SCARLAT

um cafe e um amor3

Por Mille Meiffield

Scarlat. – Inspirado na música Vermilion – Slipknot

Ela estava ali me olhando. Seus olhos de um castanho quase vermelho fitavam todos os meus movimentos. Seu corpo esguio, sua pele pálida. Seus cabelos tão loiros como a luz da lua cheia após uma noite de tempestade.

Eu sempre frequentava esse bar e nunca havia me deparado com ela. Ela era especial. Feita sob medida para alguém, poderia ser para mim?

Ela estava meio suja e mal vestida, parecia estar fugindo de alguma coisa. Mas sabia aonde ia.

Aproximei-me e puxei uma cadeira da mesa em que ela estava. Seus olhos fitavam profundamente os meus. Sua pele era ainda mais pálida olhando de perto e abaixo dos olhos, marcas arroxeadas formavam meias luas deitadas, como se abarcassem suas órbitas oculares.

– Meu nome é Brett.  – falei. – Qual o seu nome?

Ela me analisou calma e demoradamente por um longo tempo. Parecia tão frágil e perdida. Seu olhar era um desencontro de informações.

– Mia. – ela disse.

– O que uma menina tão linda como você faz por aqui, Mia?

– Não me pergunte nada. Só, por favor, me leve para casa.

Vi um certo pavor em sua expressão. Ela olhava em sua volta com medo de alguma coisa. Nossa diferença de idade era óbvia, mas ela mexeu comigo como nenhuma outra. Ela não tinha mais do que vinte anos e eu já beirava os trinta e quatro. Por algum motivo ela confiou em mim. Tentei deixar meus instintos de lado e a levei à minha pick-up que estava no estacionamento do bar.

Ela entrou sem fazer perguntas, apenas me olhava curiosa. Era quieta, tímida.

Entrei na pick-up e comecei a dirigir. Não sabia para onde leva-la.

– Onde você mora, Mia?

– Não vou para minha casa. Leve-me para a sua. – Disse sussurrando.

– Por que a levaria para a minha casa?

– Porque eu sei o que você quer comigo. O que todos vocês querem.

– O que pensa que eu quero com você Mia?

– Ou me leva para a sua casa ou me deixa aqui na estrada.

– Mas está escuro. Há essa hora não há carros por aqui.

– Eu só preciso ir para casa.

Eu não podia deixa-la ir para minha casa, mas também não poderia deixa-la na rua. Ela iria comigo. Droga! Maldição! Eu não podia confiar em meus instintos perto dela. Havia algo mais nela. Mia me deixava louco, quase insano, apenas dirigindo seu olhar a mim. Estando sob o mesmo teto, não sei o que poderia acontecer.

Desci da pick-up em frente à minha casa e contornei-a para abrir a porta para Mia. Ela desceu segurando a minha mão. Suas mãos eram frias, mas estavam suadas. Ela se aproximou de mim e apoiou suas têmporas em meu peito.

Essa foi a noite em que ela veio para casa.

Seu olhar perdido é a única coisa que me deixa triste.

Ela é a única que me deixa triste.

Entrou em casa e eu a guiei até o sofá. O silêncio entre nós era estranho e assustador, mas ela mexia comigo como nenhuma outra mulher conseguiu.

Mia sentou-se e eu fui até a cozinha.

– Quer beber ou comer alguma coisa?

– Não obrigada.

Continuou no sofá fitando o nada. Sua pele parecia tão macia e sua estatura tão pequenina que me faziam lembrar uma Dahlia.

Mia me lembra casa. Um lar. Como se ela vivesse aqui comigo por anos. Como se não tivesse chegado há poucos minutos. Perto dela meus instintos mais perversos e dominadores rugem para aflorar, mas me esforço para controla-los. Olhando em seus olhos fica pior, mais difícil de controlar esses instintos. É agora ou nunca. Ela está vindo na minha direção.

Levei-a ao banheiro e enchi a banheira com água morna. Entreguei-lhe uma camisa e uma toalha, junto com um short que minha irmã esqueceu aqui há meses.

Ao sair do banho, sua essência pessoal enchia o ar, me envolvendo como uma droga alucinógena.

Ela chegou bem perto e se apoiando em meus braços me beijou. Meu autocontrole desapareceu na hora. Rasguei sua camisa e a joguei longe. Botões voaram por todos os lados. Minha camisa também desapareceu rapidamente. Ergui Mia no colo e a levei ao meu quarto, joguei-a na cama e a ajudei a despir a calça. Seu corpo era tão claro que veias esverdeadas davam a sensação de serem desenhadas à tinta.

Seu corpo parecia esculpido para o pecado. Totalmente proporcional. Todas as formas perfeitas. A pele lisa e macia. Com tons de um rosa delicado em certas partes.

Nossos corpos se tornaram um só. Fazer amor com ela era mágico. Seu corpo completava o meu de uma forma única.

Virei-a de bruços para contemplar tamanha beleza. O desenho de suas costas mostrava uma simetria perfeita. Minhas mãos percorreram suas costas por toda a sua extensão.

A segurei forte em meus braços. Ela parecia assustada, não comigo, mas algo a incomodava.

– Está tudo bem, Mia?

Ela não me respondeu. Se jogou em cima de mim e fizemos amor alucinadamente. Era sexo. Mia queria apenas sexo. Sexo selvagem. Ela não pareceu prestar muita atenção nas preliminares.

Acordei assustado. Mia não estava na cama. Levantei e fui procurá-la. Ela estava à mesa, tomando seu café da manhã. Abriu um sorriso triste quando me viu e logo voltou a comer. Foi o mais próximo de felicidade que vi em sua expressão.

Não sei precisar o que me atraiu nela. Ela quase não falava. Mal olhava para mim. Fiquei parado no batente da porta fitando-a. Prestando atenção em cada movimento dela. Ela se levantou e foi para o banheiro. Poucos minutos depois voltou para a cozinha tomada banho e com os dentes escovados.

Ela passou por mim. Deixando sua mão roçar meu braço, descendo os dedos até que segurou meu polegar e me guiou novamente para o quarto. Ela me jogou na cama e começou a me chupar ali mesmo. Sentir sua boca ali me enlouquecia. Eu gemia alto com a forte sucção que seus lábios provocavam. Ergui-a e joguei na cama. Deitei-me sobre ela, penetrando-a com força e voracidade. Precisava estar dentro dela como se minha vida dependesse disso. Ela gemia alto chamando meu nome. Como se a palavra Brett estivesse talhada em meu rosto. A essência sexual que transbordava dela inundou todo o ambiente, me fazendo deseja-la como um louco. A insanidade era clara no jeito em que fazíamos amor. Fazer amor? Não! Nós fodíamos. Com força. Com prazer. Com vontade.

Eu não posso deixar que isso cresça dentro de mim.

Ela me tornou seu escravo, mas vou mostra-la que eu sou o mestre.

Levei-a para o chuveiro. Depois de gozarmos repetidas vezes, precisávamos de um bom banho para relaxar. Eu esfreguei suas costas e ela delirou. Seu gosto era mais viciante que a pior das drogas alucinógenas.

Eu precisava de mais dela.

Eu queria mais.

MAIS!

Acordei assustado e não a encontrei. Dessa vez a casa estava silenciosa. Não havia sinal de que outra pessoa havia estado ali.

Não podia ter sido um sonho.

Eu não sou louco!

Ela não é real!

Eu não posso torna-la real!

ELA NÃO É REAL!!!

EU NÃO POSSO TORNÁ-LA REAL!!!

FIM

3 comentários em “SCARLAT

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