Vendetta Pt.5 – O Chamado – Leyliss

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Por Lillithy Orleander

O Boxster preto já estava emparelhado ao lado do Lamborghini prata.

Enquanto uma garota, vestida em um casaco de pele branco, mini saia e um top preto caminhava para ficar entre os dois carros.

– Você tem certeza do que vai fazer? – perguntou Benjamin ainda tentando demover Charlotte de dirigir.

– Já disse que vou sair viva dessa.

Aleksander sorria do outro lado, fazendo o motor do carro rosnar para a adversária.

– Você não sabe o que está fazendo, não tem que provar nada pra esse babaca.

– Ben eu já sou bem grandinha, sei o que eu quero e vou correr. Eu prometo que vai dar tudo certo. E quando eu ganhar essa, vou te dar um beijo bem demorado pra te provar que estou viva.

Benjamin ficou vermelho de imediato quando pensou na ideia, mas logo tratou de afasta – lá.

– Que droga de beijo, Charlie. Só sai viva dessa, ou então seu pai vai me fazer te encontrar do outro lado mais rápido do que você pensa.

Charlotte deu risada  do que Benjamin acabara de dizer e se preparou.

Benjamin saiu de perto dos carros e a garota parou no meio deles novamente um pouco mais a frente, abaixou – se sorrindo maliciosa e tirou o fino pano vermelho de debaixo da saia. O que gerou uma gritaria ensurdecedora unida a muitos assovios.

– Em suas marcas…

– Boa sorte, Maensen. – disse Aleksander pisando no acelerador.

– Pra você também Svalden. Afinal você vai precisar. – Charlotte sorriu atras do volante, segurando o freio de mão.

– 3… 2… 1…

A garota soltou a calcinha no chão e os corredores saíram cantando pneu, enquanto eram ovacionados pela platéia, que ia ao delírio e começava a sacar os celulares, IPhone’s e tablet’s para assistir a corrida pelo sistema de câmeras das avenidas hackeado pelos nerd’s que trabalhavam para Leopold.

-Natan, como está a transmissão? – perguntou Leopold à um garoto de quase 1,90m de cabelos loiros e olhos castanhos, que parecia engolir vorazmente a garota que o beijava.

– Já está tudo pronto, assim que os dois passarem na primeira camera, o resto vai ser direcionado pro Papai aqui. – Natan deu um tapa na bunda da garota e mordeu o canto da boca com malícia.

Leopold admitia ele esperava um cara de óculos quando pediu á seus contatos o melhor hacker de Boston. Quando conheceu Natan ficou pasmo ao ver o cara popular e cheio de tatuagens.

Charlotte havia ganhado a dianteira e desviava de outros carros como quem possuía uma destreza de milênios no que fazia. Enquanto Aleksander, sorria satisfeito seguindo a bela adversária.

– Ela sabe o que faz muito bem. – exclamou ele.

Charlotte resolveu alterar sua rota, se recusava a perder pra Aleksander, pegou a vicinal mais próxima e não percebeu que Aleksander gostou da brincadeira e decidiu segui – lá.

Charlotte aumentou o som do carro e Faster* tocava de forma estrondosa. Charlie sentiu o frio percorrer – lhe a espinha, unindo – se a adrenalina, sua visão ficou turva e ela apertou com mais força o volante de seu carro.

“Mas que droga esta acontecendo comigo?” – perguntou a si mesma.

O relógio de uma catedral próxima batia meia noite, e a Lua Cheia mostrou – se gloriosa por detrás de um arranha – céu, tocando os olhos de Charlotte.

Aleksander vendo que a velocidade da moça diminuía aproveitou para ultrapassa – lá. Mas assim que conseguiu alcança – lá viu que o carro de polícia já anunciava que havia visto os infratores e ia persegui – los.

– Charlotte… – o sussuro fúnebre deixou os sentidos de Charlotte em alerta enquanto o que parecia ser uma brisa fria e cadavérica, agia como lábios, colada ao seu ouvido.

Algo naquele instante tomava posse de seu corpo.

O carro quase bateu em Aleksander quando esse a ultrapassou, o que o fez desviar para não bater em um poste.

Novamente o Lamborghini pegou outro caminho, assim que foi deixado pra tras e com o policial em seu encalço.

– Mas que porcaria é essa? E pra ajudar a polícia. Ótimo, se eu pegar outra multa o senhor Olivier vai me fazer limpar o porão.

Ela disse rindo da própria piada, Charlotte sabia que algo estava errado e que talvez estivesse louca, mas isso não era hora de pirar.

O carro agora corria na contra mão enquanto outros motoristas nervosos e apavorados davam farol alto ou buzinavam, Charlie entrou na primeira saída, caindo em um calçadão apinhado de lojas e com via exclusiva para pedestres.

Aleksander se perguntava onde a adversária tinha se enfiado quando deu de cara com ela saindo do calçadão e jogando o carro em sua frente, fazendo – o frear de forma brusca.

– Filha da puta! Eu mato ela, eu juro que mato!

Aleksander sentiu o ódio bater latente dentro de si, para em seguida ver o policial voltar ao encalço dos dois.

Charlotte piscava os olhos e suava frio, um torpor agora tomava parte de sua mente, fazendo – a ficar cega.

“Agora não.” – pensou ela, mas era tarde e Charlotte não estava mais ali.

A arma brilhou no banco e ela estendeu a mão pra pega – lá. Mas sua atenção teve que se voltar para o concorrente, ela sorriu diabolicamente e acelerou ainda mais, seguida por Aleksander.

Pegaram novamente a avenida trançando entre si quem seria o vencedor.

Ela estava em um parque de diversões e aquilo lhe dava prazer.

O ponto de chegada estava a vista e ninguém queria perder, estavam empatados por milésimos de segundo, brigando pelo prêmio final.

Os dois carros chegaram ao mesmo tempo e deram o mesmo cavalo de pau.

Aleksander desceu do carro e se dirigiu ao carro de Charlotte para comprimento – lá, mas assim que ela abriu a porta e saiu, desmaiou e foi acudida por Benjamin que já estava ao lado de seu carro.

– Droga Charlie, o que foi agora. Vamos garota, não tô pronto pra te perder.

– Leopold, é a polícia! – gritou Natan já guardando seu equipamento e pulando pra dentro de seu carro, acompanhado por outros apostadores que pegavam seus veículos e fugiam em disparada.

– Pega o carro dela e me segue. – disse Aleksander que já estava abaixado ao lado de Benjamin e tomando Charlotte de seus braços, aí que o outro franziu o cenho.

– Eu levo ela.

– Eu  não vou fazer nada de mal pra ela, só quero ajudar.

Benjamin percebeu que o outro estava tão preocupado quanto ele, então levantou e ajudou Aleksander à levar Charlotte para o Boxster.

Charlotte acordou no caminho mas permaneceu calada como se estivesse presa em algum tipo de transe e Aleksander pensou que a culpa era sua.

– Olha me desculpe por tudo, tá. Eu só estou tentando fazer a coisa certa. Minha mãe pega no meu pé, e agora ela tem negócios com seu pai, não quero estragar isso, mesmo por que se eu fizer isso, ela me mata ou manda alguém me matar. – disse ele rindo da própria piada.

Mas Charlotte continuava calada, estática, ele dirigiu até sua casa acompanhado por Benjamin no carro de trás, quando finalmente estacionaram diante da entrada principal, ela desmaiou novamente.

Aleksander abriu a porta do carro apressado e a pegou desfalecida no colo.

– Mike! – ele gritava. – Mike!

O mordomo apareceu de hobby na soleira da porta assustado e abrindo caminho sem entender o que se passava.

-Senhor Aleksander?

– Que gritaria é essa? – gritou Nhara chegando na escada.

– Mike chama um médico. Não tenho tempo pra sermões agora, Nhara.

Aleksander subia a escada e caminhou direto para seu quarto, colocando Charlotte em sua cama.

– Eu quero saber o que foi que você fez dessa vez seu fedelho. – disse Nhara adentrando o quarto e dando um tampa na cabeça do filho.

– Dessa vez, mãe. Nada.

O médico chegou rápido e ficou só com a moça para examina – lá.

Quando Nhara e Aleksander desceram Olivier e Joseph já eram recebidos por Angeline e Benjamin.

– Boa noite senhor Maensen. – disse Angeline.

– Boa noite, me desculpe os modos, mas onde está Charlie.

– O médico está examinando ela, fique calmo.

– Nhara, nos perdoe a invasão.

– De forma alguma, eu teria feito o mesmo por meu filho.

– Não mesmo. – disse Aleksander sem pensar para em seguida sentir o peso singelo da bengala de Angeline á amassar – lhe os dedos.

– Mas que… – disse ele se afastando da avó.

O médico desceu a escada em silêncio e que deixou todos apreensivos.

– Então doutor? – perguntou Olivier torcendo as mãos.

– Aparentemente nada, acredito que tenha sido uma crise nervosa, mas a  pressão está normal, os batimentos estão normalizando, não há nenhum trauma, mas preciso de exames mais detalhados. Eu apliquei um sedativo leve, só para que ela descanse. Enfim, qualquer mudança ou alteração nesse estado me chame.

– Obrigado doutor. – disse Nhara levando o médico até a porta.

– Mike?

– Sim senhora.

– Leve Olivier até o quarto de Aleksander por favor. – disse Angeline.

– Imediatamente. Senhor Maensen, por aqui.

Olivier subia a escada apreensivo e com os olhos marejados. Ele sabia o que estava acontecendo, mas não podia fazer nada. Ele só não entendia por que sua Charlie.

Olivier adentrou o quarto na penumbra  e sentou ao lado da cama segurando a mão da filha com carinho.

– O que está acontecendo, pai? De verdade. – perguntou Joseph que parou na porta observando a cena.

– Você já sabe a quanto tempo? – disse Olivier em tanto amargo.

– Tempo suficiente, mas ainda não sei de tudo.

– Entendo.

– Mas aqui não é o melhor lugar.

– É verdade, deixemos esse assunto pra mais tarde.

Olivier levantou -se, olhou a filha ali deitada e saiu acompanhando o filho.

Nhara e Angeline se dirigiram em seguida para o escritório para deixar os outros mais à vontade.

– Que noite. –  disse Nhara irritada.

– A noite ainda não acabou minha filha.

– Eu sei mãe, só fiquei me perguntando o que será que a garota tem.

– Um dia cheio. Ela bateu no carro de Aleksander, bateu em Aleksander, e voltou com Aleksander. Você à de convir comigo que seu filho  não é fácil. – Angeline deu risada. – Você já foi jovem Nhara, e era como ele. A garota deve ter sentido somente um mal estar. Não se preocupe.

Nhara sorriu para mãe e fechou os olhos, rodando na cadeira.

– Como era mais fácil naquela época.

Nhara lembrou – se de sua juventude e viu o espírito indomável de si própria no filho, e não conteve o riso.

– Você tem razão mãe.

Mal terminou de falar e leves batidas foram ouvidas na porta.

– Entre. – Nhara disse se recompondo e voltando a face de mulher rígida.

– Com licença, senhora Svalden. Me chamo Benjamin Orachi e sou amigo de Charlie… Charlotte, me desculpe. Eu gostaria de pedir permissão pra ficar em sua casa até que ela acorde.

Nhara estreitou os olhos na direção do rapaz, que mantinha as mãos pra trás como se falasse com seu superior no exército.

– Você gosta dessa menina não é? – perguntou Angeline.

– Nós crescemos junto. Charlotte é minha melhor amiga.

– Entendo. De minha parte não á problemas, não é mesmo Nhara?

Ela forçou um sorriso e concordou com a mãe.

– De forma alguma.

– Obrigado, senhora. – e saiu do escritório de Nhara.

– Se você quer unir Aleksander com a garota Maensen, esse garoto vai ser um rival de grande porte para seu filho.

– Imagino que sim…

Benjamin chegou a sala quando Olivier e Joseph voltavam do quarto de Aleksander, conversando aos susurros. Aleksander aproveitou que todos haviam descido e pediu licença para ir até o quarto para ver Charlotte.

Benjamin não gostou, mas nada disse, apenas olhou de soslaio para o outro que colocará as mãos no bolso e subia a escada de dois em dois degraus.

– Senhor Olivier me chamo Benjamin, sou amigo de sua filha. Conversei com a senhora Svalden e ela me permitiu ficar até que Charlie acorde. Isso é claro se o senhor não se importar.

– É Orachi, não é? – perguntou Joseph que já ouvirá a irmã falar do rapaz.

– Sim. – e Benjamin temeu que o passado de seu pai se revelasse naquele instante e que isso o impedisse de ficar ali.

– Não vejo problema algum meu rapaz. Charlie tem bons amigos. – disse Olivier apertando firme a mão de Benjamin e o deixando para sentar – se no sofá.

Aleksander abriu a porta sem fazer barulho e caminhou até a janela, a claridade da Lua invadia o recinto tocando o cabelo de Charlotte, que caia por cima de seu rosto. Ele sentou na poltrona que tinha ali perto e ligou o som em um solo de piano.

Nuvole Bianche* começou a ganhar espaço no local e Aleksander ficou ali observando a moça deitada em sua cama pelos motivos que ele nunca imaginou. Ele sorriu ao pensar nisso, a única garota que usaria sua cama sem outra finalidade.

” Como você entra na minha vida em um dia, faz todo esse estrago e ainda me faz ficar aqui como um idiota?” – pensou ele.

Aleksander levantou de onde estava e sentou – se no chão, próximo a cama.

Tocou o rosto pálido de leve e afastou o cabelo que o cobria.

Ela era linda e a luz da Lua realçava ainda mais sua beleza, tornando – a uma princesa de conto de fadas.

– Casa comigo Charlie? – ele perguntou mais para si do que para a garota, arregalou os olhos e não entendeu o por que de fazer tal pergunta.

Aleksander se sentia traído por si mesmo e hipnotizado por ela.

Aproximou – se devagar, fechou os olhos e colou seus lábios aos de Charlotte.

Era quente e ao mesmo tempo gentil, convidativo.

Aleksander abriu os olhos e sem entender por que tinha feito aquilo deixou o quarto nervoso.

” Eu não podia ter feito isso. Onde eu estava com a cabeça? ”

Ele partiu atordoado enquanto na janela do quarto escondido nas sombras o rapaz de jaqueta de couro que sempre acompanhava a moça sorria.

– Minha doce Charlotte, eu vou sempre estar aqui, mesmo que a hora se faça necessária. Para todos nos você irá voltar, inteira e sem metades errantes. Vá e vença, minha pequena deusa.. – dizia Éolo deixando uma lágrima cair e evaporando no ar.

Charlotte abriu os olhos e não reconheceu onde estava, olhou ao redor e nem mesmo o celular encontrou, o cheiro almíscar invadia suas narinas.

A brisa gélida tocou – lhe a nuca e ela teve vontade de gritar, mas a voz recusou – se a sair.

– Você passou tempo demais governando. – Charlotte arregalou os olhos e viu diante de si uma névoa circunda – lá. – Chegou a hora de você aceitar que também sou parte de você.

Charlotte não conseguia se mover e aquilo continuava ali lhe fazendo sentir calafrios.

– Você vai precisar de mim daqui pra frente. Muito prazer me chamo Leyliss…

Charlotte ainda tentou gritar, mas não conseguiu, a névoa parecia pesar cem quilos e seu corpo tinha ânsia de absorvê – lá.

O corpo de Charlotte se contorceu como se fosse possuído, para cair como um trapo ou um lençol amarrotado. Os olhos da moça estavam brancos e não se via mais a íris.

No peito de Charlotte o coração parecia que ia explodir.

Duas personalidades lutavam entre si, Charlotte dava espaço para Leyliss e para tudo de mais obscuro que habitava em sua alma.

A hora havia chegado e ninguém estava preparado…

CONTINUA…

* Faster – Within Temptation

*Nuvole Bianche – Alexander Flemming

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