Sociedade das Sombras: Beijo Eterno (Pt.19) – Final…Será?

 Por Mille Meiffield

Talvez-saudade

– Nahual? Kesabel? O que fazem aqui? – indaguei.

– Olá Rehael! – disse Nahual. – Como vai irmão?

– Vocês ainda não responderam, o que querem?

– Não queremos nada Rehael, apenas viemos ver se você está bem. – disse Kesabel.

– Já faz muito tempo desde a última vez que você se juntou a nós. – continuou Nahual.

– Eu estou bem. Agora que já sabem disso podem ir, estou em uma missão e preciso ficar alerta.

– Nós também estamos em uma missão. – disse Nahual. – Mark nos mandou aqui.

– Eu sabia! Vocês estão aqui para me aprisionar.

– Aprisionar? – ironizou Nahual. – Não. Apenas queremos fazer com que você volte à razão. Qual é Rehael? Vai jogar tudo fora por causa de uma Ninfa?

– A minha vida pessoal cabe somente a mim.

– Não acredito que uma “vadiazinha” fez a sua cabeça. Você tem o quê, duzentos aninhos? – Kesabel estava furiosa.

– Façam o que vieram fazer, eu não vou lutar. – disse Rehael. – Mas deixem Litza em paz.

– Litza?! – gritou Nahual. – Você já a chama pelo apelido? O que você fez meu irmão?

– Não sou mais seu irmão á muitos anos Nahual. Não devo nada a você. Já está na hora de vivermos em paz.

– Errado Rehael. Já está na hora de você ir para aonde já deveria ter ido há muito tempo.

Kesabel me golpeou, fazendo meu corpo ceder. Nahual amarrou meu corpo com uma corrente enfeitiçada. Litza ficaria a salvo enquanto estivesse na Sociedade das Sombras. Os membros do conselho vão protegê-la. Eu serei apenas uma lembrança dolorosa para ela. Eu a amo.

LITZA

Meu espírito havia acordado. Eu estava no Mundo Longínquo sozinha. Não sabia como encontrar Addam, até que uma voz falou ao meu ouvido algo ininteligível. Eu segui o som dessa voz e avistei dois vultos lutando em uma praia deserta. Corri em direção a eles e conforme me aproximava avistei Addam e Rehael num duelo mortal.

– Para Rehael! – gritei com toda a minha força. – Você vai ter que

me matar primeiro se quiser tocar novamente em Addam.

– Vai ser um prazer Litza.

A imagem de Chris oscilou pelo corpo de Rehael

– Você não é Rehael!

– Nossa! Como você é experta. Deveria ter ficado na sua e ter deixado eu terminar com seu namoradinho.

– Jamais deixaria Addam aqui sozinho. E onde está Rehael?

– Morto!

Aquelas palavras me atingiram como uma flecha. Uma lágrima quente rolou por meu rosto. Apenas uma lágrima. Eu ouvi um crepitar de chamas bem baixinho, ao longe. Chris olhava assustado em minha direção. Olhei para minhas mãos e elas estavam em chamas. Não era uma coisa dolorosa. Na verdade era um calor familiar, agradável. Chamas azuis cobriam todo o meu corpo.

– Litza, você está desabrochando. Seus poderes vão fluir através de seu corpo. Não hesite em usá-los.

Addam desmaiou. As chamas que lambiam todo o meu corpo foram diminuindo. Chris correu em minha direção e me mordeu. Dessa vez o fogo era real. A dor quase insuportável queimava minhas veias. Não

conseguia respirar por causa da dor, comecei a sufocar.

Chris se ajoelhou ao meu lado.

– Até morrendo você é linda. Pena que escolheu o lado errado. Poderia ser a minha princesa, Litza. A princesa Zamerov. Os McAleese sempre foram fracos. Fracos como a sua mãe.

Mal conseguia respirar. Meus pulmões queimavam. Pareciam estar se liquefazendo. Levantei minha mão esquerda levemente tentando afastar Chris. Um facho de luz azul saiu de minha mão e o atingiu com força. Espalmei meu corpo no chão. Minha respiração aos poucos voltava ao normal. Addam se arrastou para ficar ao meu lado. Ele mordeu seu pulso e o colocou em meus lábios.

– Você precisa beber isso Litza. Chris poderia tê-la matado. O veneno de um vampiro pode ser mortal para uma Ninfa, por isso havia muitas desavenças no passado e só com muito diálogo conseguimos conviver civilizadamente com as Ninfas. Por isso no começo, hesitei em ficar com você.

– Eu não posso beber seu sangue Addam.

– Você tem que beber Litza. Eu não sei se você vai sobreviver a esse veneno se beber meu sangue, mas se não beber, praticamente não terá nenhuma chance.

– Se eu beber, me torno uma vampira, como Mark.

– Não. Se torna uma híbrida. Metade vampira, metade ninfa. Não é tão ruim assim ser um vampiro e você sempre tem uma opção de escolha. Você pode viver como meus irmãos e eu, não precisa viver como Mark.

– Eu te amo Addam

– Eu te amo Litza, por favor, beba.

Adam pressionou seu pulso em meus lábios e eu bebi. Seu sangue era doce e suave. Ele descia deliciosamente pela minha garganta, aliviando o que restava da queimação em minhas veias. A ardência se suavizou e um atraente frescor tomou seu lugar.

Addam puxou bruscamente seu pulso de meus lábios.

– Me perdoe Liz. Pedi para você parar, mas você não me ouvia.

– Desculpa.

– Não se desculpe anjo, isso é normal. Foi sua primeira vez.

– Addam, você precisa voltar agora. Olhe! – apontei para uma luz que vinha do meio da densa floresta. – O portal está aberto.

Ele se levantou e me puxou junto a ele.

– Vamos. – disse Addam. Hesitei e ele me olhou confuso.

– Não posso ir ainda. Rehael está preso aqui em algum lugar. Preciso encontrá-lo.

– Não vou deixar você arriscar a sua vida por um Caído.

– Ele arriscou a vida dele por mim.

– Litza…

– Ele poderia ter me matado por duas vezes e não o fez.

– Não fez porque quer você.

– O motivo não me importa Addam. Por favor, eu preciso fazer isso.

Seus olhos demonstravam a angústia que ele sentia ao me deixar sozinha neste lugar sombrio. Ele me beijou pesarosamente. Seus lábios resistiam em se afastar dos meus.

– Addam, o portal vai se fechar a qualquer momento. Eu vou ficar bem, prometo.

– Volta para mim anjo.

– Sempre.

Addam passou pelo portal e ele se fechou. A marca que Rehael havia deixado na palma de minha mão na última vez em que nos vimos, pulsava.

Segui um fraco halo de luz até uma caverna rochosa que beirava a praia. A marca em minha mão começou a pulsar mais forte e senti que estava no caminho certo. Entrei em um dos túneis e vi Rehael acorrentado em cima de uma pedra enorme.

Uma espessa fumaça esverdeada acercava seu corpo. Me aproximei procurando algum ponto fraco na corrente. Rehael estava consciente, mas não conseguia falar. Aproximei minha mão de seu rosto, mas logo recuei ao ver terror em seus olhos. Toquei na corrente e uma forte descarga elétrica percorreu meu corpo me jogando no chão. Respirei fundo e levantei. Lembrei das palavras de Addam sobre meus poderes. Agora que havia me transformado em uma híbrida, metade ninfa, metade vampira. Imaginei que pudesse juntar minhas forças para destruir as correntes. Me aproximei mais uma vez, levantei minhas mãos em direção as correntes, respirei fundo e imaginei o mesmo facho de luz novamente saindo de minhas mãos.

O facho de luz penetrou a espessa fumaça esverdeada e aos poucos ela foi se dissipando. Quando a fumaça se dissipou completamente, Rehael forçou as correntes com seu corpo e elas romperam.

Minhas pernas bambearam e me apoiei na parede rochosa. Rehael veio em minha direção e me tomou em seus braços. Ele olhou profundamente em meus olhos e me beijou. Seu beijo era um doce ácido que queimava deliciosamente cada centímetro do meu corpo. O beijo ficou mais intenso e profundo. Nos deitamos ali mesmo. Rehael estava por cima de mim. Seus beijos me faziam arfar de prazer. Nossos lábios estavam mergulhados um no outro. A imagem de Addam veio em minha mente e não consegui continuar.

– Por favor Rehael, eu não posso.

– Sinto muito Litza, não deveria ter ido tão longe.

– Também me deixei levar.

– Eu te amo Litza.

– Meu coração é do Addam.

– Eu sei.

– Uma parte do meu coração também é sua Rehael.

– Acredito nisso Litza. Obrigado por me tirar daqui. Vejo que você já desabrochou. Está mais bonita, mais mulher.

– Eu preciso de um favor, me ajuda a volta para casa?

– Jamais poderia lhe negar isso Princesa. – Rehael fez um rápido floreio, me pegou pelas mãos e bateu asas, me erguendo do chão, e quando estávamos a uma altura considerável, ele me soltou.

O baque do meu espírito com meu corpo foi forte. Gritei quando abri os olhos. A cegueira momentânea apareceu novamente.

– Addam! – gritei. – Addam?

– Estou aqui, Anjo.

– Eu ainda não consigo enxergar.

– Você passou muito tempo no Mundo Longínquo, procure relaxar, em breve sua visão vai voltar normalmente.

– Lykke?

– Sim sou eu Litza. Tenho uma novidade muito boa. A Wendy não está mais sob o efeito da hipnose de Chris. Ela já está até com outra aparência, em breve você poderá vê-la. Zahra e Sophie estão cuidando dela.

– Obrigada, não tenho como agradecer mais a vocês. – agradeci. – Vocês poderiam me dar licença agora? Preciso falar a sós com Addam.

– Amanhã Aeryn vai a julgamento e você deverá sentar-se pela primeira vez na cadeira do Conselho que foi designada a família Zamerov. – disse Petter.

– Estarei lá Petter, mais uma vez obrigada.

Minha visão já estava quase totalmente focada. Petter acenou com a cabeça e partiu com os demais. Eu agora posso chamá-los de amigos. Tenho uma nova família. Wendy está comigo novamente. Achava que não teria o que temer, até prestar atenção na expressão do rosto de Addam.

– O que foi?

– Preciso te contar uma coisa. Não vai ser fácil, mas não consigo mais viver assim.

– Diga, seja o que for.

– Estou indo embora para a Sociedade das Sombras de Dublin.

– Dublin? Irlanda?

– Anjo eu…

– É por causa de Rehael. – não foi uma pergunta, mas Addam respondeu mesmo assim.

– Não é só por ele. Você é minha vida Litza, mas eu não posso suportar saber que apenas metade do seu coração é meu.

– Eu jamais pensei que alguma vez fosse falar isso, mas eu não quero te ver nunca mais Addam. Adeus.

Addam saiu do quarto.

A forte dor que atingiu meu peito, fez escorrer uma lágrima de meus olhos. Minha visão parecia meio turva. Meu coração congelou e minha capacidade de amar, se esvaiu.

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