A fé da gente – Lição 5 aprendida (Parte final)

Lição 5 aprendida

A fé da gente

Lição 5 aprendida

Parte final

Escrito por: Zuleika Juliene

 A todos nós é dado o direito de escolher entre infinitas possibilidades. É fato que para alguns o caminho é mais árduo, mas a questão é que direito a escolha todo mundo tem.

  Aos poucos Catarina foi conhecendo a equipe do hospital, pessoas que cuidaram dela enquanto estava em coma, doutora Divina, a enfermeira Amanda, a psicóloga Esperança que orientou sua mãe durante aqueles dias penosos, Flora, a moça que limpava o quarto. Catarina pensou se tudo aquilo não havia sido um sonho, pois todas as suas palestrantes estavam ali, trabalhando no hospital. Teve vergonha de fazer alguma pergunta ou até mesmo tecer algum comentário a respeito, sua cabeça rodava, então percebeu que ainda estava bem fraca e não quis mais pensar no assunto.

  Após um mês em coma no hospital até os médicos acharam um milagre Catarina ter acordado, Esther foi correndo visitá-la, estava muito feliz por estar tudo bem com a amiga e mais feliz ainda por ela ter saído do coma antes da festa de seu aniversário.

  Esther era uma menina de classe média e seus pais estavam loucos para que ela se relacionasse com Nicolas, um garoto riquinho que estudava inglês com ela, mas o coração de Esther já havia encontrado um dono e por esta razão ela queria que sua melhor amiga estivesse presente em sua festa de dezoito anos, pois sabia que a pressão dos pais seria pesada demais para ela aguentar sozinha.

  Se Catarina não tivesse sofrido aquela inconveniente queda ela não compareceria à festa da amiga, pois teria marcado um encontro com Alfredo e daria a sua mãe a desculpa de estar na festa. Desta maneira os destinos de Esther e Catarina estariam fadados ao fracasso e decepções futuras.

  Catarina se lembrou deste dia, lembrou que Esther ficou uma fera por não poder contar com a amiga e que daquele dia em diante, mesmo as duas convivendo juntas ocorreu um grande afastamento, pois a amizade havia morrido naquele dia.

  – Catarina? Está me escutando? Você vai a minha festa não é? Acredito que em duas semanas você já esteja recuperada…

  – Calma Esther, a menina acabou de acordar de um coma, você já a bombardeia com perguntas – disse Dona Emília.

  – Não tem problema Dona Emília, é claro que eu vou Esther, desta vez eu não perco sua festa por nada deste mundo.

  Esther achou estranha a resposta da amiga, mas estava feliz demais, então não quis chateá-la com mais perguntas.

  Catarina teve que ficar ainda mais alguns dias no hospital para observação e alguns exames, neste período refletiu sobre sua vida, tinha objetivos claros em sua mente. Queria estudar, quem sabe montar um salão de beleza. Ela havia amadurecido muito com a experiência que tivera e estava disposta a não perder nem mais um dia sequer, sentia uma gratidão imensa pela oportunidade que havia sido dada a ela e imaginava que a melhor maneira de retribuir seria aproveitando cada minutinho.

  Quando chegou em casa Catarina era uma nova filha, uma nova vizinha, uma nova pessoa.

  Sua mãe não morreu como na primeira versão de sua vida, ela entendeu que desgosto ás vezes pode ser letal, então se sentiu grata, grata pela vida, pela natureza, pelo ar que respirava, pelos alimentos que a mantinham forte e em pé, ela aprendeu a dar importância a todas as coisas e acreditar que tudo dependia dela, de suas atitudes inclusive sua felicidade.

  Catarina já estava em casa há uma semana quando Alfredo foi procurá-la, ela trazia dentro de si todas as lembranças e sensações de um casamento mal sucedido, cheio de mágoas e arrependimentos, porém ela sabia que aquilo era só uma possibilidade, então não sentia raiva dele, apenas não sentia nada.

  Conversou com ele com muita educação e respeito, mas deixou claro que não estava interessada nele e que de agora em diante queria estudar e crescer na vida, que tinha muitas metas para alcançar e que seu foco agora era este. Alfredo ficou confuso, pois antes do acidente Catarina era uma e a que estava a sua frente naquele momento era outra, tentou insistir, mas não obteve resultado, então partiu ressentido com a decisão de Catarina.

  A vida de Alfredo também mudou, uma vez que ele também sofreu as consequências da decisão de Catarina. Ele não casou cedo, não teve filhos, virou pastor de uma das igrejinhas de Iponéia. Se foi um bom caminho? Não sei, mas foi este que ele escolheu seguir.

  Catarina acabou não estreitando amizade com sua antiga comadre, nada demais, apenas seguiram caminhos diferentes.

   O tão esperado dia do aniversário de Esther chegou, Dona Emília havia dado um lindo vestido à Catarina para que fosse à festa. Esther sentia-se radiante, pois o dono de seu coração, Gustavo, havia comparecido.

  Gustavo tinha a mesma posição social que Esther e para os pais dela isso não bastava, sendo assim o foco deles era Nicolas que tinha muitas posses. Esta situação deixava Esther preocupada, pois ela não queria ficar com alguém apenas por dinheiro, então teve a brilhante idéia de apresentar Catarina para Nicolas, pois se tivesse um pouco de sorte os dois se dariam bem e isso complicaria os planos de seus pais.

  De fato a sorte estava do lado de Esther em todos os sentidos, pois tanto Catarina e Nicolas sentiram-se atraídos um pelo outro quanto os pais dela compreenderam que o importante era a filha estar feliz fosse com quem fosse, afinal Gustavo havia tido uma boa criação e só este fato já colaborava para a simpatia dos velhos.

  Alguns dias após a festa de Esther, Catarina resolveu ligar no hospital para marcar uma consulta com a doutora Divina, mas o hospital informou que não havia e nunca houve nenhuma doutora Divina no hospital, ela perguntou pelo restante da equipe, mas obteve a mesma resposta. A recepcionista orientou Catarina a passar em consulta com o mesmo médico que havia a atendido no período do coma, doutor Norberto.

  Catarina pensou que realmente nada daquilo tinha explicação, mas que foi real, ah isso foi.

  Passado um tempo Esther percebeu que Gustavo era apenas um menino bobo e mimado e terminou o namoro, desta forma teve a oportunidade de conhecer Rodolfo, um cara com quase o dobro da idade dela e quase o triplo do dinheiro de Nicolas. Rodolfo convenceu Esther a tornar-se modelo e investiu em sua carreira, pouco tempo depois os dois se casaram.

  Catarina fez alguns cursos, economizou um pouco de dinheiro e Nicolas a ajudou a abrir seu salão de beleza que em pouco tempo virou um sucesso com a divulgação de sua melhor amiga que agora era modelo.

  Nicolas e Catarina também se casaram e tiveram uma filhinha que Nicolas fez questão de dar o nome de Débora, pois queria chamá-la de Deby.

  Catarina continuou estudando se aperfeiçoando e sempre manteve o espírito de gratidão por todo o aprendizado que teve a oportunidade de ter aos dezessete anos, a vida ainda a ensinou muitas coisas assim como ensina a todos nós, porém ela aprendeu a compreender cada sinal que lhe era enviado.

  Catarina aprendeu muitas coisas, aprendeu que tudo depende da fé da gente, principalmente a fé em nós mesmos.

  E desta maneira termina a trajetória de Catarina, com um final pra lá de feliz.

Fim

Um comentário em “A fé da gente – Lição 5 aprendida (Parte final)

  1. háaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa ela ficou com o patrão! hihihihih!

    Ele só não deu certo com a outra moça porque não era pra ser, simples assim. Adorei, adorei! Zuzu sempre arrasa nas reviravoltas!
    Fiquei feliz que Catarina terminou bem, com ouras escolhas!
    Parabéns, mesmo!!

    Fico no aguardo da continuação de Amigos de Outrora ou mais contos como O Retorno de Elise!!

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