmo elevador.

-Posso te acompanhar?

-Senhor Morthimer.

-Franz, Rose. Pra você é Franz.

– Prefiro manter os protocolos, senhor.

– Ah, mas agora é hora do almoço, somos só dois funcionários famintos que trabalharam demais e ainda nem chegou o fim do dia. e então senhorita Schummer posso acompanha – lá? – ele fez cara de criança pedinte e Rose não resistiu ao riso, deixando – se enganar pela doçura ali representada.

– Hoje é dia de fechar notas não é mesmo? – perguntou Franz despreocupado.

Ao que Rose pareceu em choque, havia se esquecido, ficaria sozinha com Johann. Franz conseguiu atingir a garota e o sorriso se formou em sua face.

-Hey, está tudo bem? Você está pálida. – perguntou ele demonstrando preocupação.

– Não foi nada, é só que… Eu preciso ir.

Rose foi se levantar, mas Franz puxou – lhe o braço.

– Eu te conheço a tempo suficiente Rose, e justamente por isso hoje o fechamento será comigo, pedi a meu pai para que me deixasse fazer esse mês.

Rose pareceu mais calma e Franz que ainda segurava sua mão, levou – a até os lábios e depositou um leve beijo ali.

Rose enrubesceu e puxou rapidamente sua mão dali, não queria envolvimentos e casinhos que se espalhassem pelos corredores.

A tarde passou vagarosa, mas nitidamente mais tranquila, Rose separou os papeis como costumava fazer, dessa vez seria um  balanço semestral então demoraria para acabar, Franz disse que gostaria de começar cedo.

As três da tarde e a mandou subir, era a primeira vez que Rose iria ao décimo andar desde que chegara á empresa.

Quando as portas do elevador se abriram, Rose sentiu – se presa dentro de um aquário, a mesa da secretaria estava vazia, e na saleta atrás, todas as paredes eram de vidro do chão ao teto, a vista da cidade atrás da cadeira de Franz era perfeita e com o fim da tarde se aproximando Rose pode notar cada pedacinho do céu diante daquela magnitude rosácea que mesclava o céu.

– É lindo! – exclamou Rose parada diante do elevador que agora fechava – se em suas costas.

Rose parecia querer sorver cada pedacinho daquela visão com os olhos extremamente brilhantes, esquecendo – se de tudo ao seu redor. Seu coração ficou apertado e teve vontade de fugir dali, algo estava errado, mas não se deixou levar pela sensação, afinal de contas era bobagem de sua cabeça.

Franz fez sinal para que esperasse, ela sentou – se próxima á uma das paredes de vidro, pegou o celular, tirou uma foto e a enviou para a mãe, dizendo que a amava. Novamente o calafrio e o sussurro gélido mandando – a partir. Olhou para trás de si e não viu nada, sentia – se observada…

Uma porta de madeira na direção oposta possuía um vidro quebrado ao lado, Rose não percebeu mas a moça de longas madeixas negras descia sua mão pela vidraça, olhando Rose por aquele orificio, em um sussurro mudo e para Rose inaudivel.

– Vá embora… Morte…

CONTINUA…

 

*Adaptação de lenda japonesa.

 

 

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