Sociedade das Sombras: Beijo Eterno(Pt.17) – Familia

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Por Mille Meiffield

SOPHIE

Zahra me segurou pela cintura e prendeu meus cabelos entre seus dedos. Ela me beijou suavemente. Seus lábios eram doces e macios. Zahra sentiu que eu não estava entrando no clima e se afastou.

– Sophie, está tudo bem?

– Eu não sei.

– Você quer terminar?

– O quê? – indagou Sophie. – Claro que não, eu te amo Zahra.

– Eu sei que sim, mas também sei que você não gosta de mulher. Você é “hétero” Sophie, e sempre vai ser. O que temos é especial e verdadeiro, mas não é a sua realidade.

– Eu não sinto falta nenhuma de homens. Sentiria falta se não tivesse mais o que nós temos.

– Jamais te deixaria Sophie, mas você ainda não me respondeu o porquê de estar tão fria e distante.

– É a Litza. Ah Zahra, eu te amo e você sabe que faria tudo por você, mas morro de medo de que a Litza descubra nosso relacionamento e não queira mais me aceitar como sua irmã. Eu sempre a procurei Zahra e nunca desisti de encontrá-la.

Lágrimas escorreram pelo meu rosto. Chorar sempre me fazia bem, me relaxava, mas dessa vez, o choro doía. Eu não queria perder o carinho que minha irmã estava começando a sentir por mim. Litza era uma boa pessoa – eu tinha plena certeza disso, mesmo tendo a encontrado há pouco tempo – mas eu tinha medo de sua reação quando soubesse que Zahra é minha namorada.

– Ei, minha linda, calma. A Litza vai entender.

Zahra e eu nos beijamos. Ela puxou minha blusa e eu fiz o mesmo. Minhas mãos percorreram seu corpo e as dela percorreram o meu. Ela me deitou e se deitou por cima de mim. Sua boca quente beijava o caminho da minha clavícula até um dos meus seios.

Sua boca se encaixou perfeitamente em um dos meus seios e sua mão acariciou o outro. Meus mamilos intumesceram e um arrepio quente subiu pela minha espinha.

Seus lábios voltaram novamente para os meus num beijo quente e intenso.

Colocando novamente sua boca em meus seios ela escorregou suas mãos pelo meu corpo, até seus dedos roçarem minha calcinha. Ela a afastou com as pontas dos dedos.

Zahra foi aos poucos deslocando seus lábios até a minha intimidade e alojou sua boca em meu clitóris. Ela movimentava sua língua em várias direções: de cima para baixo, em círculos, mas nunca em um único padrão. Meu corpo começou a serpentear de puro prazer e então ela introduziu dois dedos em mim.

Em poucos minutos meu corpo explodiu em êxtase e paixão. Ela ajeitou minha calcinha e se deitou junto a mim na cama.

– Você me enlouquece Sophie.

– Igualmente. – eu disse mais tranquila. – Gosto de ficar assim com você.

LITZA

Eu precisava colocar a cabeça no lugar. Conhecia a Sophie há pouco tempo, mas confiava nela. Ela era minha irmã. Senti uma forte necessidade de conversar com ela. Talvez assim conseguisse calar um pouco as vozes em minha mente.

Caminhei vagarosamente até o quarto de Zahra, bati na porta e ela se abriu.

Sophie deu um grito de susto e se levantou depressa da cama.

– Me perdoe Sophie, eu bati na porta e ela se abriu.

– Litza, não é nada do que você está pensando eu…

– Claro que é! – gritou Zahra. – Já chega Sophie, só você acha que ninguém sabe sobre a gente. Eu não posso mais viver assim.

Zahra saiu do quarto batendo a porta. Sophie se sentou na cama e cobrindo o rosto com as mãos, chorou copiosamente.

– Sophie, o que houve?

– Por favor Litza, não me odeie. – disse entre soluços.

– Porque o faria?

– Porque Zahra e eu somos… Er…

– Vocês são namoradas e se amam. – afirmei. – É por isso que você acha que eu vou te odiar?

– Sei que esse não é o curso normal das coisas, mas…

– Ei! Sophie, isso é normal. Eu não vejo qual o problema.

– Tive medo de que você não me quisesse mais como irmã. Sei que não é uma situação fácil de aceitar.

– Claro que é. Ah minha irmã, você não sabe de nada da vida fora da Sociedade. O mundo evolui a cada dia. Você viveu aqui por toda a vida, sozinha, e com poucos amigos. Você e Zahra se tornaram amigas e se apaixonaram, isso acontece.

– Então você não tem vergonha de mim?

– Claro que não.

– Obrigada.

– Sophie, não tem que me agradecer. Bem, na verdade, foi até bom eu ter descoberto essa história. Assim não precisa mais se esconder.

Sophie me deu um forte abraço que durou um tempo bastante longo. Quando ela me soltou, senti eu forte arrepio na espinha.

– Litza o que foi? – perguntou Sophie. – Você ficou pálida de repente.

– Eu não sei.  Ah! – gritei de dor. – Sophie, por favor, chame Addam e Beatrice. Aaah!

SOPHIE

Eu não sabia o que fazer quando Litza começou a gritar. Corri para o corredor e saí em disparada atrás de Addam e Beatrice. Só não sabia que a encontraria no caminho.

– Zahra!

– Me poupe dos seus argumentos Sophie. Estou com a cabeça quente, prefiro conversar com você mais tarde.

– Zahra a Litza está gritando de dor, eu quero voltar para o quarto para ficar com ela, por favor, ela pediu que eu chamasse Addam e Beatrice. Chame-os, por favor. – Zahra percebeu a gravidade da situação.

– Claro que sim, pode voltar para o quarto, volto em um instante.

Eu já havia me virado para voltar para o quarto e ficar com Litza, quando senti uma mão forte em meu ombro.

– Ela vai ficar bem, ok?

– Ok.

LITZA

– Me ajuda Sophie! – gritei. – Onde estão Addam e Beatrice?

– Calma Litza, por favor, se acalme. Eu pedi a Zahra para chama-los. O que eu posso fazer para te ajudar?

– Só Beatrice pode me ajudar.

Eu estava deitada na cama de Sophie, me contorcendo de dor. Ela se sentou ao meu lado e me puxou para seu colo. Me aninhou em seus braços, me segurando vigorosamente.

Senti uma lágrima quente pingar em meu rosto e só então percebi que Sophie estava chorando.

– Eu vou ficar bem Sophie, não se preocupe.

Ela me apertou um pouco mais.

Addam e Beatrice entraram esbaforidos no quarto. Ele me retirou dos braços de Sophie, me deitou esticada na cama e deixou Beatrice se aproximar.

– Litza querida, preciso que tente se acalmar. Vamos acabar com essa dor.

Beatrice acomodou suas mãos em minhas têmporas, pressionando de leve. Um brilhante halo luminoso saía de suas mãos e envolvia minha cabeça, como da primeira vez, a dor foi diminuindo gradativamente até se extinguir.

– Melhorou?

– Sim. Obrigada Beatrice.

– Me chame de Be, todo mundo chama.

– Obrigada, Be.

– Litza, você precisa reportar a Gilly sobre essas crises que anda tendo. Estou sinceramente preocupada.

– Eu concordo com a Be, Litza. Eu estava com Zahra na época em que ela desabrochou. Ela se sentia cansada ás vezes, mas nada além disso.

– Eu discordo. Zahra disse que Gilly não é totalmente confiável, não podemos submeter Litza a seus poderes, sem saber com certeza de que lado ela está.

– Addam está certo. – falei. – Me sentei e me apoiei em Addam. – Eu tenho sentido meu corpo estranho. Mas essas dores não fazem parte da transformação. É como se uma pessoa conseguisse esmagar meu cérebro com a mão.

– Magia antiga. Magia usada pelos anciãos. – disse Zahra. Ela estava encostada na soleira da porta. – Quando essas dores começaram Litza?

– Que eu me lembre, a primeira vez que senti foi em North Conway. Alguns dias após eu chegar à cidade. Porquê?

– Mark pode estar por trás dessas suas crises. Ele é um dos vampiros mais antigos que temos conhecimento. Ele é muito poderoso e perigoso. Acho que vocês deviam ir embora assim que amanhecer.

– Não Zahra, não vamos. – eu disse com firmeza. – Estou cansada de fugir, eu vou ficar.

– Mas, Anjo, Mark e seu séquito podem tentar algo contra você. – disse Addam preocupado. – Ainda mais agora que Wendy vai dormir no seu quarto.

– Assim como Lykke! – gritei. A expressão de Addam passou de preocupada a assustada em uma fração de segundo. – Me desculpem,

eu não queria gritar.  Eu…

– Você está mais perto do que nunca de desabrochar. Eu sinto a energia que flui de você. Mas algo está diferente, Litza, você não será uma Ninfa comum. Algo em você é muito intenso. – explicou Zahra.

– Ela inteira é muito intensa. – disse Addam me dando um beijo rápido.

– Vejo que já está melhor Litza, eu preciso ir. Nos vemos no jantar?

– Claro Be. Obrigada mais uma vez.

Beatrice sorriu para mim e saiu do quarto.

Addam, Zahra e Sophie ficaram me encarando.

– Por que estão me olhando desse jeito? – indaguei.

– Porque sabemos que você quer lutar contra Mark. – Sophie estava séria.

– E daí?

– Daí que nós estamos com você. – disse Zahra. – Já passou da hora desse desgraçado pagar por tudo que ele fez.

– Obrigada por estarem do meu lado. Isso é muito importante para mim.

Sophie, Zahra e eu nos abraçamos, elas ficaram em seu quarto.

Addam e eu fomos para os quartos de nossas respectivas famílias.

Entrando no meu quarto, vi que Lykke estava sentada na poltrona encarando Wendy que estava deitada na cama. O olhar de Lykke era furioso.

– O que aconteceu aqui? – indaguei curiosa.

– Pergunte a sua amiguinha. – respondeu Wendy jocosamente.

– Não estava falando com você Wendy. Lykke, por favor, o que aconteceu aqui?

– Wendy queria sair do quarto. – disse Lykke. – À força.

– Você o quê? – gritei. – Wendy, você só sai desse quarto daqui a três dias, quando Mark e seu séquito forem embora.

– Você não pode me prender aqui.

– Ah eu posso! Tanto posso que vou e se você sair deste quarto, eu mesma vou deportar você.

– Quem você acha que é Litza? – perguntou.

– Eu sou Ralitza Zamerov McAleese, ou seja, eu sou a Princesa McAleese, a sub-líder do Conselho desta Sociedade das Sombras e você não passa de uma reles visita.

– Ora, ora, ora, mas quem diria, minha doce e encantadora irmãzinha sabe ser cruel.

– Cruel? – gritei indignada. – Cruel foi o Chris me estuprar, cruel foi Mark matar nossos amigos, cruel foi Mark matar nossos pais. Isso foi cruel. Agora, eu te prender nesse quarto enorme, tentando trazer você de volta a razão, isso não é cruel, isso é AMOR.

– Essa palavra significa algo para você?

– Sim. Essa palavra significa que eu sempre farei o impossível para te mostrar a verdade. Sempre a verdade.

– Eu estou indo para o quarto do Chris, se acha que pode me impedir, irmãzinha. Tente!

Eu pulei na frente de Wendy, me agachando como um puma em

posição de ataque. Ela rosnou. Ficamos paradas nos encarando silenciosamente. Wendy avançou, mas não recuei. Seu semblante foi de desafio à ira em poucos segundos. Apenas alguns centímetros nos separavam. Com as pontas dos dedos, acariciei de leve o rosto da minha irmã mais velha. Sua pele parecia a pele de uma pessoa morta. Seus olhos não estavam mais arroxeados, havia apenas um pouco de olheiras. Seus olhos estavam frios e distantes.

– Não me obrigue a te machucar irmãzinha.

– Quem vai se machucar vai ser você. – rosnou Lykke.

– NÃO!

A imposição em minha voz fez com que as duas congelassem onde estavam. Minhas pernas cederam e minha visão escureceu.

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