Vendetta Pt.6 – Segredos e Explicações

GRIM2

Por Lillithy Orleander

Charlotte acordou sem se lembrar do que havia acontecido.
A cama não era sua, e os arabescos no teto denunciavam que aquele também não era seu quarto.
Levantou – se silenciosa e olhou para os quatro cantos do quarto. A prateleira acima da mesinha de computador tinha réplicas de carros antigos e alguns livros aparentemente empoeirados por falta de uso. Na parede do quarto havia uma guitarra autografada, mas ela não identificou de quem era a assinatura, havia fotos de uma criança graciosa sentada na grama com roupa de marinheiro, ela sorriu.

Encontrou a porta do banheiro e olhou – se no espelho, estava um trapo e com olheiras, mas aonde estava?
– Seu pai mandou trazer roupas pra você e outras coisas suas?
Ela procurou instintivamente a arma no vestido surrado, mas não encontrou.
Aleksander estava parado na porta, descalço, vestindo apenas uma calça de moletom preto.
– Nós combinamos de conversar, lembra? – perguntou ele levantando os braços em sinal de rendição, enquanto segurava a arma da garota presa á um dos dedos.
– Como raios eu vim parar em seu quarto? Você e eu não… – disse ela encostando – se na pia. – Eu preciso de um cigarro, e vou caçar o Orachi por ter me deixado fazer essa burrada.
Charlotte virou rápido demais e de súbito sentiu a tontura invadir – lhe o corpo, desequilibrando – a.
Mãos firmes a seguraram e a levantaram imediatamente, antes mesmo que ela pudesse cair e bater a cabeça no chão.
– Me solta seu cretino empavoado. – dizia ela dando tapas nele.
– Você bate como uma garota. – disse Aleksander sorrindo, voltando para o quarto com Charlotte no colo.
– Verdade. Eu não sou uma garota, sou uma Maensen.
E desferiu um soco, que pegaria certeiro no rosto do rapaz se ele não fosse mais rápido e segurasse a mão dela. Ele soltou a mão dela e segurou seu queixou forçando – a olhar em seus olhos.
– Você não muda mesmo né? – o olhar de Aleksander encontrou os de Charlotte, e a serenidade que havia nele desarmou a moça que de pronto desistiu de implicar com Aleksander.
Ele a deitou na cama, foi até um closet e voltou com uma camiseta branca de mangas compridas.
Sentou – se na beira da cama e calçou o Nike vermelho.
– O médico disse que você precisa de repouso e de mais alguns exames. Seu pai e seu amigo foram em casa, Joseph dorme no sofá da sala, e eu pedi pra ninguém te incomodar. Vão todos voltar em breve, não é sua casa, mas sinta – se a vontade.
E levantou – se saindo do quarto apressado.
Charlotte sentou – se a beira da cama puxando em sua memória o que havia acontecido na noite anterior.
Mas nada vinha em sua mente, ela viu a maleta encostada a porta e reconheceu as iniciais de seu pai gravadas no objeto, eram suas coisas e decidiu tomar um banho.
Entrou no box de vidro fumê e ligou o chuveiro. Estava quente, e a sensação da água a fez sorrir satisfeita e fechar os olhos. Ela tirava o vestido enquanto a água escorria pelo ralo e o vapor tomava conta do local…

– Senhor Aleksander, o café está servido.
– Não esquenta Mike, eu vou correr. A Srta. Maensen está descansando ainda, não deixe que ninguém á incomode.
– Sim senhor.
Mike virou – se para sair da sala, enquanto Aleksander ia em direção a porta.
– Você está cuidando muito bem de minha irmã. – dizia Joseph que surgia com as mãos no bolso.
– Desculpe, eu não…
– Tudo bem, nossos pais tem negócios, então entendo a cortesia. Sei que você não faria nenhuma gracinha, afinal acho que você já sabe o que Charlie faria. – disse Joseph colocando as mãos no bolso.
Aleksander sorriu e colocou o dedo sobre o curativo em seu nariz.
– É eu sei…

*-*-*-*-*-*-*

Vyolette acordará tarde e sequer se importou com os trajes que vestia, afinal ninguém ficava em casa naquele horário. A camisola transparente deixava a mostra os seios e a fina calcinha de cor roxa que vestia. Se olhou no espelho e não gostou do que viu, os hematomas do dia anterior estavam ali, saltando aos olhos, o que a deixou enfurecida.
– Maensen. – disse ela olhando o ferimento no supercílio. – Você me paga sua puta.
Vyolette pegou o porta jóias de prata e acertou no espelho, deixando – o em pedaços.
O celular tocou ao longe Mamma Do* enquanto ela mal humorada decidia se atendia.
– Pronto. – disse ela a contragosto.
– Vy? – disse a voz agudamente irritante do outro lado.
-Olivia, espero que seja por um bom motivo. Não tô afim de falar com ninguém hoje.
– E é. Põe a melhor roupa e vamos comemorar.
– Qual seria o motivo da comemoração? Seu novo namorado? – disse ela irônica.
– Na realidade, não e você não precisava ser rude. Charlotte Maensen parece que foi pega num racha ontem e pelos rumores dessa pocilga de lugar, acham que ela foi presa. Era só isso…
Olivia se sentiu humilhada mais uma vez por Vyolette e decidiu que iria se afastar, não era a primeira vez que ela fazia isso, ela olhou para o celular e o desligou sem ao menos dar “tchau” para a agora extinta amiga.
– Não preciso de você Vyolette Mont’blanc.
E deletou o número da outra.

– Olivia eu não acre… Alô? Alô? eu acho que eu peguei pesado com a bobinha. – disse Vyolette rindo como se fosse a coisa mais natural. – Depois eu ligo pra ela e choro meia horinha e ela volta. Ela sempre volta.

Vyolette escovou os dentes e desceu para tomar café antes do banho, não iria aí colégio. Iria na casa de Charlotte tripudiar sobre ela, afinal a queda da inimiga era algo a celebrar.
Desceu os degraus de dois em dois, descalço feito criança, cantarolando o toque de seu celular.
– Priminha como você acordou radiante hoje.
-Lucian seu grande farsante. – disse ela desferindo – lhe um tapa na cara. – Nunca mais ouse rasgar minhas lingeries, idiota. Elas valem mais pra mim do que você.
Lucian passou a mão sobre a vermelhidão que se formava em seu rosto e sorriu.
– Você as coloca por que quer, eu prefiro você sem elas. – e avançou na prima, agarrando – a por trás.
Lucian, desafivelou o cinto com urgência, subiu a mão pela coxa desnuda, e afastou a fina calcinha de Vyolette.
– Você pensa que vai fazer o que? – perguntou ela maliciosa.
– Eu não penso Vyolette, eu vou fazer.
Ela se virou para encara – lo e ele sorrindo jogou tudo o que estava na mesa no chão, empurrando Vyolette em direção a mesma e mostrando a ela o tamanho de seu desejo.
– O que vamos comemorar? – perguntou ele, que agora era despido com a mesma rapidez por ela, que mordiscava o pescoço dele fazendo – o fechar os olhos de excitação

.
– O início da queda de Charlotte Maensen.
Lucian abriu os olhos e sorriu, se encaixando entre as pernas de Vyolette.
– Conte – me seu plano,priminha. – Lucian apertou – a em seus braços e deu a primeira estocada, enquanto a emprega ruborizada, fechava a porta sem fazer qualquer ruído.

*-*-*-*-*-*-*

As batidas na porta foram curtas e Olivier que conversava com Sorento desconfiou do que fosse.
– Entre.
Joseph empurrou a porta e Sorento fez menção de sair.
– Não. Você pode ficar meu caro Sorento, o assunto também é de seu conhecimento.
Joseph olhou para o pai sem entender, mas este pareceu nem ligar para a reação de estranheza do filho.
– Um dia, á muitos anos meu pai me chamou depois de passar uma madrugada inteira na rua e me disse que era hora de assumir o legado da família por inteiro. Além dessa vida.
“Naquele mesmo dia um senhor muito educado, veio até nossa casa e me explicou o que éramos.
Nossa e algumas famílias dividem o fardo de guardar um mal que ressurge de tempos em tempos na nossa ordem. Hoje chamam de dupla personalidade ou qualquer outra coisa do tipo, mas são coisas pequenas e sua ciência junto a força de vontade de alguns indivíduos consegue dominar esse “mal”, mas em todo o mundo há as exceções extremas, eles nascem em nossas famílias de modo aleatório. Tem um poder de destruição gigante e alguns são capazes de abrir o que chamamos de Portal do Inferno, tamanha é sua maldade. Quando meu pai contou – me tudo isso achei que era loucura.”

– Peraí, você está me dizendo que o mal existe e que demônios são reais é isso?

– Você se lembra quando Charlie dizia que falava com alguém que não éramos capaz de ver?

-Isso era um amigo imaginário, não existe. Charlie sempre foi uma garota de poucas amigas e difícil de se relacionar. Aquela garota tem um gênio do cão, o cara arranhou o carro dela e ela quebrou o nariz dele.

-Sorento você poderia…

Sorento fez sinal afirmativo com a cabeça e saiu porta a fora.

-Mas o que está acontecendo aqui?

Sorento voltou com o que parecia um livro velho em mãos e o entregou a Olivier.

– Isso é que chamamos de Laylacan, nosso livro de revelações. Seu legado. Legado de Charlie.

-Isso está muito confuso.

– Não é um demônio como você disse, a pessoa nasce com o que chamo de necessidade de se expandir e se tornar algo maior, a chave para o Inferno, acompanhada pela pré disposição em destruir e arruinar.Vem dotado de força, e domina pelo menos a telecinese e o fogo.

-Tá bom isso está virando um conto de fadas ao contrário.

-Nero, não era louco, meu filho em algum momento sua natureza real decidiu aflorar e vir a tona, o que o fez parecer um vilão e colocar fogo em Roma, ele não sabia como se controlar. Uns chamam aquilo de tragédia, nós chamamos de ignorância.

-Então você acredita que a nossa Charlie, “doce como um torrão de açúcar” vá virar uma…

– Não temos um nome específico.
A única coisa que sabemos é que em nossa ordem ocorre de 20 em 20 anos, no filho mais velho de determinadas famílias. A família de Sorento recebeu em sua família por três gerações, e todos eles se mataram quando começaram a vislumbrar o outro eu, achando que enlouqueceriam, foi então que chegou a vez de meu pai. Mas estranhamente pulou essa geração, a ordem olhou as linhagens sanguíneas, pesquisou as estrelas e também as outras ordens que vivem semelhantes a nossa. E não teve explicação.
Quando Andrew nasceu tivemos medo que ele trouxesse isso consigo. Mas nada. Veio você e nada novamente. Ficamos todos felizes, mas sua mãe engravidou novamente e a ordem viu uma estrela brilhar mais forte e explodir.
Era uma menina, estávamos felizes quando recebi a notícia, era de Charlie essa maldição. Era a primeira vez em séculos que viria em uma mulher. Não sabíamos como lidar com aquilo e sua mãe descobriu.
Nunca vou me esquecer do quanto ela me esbofeteou aquela noite.
Meu pai sempre trabalhou assim, cobrando pessoas para pessoas importantes que não queriam sujar as mãos e tudo veio muito a calhar, eu teria as defesas necessárias pra ela e ela não precisaria se envolver nesse mundo. Mas sua mãe foi contra e foi ajudada por Sorento a ensinar Charlie, na cabeça de ambos era necessário saber se defender.
Quando o tal amigo imaginário surgiu, tive certeza de que ia acontecer com ela. Ele funciona como uma espécie de guardião da coisa.

-Você está me dizendo que uma hora Charlie vai surtar e sair matando todo mundo? É isso? – perguntou Joseph ainda incrédulo.

-Na verdade não, nos casos que minha família relatou e acompanhou, os que não se mataram, viraram seres vingativos ou descobriram como controlar. Apenas um tentou abrir o Portal do Inferno, mas foi detido a tempo. – disse Sorento que agora parecia se lembrar de uma época distante

-E quem foi? – perguntou Joseph

-Meu irmão. Gêmeo. – respondeu Sorento, olhando dentro dos olhos do rapaz com se esperasse alguma reação. – eu mesmo o matei.

– Vocês tem noção do que estão dizendo? É tudo muito louco e fantasioso.

-Como você explica o que estudou? – perguntou Olivier cruzando a mão sobre os lábios.

-Eu não… Como você? – perguntou Joseph confuso.

-Eu sou seu pai e embora não pareça, eu os observo. Percebi que você ficou diferente após a morte de sua mãe. Andrew não sabe se nada e não suspeita de nada, ele sempre foi desligado.

A campainha tocou e todos se calaram, Nhora bateu na porta e foi lhe permitido adentrar o recinto, muito a contragosto trazia consigo um senhor franzino e um guarda costas.

-Senhor Olivier o convidado chegou. – disse Nhora cheia de sarcasmo e cerimônias, virando os olhos como se debochasse, o que fez Joseph se levantar rapidamente segurando o riso.

-Joseph, pense no que eu lhe disse trataremos de tudo mais tarde, sim.

-Pensarei meu pai, pensarei.

*-*-*-*-*

Aleksander colocou o fone de ouvido no último volume e começou sua corrida matinal, precisava esquecer os últimos episódios, tudo havia acontecido muito rápido e pela primeira vez ele não tinha nem uma idéia de como resolver aquilo.
“Eu não posso estar gostando ou nutrindo qualquer tipo de sentimentos por essa garota. Isso não existe.”
Charlotte olhava da janela enrolada em seu hobby quando Aleksander saia. Algo dentro de se dizia que as coisas iam começar a ruir. Pegou o celular e digitou rápido os números.
Um toque… Dois toques… Três… Sua impaciência a fez jogar o celular na cama. Benjamin não lhe atendia.
Batidas leve na porta fizeram com que Charlotte abandonasse os seus devaneios, nem ela mesma entendia o que estava acontecendo, primeiro a voz, depois a ausência de sentidos, a falta de memória e agora o sumiço Éolo.

-Entre.
– Como está nossa doentinha hoje? – perguntou Nhara como mãe solicita.

Charlotte abraçou a mulher como se já a conhecesse á anos.

– Me desculpe pelo incômodo, sra. Svalden, mal acabamos de nos conhecer e já estou causando problemas.

Nhara soltou a garota e sorriu, sentando – se a beira da cama do filho, e colocando atrás da orelha da moça uma mecha de seu cabelo que ainda estava solta.

– Não se preocupe, imprevistos acontecem com todos, querida. – Nhara sentia dentro de si uma afeição estranha pela garota que jamais sentirá se quer pela sua filha. Onde ela estaria?

Nhara se lembrava da filha com desgosto e com tristeza nunca entendeu porque tudo ocorrerá daquela forma e também já tinha abandonado a possibilidade de tentar, mas seu coração sabia que seu retorno estava próximo, elas sempre tiveram essa ligação, e no fim ela teria que contar a verdade a Aleksander.
Elas passaram horas ali, rindo das peripécias de um Aleksander infantil, enquanto a tarde corria e a cor voltava as faces de Charlotte…

*-*-*-*-*-*

Olivier ainda estava preso a sua pequena reunião quando Andrew entrou correndo no escritório, baleado no braço e ensanguentado.

– Mas o que está acontecendo aqui?

E antes que pudesse receber qualquer resposta, o homem que com ele negociava sorriu e puxou a arma de sua cintura com o silenciador embutido.

– Seu tempo acabou, Olivier Svalden…

O som oco de um corpo caindo no chão e o som estridente de um grito foi a única coisa audível naquele instante.

CONTINUA…

3 comentários em “Vendetta Pt.6 – Segredos e Explicações

  1. Por favor, continua a história !! Eu nao sei se você fez continuação ou se é isso, mas se fez por favor me fala onde encontro se nao fez, corre lá !! Abraços. Estou supreendida com seu talento.

    Curtido por 1 pessoa

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