Sociedade das Sombras: Beijo Eterno (Pt.18) – Guerra

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ADDAM

Não queria ficar em meu quarto, mas também sabia que Litza precisava ficar a sós com Wendy e que Lykke estaria lá para ajudá-la. Minha cabeça dava voltas e mais voltas. Eu deveria ter tentado impedir a entrada de Mark e seu séquito aqui. Essa é a nossa Sociedade das Sombras, aqui temos direitos e deveres a serem cumpridos. Mark é um assassino e mesmo assim Gilly o deixou ficar. Será que ela realmente era confiável?

Saí do quarto e estava indo em direção ao quarto de Litza quando ouvi gritos. A porta estava entreaberta. Quando entrei, encontrei Litza caída no chão e Lykke tentando acordá-la. Wendy não estava.

– Lykke, o que aconteceu com Litza? – perguntei exasperado. – Onde está Wendy?

– Ela e Litza estavam discutindo. Eu me descontrolei e tentei atacar Wendy, Litza gritou com a gente e desmaiou.

– Como assim ela gritou e desmaiou?

– Eu não sei Addam! – gritou Lykke.

– Vem, me ajuda a coloca-la na cama. – pedi – Por favor Lykkke, chame Benjamim e Beatrice. Rápido.

Lykke saiu do quarto parecendo um minitornado. O corpo de Litza estava imóvel, frio. Ela parecia morta. Seu corpo inerte não parecia como quando seu espírito foi aprisionado no Mundo Longínquo. Seu semblante não estava sereno como naquele dia, ela esboçava uma expressão dolorosa quase imperceptível.

– Addam, Benjamim e Beatrice já estão vindo.  – disse Lykke ao entrar no quarto. – Você precisa ir até o pátio principal, Zahra e Sophie estão confrontando Chris e Wendy. Mark e Brian vão tomar partido e aquilo vai virar um banho de sangue, chame Petter e corra para lá. Eu fico com a Litza.

– Eu não quero deixa-la aqui.

– Sophie e Zahra precisam da sua ajuda, Addam. A Litza vai ficar bem como das outras vezes. Eu prometo.

Acariciei o rosto de Litza e dei um demorado beijo em seus lábios frios. Olhei fixamente nos olhos de Lykke por uns instante e saí do quarto.

Cheguei ao pátio principal juntamente com Mark e Brian. Me coloquei ao lado de Sophie e Zahra e eles flanquearam Wendy e Chris.

– Meninas, o que está acontecendo aqui? – perguntei.

– Wendy deve voltar imediatamente para o quarto de Litza senão eles serão expulsos. – disse Zahra.

– E Chris não quer cooperar. – continuou Sophie.

– Wendy, volte imediatamente ao quarto designado a sua família. – ordenei.

– Nem em sonhos. – respondeu Chris. – Wendy fica comigo.

– Infelizmente terei que reportar esse comportamento à líder do Conselho.

– Você acha realmente que Gilly vai ficar contra sua melhor amiga por causa das tolas regras da Sociedade das sombras? – Mark indagou.

– Gilly é sábia. E se Aeryn também for, ela mesma vai expulsá-los da nossa Sociedade para sempre.

– Sábia? Vejo que não sabe de muitas coisas garoto Greene. Agora vocês três, recolham sua insignificância e nos deixem em paz.

Mark e seu séquito se viraram e começaram a andar em direção ao prédio principal.

– Aonde pensam que vão? – gritou Petter se juntando a nós.

– Olha, mais um Greene para tentar nos atrapalhar. – ironizou Brian.

– Vocês foram aceitos aqui com a condição de ficarem em confinamento.

– Petter! Zahra! – gritou Alessia. – Alguém atacou Aeryn, eu fui ao quarto dela e a encontrei desmaiada e com marcas de sangue em todo o corpo.

– O que vocês tem a dizer sobre isso? – perguntou Petter.

– Por que teríamos algo a ver com isso? – indagou Chris.

– Porque vocês estão hospedados no quarto dela. – respondeu

Petter.

Mark e seu séquito se colocaram em posição de ataque. Chris foi

o primeiro a atacar, se jogando em cima de Sophie. Ele tentou mordê-la. Zahra tentou ajudar Sophie, mas Wendy avançou em cima dela. Petter e eu nos atracamos com Brian e Mark.

O confronto começava a ficar sangrento. Outros membros do conselho se juntaram a nós.

LYKKE

– Benjamim, Beatrice, preciso que cuidem da Litza. – eu disse – Preciso ajudar meus irmãos.

– Pode ir Lykke. – disse Benjamim. – A princesa ficará bem protegida conosco.

– Volto assim que puder.

Não esperei que falasse mais alguma coisa. Me lancei contra os degraus da escada o mais rápido que pude. Cheguei ao pátio principal em poucos segundos.

Noah e Declan estavam tentando imobilizar Mark com a ajuda de Petter. Alessia e Ezra estavam ajudando Sophie e Zahra a se defender. Dirk e Addam enfrentavam Brian.

Todos eram muito poderosos.

Não havia sinal de Gilly em lugar algum.

Tentei me juntar a Addam e Dirk, mas não consegui me aproximar. Brian lançou um raio de luz vermelha em nossa direção. Esse raio atingiu Addam no peito e ele caiu inconsciente.

– Não! – gritou Mark. – Brian, mande o Chris para o Mundo Longínquo. Faça com que ele termine o serviço lá.

– Brian, não! – gritou Chris, mas Brian já estava pronto e disparou o raio de luz vermelha em cima de Chris. Seu corpo desabou.

Sophie e Zahra imobilizaram Wendy e a levaram para o calabouço nos fundos da biblioteca. Ezra foi ajudar os membros do Conselho a combaterem Mark, enquanto Alessia sugava a vida de Brian.

Brian deu um gemido quase inaudível e seu corpo paralisou.

Petter e Declan seguravam Mark para Alessia sugar sua energia vital. Alessia quase desmaiou mas foi até o fim. O corpo de Mark cedeu e como com Brian, também paralisou.

Eu estava estagnada. Não conseguia parar de olhar para o corpo de meu irmão.

– Dirk, me ajuda a levar Addam para a enfermaria. – disse Petter. – Ezra, Declan, levem Chris para lá também. Noah, ajude a Alessia a ver como a Aeryn está. Lykke. – chamou Petter. – Lykke! – Dirk você consegue levar Addam sozinho?

– Pode deixar comigo Petter.

Senti alguém se aproximando. Eu ainda olhava para o local onde a poucos segundos estava o corpo de Addam.

– Lykke. – Petter chamou mais uma vez. Desta vez ele estava de frente para mim. Ele segurou minha cintura. Acariciou meu rosto e me puxou para um abraço. – Não se preocupe minha linda, Addam não está morto. O espírito dele foi enviado para o Mundo Longínquo.

– Mas isso é praticamente a mesma coisa.

– A Litza voltou Lykke, ele também pode voltar. E por falar nela, aonde ela está?

– A Litza desmaiou de novo. Benjamim e Beatrice estão com ela. Beatrice acha que ela deve fazer alguns exames mais profundos. Isso não é normal.

– Vamos, temos que tentar acordar Litza, precisamos dela para trazer Addam de volta.

LITZA

– Beatrice? – indaguei confusa. – O que aconteceu? Onde está a Wendy?

– Ei, Litza, calma. – falou Beatrice. – Daqui a pouco Addam vai estar aqui e te contar tudo o que aconteceu.

– Como assim, o que aconteceu?

– Litza, você precisa relaxar. – Benjamim me olhava serenamente.

– Você desmaiou de novo Litza, estamos preocupados com você. Aparentemente não há nada de grave, mas não temos certeza.

Lykke e Petter entraram no quarto esbaforidos. Os olhos de Lykke estavam inchados e vermelhos. Ela havia chorado.

– Lykke, o que aconteceu? Onde está Addam?

– Ele… Litza eu preciso que você se acalme. – disse Lykke.

– Mas que droga! – gritei. – Estou de saco cheio das pessoas me dizendo o que fazer. O que aconteceu com o Addam, Lykke?

– Brian mandou o espírito dele para o Mundo Longínquo.

– Brian o quê?

Me levantei da cama e cambaleei. Meu corpo não me obedecia. O quarto estava rodando e braços fortes me seguraram.

– Princesa, você está bem? – perguntou Benjamim.

– Estou, só fiquei meio tonta.

– Petter por favor, me leve até Brian e Mark. Eu quero fazer um acordo com eles.

– Eles… – Lykke começou a falar, mas Petter a interrompeu.

– Que tipo de acordo você tem em mente, Litza? – indagou Petter.

– Eu vou voltar para North Conway com Mark. E em troca vou pedir para que ele ajude o espirito de Addam a voltar para o seu corpo.

– Eu agradeço seu altruísmo Litza, mas isso não será preciso.

– Por quê Petter?

– Porque Brian e Mark morrerão em alguns minutos. – Lykke respondeu.

– Como?

– Alessia sugou a maior parte de sua energia vital. Como uma Sidhe, é assim que ela se alimenta. É um hábito seguro, a menos que a Sídhe esteja disposta a sacrificar a pessoa. Foi o que Alessia fez. Seus corpos paralisaram e a vida deles esvairá aos poucos. – Petter explicou.

Um misto de sentimentos desordenados preencheu minha mente. Minha visão ficou desfocada. O ar entrava vagarosamente em meus pulmões.

– Litza, precisamos de você. – disse Petter. – Você é a única que pode trazer Addam de volta.

– Como?

– Gilly pode te enviar para o Mundo Longínquo com um feitiço. – disse Petter

– Então temos que procurá-la agora. – eu disse determinada.

– Você precisa se alimentar antes Litza. – disse Beatrice.

– Eu não estou com fome.

– Não precisa de comida. Precisa de outro tipo de alimento.

Petter retirou um aparelho celular do bolso, discou alguns números e poucos segundos depois ele deu algumas instruções a pessoa do outro lado da linha. Ele desligou o celular  e o guardou novamente no bolso.

– Em breve você vai se alimentar de pura energia Litza. Preciso que você aceite de bom grado.

– Eu faço tudo o que for preciso para ajudar Addam.

– Ótimo.

Nós estávamos discutindo sobre o que fazer. Uma batida na porta chamou nossa atenção.

– Alessia? O que você está fazendo aqui? – indaguei.

– Petter me chamou e pediu que eu trouxesse Gilly.

– E onde ela está? – perguntou Petter.

– Mark também a machucou. Ela acabou de sair da enfermaria, disse que só ia trocar de roupas e viria para cá.

– Eu sabia que Gilly não era a traidora. – disse Lykke.

– Mas alguém aqui é. Só que depois de tudo o que aconteceu, acho que essa pessoa não vai se revelar tão cedo. – disse Alessia.

– O que aconteceu? – indaguei furiosa. – Até agora vocês não me falaram nada.

– Litza, ou tentar explicar melhor. – disse Petter.Alessia é uma Sídhe.

– Sim, isso você já me explicou.

– Deixe-o terminar Litza. – disse Beatrice com carinho e paciência.

– Ela é filha de uma Ninfa com um mortal. As Sídhes se alimentam de energia vital. Alessia vivendo aqui na Sociedade das Sombras com vários membros de diferentes estirpes, ela não precisa se alimentar dos mortais. – explicou.

– Ela precisa matar a pessoa para se alimentar?

– Não Litza, eu só “pego” um pouco da energia vital da pessoa. Ninguém se machuca. – disse Alessia.

– E o que isso tem a ver com a morte de Brian e Mark?

– Eu posso matar uma pessoa se sugar toda a sua energia vital. Só as Sídhes podem matar um vampiro maduro.

– Então você sugou a energia vital de Brian e Mark? – indaguei. – E o que aconteceu com Wendy e Chris?

– Brian mandou o espírito de Chris para o Mundo Longínquo, assim como fez com Addam. Wendy está sob os cuidados de Sophie e Zahra.

– Então vamos logo com isso. Preciso ir o mais rápido possível para o Mundo Longínquo. Alessia, por favor, me explique o que eu devo fazer. Como eu me alimento?

– Você não se alimenta Litza. Uma Ninfa não se alimenta de energia vital, mas eu como uma Sídhe, posso “doar” um pouco dessa energia para você.

Alessia se sentou à minha frente.  Ela posicionou minhas mãos com as palmas voltadas para cima. E posicionou as dela sobre as minhas, com as palmas voltadas para baixo.

Uma onda elétrica percorreu meu corpo. Um arrepio frio subiu pela minha coluna. Era uma sensação agradável e confortável. Alessia se afastou bruscamente e cambaleando se segurou em Benjamim.

– Litza o que você fez? – indagou Alessia.

– Eu não fiz nada, foi você quem fez.

– Você quase sugou toda a minha energia vital.

– Como?

– Eu não sei, mas se algum dia você precisar fazer isso novamente, teremos que desenvolver um limite. Você não deveria ser capaz de sugar energia vital do modo como fez.

– Me desculpe, eu sinceramente não entendo o que aconteceu.

– Tudo bem, sem problemas.

– Petter. – chamou Gilly entrando no quarto. – Posso falar com

você a sós um minuto?

– Eu prefiro que você fale na frente de todos Gilly. – disse Petter.

– Bom, eu não vou fazer o feitiço para que Litza vá para o Mundo Longínquo. É perigoso demais. Eu não posso.

– Claro que pode. É a vida de Addam que está em jogo e da minha vida cuido eu.

– Litza, os riscos são enorm…

– Eu não me importo. Eu quero que você me enfeitice Gilly. Estou pronta.

– Bem, o feitiço é simples. Tenho tudo o que preciso comigo e já que você insiste, creio que eu não tenha outra alternativa.

Gilly pegou um pequeno vidro que estava no bolso de seu casaco e o abriu. Ela colocou um pouco do pó em sua mão e o lançou sobre mim, recitando um pequeno feitiço em voz baixa.

***

continua

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