A Dama de Fogo (Pt. 7) – Sede de Vingança

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A Dama de Fogo – Capítulo 7

Sede de Vingança

Escrito por: Morgana Owl.

Faltavam apenas algumas horas para o ritual, e Brigith não parava de pensar no que aconteceria com ela caso desse certo e, principalmente se desse errado. Todavia, ela não tinha alternativa, era sua última chance, como disse seu novo amigo e ajudante, o padre Dom.

O dia fora até bom – se fora comparar com os outros. Recebera alimentos e ninguém a tratara tão mal, como todos os dias estavam fazendo antes da visita do padre. A tratavam feito lixo, agora ela era intocável e eram obrigados a fazer todas as suas “vontades” para não serem punidos pelo demônio.

As horas demoravam a passar… Era preciso chegar à meia noite, nas 12 badaladas do relógio para que começasse o ritual.  E finalmente ela ouvira a primeira. Olhara para fora, pela minúscula janela, e fitara a enorme Lua cheia que, instantaneamente, a dera coragem para seguir em frente com tudo, então ela se apressara e arrumara tudo como estava descrito no papel. As velas, os incensos, o pó e aquela estranha varinha. Exatamente da mesma forma como estava no desenho.

Assim ela começara a proferir as palavras:

– Eu, Brigith van Bommel, abençoada pela deusa Mãe, peço permissão para realizar este ritual. – começara o ritual e acendera uma por uma das velas, em seguida os incensos. Estavam em forma de círculo e Brigith no meio de tudo. Através desse pó, desejo tornar-me o que ele fora antes – passara o pó por todo seu corpo desnudo – pelo poder que contém nesta varinha, pelo poder da Lua cheia, pelo espírito que guarda este pó mágico, desejo tornar-me sua nova casa! Seu novo corpo. – Ao pegar a varinha mágica e passar pela chama de todas as velas, notou que seu corpo ganhava pêlos grossos e escuros. Suas mãos tornaram-se patas com garras afiadas, seu rosto tornara-se uma cabeça enorme de um lobo!

Todas as velas se apagaram com um vento forte… Brigith estava envolta de uma luz cegante. Os guardas foram atraídos para lá por causa da luz e do vento. E, ao abrirem à porta do quarto de prisão, notaram que no lugar da bruxa prisioneira, havia um enorme lobo preto com dentes brancos e finos, prestes a atacá-los. Eles correram… Espremeram-se para sair daquele lugar rapidamente. Mas o instinto de Brigith como lobo, estava totalmente implacável. Ela matara um por um daqueles que não acreditaram nela, a destrataram, a ofenderam… Era a hora da vingança. O mais importante de tudo era sair daquele lugar e coitado de quem se atrevesse entrar na frente de um lobo feroz e sedento por liberdade.

Tinham poucos guardas aquele dia na prisão. Ela aproveitara e fugira pela porta dos fundos, correra para a floresta escura. Correra como se estivesse sendo caçada, mas ninguém estava atrás dela. Principalmente atrás de um lobo gigante e faminto.

Era esse o feitiço, era esse seu novo corpo para sempre? Ao menos conseguira fugir da injustiça que estava prestes a acontecer. Contudo, ela ainda queria ter uma vida normal, cuidar de seu filho, amar seu marido.

Correra até cansar, o mais distante possível daquele lugar horrível. Sua visão noturna era perfeita, via claramente. Aproveitara-se desse privilégio e encontrou um lugar para passar aquela noite. Uma caverna no meio da Floresta Escura, ninguém a encontraria. Todos tinham medo daquela floresta, diziam ser mal assombrada por bruxas do passado e espíritos demoníacos.

Ela estava exausta, acabou dormindo na caverna em cima de umas folhas secas. Aquela noite fora totalmente estranha, ela não sentia totalmente o controle do seu corpo como lobo, o instinto daquele que habitava aquele corpo antes, ainda continuava presente. Brigith conseguira controlar a mente e o corpo aos poucos… Mas a sede de vingança daquele lobo era incontrolável.

O dia amanheceu sereno, com um vento frio Brigith despertara. Notou que estava em forma humana de novo, para sua alegria. Porém, estava nua. Sem comida, sem nada. E como não poderia voltar à vila, ficara pensando o que poderia fazer… Até que ouviu o barulho entre as árvores lá fora, perto da caverna. Escondera-se atrás de uma pedra enorme: – “Meus deuses, não sei o que fazer… não tenho como me defender, estou nua e com fome. Só faltava alguém aparecer para me levar de volta, agora sim morrerei naquela prisão fétida!” Pensara Brigith.

Depois de pensar todos os males que lhe aconteceriam, caso alguém a encontrasse, por alguns minutos, alguém gritara do lado de fora da caverna:

– BRIGITH! Você está ai? Sou eu!– A voz fizera eco dentro da caverna e Brigith logo reconhecera e correra para pedir ajuda.

– Padre Dom, é você?! – Brigith correra para o encontro do padre e o abraçara assim que o encontrara.

– Sim, minha querida. – a entregara um saco de pano com roupas e comidas. – Recebi um recado em sonhos de sua mãe, dizendo-me onde você estaria, e que eu deveria ajudá-la.

– Muito obrigada! Não sei o que faria se não fosse o senhor e minha amada mãe! – Brigith vestira-se rapidamente, pois se sentira muito desconfortável e com frio. Logo após, pegara e dera uma mordida em uma maçã que estava dentro do saco, junto de outros alimentos. – Eu me transformarei em lobo de novo? – Indagara aflita.

– Não sei minha pequena, porém sua mãe disse-me rapidamente que a visitaria em sonhos para dizer-lhe algumas coisas que precisas saber. – Dissera o padre, parecera preocupado. – Mas por ora, você devera permanecer aqui nesta floresta. Infelizmente o capitão da guarda real já sabe de tudo que acontecera e, como não viram o lobo, eles acham que você usou magia negra para fugir e matar todos os guardas aquela noite.

– Padre, pelos deuses! Eu não tive a intenção de matá-los, o sentimento de ódio, de vingança dentro de mim em forma de lobo foi muito forte. Não consegui controla-lo, quando notei, já estava coberta de sangue e correndo feito louca para chegar aqui. – Dissera Brigith, boquiaberta.

– Não se culpe. Este animal é extremamente feroz, você não teria como controla-lo, não agora. Sua mãe conversara com você, como lhe disse. Agora se acalme, coma e fique aqui. Tem uma pequena cachoeira logo ao norte desta caverna, bem próximo daqui. Lá você conseguira água potável… Mas já lhe trouxe um pouco, para que possa descansar e esperar a visita de sua mãe… Em sonhos! – o padre a abraçara e dera um beijo em sua testa – Agora preciso ir! Antes que sintam minha falta na igreja. Como disse não tema. Amanhã bem cedo aparecerei aqui e trarei mais alimentos. – O padre saíra da caverna rapidamente e sumira entre as árvores escuras.

Brigith acatara as instruções do padre e ficara naquela caverna durante o dia todo, apenas fora lá fora para pegar um pouco de água e alguns galhos e folhas, para passar a noite. Dentro do saco que o padre trouxera também tinham algumas velas e fósforos para acendê-las. Ela juntou alguns galhos secos e fez uma fogueira para aquecer-se, e com algumas folhas, fez uma espécie de cama para ficar confortável e ter uma noite de sonhos esclarecedores com sua mãe. Dormir não fora difícil, pois ela estava muito cansada, e logo sonhara…

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A vida naquela casa não era muito agradável, Arthur era obrigado a fingir que se importava com cada coisa que Eileen falava e fazia, para não dar pistas de que ele não estava nem um pouco satisfeito com ela e, que, muito menos, ela soubesse que ele estava à procura de Brigith.

Depois que souberam que Brigith fugira da prisão e matara todos aqueles guardas, ele ficou intrigado e queria saber o que estava acontecendo pelas palavras de Brigith. E não pelas de Eileen, que cismara com bruxaria. Ele em nenhum momento acreditou que sua amada Brigith seria capaz de fazer qualquer maldade com um ser humano, ele a conhecia melhor que qualquer um. Sua esperança era maior que tudo, principalmente para que pudessem viver como uma família novamente.

Eileen era totalmente implacável, aparecera todas as noites no quarto de Arthur para tentar seduzi-lo, ela o queria mais do que qualquer coisa. Arthur já não conseguia mais arrumar desculpas para não ceder às investidas de Eileen…

E durante uma noite chuvosa, Eileen conseguira tudo o que mais queria na sua vida; ter uma noite de amor com Arthur. Apesar de tudo, Arthur não conseguira controlar seu instinto, ele a atacou como se fosse à última mulher da Terra. Dera tudo o que ela queria naquele momento, o prazer carnal e estabilidade afetiva. Eileen nunca se sentira tão feliz na vida, sua noite fora incrível e, apesar de todas as tentativas fracassadas, aquela noite fora a melhor de todas, aquele momento fora único para ela. Nem todos os homens do mundo conseguiriam dar tanto prazer a ela quanto Arthur. Era além de tudo algo relacionado com seu orgulho: Nenhum homem a negaria.

Depois de conseguir o que queria, Eileen fora para seu quarto durante a madrugada, saltitante de tanta felicidade e satisfação, ao chegar lá, notara que em sua cama estava o seu amigo oculto, sentado e encostado com uma xícara de chá na mão:

– Ora, ora… Conseguiu o que queria vadiazinha? Dormira com o marido de sua irmã… – dera uma risada breve.

– Ain, nem me fala. Foi maravilhoso… Nunca me senti tão satisfeita sexualmente na vida. Apesar de todos os parceiros que tive, ninguém fez tão bem assim… – rira um pouco alto e se espreguiçara. – Agora me dê licença que preciso dormir, tive uma noite longa e cansativa.

– Aproveite essa sua onda de felicidade, porque em breve acabará. E fique sabendo que sua irmã está mais forte que você pensa. – Levantara da cama e flutuara no ar, ainda tomando seu chá.

– Até parece! Ninguém nem sabe por onde ela anda, se é que ainda está viva, e você vem me dizer esse absurdo? – Eileen ficara furiosa.

– Você é idiota assim mesmo? Ou Arthur tirou além das tuas teias, seu cérebro junto!? – Rira alto e terminara de tomar o chá, jogara a xícara contra a parede, que sumira assim que batera no chão. – Sua irmã irá se vingar, apenas prepare-se… Sua hora ta chegando e eu estou esperando. Até porque já dei para você tudo que foi combinado, não é? Não esqueça que agora não poderá mais contar comigo. É você sozinha. Estou aqui apenas para observar seu fracasso. – Assim que terminara de falar, sumira no ar.

– COMO OUSAS? Sei muito bem o que te pedi. E estou com tudo que mais quero na vida em minhas mãos. Brigith não terá forças contra mim, sei me defender mesmo sem sua ajuda. – Gritara Eileen. – Não deixarei ninguém roubar Arthur de mim e nem o Edward! Eles são meus! MEUS! – Eileen jogara uma escova de cabelo contra o espelho… Assustando todos na casa, que foram ver o que estava acontecendo. Eileen dissera que foi um bicho que aparecera em seu quarto e ela arremessara a escova para matá-lo, acertando o espelho. Todos acreditaram e voltaram para seus aposentos.

Arthur fingira que acreditara nas mentiras de Eileen o tempo inteiro, essa vez não seria diferente. Dessa vez ele ouvira Eileen e seu amigo conversarem… Ele teve certeza de que ela estava por trás de tudo que acontecera com sua família. E agora mais do que nunca ele precisava encontrar Brigith e pôr um fim nisso tudo.

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Continua

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