Galamadriel Pt.16 – Olho por Olho… Dente por Dente…

anônimo

Por Lillithy Orleander

“Fiquei me perguntando por horas como eu havia vindo parar nessa bagunça, pra ganhar um fim desses.

Humano.

Eu, agora seria somente alguém que demoraria á envelhecer, ficaria doente algumas vezes, ainda seria forte, mas só posso optar por uma vida comum.

Deixando as ironias a parte, está tudo parado aqui, a chuva que cai, parece anunciar o fim de muitas coisas. Demônios, anjos, humanos, a Terra… E isso de uma hora pra outra me trás um sentimento estranho “.

Paul caminhava com uma arma engatilhada com passos firmes para o último lugar onde  havia visto Tyrone.

O bar parecia vazio é tudo estava calmo, como se estivesse vazio á muitos dias, tudo silencioso demais.

–  Hey ? Tem alguém aqui? – Perguntou Paul, sentindo pela primeira vez seu corpo humano entrar em estado de alerta quando á uma situação de perigo.

– Pauline.

Era Tyrone que saia de um canto escuro, com um copo nas mãos, sujo de sangue e transmutado em Demônio.

– Tyrone.

– Vejo quão rápido você resolveu abandonar sua família. Humano? Foi isso que você escolheu pra ser?

– Pelo menos não vou morrer como traidor. Por que tenho certeza, que com a velocidade que as noticias correm, todos já sabem que você você ajudava Dyell, uma filha de Miguel, que estava jogando dos dois lados  e não esta nem um pouco afim de ajudar o titio infernal, Sabe por que? Por que Miguel a treinou pra isso, o papaizinho do ano á treinou desde cedo para ser um “duplo agente”.

Tyrone olhou assustado para Paul e ficou sem entender o que estava acontecendo.

– Você disse que ela é o que?

– Isso mesmo que  você ouviu, e depois de ser arrastado de um quarto, por um ceifeiro até a casa de Gabriel e de ouvir muitas historinhas interessantes, eu comecei a juntar os pedaços soltos, e ainda tive que escolher entre morrer como dessertor ou tentar sobreviver nessa carne pobre de ser humano. E sabe quem eu decidi culpar, Ty? – Tyrone sorriu ao olhar para Paul. – Exatamente, você. O único idiota capaz de me colocar nessa roubada.

Tyrone deu uma gargalhada e puxou uma cadeira que estava próxima e se sentou.

– Entõ não te contaram toda a história e o que tudo isso acarretaria? – perguntou ele parecendo se divertir.

– Que história? Você só pode estar louco.- respondeu Paul que ainda mantinha a arma apontada para seu antigo companheiro e atual rival

– Oras, você realmente acha que te contaram tudo? Era pra você fazer uma coisinha muito simples. Sabe por que? Por que você é especial… Diferente, na atual ordem e muitos lá embaixo queriam ser você.

– Diferente? Eu era um Demônio como você, seu desgraçado. – gritou Paul enfurecido

.

– Diferente sim, você criado com um defeitinho raro e valioso. Você não percebeu que é mais forte do que muitos de sua mesma orda, se comparando á força de nossos generais muitas vezes? De todos que chegamos aqui, você foi aquele que se “vestiu” mais rápido no disfarce de humano, foi possível pra você se passar por um deles no dia seguinte. Você nunca percebeu que anjo nenhum te acha, e que sus aura não fica visível tanto á nós quanto á eles?

Paul arregalou os olhos e ficou sem entender ao certo ao que Tyrone dizia, nunca havia chamado sua atenção para isso, ele apenas era quem era e achava que tudo aquilo era resultado de seu esforço.

– É parece que não te contaram tudo, não é mesmo? O Demônio encarregado de trazer o Armagedom era Belial, mas então surgiu você e a coisa mudou toda de papel, Belial o chamava de “Aquele criado para o Armagedom”, quando Lúcifer, finalmente colocou os olhos em você. A cria perfeita para consumar a profecia de Hiavennithy, tudo o que Lúcifer precisava era que o outro lado também possuísse o mesmo agente nas linhas inimigas, que fosse semelhante á você. Á  principio, quando Megara e Miguel vieram com a noticia, achamos que fosse Dyell, mas assim que Rafael cometeu aquela burrada e Gabriel concertou ficamos perdidos de novo, Dyell não era o que queríamos, filha da súcubo com o arcanjo.

Então veio aquele maldito acordo de Galamadriel, Lúcifer arquitetou durantes séculos, uma forma de achar aquilo que precisávamos, para então voltarmos pra casa, mas Rafael decidiu desistir de tudo, e depois de analisarmos todos os lados, percebemos que poderiamos ficar com tudo, que você só teria que fazer uma coisinha bem pequena.

– Matar um anjo.

– Bingo! – disse Tyrone aplaudindo. – Ele por justiça e você, por ódio. Um tanto teatral, eu achei, mas não fomos nós quen escrevemos aquela porcaria de livro. O Céu cairia e o Inferno subiria, expurgaríamos os humanos dessa terra e depois de matar cada anjo nos seria dado tudo isso pra habitar. Só não imaginávamos que seu semelhante, fosse um rabo de saia de cabelos azuis, e quando viemos a descobrir, vocês estavam brincando de ser amiguinhos. Ironias do destino, vocês se atraíram, mas não criaram a animosidade de que nós precisávamos do outro lado.

– Qüerinemer… – Paul comecará a ligar os pontos que faltavam e entendeu que ele era o único que não sabia de nada.

– Sim, mas ela também não sabia e como se fosse magica, vocês se afastaram novamente, e isso até nós desconhecemos o motivo, mas sabemos que alguém anda mexendo os pauzinhos nos bastidores em busca dos próprios interesses.

– Vocês me vigiavam…

– Rafael achou que a profecia lhe daria o poder para trazer uma reles mortal da morte, não sei se por egoísmo ou inveja e nem me importo. Tudo o que sei é que sei é que daqui pra frente, nós sairemos vencedores, enquanto insetos como você, serão esmagados no caminho.  ele gargalhou como se desafiasse Paul a ataca – lo.

Paul então abaixou a arma por um instante e respirou fundo, caindo ele mesmo na gargalhada.

– Quem é o tolo aqui Tyrone? A profecia fala em “zerar” toda a criação, todos nós morreremos. Todos. Anjo, Demonios e Humanos. Lúcifer programou e planejou tudo para que houvesse o caos e a Terra entrasse em colapso, com isso somente ele sobraria e sua nova prole. Você acha que o arcanjo conhecido por ser o mais belo e sagaz iria querer manter monstruosidades deformadas, pútridas e horrendas ao seu lado? Eu acredito que não.

Tyrone olhou para Paul furioso e ofendido, arremessando o copo que estava em sua mão, ao que Paul desviou e o viu estilhaçar em mil pedaços na parede atrás de si.

– Agora você cospe no prato comeu? Demoniozinho imundo.

Os chifres pareciam rasgar a pele humana que ainda lhe cobria parte da cabeça, enquanto ele arreganhava a mandibula e sua pele se transmutava para um tom mais escuro, dando lugar á uma pele morta e fétida, manchada de sangue, tão negro quanto o piche.

Os pés estouravam a frente do sapato, dando lugar á um casco semelhante á um de cavalo, mas forjado em metais enegrecidos, a pele dava lugar de uma vez por todas ao Demônio que estava sob o disfarce. Tyrone aumentava drasticamente de tamanho enquanto de sua boca exalava uma névoa esverdeada, respirando desesperado, enquanto os olhos se tornavam órbitas leitosas. A cauda tentava se libertar a todo custo, e assim que conseguiu, uma serpente negra balançava – se atrás de Tyrone, sibilando no sr procurando no ar a qual presa atacar . O peitoral negro estava cheio de argolas cintilantes que pareciam estar incrustadas na carne daquele corpo.

– Paul havia esquecido como era o verdadeiro Tyrone depois de tantos séculos preso na carcaça humana e por um segundo o instinto do medo gritou dentro de si.

“Porcaria de corpo estranho.” – pensou Paul amaldiçoando a si mesmo.

– Vê Paul, agora sou mais forte que você, mais glorioso, inveje – me. – a voz gutural invadia o recinto desdenhando o rival.

– E você pensa que gosto de estar nessa situação, seu imbecil? Vocês fizeram as besteiras, mas quem esta pagando sou eu. fazendo acordo com Caronte pra não morrer nas mãos de uma droga de anjo e não ser estripado por demônios como dessertor. O que me restou? Ser humano. Fui enganado, fui arrastado de um quarto só de toalha por um ceifeiro Dyell e como se não bastasse fui jogado na casa de Gabriel, cercado de gente que só queria me ver morto.

–  Você mente, Lúcifer jamais nos abandonaria.

– Ah não? Então me diga, qual a necessidade de fazer Rafael seu cachorrinho na minha ausência de estimação e de Lilith seu trunfo mais precioso?

Tyrone puxou uma mesa que estava próxima e arremessou em Paul que foi prensado na parede, deixando cair a arma. Paul sentiu uma dor de ser esmagado pela mesa e tentou se desvencilhar, mas Tyrone  foi mais rápido e apertou ainda mais a mesa cintura em sua. O gosto do sangue invadia sua garganta.

– Seu traidor.

– Idiota.

Tyrone afastou – se da mesa e se deliciava com o desespero que via estampado no rosto de Paul.

– Há quanto tempo não uso essas belezinhas e não sinto o gosto da carne dilacerada? – perguntava Tyrone á si mesmo, alisando os chifres.

Investiu contra novamente Paul desviou do primeiro ataque, mas foi atingido em seguida sendo perfurado pelo chifre de Tyrone, que agora o levantava sem esforço nenhum por sobre sua cabeça.

– Quantas vezes tive inveja de você Paul?Quantas vezes tive vontade de matar aquele anjo e levar todas as glórias e me tornar general, me sentir como Belial, poderoso, respeitado…Mas você, tinha que ser diferente dos demais. Mas não se preocupe, não é nada pessoal. – disse ele irônico. – Mas antes que alguém te torture e te faça sofrer para morrer, então que seja eu seu velho amigo, que o mande pra onde quer que seja o lugar ao qual você pertence.

Paul urrava de dor enquanto seu corpo parecia um boneco preso ´a um espeto. Seu sangue vertia em abundância e a dor parecia dez vezes pior, fazendo com que ele estivesse á beira de perder os sentidos.

Tyrone jogou – o por cima do balcão,Quebrando algumas garrafas de Bebida que ainda estava por ali, o álcool queimou sua carne enquanto os cacos de vidro quebrado aderiam a sua pele ferida, fazendo a dor aumentar ainda mais, ele rolou sobre o balcão e ficou sentado no chão segurando a ferida que agora começava a repuxar, causando uma nova dor, o cheiro do sangue agora o enjoava.

– Ora Paul acabemos com isso de uma vez por todas.

– Nem pensar. – disse ele arfando. – Não estou pronto pra morrer ainda, tem muita gente aí fora pra ferrar e você vai ser o primeiro.

Tyrone vinha louco na direção do balcão, destruindo o que havia em seu caminho para terminar o que começara. Paul se arrastou até uma garrafa de vodka que ainda estava inteira e bebeu um gole, o ferimento ainda estava aberto, mas diminuirá o fluxo de sangue que expelia. Avistou a arma que havia deixado cair e se arrastou em sua direção, mal pegou e foi puxado pelo pé, sendo deixado de ponta cabeça como um trapo velho.

– Você está aí… – disse Tyrone rindo.

– É. estou bem aqui…

Paul sorriu e engatilhou a arma e atirou na cara de Tyrone, acertando um olho do demônio que o largou imediatamente

– Desgraçado! – Gritou de ele segurando a órbita com vazia com uma das mãos enquanto a outra tentava pegar Paul novamente, que agora estava caído com o ombro destroncado.

Mas a adrenalina o medo e a adrenalina que agora pilsavam, lhe dava forças para correr, ele pegou uma cadeira e a partiu ao meio nas costas de seu inimigo, que perdeu o controle e se engasgou com o próprio sangue.

– Vamos brincar Ty. – Disse Paul sorrindo com escárnio

Tyrone conseguiu sem levantar, mas Paul atirou novamente e dessa vez acertou – lhe ombro.

– Você não pode me matar, seu imbecil.

– Se eu Morrer agora Ty, você vai comigo, eu deixo de existir e você também.

Tyrone tirou a mão dos olhos e foi novamente na direção de Paul, que atirava contra ele, o que com que duas balas ficassem emperradas no gatilho. Ele sorriu e segurou Paul pelo pescoço, erguendo – o novamente do chão e dando – lhe um soco no rosto, que imediatamente inchou, cortando o supercílio e embaçando a visão de Paul.

Paul juntou o pouco de força que ainda tinha e deu uma cabeçada que perdeu o equilíbrio e ficando tonto

-Você acha que pode me derrubar com isso? Essa foi toda a sua força? É vergonhoso.

A cauda de serpente se agitava nas costas de Tyrone desejando, ansiando e sibilando na direção de Paul que se levantava á pulso, forçou – se em pé e firmou sua postura. Deu o primeiro soco, o segundo ele sentiu a raiva corromper – lhe a mente. O sangue ferveu e em suas entranhas a vontade de matar Tyrone cresceu como um monstro, e isso fez de Paul um novo combatente.Ele sentiu os músculos endurecerem e seu corpo responder aos seus comando. Aquele  era o momento, era matar ou morrer.

Tyrone posicionou – se e o desafiou com um olhar. Paul correu em sua direção e tentou acerta – lo com um soco, mas Paul abaixou – se e passou por baixo das pernas de Tyrone, puxando – lhe a cauda que desferiu uma mordida fatal.Paul sentiu a ardência, mas não deu importância, presando – o na parede de espelhos que havia no local.

– Minha vez, Tyrone.

Paul o chutava e o levantava do chão com uma força sobre humana, jogando o novamente e quebrando o piso de linóleo, Tyrone tentava reagir, tentando achar uma brecha para se defender, Paul pegou – o pelos chifres com mais força e o jogou novamente no chão abrindo uma cratera, onde onde partículas de concreto subiam feito fumaça

– Seu fedelho, filho da …

– Hey, não esuqeça que temos a mesma mãe, Tyrone e de fato, depois de se deitar com o Inferno inteiro, ela é uma puta.

Paul abaixou até a altura de Tyrone para ver o estrago, mas este foi mais rapido e puxou – lhe a perna, derrubando – o.

– Cansei de Você, Seu impertinente.- E tentou pisotear Paul, Que agora se desvencilhava dos cascos de aço

– Morre! – Gritava repetidas vezes Tyrone.

Paul alcançou a arma ainda deitado no chão e mirrou nos testículos de Tyrone.

– Morro, mas levo  você comigo. Afinal Ty, que seja eu seu velho amigo a lhe tira a vida. – atirou

Tyrone urrou de dor e Caiu de Joelhos, enquanto Paul rolou para longe e ajoelhou -se. levantando em seguida. O sangue escorria ainda de seu rosto e se misurava ao suor, ele beijou a arma e destravou a ultima bala, caminhou com passos decididos, chegando perto de Tyrone, pisou em sua cauda e a serpente sinda tentou ataca- lo.

Engatilhou a arma e mirou na cabeça de Tyrone.

– Você sabe muito bem que isso não vai me matar.

– Você tem razão, mas vai te atrasar para algo um pouco maior e tenho certeza que você vai adorar.

Paul pegou um esqueiro no bolso de trás e o acendeu.

– O que? Vai me queimar? Tyrone ria feito louco.

– Queimar? Não. Vou explodir tudo. Sabe que uma vez eu descobri que tem um depósito de gás aqui ao lado?

– Eu nasci do Fogo, seu idiota.

– Isso é um fato irrefutavel, mas você sabe que nunca vi um demônio em pedaços se regenerar . Engraçado, ainda outro dia me disseram que não éramos imortais e olhe para nós Ty, vamos poder testar essa teoria e se você sobreviver, volta e me conta como foi.

Paul atirou na cabeça-de Tyrone e este pareceu ter morrido, pegou como ultimas garrafas de bebidas que ainda estavam cheias da prateleira e despejou sobre Tyrone.

– Isso é que é desperdício. – e deu um gole na garrafa de vodka levantando – a em seguida em homenagem ao rival estendido no chão.

 Correu porta afora e arrebentou o portão que separava o depósito do gás ao bar e abriu todas as bocas possiveis, acendeu o esqueiro e correu por sua vida e se divertia ao sentir – se pela primeira vez alegre naquele novo corpo.

Então era isso que chamavam de liberdade? Suas feridas começavam a se fechar lentamente e seus ossos voltavam ao lugar.

A explosão destruiu o beco, onde o bar ficava, não sobrou pedra, sobre pedra, e agora ele tinha que acertar umas continhas com Lúcifer e parra isso era necessário ter aliados. Ele não gostava da idéia, mas faria de tudo para acabar com aquilo, dali em diante, ele era humano, e não estava pronto para morrer…

CONTINUA …

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