Material Girl

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Material Girl

Escrito por: Saul GuTerres.

Vou contar um pouco da minha história para vocês, talvez alguns já saibam, ou imaginam o que tenha ocorrido. Mas na verdade tudo foi sobrenatural. Hoje eu tenho todo mundo aos meus pés, e eu confesso que sempre gostei disso. Antigamente tinha medo de tudo de e todos porém agora eu causo medo em tudo. O único problema é que tudo aconteceu quando eu morri, sim parece estranho, mas foi quando aqueles moleques me mataram que eu de fato renasci, como aquela ave fênix, é estranho mas eu sempre gostei dela. Acho que era o destino. Aquele menino bobo da escola ser a mulher mais desejada. Daí vocês pensaram como assim menino? Sim, meu nome era Leandro eu nasci biologicamente menino, mas sempre me senti uma mulher. Aos treze anos sai de casa, sozinha e fui em busca de meus sonhos, já que em casa eu não tinha apoio de minha mãe e nem do otário de meu padrasto. Mas isso deixamos para outra história. Quando fui para rua, eu dei início a minha transformação. Tudo era muito caro, mas com a ajuda de algumas amigas travestis eu consegui algumas dar início ao tratamento. Claro, também tive que me prostituir, e isso não foi muito bom, pois era humilhante ter que depender do dinheiro daquelas mariconas casadas que tem medo de assumirem suas sexualidades e que ainda apontavam para nós quando estavam com os “amigos” heterossexuais. Mas tudo bem, hoje eu já consegui me vingar de todas eles, sim eu fiquei um pouco vingativa e gostava de fazer isso sempre de um modo teatral. Sugando suas vidas ou revelando suas verdadeiras preferencias ao ver eles falando mal de alguma garota de programa e também assassinando mesmo um por um. O sangue me mantinha viva e nada melhor que matar quem não presta né?

Bom, mas retomando minha história, com o dinheiro que ganhei de minhas amigas e com o que eu ganhava como garota de programa, eu realizei todas minhas cirurgias, com vinte e um anos, eu já era Estela Willians, linda, morena e gata. Ninguém notava a diferença, a não ser quando eu tirava a roupa é claro. Mas nunca tive problemas com isso, embora eu necessitava ser uma mulher completa. Com o tempo fui vendo que precisava fazer a cirurgia de mudança de sexo. E a oportunidade veio quando conheci um cirurgião plástico lindo em uma praia no sul do Brasil. Seu nome era Mark, ele ficou encantado com minha beleza e me propôs realizar o procedimento de mudança de sexo e em troca eu casaria com ele e seria somente sua mulher. Como eu era ingênua e insegura na época eu aceitei. Foi a pior besteira que eu fiz em minha vida. A cirurgia foi um sucesso, e eu me senti completa, porem a vida de casada não era para mim. Embora Mark fosse um sonho de homem, ele não gostava que eu saísse ou mantivesse contato com minhas antigas amigas de rua. E por isso tivemos inúmeras brigas ou DRS como dizem. E em uma dessas, minha vida mudou completamente.

Após brigarmos feio em casa porque eu fui cumprimentar minha amiga na praça, Mark ameaçou me deixar e foi grosseiro comigo. Não que eu me importasse em ser deixada por ele, mas a grosseria é que foi intensa. Então naquela noite eu peguei algum dinheiro e fui procurar me distrair. Encontrei um bar bem badalado e entrei. Acho que bebi um pouco demais, mas estava tudo muito bom. Conheci um rapaz, seu nome era Jonas, um estudante de mecânica muito gente boa, em todos os sentidos. Começamos a conversar e de repente nos beijamos. Foi bom e estranho ao mesmo tempo. Aquele garoto tinha algo de misterioso no olhar, mas eu não dei bola, já que a pegada era demais. Ele me convidou para ir em um chalé acima das montanhas, perto dali, e fazia muito frio então eu disse que iria em meu carro pegar um casaco, mas ele tirou o seu e colocou sobre meus ombros. O perfuma e o calor dele me excitaram de verdade. Fomos para seu carro e lá bebemos mais algumas coisas enquanto nos beijávamos. Por um momento pude ver a paisagem do caminho, havia muitas árvores escuras e a lua cheia deixava tudo muito mais sombrio. E eu creio que foi nesse momento que o desgraçado colocou alguma coisa na minha bebida. Eu lembro que senti muito sono, tentei pegar minha bolsa para ver se achava alguma maquiagem e vi minha antiga carteira social, não sei se foi por esse susto ou pela substância, só sei que desmaiei. Eu estava semi-inconsciente, ouvi que tinha outros rapazes no local e sentia um cheiro de velas. Tentei abrir os olhos e vi que meu corpo estava no chão, sobre um círculo e que eles estavam com roupas pretas em volta de mim e com punhais em uma das mãos. Eles cantavam e diziam coisas que eu não entendia. Tentei me levantar, mas meu corpo não respondia, quando então senti várias lâminas entrando em meu corpo. Sentia o sangue quente escorrendo sobre as feridas, mas eu estava imóvel, eu tentava gritar e não saía um som. Eu sentia as dores e continuava ouvindo eles falarem em outra língua. Então veio o golpe final, senti meu coração ser apunhalado e o sangue escorrer pelo meu peito. Depois disso morri, pelo menos meu corpo morreu. Eu chorei. Não desejava morrer assim, esperava bem mais de minha vida, afinal eu era muito nova. Eu nunca fui muito religiosa, sempre acreditei em Deus, mas confesso que com tudo que eu sofri para chegar até aqui, eu fui me afastando dele, mas antes de morrer eu pedi que ele me levasse dali, mas não foi o que aconteceu. Confesso que fiquei meio confusa na hora, hoje eu sei o que aconteceu ao certo.

Quando morri, ou melhor meu corpo morreu, meu espírito se libertou. Eu ainda estava estranhamente “viva”, enxergava meu corpo caído no chão, sentia os ferimentos e o sangue ainda escorria. A diferença era que eu escutava eles, e até ouvia os seus pensamentos, mas eles não me viam. Percebi quando Jonas descobriu em minha bolsa que eu não era de fato uma mulher, biologicamente falando e notei que eles falavam do ritual, mas que ritual eu pensei? E nesse estante uma criatura assustadora apareceu pra mim. Tinha um belo corpo de mulher e uma cabeça de cabra. Ela me contou que era uma espécie de demônio feminino, e que aqueles rapazes haviam tentado invocar ela para possuir meu corpo e ajuda-los no que quisessem. Fiquei chocada com a essa história, mais chocada ainda com a proposta que aquela criatura me fez. Em resumo ela pediu para voltar ao meu corpo, porém teria muitos poderes, mas precisaria me alimentar de sangue e trazer as almas para ela. Não pensei duas vezes concordei na hora. Foi como um pacto de sangue. Retornei ao meu corpo e me senti viva novamente. As feridas se curaram e eu tinha sede de sangue. Enquanto isso os rapazes, pensando ter dado certo o seu ritual se ajoelharam sobre mim, confesso que gostei daquilo, mas a sede falou mais alto. Me avancei neles feito uma fera e suguei-lhes a vida, deixei Jonas pro final, esse deveria sofrer mais. Joguei ele sobre o chão, arranquei seu pênis e depois tirei sua vida. Me sentia uma rainha. Todo aquele sangue espalhado pela casa, não poderia ficar ali, pensei em como escapar dali sem ser notada. Então resolvi testar meus poderes, coloquei fogo em toda a casa e sai dali. Acho que alguém viu notou os barulhos ou o fogo. Pois chamaram a polícia, eu como ainda estava testando meus dons, resolvi fazer a vítima, fiquei deitada sobre a grama, com meu vestido um pouco rasgado, estava já sem o sangue, mas mostrava meus belos seios e pernas. A casa já havia sido consumida pelo fogo e não havia indícios de nenhum dos corpos lá dentro. O policial muito educado me colocou dentro da viatura e demos partida. Ele achou que eu estava drogada, eu disse que não, e então percebi que havia mais um dom. Escutava seus pensamentos sujos. Ele desejava fazer sexo comigo, ele e seu companheiro também. Deixei que pensassem assim. E quando percebi que estavam indo para outro lugar deixei me fazer de inocente. E quando tentaram me agarrar, pulei em seus pescoços sugando todo sangue. Quanto mais eu bebia mais sede eu tinha. Deixei aqueles otários ali mesmo na floresta, peguei a viatura e fui até o mais próximo de minha casa.

Próximo dali, meu carro ainda estava estacionado perto do bar, entrei peguei minhas coisas e troquei de roupa, pois sempre tinha algo em meu porta malas. Percebi que eu estava mais bonita que nunca, e adorei estar assim. Cheguei na minha casa e quando entrei, chamei por Mark. Ninguém apareceu, escutei alguns gemidos vindo de nosso quarto, pensando bem na verdade, meu quarto. Subi até lá e abri a porta. Mark estava com duas mulheres em uma orgia sensacional. Quando me viram, eles não ficaram surpresos, bem pelo contrário, riram para mim. Eu me despi e comecei a transar com eles também. Acho que nunca tive orgasmos tão intensos. Não sei se foi por causa dessa transformação, mas sei que foi muito bom. Mas o melhor foi matar um por um. As mulheres eu arranquei seus olhos e coração, comi com gosto, já Mark, deixei ele correr pela casa, afinal caçar era melhor. Mas ele era muito frágil agora, apenas com minha mão atravessei seu peito. O sangue em minha pele branca parecia ficar mais vermelho. Nunca gostei tanto de comer Mark tão bem, só que dessa vez de verdade. Depois disso fiquei como a dona da casa, arrumei tudo e minha vida mudou para sempre. Sempre que tenho sede (quase sempre) saio pelas ruas a procura de alguém que queira uma noite de prazer, e depois o prazer é somente meu. Com o tempo virei dançarina, meus shows sempre acabam com uma surpresa especial, se é que vocês me entendem. Também escrevo, assim como esse texto que vocês estão lendo agora, aliás fui eu que escrevi e também sempre tem uma surpresinha no final. Que tal olhar para trás agora??

Fim.

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*História inspirada na música “Material Girl – Madonna”.

6 comentários em “Material Girl

  1. Desde a primeira vez que li, sempre esperei pela volta triunfal da Estella. Agora fico extremamente satisfeita por isso! Amei! A pior parte foi que teve fim… hahahahaha
    Eu definitivamente amo essa Estella. *-*

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