In the depths of her soul (Pt. 01)

Escrito por Natasha Morgan.

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Ele estava ansioso naquela noite, andando de um lado para o outro da calçada mal iluminada, apertando a pequena protuberância em seu bolso esquerdo. Seus olhos claros vagavam pela rua, ansiosos. O cabelo seboso penteado com esmero num corte descolado de última moda.

Estremeceu quando o vento frio o açoitou, vindo das profundezas da rua escura. Aquela era uma noite fria, talvez a mais fria de Montana. E o inverno nem havia chegado ainda.

Um farfalhar por detrás da floresta o assustou, fazendo o garoto se virar bruscamente em direção ás árvores sombrias. Os olhos arregalados tentando enxergar por trás daquele breu. Assustado, fitou o céu toldado de negro.

A lua era a única fonte de luz, tendo a imensidão do céu a todo seu dispor. Não havia estrelas para dividir seu brilho. Era apenas ela, honrosa e majestosa lua. Esbranquiçada e cintilante em toda sua elegância fria.

O garoto se perdeu naquela visão, deixando-se ser seduzido pela noite selvagem.

– Hank!

O som de seu nome o tirou bruscamente daquele devaneio tresloucado. Ele se virou para o outro lado da rua, encontrando um par de olhos confusos.

– O que está fazendo aí olhando para o nada? – o rapaz perguntou, aproximando-se com seus outros três amigos.

Hank pareceu se tocar de onde estava, recuperou a postura.

– Vocês demoraram! Fiquei aqui esperando sozinho nesse lugar horroroso. – resmungou.

– Tem medo do escuro? –provocou um dos caras, rindo.

Hank o mirou com raiva e o idiota foi logo baixando a bola.

– Tivemos um pequeno contratempo. – o rapaz de olhos castanhos explicou, tirando um pequeno saco pardo do bolso. – Tive que esperar por essa belezinha!

Ele revelou a garrafa de Rum.

Os garotos uivaram, comemorando.

O mais baixinho tomou a garrafa das mãos de Olhos Castanhos e a virou um gole longo, apreciando a bebida arder em sua garganta.

Hank o olhou feio, apanhando a garrafa para si e dividindo entre o restante do grupo.

– Não temos tempo para isso! – disse ele, limpando os beiços com as costas da mão. – Devemos logo seguir à diante. Esta noite não é para brincadeira.

– É. Queremos tetas e bundas! – concordou o mais novo, já bêbado.

– Não se trata disso! – Hank olhou feio para o menino. – Queremos grana!

– Mas o que vier de mais é lucro, não é mesmo? – o menino insistiu em seu olhar malicioso.

– Relaxem vocês dois. – Olhos Castanhos interferiu, sossegado. – Vamos todos nos divertir. Meu irmãozinho, Hank não quer violência desnecessária.

O menino pareceu chateado.

– A prioridade é a grana. – Hank falou e seus olhos brilharam. – Vamos entrar, pegar o dinheiro e cair fora.

Todos assentiram em concordância.

Fazia um tempo que estavam rondando aquele bar, analisando os horários e o movimento constante que entrava e saia. Montana contava com muitos bares noturnos, muito prósperos, mas nenhum deles se comparava àquele. O grupo de assaltantes tinha escolhido bem seu alvo e feito o dever de casa.

O plano era simples: Invadir o local, anunciar o assalto, pegar o dinheiro e se mandar. Nada de violência ou estupro, como o mais novo do bando estava ansioso para ter. Era uma simples questão de grana. Dinheiro vivo! Fácil.

Com um aceno, Hank chamou sua turma e começaram a seguir a rua escura em direção ao movimento quente da cidade. Como líder, ele se mantinha calmo e pomposo. Mas por dentro podia sentir seu coração martelando no peito. Já fazia tempo que não entrava em ação. Muito tempo… E realmente tinha saudades de toda aquela adrenalina.

Uma sorte que aquela noite iria novamente abraçar a aventura.

Eles pararam na calçada em frente o bar, analisando a faixada acesa. Já passava da meia noite, o que indicava que estavam quase fechando, embora ainda houvesse pessoas lá dentro.

Hank terminou de fumar seu cigarro tranquilamente, observando as janelas ao longe. Sua postura de bandido era despojada, as calças largas caindo no meio da bunda, tênis grandão, camiseta rasgada e jaqueta jeans puída.

Seus colegas se mexiam, inquietos ao seu lado. Talvez ansiosos demais.

Ele puxou o revolver que levava no bolso.

– Vamos lá, pessoal.

Eles partiram, atravessando a calçada e adentrando o bar.

Lá dentro estava muito melhor, o calor aquecia o frio da noite trevosa. As poucas pessoas que havia dentro do bar olharam de esguelha quando eles entraram, esticando-se de suas mesinhas confortáveis para espiar os intrusos. Além do calor, a iluminação era também reconfortante, assim como o cheiro de pão recém- assado e vinho quente.

Hank se aproximou de um casal sentado próximo à porta e apanhou um pãozinho de sua cestinha. A mulher o fitou surpresa, indignada com a falta de educação. Ele lhe deu uma piscadinha, apreciando o colar de diamantes que ela usava.

Seus meninos se divertiam, observando as outras duas mesas ocupadas, roubando taças de vinho e pequenos pãezinhos. Pelo canto do olho podia ver a clientela desconfiada, receosa com a presença deles.

De trás do balcão da cozinha viu o maldito cozinheiro observando curiosamente. Quando seus olhares se encontraram ele deu um sorrisinho perverso. Maldito viado! Hank se incomodou imediatamente, pronto para anunciar o assalto e mandar para o inferno aquela corja maldita de aberrações. Mas seu olhar captou o movimento por trás do caixa, uma mulher o observava.

Uma mulher estonteante, ele tinha que admitir. Já a havia visto de longe algumas vezes, mas nunca percebera a dimensão de sua beleza. Naquela noite usava um vestido azul agarrado ao corpo bem feito, bem convidativo em seu decote. A cabeleira loira espessa e encaracolada que chegava à cintura fina.

Numa fração de segundos, seus planos mudaram drasticamente. Aquela mulher instigou seus instintos mais secretos, despertando o desejo pútrido adormecido. Seu monstro interior ganhou poder, despertando bruscamente e endurecendo seu membro dentro da calça.

Hank observou bem a mulher, admirando muito mais do que aquele vestido permitia. Seus lábios se abriram num sorriso malicioso.

– Mudei de ideia. Façam o terror reinar. – ele disse, alto o bastante para seus amigos ouvirem. E então anunciou o assalto.

As pessoas ameaçaram se levantar, assustadas. Mas seus garotos os impediram, ameaçando-os com os facões que carregavam.

Hank se concentrou na loira à sua frente. Ela não parecia muito assustada, encarava-o com impetuosidade. Aquilo o irritou profundamente. Num acesso de loucura e ansiedade, agarrou-a pelos cabelos e a apertou contra seu corpo, esfregando-se um pouco naquelas curvas convidativas.

– Relaxa, queridinha. Isso não vai machucar muito. E você até vai gostar…

Ele a beijou com força nos lábios, exigindo uma resposta.

A loira ofegou tão logo sua boca foi liberta, respirando com dificuldade. Seus olhos lacrimejaram em asco quando o sentiu tocar seus seios por cima do vestido.

– Você realmente não sabe com o que está mexendo… –ela conseguiu dizer em meio ao pânico.

Hank lhe deu uma bofetada e a jogou sobre uma das mesas vazias.

– Fechem as portas! Peguem todo o dinheiro do caixa! E o restante, assistam meu espetáculo. – ele bradou as ordens aos seus chacais, enquanto segurava a mulher imóvel sobre a mesa.

Seus seguidores se apressaram em fazer o que ele mandara, escolhendo entre os poucos clientes as mulheres que desejavam naquela noite. Seus olhos eram maliciosos e lunáticos.

– Quanto a você, meu amor, vou lhe dar uma foda incrível para nunca mais esquecer. – Hank sorriu para a loira e começou a mexer na braguilha de sua calça.

*-* *-*

Ela sabia que havia alguma coisa errada antes mesmo de ouvir o pequeno gemido de Erin.

Estava nos fundos, ocupada com as caixas de bebidas quando sentiu aquela ondulação em sua espinha que sempre sentia quando a lua atingia seu ponto máximo. Estava sendo super difícil manter o controle naquela noite, trabalhar sem expressar nenhum tipo de emoção turbulenta. Mas estava contente que o expediente estava quase acabando… Até ouvir Erin gemer.

Ela parou o que estava fazendo, aguçando seus instintos mais primitivos. O som do medo veio numa onda forte da frente do bar, trazendo não apenas o lamento de sua melhor amiga, como também o pânico dos poucos clientes que estavam terminando sua agradável garrafa de vinho.

A garota levantou-se de onde estava abaixada, inspirando o ar ao seu redor. O aroma de Rum apodrecido empesteou seu nariz, provocando ânsia. Mas com o cheiro podre veio também um aroma apetitoso… Sedutor.

Seus olhos escuros se voltaram para o pequeno corredor, fixando-se na cozinha logo ao lado. Hugh estava lá, agarrando-se ao balcão de mármore, ofegante. Seus olhos se encontraram, os dele dourados e dilatados. Podia sentir o calor dele chegar até ela, instigando seus próprios instintos selvagens.

– Erin… – Hugh gemeu, apontando com a cabeça para o bar.

Ela assentiu uma vez. E deixou cair qualquer resistência que ainda a prendia à humanidade.

Fechou os olhos, sentindo o comichão passar por todo seu corpo, elevando cada pelo num arrepio extasiante. O calor tomou conta de sua alma, ameaçando incendiá-la. O sangue ferveu em suas veias, bombeando forte em seu coração agitado.

Ela abriu os olhos e o negrume de antes se tingiu de um dourado único.

A dor a atingiu em cheio, fazendo-a se curvar e soltar um silvo agudo. Sua espinha se alongou em estalos altos, ameaçando sair sob a pele cor de marfim. Ela cravou as unhas pontiagudas no piso, arranhando a madeira enquanto a agonia a dominava por inteiro. Suas presas cresceram dentro da boca, afiadas a ponto de cortar a língua. As orelhas ganharam um formato pontiagudo, cheia de pelos. Os seios sumiram por baixo da blusa de renda, as pernas se contraíram dolorosamente e envergaram, tornando-se mais grossas, fortes e musculosas.

Ela jogou a cabeça para trás num urro aterrorizante e então o monstro explodiu para fora de seu ser, deixando para trás nada além dos trapos rasgados que um dia foram suas roupas.

A besta emitiu um ronronar horrendo, olhando para o homem curvado na cozinha, e então urrou, exibindo a bocarra cheia de dentes horrendos.

*-* *-*

O som assustador reverberou por todo o estabelecimento bem quando Hank estava quase conseguindo despir de vez aquela loira gostosa que lutava com todas suas forças para se libertar.

Ele congelou onde estava, sentindo todos os ossos de seu corpo se petrificarem.

Mas que porra era aquela? Seus olhos se voltaram para o fundo do bar.

A loira se aproveitou daquele momento para se jogar em baixo da mesa, assustada com o que quer que fosse aquela porcaria.

Os outros assaltantes também congelaram, olhando para o outro lado, assustados.

Hank segurou firme sua arma, apontando-a naquela direção.

Mas ninguém estava realmente preparado para o que iria sair de lá.

A besta emitiu mais um uivo estridente antes de irromper pela portinhola da cozinha. Seu salto não foi nada elegante, arrastou qualquer coisa que estivesse em seu caminho, fazendo o maior estrago no balcão rústico do estabelecimento.

As pessoas gritaram, horrorizadas com o monstro negro.

Mas a besta não estava interessada nos clientes ameaçados, ela voou diretamente para Hank.

O garoto sequer teve tempo de pensar em apertar o gatilho de seu revolver, foi atingido em cheio por aquela coisa, jogado no chão e quase sufocado com o peso imenso do animal. Sentiu os dentes tenebrosos se cravando em sua jugular e estraçalhando sua garganta antes de sua alma se silenciar para sempre.

Ao ver seu líder estraçalhado por aquela besta, o restante dos assaltantes entrou em pânico, largaram os facões e saíram correndo pela rua, gritando sua loucura para a noite fria.

O monstro ergueu a bocarra das entranhas de sua vítima, espalhando sangue pelo chão. Seus olhos de fendas tenebrosas se fixaram na loira encolhida debaixo da mesa. A mulher interrompeu a respiração ofegante, sem ousar mexer um músculo enquanto a criatura a olhava.

O dourado de seu olhar cintilou e a besta voltou sua atenção para a porta aberta do bar. Seu rosnado encheu o ar novamente e ela desatou a correr atrás de sua caça. Passou pela pequena porta de madeira, levando consigo tudo o que estava no meio do caminho, estourando o vidro das janelinhas.

Pelo meio da rua ela correu, seguindo o rastro de medo que lhe era tão apetitoso, passou pelo meio da floresta densa, seguindo seus instintos primitivos e não parou até conseguir alcançar até o último homem vivo naquela campina.

A lua brilhava no céu negro e sem estrelas, iluminando o banquete da besta. E enquanto os outros animais se escondiam em suas tocas, apavorados, ela se deliciava em meio ao sangue e carne, regozijando-se com os gritos de sua presa ainda viva.

Aquela era sua maldição para todo o sempre.

E enquanto mordia, puxava e estraçalhava a carne do humano agonizante, ela uivou para a lua em reverência.

5 comentários em “In the depths of her soul (Pt. 01)

  1. Estou adorando essa história. Ameeeei a parte que foram devorados! *_*
    Já sabia que ia dar merda quando eles resolveram fazer maldade com as mulheres! Adorei!

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