A Dama de Fogo (Pt. 6) – O Enviado

lobo

Capítulo 6 – O Enviado

Escrito por: Morgana Owl.

  Brigith acordara deitada em uma cama de hospital, sendo consultada por uma enfermeira bem idosa, que ao perceber que ela havia acordado, acabou tomando um leve susto. Brigith indagara a velha enfermeira, perguntara o que estava fazendo ali deitada e onde estava seu filho. Mas não obteve nenhuma resposta, a enfermeira apenas disse que em breve falariam com ela.

Passaram-se alguns minutos, e o capitão da guarda real entrou em seu quarto:

– Ora, ora, ora… Veja só quem acabou de acordar. Nossa pequena bruxa. – Dissera o capitão, irônico.

– Como assim? Do que está falando? – Brigith ajeitara-se na cama, totalmente atordoada.

– Já esqueceu o que fez na semana passada? Matara seus tios e tentara matar sua irmã. Quem sabe seu filho também não morreria se não fosse pela senhorita Eileen. – O capitão estava furioso.

Brigith começara a chorar, sem ao menos saber o que havia se passado naquele dia. Ela contou ao guarda tudo o que se lembrava. De Eileen ameaçando-a com seu bebê no colo e flutuando. O capitão acreditara? Não. Apenas rira e ainda a chamara de louca.

– Além de bruxa, é louca. Realmente precisa de um tratamento especial. – Rira o capitão.

– Eu não fiz nada, tenho plena certeza. Isso é tudo culpa de Eileen! Quero meu filho agora! – Brigith levantara-se da cama, um pouco tonta e com muita raiva.

– Ei! Veja lá como fala, bruxa. Em breve você terá sua pena lida pelo juiz. Pena que fora proibido queimar bruxas em praça pública pelo rei. Se não você estaria frita, literalmente. – Rira mais alto ainda e deixara o quarto.

Ela ainda não conseguira acreditar em tamanha atrocidade que Eileen fizera em sua vida. Matara seus tios, matara seus pais (provavelmente) e agora estava com seu amado filho. Como faria para provar sua inocência? Quem a ajudaria? Nesse exato momento, mesmo sem nenhum tipo de adorno para oferecer à deusa, Brigith começou a orar, a chamar pela sua Grande Mãe: “Senhora que me ampara que me protege e me guia. Por favor, ouça minha súplica. Eu necessito da sua sabedoria, da sua proteção. Os tempos estão difíceis. Fui acusada de algo maligno e só a Senhora sabe de todas as coisas. Proteja-me! Proteja meu filho, principalmente! Ajuda-me! Preciso de ti. Preciso das tuas palavras. Preciso do teu amor maternal.”. Ao proferir tais palavras, Brigith sentira uma energia emanar em seu quarto. Um cheiro maravilhoso de rosas invadira suas narinas. Ao abrir os olhos, notara uma luz branca à sua frente, com uma silhueta de mulher envolta de muita energia e cores, tudo muito vibrante e pacífico. Aos poucos a mulher ficara mais nítida e Brigith percebera que era sua mãe.

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  Brigith correra para abraçá-la e percebeu que realmente podia tocá-la. O abraço emanou muitas energias positivas e parecera que durara uma eternidade. Então Brigith ouvira em sua cabeça a doce voz de sua querida mãe:

“Minha querida, converse comigo com o pensamento. Não fale, pois poderá atrair pessoas más para o quarto e preciso ficar uns minutos com você. Não podemos ser atrapalhadas por más energias.”

“Mamãe, estou com tanta saudade. Estou com tanto medo. Eileen estragara minha vida, serei morta? Deixarei meu pequeno Edward e meu amado Arthur?! Estou tão assustada.”

“Não temas, minha querida. Contra o mal, vencerás. Eileen está cega pela paixão e fome de poder. O caminho que ela escolhera, não tem volta. Rezo por ela, mando energias positivas todos os dias. Mesmo depois de todo o mal que ela me causara. Sei que não sou a mãe verdadeira de Eileen, porém a amava como uma filha – e ainda a amo. Quero livrá-la dessas trevas que se encontra. Só posso tentar interceder quando ela for para o outro plano, porque agora é tarde demais. E quanto a ti, minha pequena flor. Não tema como já lhe disse. A deusa tem grandes planos para você! Apenas confie. Edward está bem protegido, apesar de tudo, Eileen o ama. E nunca lhe faria mal algum. Confie e espere, sua paz poderá demorar um pouco, mas virá.”

Após “dizer” essas palavras para Brigith, sua mãe sumira. Pois fora chamada de volta, não pudera ficar muito tempo na Terra e nem dizer o futuro das pessoas. Se ela ficasse mais, contaria e não era permitido.

Brigith agradecera do fundo de seu coração ao chamado que lhe fora atendido. Agora ela estava em paz, apesar de tudo, para enfrentar os seus problemas e esperar sua felicidade plena, sem interrupções e maldades.

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Passadas algumas semanas, Eileen estava mais feliz que nunca. Todos longe dela e Edward apenas para ela. Contratara empregados novos e demitira os antigos. Agora Mircella era seu braço direito. Fazia tudo como Eileen pedia e era extremamente fiel a patroa. Onde Eileen estava, Mircella estava também, para ajudar a cuidar do pequeno Ed, já que Eileen não tinha nenhuma experiência com crianças.

Os três – Eileen, Edward e Mircella – foram passear no parque em uma tarde ensolarada, o principio da primavera, divertiram-se como se nada tivesse acontecido, fizeram picnic, brincaram na grama e só foram embora depois do sol se pôr. Ao chegarem em casa, Eileen recebera um comunicado de que havia chegado uma carta da Cidade Real. Só poderia ser de Arthur, para completar sua felicidade. Com o coração aos pulos, correra para pegar a tal carta, e torcera para que não tivesse acontecido nada com seu amado. Entrara no escritório e notara o pequeno envelope em cima da mesa central. Sentara-se na antiga poltrona de seu tio e acomodara-se para ler a tão esperada carta:

Minha amada Brigith e pequeno Ed,

  Recebi uma carta de minha mãe contando as novidades, que nosso pequeno nasceu. Logo depois recebi a sua também. Fiquei extremamente feliz em saber que sou pai de um menino, espero que ele seja lindo igual à mãe! E, por outro lado, fiquei triste em saber que não pude estar ao seu lado quando você mais precisou da minha companhia, tudo por culpa do rei! Mas deixa isso para lá, pois estou escrevendo para vocês para comunicar que não houve guerra de fato. Só uns conflitos internos de interesse… Como esperado. O rei ordenou que voltássemos para nossas famílias! E adivinha só: consegui dinheiro suficiente para comprarmos uma casinha no vilarejo. Poderemos viver juntos e sozinhos agora, como uma família, de fato. Enfim, minha amada e meu amado filho, estou partindo ainda hoje a noite para casa, no máximo em sete dias estarei com vocês! Estou extasiado de alegria! Eu os amo muito, espero poder chegar logo. Até breve.

Com amor e saudade,

Arthur.”

– Blá, blá, blá… Esse papinho de amor me enoja. Sorte que entrarei na vida de Arthur e o transformarei em um homem que ele deveria ser. – Dissera Eileen enquanto amassara a carta – Pena que ao chegar em casa não encontrará absolutamente nada igual ao que esteve acostumado a vida toda. Só terá a mim… E será obrigado a me amar. – Rira alto.

Ao ouvir tais risadas, o amigo oculto de Eileen aparecera degustando uma maçã:

– A pessoa para amar um ser tão desprezível como você, só sendo obrigada mesmo… – Rira um pouco – Você não teve capacidade de seduzi-lo com todos seus atributos – apontara para os seios de Eileen – e acabou recorrendo a um ser como eu. Ainda tens coragem de achar graça nisso, pobre alma? – Indagara.

– Quem é você mesmo para me dizer tais coisas, demônio? Tu que se alimentas de almas de “seres desprezíveis” como eu, tens coragem te tentar ofender-me e ofuscar minha felicidade? – Eileen irritara-se.

– Ora ora ora… Tu queres mesmo discutir comigo? Lembra-se bem de como acabou a última discussão, não é mesmo, vadia? – O amigo oculto levantara-se da poltrona e jogara a maçã mordida na cabeça de Eileen – Tu podes até estar feliz agora, até alguns anos depois. Mas a sua alma ainda será minha, cedo ou tarde. Não seja tão impertinente, pois adoro torturar almas rebeldes.

– Tanto faz. – Eileen dera de ombros – Faço de tudo e já fiz mais do que alguém faria um dia para ter o Arthur ao meu lado. Ele será meu, querendo ou não. E agora ele está mais perto do que nunca… E não será uma criaturazinha como você que irá me desanimar. – Passara as mãos pelos longos cabelos ruivos e ignorara a presença da tal entidade.

– Quem rir por último, rir melhor, ruiva. Só de pensar que terei essa alma para torturar em breve, me dá um arrepio de ansiedade… – Os olhos dele brilhavam.

O diálogo de Eileen com o amigo oculto fora interrompido por Mircella batendo a porta, apressada:

– Entre! – Gritara Eileen.

– Senhorita Eileen, o Senhor Arthur está lá embaixo e está furioso.

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  Arthur acabara de chegar ao vilarejo com um humor estonteante, só conseguira pensar que conheceria seu filho em breve, mal podia conter a ansiedade e a felicidade era notória. Em sua cabeça, nesse momento, nada seria capaz de tirar sua paz. Estava enganado. Assim que sua carruagem parara, fora abordado por um soldado da guarda real, dizendo que o capitão queria conversar com ele. Fora até onde o capitão se encontrava, tiveram uma conversa longa:

– Boa tarde, Capitão. Sou Arthur, o senhor deseja falar comigo? Aconteceu algo com minha família?! – Indagara Arthur, ansioso e aflito.

– Sente-se – apontara para uma cadeira a sua frente – temos muito que conversar. E não são boas notícias. Soldado! – chamara o rapaz que estava em frente à porta – Pegue duas xícaras de café para nós dois, por favor, e retire-se.

– Sim senhor! – Dissera o soldado e saíra da sala, fechando a porta.

– Bom senhor Arthur, teremos uma longa conversa, espero que tenha bastante tempo para ouvir. E não se preocupe muito, apesar de tudo, seu filho está salvo.

Após várias horas de conversa, só se ouviam gritos e choro dentro daquela sala. Arthur saíra de lá à noite e muito atordoado, sem saber o que fazer. Tinha uma única pessoa em mente, e essa era a única capaz de responder suas perguntas: Eileen. Ele não poderia falar com Brigith naquele momento, pois ela estava proibida de falar com qualquer pessoa até o dia do seu julgamento. Arthur tinha certeza que Brigith jamais faria tudo àquilo do que fora acusada. Sabia que Eileen era a pessoa que estava por trás disso. E, agora, mais do que nunca, ele jogaria o jogo. Mesmo que para isso tivesse que fingir amá-la. A missão de sua vida começara agora: Salvar sua família – pelo menos sua esposa e filho, já que sua mãe e pai não tiveram a mesma sorte.

No caminho até a fazenda, só conseguira pensar em seu pequeno Edward, apesar de tudo, era a primeira vez que o veria. Porém aquela fúria, aquele ódio por Eileen, conseguia acabar com qualquer sentimento de amor e alegria que estivera dentro dele durante toda aquela viagem longa da Cidade Real até o vilarejo. Ele tinha que conseguir fingir, ele tinha que fingir por sua família, por Edward e Brigith. Ao chegar a casa, entrara direto sem bater e encontrara uma mulher jovem lá dentro. Nunca a vira antes e nem importava. Logo pedira para que ela chamasse Eileen, queria parecer furioso e triste – o que não era difícil.

Mircella correra até onde Eileen estava e avisara da chegada de Arthur. Uns minutos depois Eileen aparecera, em prantos:

– Arthur! – correra para abraça-lo – Meu amor! Que bom vê-lo novamente. – abraçara-o forte, chorara muito – Pensei que nunca mais o veria!

– Eileen quero saber onde está o meu filho! – afastara-a, com muita repulsa, mas não poderia demonstrar – Quero vê-lo imediatamente! – ordenara.

– Puxa vida! Imaginei uma cena totalmente diferente, eu também estou viva, sabia? Obrigada pela consideração. – Eileen ficara realmente desapontada e fez um sinal para que Mircella pegasse o pequeno Ed – Traga-o aqui para que o pai possa vê-lo.

Passados alguns minutos com um silêncio infernal, Mircella desceu as escadas com o pequeno Edward em seus braços. Arthur dera um pulo do sofá onde se acomodara e correra para pegar seu filho:

– Pelos deuses! – pegara Edward dos braços de Mircella e o envolvera em um abraço apertado, envolto de muitos beijos e caricias – Como você é lindo! Está enorme! Meu filho, meu amor… Estava tão ansioso para te conhecer… Eu te amo muito, sabia? – Não conseguira conter o choro e finalmente deixara as lágrimas rolarem sobre sua face.

– Que cena linda! – aplaudira Eileen, empolgada.

– Por favor, prepare um quarto para mim, preciso descansar. E Edward ficará comigo. – Ordenara Arthur, decidido.

Mircella correra para ordenar aos empregados.

– Ora, ora… Acho que alguém chegou mais decidido do que quer da vida, não é mesmo? Assim que eu gosto. – Eileen chegara mais perto, acariciara a face de Edward e logo em seguida a de Arthur. – A casa é sua, meu amor. Peça o que quiser. E creio eu, que já saiba de tudo que acontecera…

– Sim sim, não preciso de explicações. Sempre notei que Brigith era meio louca demais por essa tal de bruxaria. – interrompera Arthur, e as palavras quase não saíram, ainda mais para falar tais absurdos de sua amada. – No mais, preciso descansar, com licença. Depois conversamos. – Arthur subira as escadas com o seu filho nos braços, assim que recebera o comunicado de que seu quarto estava pronto.

Eileen gostou muito do jeito que Arthur estava se comportando. Um jeito mais grosseiro e muito mais sedutor. Cada vez que ele falava rispidamente e firme com ela, mais ela gostava. Aquilo só acendera ainda mais a paixão doentia que ela sentia por ele – o desejo aumentava a cada palavra, cada olhar. Arthur sabia que uma hora ele tinha que ceder para parecer verdadeiro, dar o que Eileen desejava: Ele, seu corpo.

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A cada minuto que Brigith ficava naquele quarto infernal, mais ela sentia vontade de sumir – desaparecer. A única coisa que a fizera sentir-se viva, era lembrar da existência de seu filho e de Arthur. Ela fora avisada de que Arthur já estava na fazenda e vivendo feliz com Eileen e Edward (tudo planejado para ela se sentir pior ainda); Porém, no fundo, ela sabia que era mentira, tinha que ser mentira. Sentira-se aliviada e feliz por Arthur estar vivo e com Edward, lhe protegendo. E muito preocupada, porque os dois estavam com Eileen.

Durante esses dias que Brigith ficara trancada e sem falar com ninguém, aprendera a falar consigo mesma. Suas meditações ficavam cada vez mais relaxantes e seus contatos com a deusa mais fortes. De vez em quando recebia visitas de sua mãe, dizendo-lhe para acalmar-se, que aquela tempestade iria passar e algumas palavras de consolo, que só ela soubera lhe dar.

Em um dia típico de primavera, Brigith tivera um sonho muito real: Ela sonhara que era um animal selvagem, conseguira fugir daquele quarto e vira uma floresta densa e escura. Enxergara o mundo de um modo muito diferente. E durante essa transformação, ela conseguira visitar Arthur e, de alguma forma, ele soubera que era Brigith naquele animal. Brigith acordara exaltada e com certa animação diferente. Aquele era um sinal, um bom sinal! Algo muito grande estava por vir.  Brigith passara o dia inteiro pensando naquele sonho… Era tão… Mágico! Essa era a palavra. Até que ouvira uma batida forte na porta e logo entraram:

– Senhorita Brigith van Bommel? – Dissera um homem ancião e parecendo nobre, com o olhar cansado, porém bondoso.

– Sim! – Brigith levantara-se da cama em um pulo, assustada – Sou eu! No que posso ajudá-lo?

– Sou o padre Domenico, gostaria de conversar com a senhorita, posso? Não vou lhe fazer mal. – Dera um sorriso acolhedor, coisa que Brigith não vira há mais de meses.

– Com certeza. Sente-se. – Apontara para uma cadeira ao lado de uma mesinha de café. Sentara-se na cadeira ao lado.

– Bom… É uma longa história… Falei que ia tentar arrancar uma confissão de bruxaria e possessão demoníaca da senhorita, mas não o farei. Sou amigo de seus pais, mais especificamente de sua mãe. Bom, era. – Dissera um pouco triste.

O coração de Brigith parecia saltar pela boca, suas mãos suavam:

– O senhor é aquele padre Dom?! – surpreendera-se ao lembrar do amigo de sua mãe – Ai meus deuses! Como não pude lembrar do senhor! Perdoa-me. – Brigith ajoelhara-se aos pés do velho padre, ao lembrar que ele era do bem, seu único amigo naquele momento.

O padre colocara as mãos sobre a cabeça da menina que chorava apoiada em seu joelho:

– Menina, não chore. Sua mãe me visitou em sonhos… Pediu para que eu trouxesse algo para você e que te dissesse algumas coisas. Primeiro: Você certamente poderá contar comigo. Segundo: Use esse encanto em noite de lua cheia. Terceiro: Sou padre, mas não deixo de acreditar em magia. – rira um pouco – Embora minha religião seja diferente da de vocês, respeito-a muito, pois sua mãe fizera-me muito bem durante sua vida. Sua mãe era uma verdadeira santa, ao contrário de algumas senhorinhas que freqüentam a minha paróquia – segurara uma risada alta com a mão – Enfim, minha pequena, estou a par de toda a maldade que sua irmã fizera e, acredite, um dia desses visitei a sua antiga casa.

– E? – Brigith olhara firmemente para o padre Dom, esperando uma resposta o quanto antes – O que o senhor viu? Meu filho está bem? E Arthur?! – Limpara seus olhos com as costas da mão.

– Estão bem. Seu filho está lindo, grande… Arthur ta bem e sente muita saudade. Conversei com ele… Disse para Eileen que fui a casa para checar se não tinha mais nada de bruxaria, como ordens do capitão da guarda. Óbvio que era mentira, mas consegui conversar a sós com Arthur. Ele me pediu para lhe dar um recado. Não escreveu, pois poderia ser perigoso alguém ver. – Coçara a garganta e tomara um pouco d’água – Ele disse que está fazendo o que Eileen quer, jogando o jogo dela. Nunca deixará de te amar e em breve vocês estarão juntos. Falou apenas isso, pois Eileen interrompera, como sempre. – Levantara-se e sorrira – Mas não se preocupe, ela não ouviu nada.

Brigith sorrira, aliviada, revigorada:

– Ai, santo padre! – pegara nas mãos do padre – Graças a todos os deuses, a minha querida mãe, o senhor veio salvar-me dessa solidão terrível que eu estava afundando. Muito obrigada por tudo! – Beijara-lhe a testa desnuda.

– Não agradeça minha querida, tenho gratidão eterna para com sua mãe. Nunca deixaria você passar por esse calvário, sendo filha de quem é. E pura como é. Sinto sua aura, sua bondade de longe. – sorrira – Pegue esse papel e guarde-o. A noite de lua cheia se aproxima, um dia antes do seu julgamento. Sua mãe dissera-me para você não esquecer em hipótese nenhuma, é sua única chance. – dera o papel para Brigith. Nele continha um encantamento antigo, o papel era velho, mas tinha um imenso valor naquele momento. Assim que o padre passara o papel para ela, um guarda entrou no quarto e o padre tornou-se duro (puro fingimento) para parecer que estava tirando algumas “verdades” de Brigith. E, lógico, Brigith entrara naquele jogo, fingira estar sofrendo e furiosa… Gritara:

– Meu senhor nunca deixara vocês em paz! Queimarei essa cidade inteira! – seguida de uma risada maligna

O padre piscara para ela e o guarda logo correra da sala. Ela ouvira o padre dizer que ela estava servindo a entidades malignas, que se alguém a tocasse, sofreria a fúria de Satan. E que só ele poderia encostar, pois era enviado de deus para isso. Brigith sorrira ao ouvir isso… Os guardas assentiram com enorme pavor.

A noite de lua cheia se aproximava, era na noite seguinte… Ela precisava seguir tudo certo como estava naquele bilhete, era sua última chance de ser feliz e livre. Notara que o padre deixara uma bolsa em cima da mesa, ao vasculhá-la, percebera que eram instrumentos mágicos antigos, os instrumentos mágicos preciosos de sua mãe. Era sua única chance, era essa a hora de fazer tudo certo e sem ninguém notar: Era a hora da bruxa interior acordar.

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Continua

4 comentários em “A Dama de Fogo (Pt. 6) – O Enviado

  1. Adorei a forma como transpôs as barreiras e derrubou o tabu entre padre x bruxa, o contexto está dinâmico e a abordagem das crenças aqui está perfeita.
    As personagens evoluíram grandemente e estão cada vez mais ricas. Parabéns Lady Morgana, seu crescimento nos contagia de maneira graciosa e empolgante… ❤

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