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socorro (1)

Escrito por: Zuleika Juliene

  A vida nos ensina de uma maneira tradicionalmente rígida, ela não tem dó, ela não tem pena, custe o que custar você irá aprender. São tantas decepções, são tantas desilusões, tanta falta de amor e de respeito, me sinto esgotado.

  Creio que tudo seja uma conspiração desde o início, a família, por exemplo, nem um membro da família pode ser considerado um amigo legitimo, pois esperam sempre de você atitudes que não condizem com a sua vontade ou personalidade, exigem sua presença em lugares que você não queria estar, exigem que se relacione com pessoas que você não gostaria de se relacionar, te acham um fraco ou ao contrário te exaltam tanto que você se sente na obrigação de ser quem eles querem que você seja.

  Você se sente acuado, pressionado desde a infância.

  A escola te faz sentir um pouco mais livre, pelo menos te dá a falsa sensação de liberdade, lá você conhece pessoas as quais deseja estar ao lado, repete frases clichês como “amigos são a família que escolhemos”, mas nada disso importa porque no final das contas eles também irão te decepcionar mais cedo ou mais tarde.

 Também é na escola que você começa a sentir a pressão da sociedade, também te exigem coisas que você sabe que são quase impossíveis de serem feitas, te falam que aprender determinada coisa é fundamental para sua vida, mas quando você chega ao final da vida percebe que nunca usou aquilo para nada.

 É nesta época também que você descobre o amor, paixão, atração, a gente nunca sabe que nome dar, mas nesta época a única coisa que você sabe é que não vai conseguir ter sossego se não estiver junto daquela pessoa por quem seus olhos recaíram e seu coração acelerou. Certamente outra decepção, pois normalmente você não se enquadra nos moldes físicos que faria com que a pessoa correspondesse suas investidas ou não é o cara descolado que todas querem, pior ainda se o seu irmão for este cara.

  Mas vamos ter esperança, vamos pensar positivo a vida está apenas começando e logo você começa a trabalhar e é neste momento que suas expectativas vão ao ápice, não que você imagine que irá começar como diretor de uma grande empresa, mas tem certeza que irá chegar lá muito rápido, então você se depara com inúmeros obstáculos cotidianos que a longo prazo vão te desestimulado e você nem percebe porque já entrou no jogo até o dia que te dá um estalo, mas quando isso acontece você olha para trás e vê que já se passou muito tempo. Então você começa a procurar pontos de apoio, pode ser sua namorada, mas não tardará para este apoio virar pó te levando a uma dentre as várias quedas que estão meticulosamente preparadas para você.

  Quando chega este ponto da vida você já evoluiu bastante, mas não o suficiente para ser livre, pois atrás de discursos ideológicos está escondida a grande verdade, que você jamais será, que a escravidão nunca foi mérito de públicos isolados e que você sempre será escravo das ideologias as quais sua cultura está impregnada. Tudo vira um circulo girando como a Terra, como o ano, como o relógio. Nunca irá parar.

  Há pessoas que se iludem e talvez pela convivência você acabe entrando junto na dança, mas percebe que sempre falta algo ainda que a duras penas escale alguns degraus.

  Fazem você acreditar que é livre para escolher seu futuro, mas te cobram a todo instante um comportamento padronizado, te jogam na cara que você é igual a todo mundo ao mesmo tempo em que caem em contradição dizendo que você é único.

  Estas coisas ninguém fala, ninguém comenta, mas são coisas que vão te marcando ao ponto de você gritar e como consequência ser dado como louco, rebelde e outras denominações que as pessoas costumam repetir lembrando antigos discos de vinil riscados.

 Durante muito tempo você sente medo e insegurança, são sentimentos ruins, mas pelo menos você sente alguma coisa e hoje sei que o mais próximo da realidade e da liberdade que podemos estar são as coisas que sentimos, são nossos sentimentos.

  Então vem o casamento, filhos, um pacote que nem sempre dá certo e todos sabem, porém quando você atinge uma determinada idade começam a te olhar como se você fosse um marginal por não ter constituído uma família.

  Pode parecer que tenho uma visão pessimista da vida, mas se analisarem cada aspecto do que eu disse é possível que despertem mesmo não tendo coragem de assumir,mas tentem, assumam os fatos, sejam o que desejarem, não deixem que a sociedade os transformem, não se mascarem, não deixem o sistema dominar vocês. Por todos estes fatores hoje não sou mais eu, não sinto mais nem um pingo da minha essência, não sei mais o que é real, pois também me deixei corromper, mas não me importo mais e só falo isso para que não cheguem a minha idade como eu, alguém que não se importa mais com nada, alguém que não sente mais nada, alguém que experimentou todos os sentimentos, mas que hoje procura qualquer um dentro de si e não acha, alguém que se tornou vazio.

Fim

Help – Inspirado na música Socorro de Arnaldo Antunes.

 

2 comentários em “Help

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