Amy Bradley e o Fantasma do Lenhador [FINAL] – Sangue por Redenção

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Corri até chegar no campus. O coração batia tão forte que parecia querer saltar do peito. Respirei fundo quando cheguei a um local um pouco mais movimentado, afinal, não poderia parecer uma completa louca, né?

Recompus meu cabelo o melhor que pude e segui para o outro lado do campus, à nordeste, onde ficavam as repúblicas universitárias de Painville. Não foi difícil encontrar a casa da Ângela, primeiro andar, fachada branca e lilás (garotas estranhas essas!), um caminho de pedras com flores bem cuidadas e alguns carros na calçada. Subi os batentes para a varanda saltando e bati à porta. Uma menina abriu, pareceu bem distraída com seu iPod, mas ao me ver arregalou os olhos.

– Bom dia, esta é a cada da Ângela? – falei, dando o melhor sorriso que podia. A garota arregalou os olhos e fechou a porta gritando.

– AAAHHHH! ÂNGELA! – ouvi através da porta. – SAMARA, AQUELA MENINA DO CHAMADO ESTÁ TE PROCURANDO!

Eu não pude deixar de rir de verdade com essa frase. Eu não estava tão esquisita assim, nem de branco eu estava vestida! Apesar do pouco musgo que ficou na roupa enquanto fugi do fantasma alucinado, não havia quase nada de errado com minha aparência.

– Samara? Como assim, Lia? – Ouvi a voz da Ângela se aproximando da porta. Em seguida ela a abriu e sorriu ao me ver. – Ah! Amy! Chegou cedo!

– Bem, sobre isso… Vim mais cedo para averiguar algumas coisas e fiquei livre antes do que pensei. – Falei com ênfase em “coisas”, e Ângela percebeu. Rapidamente me puxou pelo braço, deixando-me desconfortável com o contato, e levou-me pela sala.

– Lia, essa é Amy, – Ângela me apresentou para a garota que abrira a porta para mim, ela era da altura da Ângela, tinha cabelos castanhos cacheados e brilhantes, parecia uma daquelas garotas que você encontraria mascando chiclete usando um par de quad* em uma praça, fazendo manobras artísticas e bem popular. – Ela é a irmã mais nova do Tom.

– Na verdade, sou gêmea… – corrigi. Não sei se é pela altura do Tom, ou por ele andar sempre com amigos e ficantes mais velhas, as pessoas cometiam esse pequeno erro de dedução ao saber nosso parentesco.

– Oh. Desculpe ter batido a porta na sua cara. – Lia falou me olhando de cima a baixo sem nenhum constrangimento ou escrúpulo – Você parece muito com seu irmão, einh! Apesar da pegada mais punk metal ser dele e a sua mais Heavy. – Abriu um sorriso cintilante para mim e estendeu a mão para apertar a minha. – Prazer! Vocês são muito bonitos!

– Ah, – ruborizei – o…obrigada! – gaguejei e Ângela riu com a expressão questionadora de Lia.

– Amy é muito tímida, não é dada a elogios como o Tom, que elogia a si mesmo a cada dez minutos. – Explicou – Agora vamos! – Falou puxando-me novamente, desta vez escada acima. – Conversaremos melhor em meu quarto. – Explicou quando já estávamos no primeiro andar.

– Ângela, descobri uma coisa muito estranha! – Falei, enquanto ela abria a porta do terceiro quarto do corredor.

– Sim, o que você veio fazer aqui mais cedo? Tenho certeza que foi investigar o Lenhador, mas eu falei para não ir sozinha.

– Era preciso colher algumas informações no local. – Expliquei. – De qualquer forma, entrei na trilha que você explicou, mas lá na frente eu me perdi, pois a trilha bifurcava! – Expliquei, enquanto ela me fazia sentar na beirada de sua cama. – Encontrei as ruínas de uma outra casa e lá haviam algumas fotos. Mas o que realmente descobri foi outro fantasma!

Ângela ficou me olhando boquiaberta e assustada. Então contei toda a história do fantasma louco, desde sua paixão pela mulher até o assassinato e incriminação do Johan Jonatan Midelton. Ela abraçou os próprios braços, assustada e arrepiada. Contei tudo, até o momento que ele tentou me atacar com sua força sobrenatural.

– Então, quer dizer que o Lenhador não assassinou a família! – Ela constatou de olhos arregalados. – Mas por que ele vive me assombrando? Eu não consigo entender!

– Eu também não, Ângela. – Falei. – Mas acho que chegou a hora de tentar convidar seu fantasma para bater um papinho, sabendo que ele não é um assassino.

Ângela não disse nada, apenas balançou a cabeça afirmativamente com os olhos cheios de lágrimas. Sentei-me tranquilamente no chão e pedi para que ela concentrasse os pensamentos no Lenhador, para que ele se sentisse convocado. Era visível que ela estava assustada, mas era necessário que aquilo fosse feito, para que ela superasse aquilo e para que ele fosse liberto.

Em instantes a imagem barbada tremulou à nossa frente. Ele parecia confuso e assustou-se ao me ver. Olhou para Ângela que parecia chorar e para mim com certo receio. Fez menção de ir embora, então tive que falar.

– Espere! Não farei mal algum. – Disse. – Estou aqui para ajudar na comunicação entre vocês.

– O que o senhor quer de mim? – Ângela finalmente falou, o olhando com súplica. O olhar dele era tão tristonho e pesaroso que parecia que iria chorar.

– Perdão é necessário. Mas não do meu lado. Quem é culpado? Pessoa ou sangue é o que redime. Não posso dizer, mas é isso que me prende. Eu não sinto dor, mas a dele é profunda e nem percebe. Apenas com perdão há libertação e é apenas isso que espero. – Ele falou, a voz grossa e intensa, rústica, como deveria ser a voz de um lenhador. Ângela, porém, olhou para mim com as lágrimas transbordando.

– Eu sei que ele está falando, mas não consigo ouvir. O que ele falou, Amy?

– “Perdão é necessário. Mas não do meu lado. Quem é culpado? Pessoa ou sangue é o que redime.” – citei, enquanto ele balançava a cabeça afirmativamente – “Não posso dizer, mas é isso que me prende. Eu não sinto dor, mas a dele é profunda e nem percebe. Apenas com perdão há libertação e é apenas isso que espero.”

– Eu realmente não sei do que ele está falando! – Ângela chorava, olhando para ele com pesar.

– Eu acho que sei… – falei. – Ele precisa que o outro cara lá da floresta peça perdão para redimir-se e libertar de ambos as almas. Mas aquele cara se recusa… “Pessoa ou sangue é o que redime”… – raciocinei. – Se o homem já morreu, não pode encontrá-lo, porque mesmo nesta dimensão, há planos diferentes para cada espírito. O sangue pode ser um sacrifício… – Ele negou com a cabeça. – Ou algum descendente. – Falei vendo-o afirmar.

– Como podemos arranjar um descendente? Nem sabemos se ele teve algum! – Ângela disse. – Qual o resto da frase?
– “Não posso dizer, mas é isso que me prende. Eu não sinto dor, mas a dele é profunda e nem percebe” – falei – Neste caso é apenas a confirmação, eles estão presos aqui até conseguir o perdão. Mas o outro sente uma profunda dor sem perceber… A loucura da alma! – Ângela arregalou os olhos quando eu disse isso. – “Apenas com perdão há libertação e é apenas isso que espero.” Então ele está apenas aguardando o pedido de perdão para ele mesmo diga que perdoa, pois sei que ele já não guarda mais ressentimento.

O lenhador olhava ainda para Ângela, suplicante e tristonho. Ângela o encarava de volta sem saber o que fazer. Era um beco sem saída. Teríamos que procurar na internet tudo sobre esse homem, para fazer uma pesquisa geral de quem tinha o sobrenome dele, e isso poderia levar dias! Era bastante complicado.

Eu estava buscando um meio de começar essa pesquisa, quando a porta se abriu de repente e Lia pôs a cabeça para dentro.

– Ei! Miss Gerard, você vai querer um pedaço da lasanha que fizemos para o almoço? – Perguntou com o sorriso comum. Nem percebeu que Ângela estivera chorando. – Nossa, esse quarto está frio einh? – Falou e o lenhador desapareceu.

– Er… – Ângela gaguejou. – Não, obrigada, Lia. Mas vou sair com a Amy.

– Você quem sabe! – Falou fechando a porta novamente. Eu estava de queixo caído ainda, tentando recuperar a respiração.

– E agora, Amy? Ele foi embora e não sabemos por onde começar! – Ela falou olhando para mim.

– A… Ângela! Seu sobrenome é Gerard? – Falei.

– Sim…- ela disse dando de ombros – O que isso tem a ver?

– Bom, isso tem tudo a ver, considerando que o fantasma ensandecido da floresta disse chamar-se Nicolau Gerard. – Expliquei para ela, vendo a cor sumir de seu rosto.

– Mas… Mas esse é o nome do meu avô! – Ela disse. – Nunca o conheci, ele se divorciou da minha avó e sumiu, nunca mais deu notícias. Minha avó cuidou da minha mãe e de meus tios após isso e nunca mais procurou saber dele, até que um dia chegou a notícia que ele havia morrido de ataque cardíaco, dez anos depois do divórcio. Ela já estava calejada demais para qualquer coisa e como ele nunca deu as caras após o divórcio, não foi mais atrás.

– Então Ângela! Nós já temos a chave! Só precisamos que você fale com seu avô e o faça sentir o arrependimento pelo que fez, para que finalmente você possa transmitir a mensagem para o nosso amigo Lenhador. – Falei a ela enquanto ela negava com a cabeça.

– Não posso fazer isso! Você disse que ele é louco e tentou te matar!

– Mas se você disser que é neta dele, talvez isso ajude! – Expliquei. – Apesar de tudo, é o sangue dele que corre em suas veias e ele precisa se libertar! – Pressionei. – Você gostaria de saber o resto da vida que o espírito do seu avô está aprisionado nesse mundo por um erro que cometeu há mais de 70 anos e até quem sabe quando um descendente dele vá libertá-lo? O lenhador também está preso!

Ângela franziu os lábios mas finalmente cedeu. Pegou o casaco e descemos correndo para ir em direção à floresta.

 

 

Não foi difícil encontrar o caminho para a casa de escombros, Ângela disse que da outra vez não percebera esta bifurcação na trilha e que todos ignoravam esta área, porque se soubessem, certamente aplicariam trotes ali também. Então fomos em frente, cada vez mais temerosas que o fantasma do avô de Ângela nos atacasse. O sol estava a pino do pleno meio dia, a copa das árvores no protegia do pior. Seguimos em frente até chegar ao local.

Os pedaços da casa estavam mais espalhados, provavelmente restos do ataque dele a mim. Respirei fundo e tomei coragem, sem nos aproximar muito das ruínas, olhei para Ângela e resolvi chamá-lo.

– Olá! – falei para o nada – Senhor Nicolau, tem alguém aqui que gostaria de falar com você! – Expliquei. – Vim em paz.

– Ora, ora, a garotinha voltou. – Ouvi a voz dele na direção da casa. Ele estava na frente da fachada destruída. – E trouxe uma amiguinha para morrer com você…

– Ora, calma, calma, senhor… – falei tentando ser o mais pacífica e gentil possível. Ângela estava completamente arrepiada ao meu lado, mas parecia não vê-lo. – Não reconhece a própria neta?

– Mentirosa! – Ele gritou andando até nós, os olhos desvairados e raivosos – Minha família nem se lembra de mim! Abandonaram-me! Deixaram-me só!

– Ângela, preciso que você comece a contar a sua história para ele… – Sussurrei para ela. – Ele não acredita que seja seu avô.

– Vovô… – Ela falou e ele franziu o rosto como se não acreditasse na palavra. – Eu sou sua neta, Ângela… Sou a filha de sua filha, Natali, lembra dela? – Ela disse e ele irritou-se.

– Que garotinha mentirosa! De onde você a tirou para vir até aqui mentir para mim? – Ele falou com ódio supremo.

– Continua a falar Ângela. – Incentivei, pois ela não poderia ouvir os apelos negativos do homem.

– Há sessenta anos o senhor deixou minha mãe, meus tios e minha avó… – Ela tremia, sabia que podia sentir a energia horrível do fantasma a nossa frente. – Ela não o perdoou na época… Ela precisava cuidar de três crianças pequenas, sozinha…

– Agora vocês duas vão morrer. Porque simplesmente não posso acreditar nessa sua historinha mentirosa. – Ele falou e começou novamente a erguer os cacos e pedaços de madeira para atirar em nós.

– Ângela, feche os olhos e continue falando, por favor. Ignore qualquer coisa que ouvir, apenas conte tudo. – Falei firme e Ângela segurou minha mão enquanto fechava os olhos fortemente.

– Quando ela soube que o senhor faleceu, ela não veio até seu enterro, ainda estava magoada, ainda sentia muito por ter nos abandonado… – Ângela disse e ele estava se aproximando cada vez mais de nós. Tudo estava apontado para nós, e eu sabia que em instantes ele iria atirar contra nós toda a raiva que sentia. – Mas vovô, ela ainda te amava! E ainda ama! Ela nunca mais se casou, ela sempre disse que apesar do seu coração não pertencer a ela, o dela sempre foi seu. E lamenta não ter lutado por isso. Mas que iria te esperar nessa ou em outra vida, quando finalmente pudesse se unir a você novamente…

– Chega! – Ele bradou lançando as farpas. “É o fim!” pensei.

– Ela não quereria que você estivesse preso aqui vovô, e por isso eu o perdoo, e ela também. Por nos ter deixado, por ter matado toda uma família. Nós o perdoamos. – Ângela falou, com os olhos se abrindo para ver todos os pedaços de escombros nos cercando congelados, a centímetros de nós. Seu avô estava paralisado, como se tivesse sido golpeado com as palavras dela.

– Eu… – Ele tentou falar. – Me sinto estranho. – Parecia confuso.

– Ângela, termine… – sussurrei urgente.

– Vovô, gostaria de poder te ver… – Ela dava livre curso às lágrimas – Senti a falta da sua presença na minha vida até hoje, mas tudo bem… O senhor nos ensinou a ser fortes e lutar para sobreviver e viver neste mundo…

Eu observei enquanto todos os pedaços flutuantes caiam por terra e o homem abaixava os braços, impotente. A loucura abandonava seus olhos e ele parecia mais… Claro.

– Eu não pensei… – ele balbuciou – eu não pensei em nada quando fiz isso… Não achei que… – Ele parecia prestes a chorar e eu apertei a mão de Ângela encorajando-a a falar.

– Então, vovô, somos gratos por nos ter ensinado a batalhar, mesmo que inconscientemente, o senhor nos fez ser uma família grande, próspera e feliz… – Enquanto ela pronunciava as palavras, o homem à nossa frente ajoelhava-se chorando.

– Eu… Eu só pensei em mim… – falou, e Ângela arregalou os olhos. – Minha pequena neta… Você parece tanto com sua mãe…

– Dizem que ela parece com você… – Ângela respondeu, o que me surpreendeu. Jamais havia visto uma pessoa “comum”, sem meu dom, respondendo a um espírito, que aparentemente até uns minutos atrás não podia ver ou ouvir. Na verdade só encontrei mais duas vezes pessoas com o mesmo dom que eu e, mesmo assim, nunca havia acontecido da pessoa de uma hora para outra conseguir.

– Oh, minha pequena Ângela… Me… – Ele fazia força para falar, chorava com uma dor intensa e visível. – Me… Eu peço… – Ele não conseguia dizer.

– Sim… – Ângela sussurrou soltando minha mão e se ajoelhando à frente dele.

-Perdoe-me! – Ele conseguiu falar, lançando-lhe um olhar não mais louco, mas de puro arrependimento. – Me perdoe por toda a dor que causei a quem quer que eu tenha ferido nessa vida!

– Sim! – Ela falou, embora não pudesse abraçá-lo, como eu podia tocar os espíritos, ela estava próxima a ele, ambos chorando emocionados. – Eu o perdoo. E também pedirei perdão ao Lenhador em seu nome.

– Lenhador… – Ele falou, a expressão ficando sombria e me deixando com medo de todo o progresso ter sido em vão. – Estou pronto para ser punido pelo que fiz àquela família. É a hora… – Levantou-se e olhou para mim, enquanto Ângela também se erguia. – Senhorita, obrigado. – Falou para mim, com um cumprimento de cabeça. Adeus minha pequena neta, diga a sua mãe que a amo.

Dizendo isso, ele inclinou-se, como se fosse beijar o topo da cabeça de Ângela e desapareceu no ar. Ela ficou lá parada, chorando por um tempo, enquanto eu aguardava que ela se recuperasse. Ainda tínhamos que visitar o chalé do Lenhador. Depois de alguns minutos, ela se acalmou e virou-se para mim. Em silêncio seguimos para a trilha principal e entramos na outra, que levava a casa Midelton.

Chegamos ao chalé do Lenhador depois de 15 minutos de caminhada. E percebi movimentação dentro da casa. Aproximamo-nos silenciosamente e notei duas crianças correndo lá dentro, sorrindo e brincando. Uma mulher sorria ao observar as crianças e notei finalmente que eram as crianças e esposa do Lenhador. Talvez antes não pudessem se ver, e agora podiam ficar juntos.

Ângela bateu à porta e abriu, como se pedisse licença. A mulher e as crianças estavam assustadas olhando para nós e então o Lenhador surgiu, vindo da cozinha. Todos pareciam bem felizes, mas assustados, exceto ele, que já sabia o que viria.

– Diga a eles que seu avô perde perdão por tudo. – sussurrei para ela, enquanto os quatro espíritos à nossa frente nos encaravam, aguardando.

– Eu sou a neta de Nicolau Gerard… – Ela falou, baixinho, com medo. Os quatro se juntaram, um abraço familiar, as crianças na frente de ambos. – Vim em nome dele pedir-lhes perdão por… Tudo. – falou. Todos fecharam os olhos juntos, sorrindo, como se um suspiro de relaxamento fosse emitido pelos quatro em uníssono. Desapareceram, mas no ar ficou um som que parecia “Obrigado”.

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Nosso caminho de volta foi silencioso. Ângela ainda chorava com todo o ocorrido, a luz do sol vinha através das árvores, um sábado à tarde com um trabalho que custou muito para uma de nós. Mas agora um avô e uma família seguiam seus caminhos, para onde quer que tenham que ir. Embora o senhor Gerard tenha falado em pagar pelos atos, sei que deve ser uma lição a ser aprendida para ele.

Quando chegamos à república novamente, estávamos suadas, cansadas e Ângela possuía uma carga emocional gigantesca que parecia tê-la envelhecido. Paramos em frente à casa e ela olhou-me com um meio sorriso.

– Obrigada Amy. – falou. – Sem você eu jamais teria descoberto tanto e seria atormentada pelo Lenhador o resto da vida.

– É apenas… – eu ia falar “o meu trabalho”, mas ela não parecia precisar que uma garota três anos mais nova falasse como uma profissional. – o que sei fazer. – Concluí, pois eu não tinha amigas e não sabia bem como agir neste caso. – Vai ver o Tom hoje? – Perguntei, tentando sair desse clima pesado.

– Ah, isso… – Ela falou com um meio sorriso, agora. – Não. Acho que preciso pensar um pouco por um tempo. E acho também que o Tom e eu não seguiremos pelo mesmo caminho depois que eu pensar…

– Entendo. – Falei, já sabendo que Tom, a esta hora, estava em alguma farra com amigos e como reagiria por ser rejeitado. Nas raras ocasiões que vi acontecer, ele não lidou muito bem com a rejeição.

– Apareça para comermos doces e conversar besteiras, Amy! Foi bom ter ganhado sua amizade. – Ângela disse me dando um abraço, o que eu não esperava, então retribuí desajeitadamente.

– Tudo bem então. Adeus. – Falei indo em direção ao metrô.

– Adeus e obrigada! – Ângela disse acenando – Espera! – Falou correndo em direção a casa. Pouco depois voltou sorrindo. – Isto é pra você, por ter me ajudado!

– Ah, obrigada… – Falei analisando a capa de um livro que ela me dava. O desenho de uma menina de cabelos pretos sorria misteriosamente com duas imagens cinzentas atrás. – Não precisava…

– Achei a sua cara! – Ela disse rindo. – Essa escritora é boa, Meg Cabot.

– Obrigada mesmo. – Tive que sorrir e fui para o metro.

No caminho para casa li as primeiras páginas do livro de alguém que tinha uma vida parecida com a minha e começava a perceber que eu tinha feito uma amizade de verdade. O ônibus parou e percebi que estava feliz por ser quem eu sou e por fazer o que faço. Sorrindo, entrei no meu “lar, doce lar” – por enquanto – e fui terminar a leitura em meu quarto.

Fim – Por Enquanto…

*QuadTipo de patins, utilizado geralmente em roller derby, patinação artística ou hóquei.

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Então, queridos leitores, o que acharam desta parceria? Comentem, digam o que acharam!
Não se preocupem, Amy volta em breve e com muito mais aventuras!

Esperamos que tenham se divertido e assombrado com nossa história!
Carinhosamente, Gabi Waleska e Saul Guterres.

6 comentários em “Amy Bradley e o Fantasma do Lenhador [FINAL] – Sangue por Redenção

  1. Adorei !!
    Então a Amy é uma ghostbuster! Showwwwwwwww!
    Chorei aqui, mas abafa o caso!
    Ainda bem que esperei pra ler tudo de uma vez hihihihi!
    Muito bom mesmo, melhor do que imaginei!
    Parabéns Saul e Gabi!

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