Um lugar pra chamar de meu

Solitary Ground – Epica

Por Lillithy Orleander

Esses escombros irritantes, essa chuva que nunca termina, esse cinza eterno, manchado somente pelo vermelho escarlate…

Eu continuo caminhando aqui, as vezes parece que a noite nunca vai ter fim, mas pelo menos parece que nada mas da errado.

Eu sinto a dor, todos os dias, primeiro ela me leva a inconsciência e geralmente cria o torpor que lateja em minha mente, mas depois das lágrimas que derramei no começo, hoje quase nem sinto mais e mutas vezes chego até a ignorar.

Me lembro muto fracamente que tinha um gato siamês, Klaus era o nome. Lembro também de ter uma orquídea lilás contrastando com a mesinha de ébano que tinha próximo á porta de entrada meu apartamento.

Era pedir demais ter um lar, um lugar que eu pudesse sentir ser meu, onde houvesse um porto seguro á me esperar todos os dias? Era meu maior desejo. Uma família, um abraço quando acordasse, um beijo na esta quando a noite chegasse, um almoço de Domingo com todos reunidos em volta da mesa, mas algo em mim parece que foi projetado de forma errada e fui privada de todos esses planos.

Cresci sozinha, me fiz adulta sem ajuda de meus pais que passavam o tempo todo brigando, em minha alma colecionei e guarde muitas feridas, cicatrizes e desilusões de uma forma sombria e muitas vezes elas se tornavam meu abismo particular, me sugando todas as noites e me fazendo chorar até pegar no sono.

Vivendo como eu vivia, tomei a decisão de jogar tudo pro alto, e assim veio a perca consciente de minha fé. Entreguei – me, assim como muitas pessoas, o meu destino ao nada, e daí em diante a vida tomou as rédeas e aceitei de bom grado todos os seus caprichos mais mesquinhos.

Hoje é Sábado, são 21hs, 30min, 58seg…

Fiz algo que sempre quis fazer pela primeira vez, comprei uma garrafa de Marlot que sempre tive vontade de experimentar, mas tinha medo do que os outros iriam pensar, mesmo sabendo dentro de mim que não deveria me importar com isso.

acendi uma vela na sala e me sentei diante dela, no sofá, queria fazer uma última prece. Não escrevi cartas, acho desnecessário dar motivos ou desculpas esfarrapadas, afinal ninguém irá ler de modo sincero ou sem me criticar como sempre fizeram.

Liguei o rádio e deixei tocar a seleção de músicas que eu sempre amará na vida, desliguei o celular e abri a garrafa de vinho.

A navalha era nova e o vidrinho com pequeninas miçangas negras me aguardavam na mesinha diante de mim, eu queria garantias de que não falharia pelo menos com isso. Dessa vez era certo que eu encontrasse um lugar que eu pudesse chamar de meu.

São 26 anos e estou me despedindo do mundo. Primeiro veio a falta de ar, as convulsões e a espuma que saia no começo esbranquiçada, depois veio a ardência, e aquele líquido escurecido que empoçava aos pés do sofá, a sonolência, a visão turva, o mal cheiro, as vozes…

“Como ela pode fazer isso com a gente?” – dizia a mãe em prantos nos braços do pai

“Isso ou é muita coragem ou muita covardia, por que ninguém sabia como essa menina vivia. tava sempre bem, sorrindo pra todos…” – dizia uma vizinha que mal lhe respondia os muitos bons dias que a garota por vezes falava.

“Ninguém tentou ligar ou vir até aqui?” – perguntou seu supervisor lembrando – se de quantas vezes a repreenderá sem motivo, apenas para descontar as próprias frustrações em alguém, e só então percebeu que ela nunca o retrucará.

“quem será que vai criar esse gato imundo? nunca vi ter um gosto tão nojento pra bicho.” – dizia uma tia aos cochinhos com a prima da garota.

Haviam poucas pessoas lá, meus pais nem se olhavam, mas eu sentia seu sentimento de culpa, mesmo sem culpa – los. Chovia quando desceram meu caixão na cova.

“Tão nova.” – disse – me um dos coveiros com compaixão, acho que foi a única vez em que pude sentir algo nobre direcionado á mim.

Ele pegou um terço que tinha no bolso e o depositou na alça de meu caixão, fazendo em seguida o sinal da cruz.

Vaguei por vários dias ainda, mas logo fui esquecida. As dores ainda eram sentidas e eu chorava muito enquanto pedia ajuda. Eu continuava sozinha, abandonada, via…

Uma noite depois de meses dormi e quando acordei já estava aqui. por mais que eu ande parece que nunca é suficiente, não tem pessoas, animais ou qualquer outro tipo de vida.

Esses escombros, ah esses escombros são insuportáveis, essa dor é letárgica, e a musica que soa é sempre a mesma, a da noite de quando decidi partir.

Aqui é tudo cinza e a única cor além dessa é o vermelho escarlate que insiste em sair de meus pulsos cortados, mas daqui não sei sair e também acredito que não possa.

Tenho 26 anos e finalmente, mesmo com tudo isso, com toda essa rotina fadigante, eu achei o meu lugar, aqui repousa meu coração.

Ninguém nunca vem aqui, e espero que continue assim…

2 comentários em “Um lugar pra chamar de meu

  1. O texto consegue ser interssante, mas há erros ortográficos, erros simples uma revisão já pega esses erros só que infelizmente Eles foram escritos de forma com parecer de oitra palavra ex( mas;mais , muito;mutuo; esta;testa). Desculpe a critica é pra ajudar, então faça uma revisãozinha antes de postar e continue, eu tb tenho meus blog de contos se puder acessa. Boa sorte e Tudo de melhor sempre!

    Curtido por 1 pessoa

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