A Corte [Parte 4] – Pub Inn Meia-Noite

Escrito por: A.J. Perez

 

pub-inn.jpgCapítulo 4 – “Pub Inn Meia-Noite”

O carro negro rasgava a noite tão escura quanto ele, como uma flecha varrendo a escuridão, deslizando de modo suave ao som de Paranoid do Black Sabbath, seguindo pela estrada que atravessava centro da cidade, Mark se observou revendo lugares estranhamente familiares, enquanto o céu parcialmente nublado mostrava a lua crescente de modo tímido por entre as nuvens noturnas.
— Então, Pub Inn Meia-Noite? — indagou ele — Não imaginei que haveria lugares assim nessa cidadezinha…
— Não se empolgue garoto, não é nenhum “inferninho” desses que tem na capital. Aqui ele é o ponto de encontro da cidade toda, até o reverendo vem pra cá jogar sinuca com os amigos, depois das reuniões de domingo na igreja – Mark riu alto.
— Mas… — iniciou Laura — existe outro lugar na cidade, tens alguns shows dessas, como vocês dizem, “bandas underground”?
— É, isso mesmo. São bandas menores que fazem shows em bares e casas noturnas, participam de algumas competições e festivais, a maioria são covers de bandas famosas, eu até estava em uma na capital.
— Nossa, que legal, Mark! E eram covers de quem? — os olhos de Laura cintilavam ao ouvir sobre aquilo.
— The Scorpions… mas me diga, — iniciou ele mudando rapidamente de assunto — esse local das bandas underground que tocam por aqui, ficam onde? Não me lembro de um lugar assim…
— Nem teria como garoto, fica na cidade velha, chamam de o lugar de “Hades” não tem placa nem nenhuma sinalização, foi construído dentro de uma fabrica abandonada, e só entram pessoas convidadas.
— Hades? Sério? Que nem o deus grego?
— Quem nem o submundo. — o que combina perfeitamente com a Cidade Velha, não atravesse a ponte querido não tem nada pra você naquele lado.
— Se não me quer por lá, por que me contou sobre o lugar?
— Porque prefiro ser eu a te contar do que outra pessoa. É sério Mark fique longe da Cidade Velha, principalmente do Hades, aquelas pessoas… elas não são boa gente. E todos na cidade sabem disso.
— O que eles fazem? Vendem erva pra vocês? — Mark rebateu ainda revoltado com a história da maconha.
— Okay. Não vamos discutir isso.
Marcus fechou a cara mas pensou seriamente que talvez Santa Anna não fosse tão ruim quanto ele pensava.
— Qual instrumento você tocava? — insistiu sua avó voltando ao assunto anterior, que ele já se arrependia de ter mencionado.
— Guitarra… e acho que nós chegamos ao nosso destino. — sentenciou assim que o Pub Inn Meia-Noite se revelou, em um belo letreiro fluorescente vermelho.
Eles estacionaram o carro na rua ao lado e se dirigiram ao pub. Segundos após adentrar o local alguns gritos ecoaram alto enchendo o lugar. Enquanto uma turba de pessoas desconhecidas e de meia idade se aproximava para cumprimentá-lo.
“Ótimo! Uma festa surpresa de boas vindas com pessoas das quais eu não me lembro, Santa Anna é um pesadelo!” — pensou ele retirando a ideia anterior da mente.
Por alguns instantes ele foi o centro das atenções. Conheceu o reverendo Mason, um homem na casa do cinquenta anos de cabelos ralos e cinzentos com olhar tranquilo que imediatamente passou a falar da paróquia local e de como seria bom ter a visita dele aos domingos de manhã na congregação. Em seguida o próprio prefeito da cidade, Hugo Lopez um homem rechonchudo e com um espalhafatoso bigode deu as boas vindas, ele era imigrante castelhano naturalizado que já estava no segundo mandato. Após minutos — que pareceram uma eternidade — quando a multidão ao seu redor se dissipou um pouco. Mark aproveitou para olhar o local e ver onde poderia se enfiar pra fugir daquela gente.
O salão era amplo, tinha um bom espaço para dançar. Um bar a direita estaria completamente vazio não fosse por uma bela jovem de vestido retro bege sentada de modo cabisbaixo, observando as bebidas ao fundo com ar de tristeza. Nos fundos uma lareira com três poltronas dava um ar aconchegante ao local em uma deles Mark pode ver uma jovem de cabelos negros sentada escrevendo algo. A esquerda se encontravam várias mesas e cadeiras dispostas como praça de alimentação e logo ao lado uma área menor com duas mesas de sinuca.
Sem muitas opções correu para o bar e se sentou a uma cadeira de distancia da moça de vestido retro. Talvez eles imaginassem que ele a estivesse paquerando e o deixassem em paz. Ou assim esperava.
Ao sinalizar para o atendente pediu uma dose de Jack Daniel’s, que prontamente lhe foi entregue.
Então observou a jovem ao lado. Ela apoiava os cotovelos sobre o balcão e suas mãos escoravam o queixo, parecia desanimada e triste.
Seus cabelos castanho em um corte chanel davam a ela um ar culto. O vestido que usava era claro, o que explicaria o motivo pelo qual ela quase resplandecia no local. Sua pela era alva, seus olhos eram claros em um tom muito difícil de decifrar, as cores deles pareciam vibrar e se modificar a cada segundo, o que deixou Mark fascinado, por ela. Não uma fascinação física e sexual, como a maioria dos caras teria à vela. Ele não pensava mais nisso dês que seus pais faleceram, eram problemas de mais pra pensar em garotas, ele tinha de ser adulto, de arrumar um emprego. Tinha de cuidar da Elena.
Ele poderia admirar a desconhecida pela eternidade, por um motivo simples. Observá-la lhe dava um estranho sentimento de paz.
De repente a doce voz dela rompeu o silencio.
— A morte deveria ser um alivio. – disse ela enfadada.
— Isso depende do lugar pra onde a pessoa deve ir não é? – retrucou ele inclinando levemente a cabeça em sua direção.
“Merda, devia ter ficado calado”. Imediatamente se martirizou por ter aberto a boca pra falar com ela.
A moça o olhou meio sem entender, em seguida ficou o observando enquanto colocou as mãos sobre o balcão.
— Está falando comigo?
— Sim, afinal não tem mais ninguém no bar. – respondeu ele meio sem jeito.
Ela o olhou com cara de incredulidade e rapidamente observou a atendente distraído na outra ponta do balcão.
— Me desculpe, não queria te incomodar eu já vou indo.
— Não! – disse ela em tom exclamativo. O que o fez parar instantaneamente.
— Tudo bem. Hã, — ela sorriu — então, o que você é?
— Meu nome é Marcus, prazer em conhecê-la. – ele lhe estendeu a mão.
Ela sorriu e deu uma risada abafada.
— Comediante e misterioso, okay… — ela inclinou a cabeça levemente para a direita o observando com cuidado — Meu nome é Amattha, o prazer é meu. – respondeu-lhe ela com um aceno de cabeça.
Marcus recolheu a mão no mesmo instante.
Amattha ficou o observando por algum tempo com um sorriso no rosto.
— Por que quis falar comigo? A maioria de vocês tendem a nos ignorar. Pelo menos até que nos conheçam.
— A maioria de nós? — ele realmente não conseguia compreender do que ela estava falando. Estava se referindo a pessoas de fora da cidade ou aos caras da cidade, aquilo não fazia sentido — Desculpe, Amattha, mas eu não entendi, o que você quis dizer com “a maioria de vocês”.
— Sou eu que não entendo… — o olhar dela parecia realmente confuso — Já sei como podemos resolver isso. — sentenciou a garota abrindo um lindo sorriso para ele — Quer conhecer uma amiga minha?
— Pode ser… eu acho. – Ele realmente estava achando que tinha encontrado a maluquinha da cidade, não seria uma sorte e tanto?
— Vem comigo? – ela se levantou.
— Claro – ele a seguiu.
Ao cruzar o salão reparou que todos estavam de casaco, mas a moça estava com um leve vestido.
Repentinamente Amattha se virou e olhou Marcus. Dentro dos olhos dela havia terror e surpresa. Quando sentiu algo que não sabia mais o que era, há muito tempo.
A mão quente de Marcus estava pousada levemente sobre seu braço a tocando de modo gentil. O corpo de Amattha se estremeceu de cima a baixo.
“O que é isso?” – se indagou ela mentalmente.
— Você está com frio? – perguntou Marcus – está gelada, posso lhe emprestar meu casaco se você quiser.
— Você está brincando, né? — ela recolheu o braço olhando ao redor com ar de assustada — Não, obrigada. Estou bem.
Eles se puseram a andar, mas repentinamente ela se virou.
— Como fez isso? O que você é? — os olhos dela ardiam de curiosidade.
— Como eu fiz, o que?
— Me tocou… — cochichou ela arregalando os olhos esperando uma resposta.
Okay, ela era maluca, e ele ia sair dali.
— Olha eu acho melhor eu ir indo… — ele apontou com o dedão por sobre o ombro na direção da porta. Já virando o corpo para sair.
— Não! Por favor! Não vá, — o olhar dela era pura tristeza, mas que inferno como alguém poderia se negar a ela. Aquela garota realmente parecia um poço de tristeza e solidão — minha amiga esta logo ali.
Mark olhou na direção indica por Amattha e viu uma jovem de longos e negros cabelos lisos, rabiscando em um bloco. E Deus, mesmo sem pensar em se envolver com alguém, ele não pode deixar de se sentir imediatamente atraído por ela, ela era absurdamente linda.
Os dois se puseram a andar, Mark observou um estranho sorriso no rosto dela.
Ambos chegaram até a frente da poltrona onde a moça de cabelos negros estava sentada.
— Sophie?
A jovem a olhou.
— Esse é Marcus. Marcus essa é Sophie Blackheart.
Sophie observou levantando uma sobrancelha sem entender o que acontecia.

separador.jpg

Mark observou Sophie olhar para Amattha sem entender o que ocorria, e desviou seu olhar para ele.
— Hã…. olá. — respondeu ela em um tom tão frio quanto o olhar.
— Marcus veio falar comigo no bar, e achei que poderíamos conversar, nós três. — sorriu — Seria mais apropriado. — comentou olhando ao redor enquanto se sentava elegantemente em uma poltrona vazia observando os dois.
— Então… — iniciou ele — vocês moram em Santa Anna faz tempo? — indagou enquanto sentava-se na última poltrona vazia.
— Toda a minha vida! — Amattha sorria.
— Nasci aqui… Há muito tempo. — Soph rabiscava algo em seu bloco, sem olhar para o jovem que sua amiga havia arrastado para ali — Fiquei alguns anos fora, viajando, mas retornei a algumas semanas. — o seu tom de voz transbordava tédio e desaprovação.
— E você? — perguntou a garota de cabelo chanel.
— Cheguei na cidade hoje, me mudei com a minha irmã para a casa de nossa avó.
— Avó? — pela primeira vez Sophie o fitou dentro dos olhos.
— Meus pais morreram a alguns meses. Acidente de carro. — ele se deixou deprimir por alguns segundos, mas logo recobrou a compostura.
— Sinto muito. — pesar transpareceu nos olhos negros de Soph — Deve ser doloroso.
— Com o tempo, você se acostuma. Eu acho.
— Eu não entendi uma coisa… — iniciou Amattha — Vocês não viviam na corte local de sua antiga cidade?
— Corte? — do que diabos aquela garota maluca estava falando? — eu não entendi o que você quis dizer. O que é uma “Corte”?
As duas garotas se entreolharam, e voltaram seus olhos mais uma vez para ele.
— Você está dizendo que não sabe o que é uma Corte? — A jovem de vestido retro parecia chocada com a informação — Afinal o que você é?
— Olha, eu não sei do que vocês estão falando, e não entendi ainda o motivo de você ficar me perguntando “o que eu sou”. Como se não fosse humano. — o que aquela maluca estava querendo insinuar?
— Humano? Você… — iniciou Amattha quando foi interrompida.
— Calada, Amattha! — Sophie se endireitou na poltrona e mergulhou seus olhos negros dentro dos de Mark por um instante.
Subitamente ele conseguiu ver as pupilas dela se retraindo a pequenos pontos negros para em seguida se expandirem novamente ao tamanho normal. Aquilo era possível? Ele nunca havia visto algo assim antes. A face de Soph havia mudado instantaneamente de concentração para… assombro?
— Impossível… — foi a única palavra que Marcus captou sair dos lábios rosados da jovem. O que diabos estava acontecendo ali!?

— Ai está você! — um timbre feminino e jovial partiu das costas de Mark, ele se virou acompanhando com o olhar um grupo de jovens que vinha na direção deles. A líder dos recém-chegados sorria para Sophie. Ela possuía longos e volumosos cabelos escuros com grandes e incríveis mechas verde turquesa, que se espalhavam de modo harmônico por entre os fios tão negros quanto seus olhos, que estavam desenhados com lápis bem marcado. Usava um batom preto assim como o vestido em um estilo gótico que descia justo até os quadris onde se tornava mais solto e leve. Suas botas de salto lembrando coturnos militares com um ar mais feminino que baqueavam no chão a cada passada firme que ela dava. Sua pele, em um tom oliva claro, era perfeita. Não se podia dizer mais muita coisa sobre ela. A garota simplesmente era linda.
— Olá Natalia… — inicio Soph quando a garota parou ao seu lado sorrindo.
— Chegou faz tempo? — os olhos dela observaram o ambiente passando rapidamente por Marcus, para a Soph e voltando novamente para ele.
— Cheguei há uma hora mais ou menos. — Soph discretamente olhou para Mark.
— Sou Natalia, — iniciou a garota recém-chegada — você é?
— Marcus, muito prazer. — ele se levantou entendendo a mão para ela que deu um meio sorriso, como se aquilo fosse algo divertido ou alguma piada, ela aceitou apertando a mão dele.
Uma pequena corrente elétrica quase imperceptível percorreu o braço de Mark. O sorriso dela rapidamente se transformou em um olhar curiosidade.
— O que você é? — ela inclinou a cabeça, e mais uma vez aconteceu. Marcus conseguiu ver por uma fração de segundos as pupilas da garota de cabelos coloridos se retraíram até quase sumirem, e então voltarem ao normal. Ela parecia chocada.
— Por que diabos todos deram pra me perguntar isso hoje? — Ele olhou contrariado fechando a cara para todas elas. Era sério aquilo? Alguma piada local? Por isso ele odiava as pessoas…
— Marcus estava falando que recentemente veio pra cidade morar com avó dele, — rompeu inesperadamente Sophie — os pais dele faleceram recentemente.
Soph se aproximou da amiga gótica pousando a mão sobre ombro dela, enquanto a expressão de surpresa desaparecia rapidamente deixando algo no ar.
— Sinto muito… — proferiu ela.
— Sou Trinitty! — Uma moça surgiu ao lado de Natalia. Mark imediatamente se se pôs a olhar ao redor quanto se lembrou que a garota havia chegado com mais outras duas jovens.
— Uma pena o falecimento de seus pais, sinto muito. — seguiu dizendo a ruiva.
— Obrigado.
Trinitty era baixa, assim como as outras garotas, mas um pouco mais. A garota trazia quase o brilho da alvorada com ela, era como se uma energia alegre emanasse dela. Seu cabelo era ruivo, não natural e nem vermelho. Ele ela laranja. Um tom inexplicavelmente vibrante e cítrico de laranja, que ele jamais havia visto, uma franja retilínea e muito bem-feita descia sobre a testa dela até próximo a altura dos olhos, lhe dando um ar de inocência. Em combinação ao rosto levemente arredondado. Ela usava um vestido amarelo, com botas de camurça e uma pequena jaqueta de couro vermelha, no mesmo tom do batom que usava nos lábios.
O olhar me Mark pousou por último na garota de vestido azul-celeste, ao lado direito de Natália.
— Essa é Esther! — afirmou Trinitty com um sorriso animado — ela é tímida.
Esther tinha cabelos negros e cacheados até a altura dos ombros, olhava pro chão e não pra ele. A pele dela parecia lisa como porcelana e pálida em um tom quase translúcido. Seu vestido era leve, simples e solto. Nos pés trazia sapatilhas acinzentadas e apenas isso. Sem maquiagem, sem joias. Ela era simples e realmente discreta comparada as outras garotas. Não se surpreenderia se ela passasse desapercebida por ele.
— Obrigado por me ignorarem. — ralhou Amattha sentada olhando pra eles.
— Desculpe… — sentenciou ele — mas então, o que é essa tal de Corte?
— Você realmente não sabe? — Amattha se recusava a acreditar.
— Você não é Unseelie é? — Disparou Trinitty — não sou do tipo que discrimina, mas não gostamos dos Unseelie.
— Unseelies são… — a voz de Esther saiu como um sussurro, Mark e todos a olharam, bem como Amattha — …eles são malvados. — disse a garota se encolhendo quanto abraçava o próprio corpo.
— Pessoal, — ele abriu os braços como se estivesse se rendendo — eu realmente não sei do que estão falando.
— A Corte é uma republica. — a voz firme de Sophie ganhou o ar — gostamos de chamar assim por que lembra algo como a realeza, temos sérios problemas de ego lá, mas não somos gente ruim…
— Como os tais “Unseelie”… — rebateu Mark gesticulando.
— Isso. Os Unseelie são… — ela nitidamente pensou antes de responder, olhando algum ponto vazio antes de voltar os olhos negros para ele novamente — São um tipo de gangue que existe na Cidade Velha. São muito perigosos, fique longe deles, se fosse você ficaria bem longe do outro lado da ponte. Principalmente a noite.
— Anotado. — talvez não fosse boa ideia cruzar mesmo aquela ponte, a última coisa que ele queria era confusão.
— Olha, Marcus. Foi um prazer te conhecer mas nós temos que ir… — Sophie olhou diretamente para Natalia, ela as viu se encarando dentro dos olhos uma da outra, e aquilo era realmente esquisito, quase como se conversassem só com o olhar.
— É nós temos de, de ir ao cinema. — afirmou a garota de mechas verde turquesa, olhando as demais com animação.
— Cinema! —Gritou Trinitty. A garota era a encarnação da animação sobre a face da terra — tem um filme novo com o Orlando Bloom, dizem que é ótimo!
— Não gosto de cinema — resmungou Esther.
— Bem, nos vemos por ai, okay? — Sophie estendeu a mão na direção dele que prontamente a pegou.

Um trovão rugindo. Foi o som que ele ouviu quando sentiu seu corpo ser arremessado no ar com violência. Haviam penas, penas negras por todos os lados, ele estava caindo na escuridão? Não, ele estava mergulhando nela. Como se ela fosse um liquido escuro e sujo… havia algo lá, algo maligno, algo terrivelmente cruel, sombras deslizavam suavemente ao seu redor… sussurros lhe vieram a mente, mas ele não conseguia decifrar o que eram, mais parecia um mantra do que uma conversa, então algo mudou, uma voz feminina e melódica falou dentro de sua cabeça;
— Finalmente, eu posso te sentir… — flashes inundaram a mente dele — estou indo, meu amor…— campos de grama alta — espere por mim… —um carvalho antigo cercado por colinas — Logo estarás comigo de novo… — mãos delicadas dedilhavam a grama durante uma melancólica tarde chuvosa — Não se preocupe… — lindos olhos femininos, de um profundo tom negro — tudo está escrito… — pés delicados chafurdando na lama — você é maior que isso. — uma lágrima despencando no vazio — Controle as Sombras. Forje o seu destino. Quebre a maldição…
Um trovão rugiu.
— Está tudo bem? — era a voz de Natalia.
Soph e Mark soltaram as mãos como se levassem um choque elétrico um do outro, ambos estavam de olhos arregalados. A mente de Mark girava, pela expressão era como se ela tivesse visto o mesmo que ele, mas o que diabos havia sido aquilo? Droga ele precisava urgentemente de sua terapeuta. Ele estava pirando!
— O que aconteceu? — indagou Sophie com o olhar assustado na direção das amigas.
— Nada. — responderam as garotas — Vocês apertaram as mãos e ficaram parados por uns dois segundos se encarando, olhando pro vazio com essas caras estranhas. — complementou Trinitty.
— Está certo, bem nós nos falamos Marcus. Tenha uma boa noite.
— Vocês também. — A garota de cabelos negros realmente parecia perturbada, mas era impossível ela ter visto aquilo não era? Ele está tendo outro daquele ataques estranhos de pânico, vendo aquelas coisas estranhas.
Tudo começou quando os pais morreram, a partir daquele momentos ele passou a ter essas fugas da realidade, era como se o tempo parasse, tudo ficava preto e branco. Cores monocromáticas se espalhavam pelo ar. As pessoas viravam borrões pelo menos a maioria. Haviam algumas poucas que apareciam de outra forma. Como se uma energia as envolvesse. O pior dia foi quando ele estava no metro, e teve um desses ataques, havia uma garota sentada, quando ele a olhou, estava banhada em sangue, um sangue cintilante que pingava sem parar deixando um rastro rubro por onde ela havia se deslocado dentro do trem, ele quase gritou ao ver aquilo, era perturbador, asqueroso, cheiro metálico invadia suas narinas, mas ele respirou fundo e tentou assumir o controle. Aquilo não era real. É só mais uma alucinação. Agora essa era sua nova cidade, ele tinha de recomeçar, tinha de abandonar o passado. Mark não podia pirar agora! Mas o que ele tinha sentido agora foi completamente diferente. Ele sabia que seja lá o que fosse que estivesse ocorrendo com ele só pioraria com o tempo, mas ele precisava ser forte. Era só fingir, fingir que não havia nada de errado.
— Até mais, — Afirmou o jovem — foi um prazer conhecer todas vocês…
— O prazer foi nosso! — gritou Amattha saltado na frente dele com a mão estendida para cumprimentá-lo.
Com exceção de Sophie, elas olharam com cara de deboche, para a garota, mas a expressão desapareceu em seguida.
— O prazer foi meu. — sentenciou Marcus ao apertar a mão de Amattha de modo firme. Ela olhou para as demais garotas e saiu andando na direção da porta. Elas se entreolharam e seguiram ela sem olhar para trás.
Ele respirou aliviado por não ter entrado em parafuso ali quando sentiu uma mão pegar em seu braço.
— Primeiro dia na cidade e as garotas já caíram matando em cima de você. Muito bem meu rapaz! Não esperava menos. — Laura sorria debochadamente ao falar com ele.
— Só estávamos conversando.
— Sim claro, claro. Hã, querido vamos ter de voltar mais cedo. Sua irmã ligou há alguns minutos e… — Laura mau pode terminar de falar, a preocupação de Marcus para com a irmã disparou rapidamente acima de todos os fatos ocorridos até ali.
— Ela está bem? Aconteceu algo?
— Não, não se preocupe, ela está bem, mas temos uma visita inesperada.

——————————————————————————

Continua…

 

Um comentário em “A Corte [Parte 4] – Pub Inn Meia-Noite

  1. Como de costume, adorei. Acho muito legal a forma que você exalta a beleza das mulheres nos teus capítulos. E esse Mark, sou suspeita pra falar, tenho uma crush por ele. hahahhahahaha Enfim, já descobri um *mistério* a cerca de uma personagem que não vou falar! xD
    Continue com esse tamanho de texto, tá ótimo. 😀

    Curtir

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s