A Herança de Rowena – Magia e Redenção [Prólogo]

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A Herança de Rowena – Magia e Redenção (Livro 1)

Escrito por Gabi Waleska

Prólogo

Em meados do Século X, as antigas religiões já haviam diminuído consideravelmente na Europa e o Cristianismo já imperava. Mosteiros, conventos e grandes abadias situavam-se em cada vilarejo e cidadelas. A Abadia de Santa Brígida era um conjunto de construções de pedra, há muito destruído em meio às guerras, composta por uma capela, casa das madres, casa das noviças, um amplo jardim pela frente e os fundos davam para o pomar e logo atrás, a floresta. O mosteiro dos padres ficava do outro lado do rio, à frente da Abadia, compondo um terreno vasto de 3000 acres. Localizava-se no sudoeste da Grã Bretanha, próxima ao País de Gales e abrigava freiras e noviças que exerciam a devoção à Igreja Católica em meio à vida simples, porém confortável.

Certa noite de Natal, uma mulher enregelada, coberta por um manto escarlate caro e usando um vestido branco em trapos, provavelmente desfeito no trajeto até a abadia, batera à porta da capela, prestes a dar a luz.

Disse chamar-se Morgaine, um nome incomum, que deixou as irmãs da ordem de orelha em pé, e na manhã de 26 de dezembro, pouco depois dos primeiros raios solares clarearem a neve branca e cintilante nos jardins, a menina nascera. O rosto da mãe curvou-se num sorriso terno, os olhos transbordando de amor.

– Grande Mãe! – exclamou ao ver o bebê em seus braços – É uma menina… Em vossa homenagem… É uma menina que honrará teus caminhos. – Sussurrou chorando, dando de mamar à sua pequena jóia.

Tudo foi cuidado para que Morgaine tivesse todo o conforto possível, em meio à simplicidade do ambiente. Mas a Madre Superiora já ouvira aquele termo “Grande Mãe” e sabia que precisava questioná-la. Pois se a mulher fosse pagã, a criança nascida deveria ser batizada para purificação, além de ser o pagamento pela hospitalidade, entregar a criança a Deus e redimir os pecados sob os quais foi concebida. Às vésperas de ano novo, então, a Madre Cosete encaminhou-se à enfermaria, onde Morgaine encontrava-se, ainda fraca demais, no leito, ninando a filha, que nascera rubra como a mãe.

– Devo dizer que ela não possui traços do pai. – Cosete falou, com a voz sem emoção. Morgaine continuava olhando a filha e sorriu.

– Ela é como tem que ser. – Respondeu simplesmente e a resposta apalpou a moral da Madre, que manteve a postura e postou-se ao lado do leito.

-Precisamos de algumas informações, senhora Morgaine, se já que ficarás aqui e sua filha nasceu neste local. – Em resposta ao meneio de cabeça da mulher, ela continuou – Permanecerás em nosso convento? Sim, mulheres que tem filhos podem arrepender-se e dedicar sua vida à Deus, mesmo que nunca vire uma freira verdadeiramente, a partir do momento em que se toma o celibato, pode dedicar-se às tarefas da nossa ordem. Há muito acolhemos pobres, viajantes e doentes e não é incomum mulheres buscarem nossos serviços com Deus para salvarem suas almas de uma vida que não teria salvação.

– Minha alma está segura. – Morgaine respondeu encarando a Madre, sem petulância ou dureza na voz, mas isto as incomodava. A uma era a moral da fé Cristã em jogo, a outra, era o poder que não podia revelar e a devoção que tinha da sua Terra Mãe. – Mas se deseja saber, ficarei apenas até recuperar minhas forças, e então partirei em busca de meu lar, levando minha filha. Sou grata à vossa hospitalidade e não tenho motivos para não recomendá-las, mas não posso ficar por muito tempo, preciso seguir meu caminho.

– E onde fica seu lar? – Perguntou a freira.

– Nas proximidades de Stormville, pouco além das pedras altas.

– E, perdão pela curiosidade, porque viajava só neste estado?

– Estava a visitar meus pais, quando minha vila foi invadida, voltei às pressas para saber o que sobrou, mas tudo estava destruído e meu companheiro desaparecera, provavelmente morto. Estava voltando para a casa dos meus pais quando minha cavalaria fora atacada por bárbaros e tive que fugir, quase fui morta no percurso, mas encontrei esta abadia. É só o que tenho a dizer.

– Foi Deus que nos colocou em seu caminho. – Disse a Madre. – O batizado da criança poderá ocorrer no Dia de Reis. Qual nome receberá?

– Seu nome será Rowena Düdragon. Infelizmente não ficarei até o Dia de Reis, sinto muito. – Morgaine respondeu evasiva.

Cosete emudecida pelo horror do nome pagão, sabia que corvos e dragões eram os símbolos de seus cultos obscuros e sujos, fez o sinal da cruz e sibilou silenciosamente para a mulher.

Uma bruxa, certamente fugida das nossas pregações. Esta criança deve ser fruto dos seus rituais maléficos!” Conjecturou em silêncio, enquanto Morgaine deitava a filha no leito ao seu lado e se acomodava para adormecer.

Madre Cosete riu, como se apreciasse o sono de ambas e levantou-se com o plano traçado. A mulher só alcançaria o paraíso em meio ao arrependimento, e suas palavras não demonstravam algum. Certamente a criança ainda tinha salvação. A batizaria no Dia de Reis com o devido nome Cristão e então poderia dedicar sua vida ao Senhor. Enquanto a mãe, talvez o fogo dos seus cabelos possam tomar seu corpo e só então sua alma ser purificada ou castigada nas profundezas do inferno.

Fechou as portas do quarto e caminhou para a ponte para ter em reunião com o Padre Den, o pároco atual. Ele teria a solução para isto.

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Espero que gostem do prólogo e na próxima semana tem mais!
Beijos, Gabi Waleska ❤

6 comentários em “A Herança de Rowena – Magia e Redenção [Prólogo]

  1. Nossa Gabi, você fica um tempo quietinha aí vem e arrasa, aposto que fica maquinando estas histórias maravilhosas. Adorei a construção muito bem elaborada e o vocabulário rico, sempre aprendo novas palavras com teus contos. Adoro!!!! Parabéns!

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