O Sangue da Meia Noite – Capítulo 08

Escrito por Natasha Morgan.

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Ela acordou com o toque suave dos lábios de Heron em seu pescoço. Sorriu, abrindo os olhos e emitindo um gemido de pura satisfação. Seus dedos encontraram os cabelos macios dele, envolvendo-os suavemente.

Ela amava fazer isso.

Heron sorriu, manhoso e a beijou nos lábios apaixonadamente.

– Bom dia, Mici. – ele sussurrou em seu ouvido.

Gwen se deliciou com aquelas palavras, estar na cama ao lado dele, ser acordada pelo toque dos lábios dele e saber que ele era seu a fazia a mulher mais feliz do mundo. Ela sorriu, fitando o rosto de quem mais amava. A pele dele estava pálida e gelada, os olhos um tanto escuros.

– Não se alimentou – ela percebeu.

– Não tive tempo para isso – ele disse, pouco se importando. – Você estava fraca…

– Eu estou bem – ela o assegurou. – Na verdade estou muito, muito bem – sorriu, lembrando-se da noite mágica que tiveram.

Como se lendo seu pensamento, Heron sorriu malicioso e mordiscou-lhe o pescoço.

– Foi a noite mais perfeita de toda a minha vida. – Gwen lhe confidenciou, os olhos brilhando.

– Se você tirar a parte em que quase morreu, acreditaria se eu dissesse que a minha também? – ele perguntou, fitando-a com intensidade. – Já tive mulheres ao longo de minha vida toda, você sabe, mas nenhuma que me fizesse sentir o que você me faz sentir.

Gwen sentiu o sorriso se espalhar por seus lábios e atirou-se nos braços de Heron, esmagando os lábios nos dele num beijo intenso e sufocante. Ele correspondeu ao beijo com o mesmo entusiasmo.

– Você se guardou para mim – ele disse, maravilhado e a beijou novamente.

– Eu sempre achei que tivesse que me guardar para alguém especial – ela corou um pouco – Estava esperando por você.

Desta vez quem cedeu aos impulsos daquela paixão foi ele, puxando-a de encontro ao seu corpo e beijando-lhe a boca avidamente. Aquela confissão martelava em seu peito, sentia-se honrado por aquela pequena coisinha, mas que para ele era muito. Havia conhecido mulheres em todos os cantos, em todos os séculos, mulheres de todos os tipos… Mas Gwen… Gwen o desarmava tão facilmente.

– Você está fraca – ele sussurrou em seus lábios, relutante em soltá-la. – Perdeu muito sangue ontem.

– Estou bem – ela garantiu, sem a mínima vontade de separar-se do corpo dele.

– Isso é porque meu corpo anestesia você.

– Deixe então que ele me anestesie – ela disse, esfregando o rosto manhosamente no dele.

– Ah, Gwen… – ele suspirou, deliciando-se com o desejo dela.

Segurando-lhe o rosto entre as mãos, ele a fitou muito sério.

– Gwen, eu tenho bebido o seu sangue várias vezes para saciar minha fome e me fortalecer. Mas hoje eu quero que você beba o meu sangue.

Gwen franziu o cenho.

– Mas… – ela disse e então se calou.

– Vai fortalecer você. Deixá-la mais forte e recuperar o sangue que você perdeu. – ele explicou.

– Não sabia que isso era possível.

– Meu sangue é mágico, Gwen. Ele cura.

– Qualquer coisa? – ela perguntou, surpresa.

– Qualquer coisa – ele assentiu – Até mesmo a morte.

Ela o fitou, espantada.

– É o que acontece quando presenteamos alguém com o Beijo da Meia Noite. – ele explicou – Quando fazemos a troca de sangue com a pessoa que escolhemos beijar, nosso sangue preenche as lacunas do corpo humano, misturando-se ao sangue mortal e assim transformando a pessoa em algo perfeito. O Beijo é para selar o compromisso eterno.

– Isso é… Mágico.

– A Magia está em todos os lugares do meu mundo – ele lhe sorriu.

– Mas se eu beber do seu sangue, o que irei me tornar? – ela perguntou, cautelosa.

– Irá se tornar ainda mais amada – ele sorriu, beijando-lhe os lábios suavemente. – O seu brilho vai aumentar, assim como o laço que temos. Quando você foi Tocada pela Meia-Noite, nós desenvolvemos um laço. Bebendo o meu sangue, você intensificará essa nossa ligação, pois terá parte de mim dentro de você.

– Você sentirá dor?

– Não – ele riu da preocupação dela – Na verdade será muito prazeroso.

Gwen franziu o cenho para ele, desconfiada.

– Ah, Gwen… Você não pode imaginar o quanto eu vou gostar de sentir seus lábios sugando o meu sangue. – ele disse a ela de uma forma tão sensual, que ela piscou, zonza.

– Você é absurdamente malicioso. – ela o repreendeu, mas sorriu.

Heron a endireitou na cama, estendo-lhe o corpo nu nos lençóis revirados e deitou-se ao lado dela, levemente inclinado. Seus olhos estavam dilatados, parecia ansioso com o que iria acontecer.

– Não tenho dentes afiados – ela o lembrou, nervosa.

– Não vai precisar.

Ele passou suavemente a unha levemente afiada pelo pulso, fazendo o sangue poderoso e antigo fluir.

– Que gosto tem? – Gwen perguntou, a respiração pesada à medida que via o sangue pingar próximo a sua boca.

– Experimente – ele disse, sensualmente e estendeu o pulso sobre os lábios dela.

Gwen sentiu uma sensação estranha quando seus lábios encontraram o pulso ferido. Primeiro ela passou a língua gentilmente pelo corte, experimentando uma leve doçura, então ela abriu a boca e deu uma forte sugada, sentindo e ouvindo o gemido intenso de Heron.

O gosto doce, forte e antigo anestesiou sua boca, fazendo-a sentir o poder extenso do que corria nas veias de Heron. O líquido era grosso, delgado, desceu como veludo por sua garganta, fazendo-a se lembrar do sabor intenso do vinho mais antigo que já provara. Era inebriante. Podia senti-lo preenchendo todos os pontos fracos de seu corpo, fortalecendo-a… Fazendo seu corpo formigar numa sensação gostosa.

Heron gemeu enquanto a sentia sugar cada vez mais forte. Era maravilhosa a sensação de seu sangue vertendo para dentro do corpo dela. Ela não liberava endorfinas, é claro, mas sentir os lábios dela sugando, vê-la se contorcer e apreciar cada gota de seu sangue o excitava ao extremo. Era quase erótico.

Sabia que teria de pará-la em dado momento, mas decidiu aproveitar cada segundo. Sua mão deslizou-se pelo corpo dela, lentamente, encontrando os seios rijos. Os dedos hábeis, apertaram-nos carinhosamente, fazendo-a gemer uma vez com profundidade. Ela estava entregue tanto quanto ele.

Heron sorriu com málica e decidiu ir um pouco mais fundo. Desejava explorar aquele corpo novamente, os dedos ansiosos por tocar, acariciar e arrepiar a pele macia. Ele sabia ser cruel, sabia ser sedutor e sabia ser ousado. Quando seus dedos encontraram a carne feminina por entre as coxas dela, ele a ouviu arfar e soltar-lhe o pulso.

– Continue – ele ordenou, a voz rouca.

Gwen obedeceu, voltando os lábios para o sangue pecaminoso que ele tão livremente oferecia e sentiu os dedos dele roçarem sua intimidade. Seu coração acelerou com a expectativa, ele sabia muito bem como provocá-la. Um dos dedos deslizou para dentro dela enquanto ele ocupava sua boca com um dos seios suaves e rosados.

Gwen estremeceu, mas continuou a beber, sentindo os dedos dele se moverem em movimentos circulares, arrancando-lhe arrepios e gemidos intensos. Quando soltou-lhe o pulso pela segunda vez não houve protestos, a boca dele subiu sôfrega, apossando-se da sua num beijo ardente. Ela agarrou-se a ele imediatamente, desejando que o corpo dele a anestesiasse como na última vez.

Heron não largou os lábios dela, extasiado com o gosto do próprio sangue. Mas pôde sentir o toque suave e hesitante de Gwen em seu corpo, as mãos dela deslizaram lentamente por seus ombros, tórax, barriga e finalmente encontraram seu membro rijo. Ele gemeu alto uma vez e num movimento rápido, separou-lhe as pernas e penetrou-a.

Gwen gemeu e cravou as unhas nas costas dele, sentindo seu corpo se mover por vontade própria ao ritmo do corpo dele.

– Amo você – ele disse, olhando-a fixamente.

Em resposta, Gwen o beijou deixando-se levar pela paixão intensa que sentia por ele. Consumidos por aquela paixão, eles flutuaram naquela onda intensa rumo ao clímax. Heron arqueou o corpo, sentindo a sensação extasiante se espalhar por todo o seu ser… Sentindo Gwen estremecer sob ele e cravar as unhas mais uma vez em suas costas.

Ele sorriu, malicioso, imaginando se ela deixaria marcas.

Gwen suspirou, totalmente satisfeita. Seus olhos se encontraram com os dele, intensos. Heron virou-se de costas na cama e a puxou para cima, sentindo as pernas dela envolverem seu quadril.

– Como se sente? – ele perguntou, a voz pastosa.

– Eu me sinto… – ela inspirou, fechando os olhos momentaneamente. – Perfeitamente bem. – sorriu.

Ele a fitou por longos minutos em silêncio, observando o rosto dela. A cor já estava de volta, os lábios não estavam mais pálidos, os olhos recuperaram o foco e ela estava quente novamente.

Ele suspirou aliviado.

– Gwen, aqui não é mais seguro para você.

Ela franziu o cenho, sem entender.

– Mas você disse que aqui é o lugar mais seguro para mim. As muralhas e os guardas nos protegem.

– No entanto nenhum deles foi suficiente para te proteger ontem à noite. – Heron disse, a amargura tingindo-lhe a voz.

– Então o que você sugere?

– Você vai voltar para os E.U. A – ele disse.

– Deixar você? – ela perguntou, incrédula.

– É um mal necessário – e sua expressão dizia claramente o quanto ele estava odiando tudo aquilo.

– Eu não quero me afastar de você novamente!

– Eu também não, Mici. – ele tocou os lábios dela gentilmente. – Eu também sofri com a sua ausência, mais do que você pode imaginar. Quase perdi a minha humanidade. Mas eu preciso pensar na sua segurança! Não estou disposto a deixar você à mercê de Amadeo.

– O lobo albino era Amadeo? – Gwen perguntou, surpresa, e estremeceu ao se dar conta de que fora atacada pelo líder dos Filhos da Noite.

– Sim -Heron disse, com raiva – Ele é o único albino da alcateia… E o mais perigoso também! Você viu como as coisas saíram de controle, viu o quanto é perigoso ficar à mercê de Amadeo. Eles farão de tudo para matá-la. Se não fosse por Dimitri você estaria morta… Ou pior, Amadeo poderia tentar transformar você em uma exilada.

Gwen estremeceu com a ideia.

– Não é seguro para você aqui, Gwen. Precisa ir embora – Heron disse com pesar.

– Heron, não vou deixar você! Se esse lugar não é seguro para mim, então nenhum outro será. Quer me mandar de volta para casa? Lá é o lugar mais fácil para eles me encontrarem.

– Você não vai voltar para San Diego. – ele disse, de má vontade. – Só há um lugar seguro para você agora. Você vai para Baton Rouge com Dimitri.

Gwen arregalou os olhos numa expressão cética.

– Eu vou para onde? – ela se obrigou a perguntar.

– Dimitri vai mantê-la em segurança até que eu possa cuidar de você pessoalmente.

– Você só pode estar brincando! – ela se afastou dele, sentando-se na cama e cobrindo-se com um lençol. – Está mesmo dizendo que eu preciso ir morar com um vampiro totalmente traiçoeiro, perigoso e tarado?! Você me alertou para ficar bem longe dele e agora vem me dizer que eu devo confiar nele?

– Dimitri vai fazer exatamente o que eu disser a ele para fazer. – Heron disse, sombrio.

– Ah, claro! Você é chefe dele, não é mesmo? – ela disse, irônica.

– Não, Gwen. Eu não sou! Mas Dimitri sabe que você precisa estar segura e vai me ajudar a protegê-la. Ele pode ser o que for, mas quando se trata de lealdade, quando se trata de alguma coisa séria, ele não decepciona.

Gwen o fitou de mal humor.

– E por que você acha que eu estarei segura ao lado dele? O que te faz pensar que ele não vai me atacar, afinal você mesmo disse que Dimitri é um selvagem que só responde aos próprios instintos. O que te faz pensar que Amadeo não vai conseguir me achar?

– Dimitri controla sua selvageria quando realmente é importante. E Amadeo não ousaria pisar no território dele.

– Amadeo não ousaria pisar no território de Dimitri? – Gwen ergueu as sobrancelhas.

– Amadeo não enfrenta Dimitri. – Heron explicou – Por motivos que nem Deus responde, ele não entra no caminho de Dimitri… Parece ter medo dele.

– Medo? – Gwen franziu o cenho.

– Medo, receio. Quem pode saber? A questão é: você estará completamente segura em Baton Rouge.

– Não tenho tanta certeza disso – ela murmurou.

– Gwen, confie em mim. Eu jamais mandaria você para um lugar se não tivesse certeza de que você estaria segura.

– Confiar em você? – ela repetiu, sentindo o sangue ferver. – Você tem alguma ideia de como foi horrível ficar longe de você? Tem alguma ideia do quanto eu sofri saindo da minha casa? Eu tenho sentimentos, Heron! Não sou uma Prostituta de Sangue para você me abandonar ou me dar de presente quando não quiser mais! – ela foi cruel, sabia disso, mas naquele momento a raiva comandava suas palavras.

– Acha mesmo que eu a considero uma Prostituta de Sangue? – a voz dele saiu extremamente magoada, assim como seus olhos.

Gwen se arrependeu imediatamente do que havia dito. Seus olhos encheram-se de lágrimas.

– Não – ela baixou os olhos – Desculpe.

Heron se aproximou lentamente, envolvendo-a nos braços e limpando as lágrimas. Seu olhar era pesaroso, triste.

– Eu amo você, Gwen. – disse ele, apertando-a – Não é possível que você ainda duvide disso. Não quando vê o que eu sinto por você. Afastar-me de você vai ser mais difícil do que imagina, mas você precisa entender que eu não posso correr o risco de perdê-la. Eu prefiro mil vezes saber que você está longe e segura do que tê-la aqui em meus braços e saber que posso perdê-la a qualquer momento.

– Quanto tempo? – ela sussurrou. – Quanto tempo terei que ficar longe?

– Pelo menos até eu resolver as coisas por aqui. Morris precisa de mim. Não posso me dar ao luxo de ir embora com você. Ele ficaria furioso, ainda mais depois que eu prometi servi-lo quando ele precisasse desde que a deixasse viva. Eu não tenho escolha.

– Todos temos escolhas – argumentou ela, amarga.

– Não nesse quesito. Preciso ficar.

– Quanto tempo? – ela repetiu.

– Não tenho como saber, Mici. Prometo que resolverei o mais rápido que puder e então voltarei para os seus braços, se assim você permitir.

Gwen o fitou com intensidade, deixando o silêncio dominar o quarto. Seus olhos eram tristes, raivosos e por alguns momentos, desolados.

– Você sabe o quanto eu amo você, não sabe? – ela finalmente falou. – Mais do que já amei qualquer um. E é por esse amor tão grande que sinto por você que me permito aceitar uma coisa dessas. É pelo que eu sinto por você que vou esperá-lo voltar. Mas não pense nem por um minuto que estou gostando disso!

– E você acha que eu estou? Acha que gosto da ideia de me separar de você? De deixar você aos cuidados de Dimitri? – ele a fitou com intensidade.

– Acho que a minha segurança é mais importante para você do que qualquer outro sentimento mesquinho que você possa ter em relação a Dimitri. – ela admitiu.

– E isso não prova o quanto eu te amo?

– Você provou que me ama quando me beijou pela primeira vez – disse ela, fitando-o com carinho. A raiva ia se dissipando de seus olhos a medida que falava – Você provou que me ama quando me salvou do veneno de Amadeo. Você provou que me ama quando fez amor comigo, quando tocou cada pedacinho do meu corpo com os seus dedos – ela se aproximou dele, roçando os lábios nos dele – Com seus lábios – ela o beijou – Com a sua alma.

Heron a puxou para junto dele e esmagou a boca na dela num beijo apaixonado e sôfrego.

– Ah, Gwen… – ele murmurou.

– Amo você – ela disse, por sua vez.

Ele a ergueu no colo suavemente e a colocou no chão. Por um momento os olhos dele se perderam na beleza do corpo dela, desejando perder-se nele mais uma vez. Mas então ele sorriu, beijando-lhe a orelha.

– Por que você não toma um banho quente? – ele sugeriu.

– Está me dizendo que estou fedida? – ela se permitiu sorrir.

– Você cheira a alfazema – ele disse, sensualmente –Em qualquer circunstância, seu cheiro é o mesmo para mim.

Gwen sorriu, beijando-o de leve nos lábios.

– Amo você, Heron.

– E eu amo você, Iubirea mea. – ele disse com a mesma intensidade.

Ela o fitou, fascinada.

– Significa meu amor – Heron traduziu com um sorriso.

Gwen se atirou nos braços dele mais uma vez, beijando-lhe a boca com intensidade. Então, lançou-lhe um olhar significativo e foi tomar seu banho. Mas assim que pisou no banheiro ela pôde sentir o desespero tomando conta dela, sufocando-a e fazendo seu coração bater mais forte. Não podia acreditar que teria de deixar Heron mais uma vez… Ficar longe dele por um tempo indeterminável.

Nem tivera a oportunidade de matar as saudades. Não ficara com ele tempo o suficiente para suportar se afastar. A sombra daquela dor desconfortável que havia sentindo quando ele se foi pela primeira vez ameaçou voltar com força, tirando-lhe o fôlego.

Ela não era estúpida. Sabia que precisava ir embora, compreendia os motivos que o fizeram tomar tal decisão. Ela precisava ficar segura, precisava permanecer em segurança. Depois de ser atacada, percebeu o quanto aqueles exilados eram perigosos, eles estavam mesmo empenhados em matá-la. E, sem dúvidas, ela não queria morrer. Mas saber disso não atenuava a dor em seu peito ao pensar em quanto tempo teria de ficar longe. De Heron e da família.

Quando não se ama ninguém, quando o amor é apenas uma simples palavra sem crédito para as pessoas, elas não entendem, de fato, o quanto é doloroso se afastar da pessoa amada. Mas quando se ama alguém intensamente, com todas as forças de seu coração… Aí é tudo diferente. Você passa a entender exatamente como é se separar da outra pessoa.

Gwen suspirou e ligou o chuveiro, sentindo o jato de água quente massagear seu ombro e aquecê-la da brisa fria de Brasov. Não queria pensar no depois, não queria pensar em deixar para trás aquele lugar… Não queria pensar em se separar de Heron. Então se concentrou no banho, aproveitando cada minuto do calor gostoso que ele lhe proporcionava.

Não, ela não iria chorar. Teria tempo para fazer isso depois, quando a saudade a dominasse nas noites vazias. Em vez disso, pensou na noite maravilhosa que tivera. Ah, como ela havia amado cada momento em que passou sendo amada nos braços de Heron. Cada toque, cada beijo… Cada roçar de pele. Fora maravilhoso. Um momento inesquecível. Algo que ela levaria para o resto da vida…

Gwen fechou os olhos, deixando a água morna banhar seu rosto enquanto se entregava às lembranças intensas daquela noite. Sua pele arrepiou ao se recordar de como havia sido tocada. Ela deslizou as mãos pelo corpo, refazendo o caminho que Heron tantas vezes fizeram com os dedos… Com os lábios.

Quando seus dedos tocaram o quadril, Gwen franziu o cenho, olhando para baixo. Estava liso. A pele, antes dilacerada, estava agora intacta como se jamais houvesse sido ferida por dentes cruéis.

– Não haverá cicatriz. – a voz de Heron a sobressaltou, não o havia escutado entrar.

Ele estava parado de frente ao Box, fitando-a com intensidade. Seu corpo nu ainda era espetacular aos olhos dela. Lindo, sedutor, musculoso… Ela o desejou de imediato.

Heron se aproximou com lentidão, os movimentos ensaiados, e a abraçou, colando os lábios frios no ouvido dela.

– Não quero que vá embora sem eu ter estado dentro de você novamente – ele sussurrou, fazendo-a estremecer.

Com um gemido baixinho, Gwen envolveu os braços em seu pescoço e o beijou, entregando-se de boa vontade. Precisava que ele deixasse sua marca nela antes de partir, algo que ela pudesse levar consigo. E ao que parecia, ele queria a mesma coisa, pois quando a beijou, seus lábios foram possessivos e ardentes nos dela, como se estivesse mesmo marcando-os como dele.

Heron a ergueu, sentindo as pernas dela se enlaçarem em seus quadris automaticamente. Ele sorriu nos lábios dela, aprovando. Gostava da sintonia em que seus corpos se moviam, como se tivessem movimentos próprios, ansiando em alcançar aquele prazer maravilhoso que somente os apaixonados conseguiam.

Gwen tocou o rosto dele gentilmente com a ponta dos dedos, fitando os olhos amendoados que tanto amava.

– Não me deixe ficar longe de você – sussurrou, o olhar suplicante.

– Não por muito tempo – garantiu ele.

– Fique comigo.

– Para sempre, Iubirea mea. – ele prometeu, com intensidade, e a sentiu relaxar em seus braços. Gentilmente, ele afastou os cabelos molhados do rosto dela para que seus lábios pudessem roçar.

Gwen o beijou apaixonadamente, sugando os lábios frios e aveludados com carinho e deixando que o corpo dele reforçasse a lembrança da noite anterior.

*-* *-*

 Heron desligou o chuveiro com a respiração ainda ofegante, ouvindo o som delicioso do coração dela batendo. Como ele adorava saber que aquele coração batia tão rápido e forte devido aos toques dele. Era um prêmio, uma satisfação quase tão doce quanto beber do sangue dela.

Seus olhos estavam quentes quando a ergueu no colo e a depositou, gentilmente, no degrau de azulejo. Se pudesse, ele a possuiria mais uma vez antes de deixá-la partir, mas se contentou em se sentar ao lado dela e secar-lhe os cabelos com uma toalha macia.

Gwen fechou os olhos, sentindo-o tocar seus cabelos e se apertou na toalha negra e felpuda que a envolvia tão delicadamente, protegendo-a da brisa gélida que insistia em entrar pelas frestas da porta. Era de seu desejo que aquele momento durasse para sempre, queria jamais ter que deixar o toque gentil que ele lhe proporcionava… Gostaria de nunca mais deixar os lábios frios e aveludados que tantas vezes a beijara com reverência. Se pudesse, ficaria para sempre em meio às sombras, somente para ter o calor do coração dele.

– Não tenho palavras para expressar o quanto adorei estar com você esta noite. – disse Heron, enquanto massageava o couro cabeludo dela com a ponta dos dedos. Ele lhe deu um beijo suave no topo da cabeça. – E não precisa se preocupar com nada. Não serei tolo como meu pai.

Gwen franziu o cenho.

– Tolo?

Heron sorriu.

– Eu não a engravidarei. Vampiros podem sentir quando uma mulher está em seu período fértil. Sendo assim podemos evitar nos deitar com mortais e engravidá-las. Meu pai foi um tolo de ter ignorados seus instintos.

– Hã… Heron, eu não vou engravidar.

– É claro que não. – ele a beijou gentilmente.

– Não, eu quero dizer que não vou engravidar mesmo. – Gwen o fitou. – Sou uma mulher prevenida. Tomo pílulas desde meus quinze anos para regular meu ciclo. Eu realmente não vou engravidar.

Heron pareceu um tanto perdido.

– Ah. – foi tudo o que disse. – A modernidade tem suas vantagens.

Fez-se um breve momento de silêncio. E então ele voltou a falar.

– Além do mais, mesmo que não tomasse suas modernas Pílulas. Você é uma Bruxa.

– O que isso tem a ver?

– Bruxas tem o dom de escolher se querem ou não engravidar. – ele explicou. – A Magia é tão natural para vocês, que é de sua escolha gerar uma criança ou não. Vocês bruxas tem total controle da fertilidade.

– Eu não sabia disso!

– Há muito que aprender sobre a sua magia ainda, Gwen. – ele lhe sorriu, afetuosamente.

– Espere, então você está me dizendo que Helve escolheu engravidar naquela noite de Beltane?

– Ela estava em ritual de fertilidade – ele deu de ombros – É normal que tenha engravidado. Talvez fosse de sua escolha.

– Helve é uma mulher extraordinária. – disse Gwen, pensativa.

Heron assentiu em concordância e ameaçou  se levantar , mas Gwen ofereceu resistência.

– Preciso mandar prepararem o carro e avisar aos outros de sua partida. – disse ele de má vontade.

– Tão cedo?

– O mais rápido possível, Mici. Estará segura somente quando pisar em Baton Rouge.

Gwen assentiu em silêncio.

– Amo você, Gwen – Heron disse com muita intensidade. – Não estaria fazendo isso se não a amasse tanto.

– Eu sei – ela sorriu, triste. – Eu sei…

E então ele deixou o quarto, lutando com todas as suas forças para não voltar atrás e leva-la dali para sempre.

 

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